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Morning Call — 23 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 23 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
Brent US$ 98,59 — a um passo de US$ 100 · Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana · Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho · Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global

🌐

Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima absoluta do conflito: o petróleo tipo Brent avança 4,80% para US$ 98,59, o nível mais alto desde o início do conflito em março. Trump ameaçou destruir pontos da infraestrutura iraniana — pontes e usinas elétricas — a cada vez que o Irã atacar um navio em Ormuz. Os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã. O Banco Mundial alerta que os impactos do conflito, perto de completar cinco meses, podem pesar sobre o PIB global.
S&P 500−0,34%Futuro
Nasdaq−0,36%Futuro
Kospi+4,40%Coreia do Sul
Nikkei+0,46%Japão
Brent+4,80%US$ 98,59 — limiar de US$ 100
WTI+3,88%US$ 90,20
Treasury 10a4,681%↑ — inflação precificada
DXY+0,02%101,15 — leve força

🚢 Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho — Bab el-Mandeb sob ameaça concreta: o grupo houthi do Iêmen confirmou ataque a dois petroleiros sauditas nesta manhã, com incêndio na proa de uma das embarcações. A Arábia Saudita confirmou o ataque e classificou como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sendo atacado, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente.
  • Banco Mundial alerta: o conflito perto de completar cinco meses pode reduzir o PIB global e reacender a inflação — primeiro alerta formal de uma instituição multilateral sobre o impacto macroeconômico sistêmico da guerra
  • Iene cai à mínima em 40 anos (163,30/dólar) — o petróleo caro frustrou as expectativas de crescimento do PIB japonês, tornando o iene a pior moeda do G10. Os juros de 2 anos no Japão atingiram o maior nível em 31 anos
  • Confiança empresarial na França sobe para o maior nível em 4 meses em julho — dado que contrasta com o ambiente de guerra e reflete a resiliência do setor de serviços europeu
  • MPF pede suspensão do etanol a 32% na gasolina — ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal num momento de Brent próximo de US$ 100

🌿

BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−53%Abicom · 22/07
Defasagem diesel−67%Abicom · 22/07 — recorde
BrentUS$ 98,59Subsídio mantido indefinidamente
BRB / BCDecisão iminenteCaixa preocupa — próximos dias

Lula deve manter subsídio da gasolina — decisão do fim de julho postergada indefinidamente: com o Brent a US$ 98, qualquer retirada do subsídio geraria impacto imediato e politicamente inviável nos postos. O governo antecipa contratos de energia térmica diante do El Niño — mais um custo emergencial. O MPF pediu suspensão do etanol a 32%, o que, se deferido, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível. A Fazenda enfrenta o problema de financiar o subsídio indefinidamente.
🏦 BRB: caixa preocupa o BC — decisão pode vir nos próximos dias: o Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB em poucos dias, segundo bastidores do Estadão. O banco do DF enfrenta problema de caixa após as investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de ativos. A governadora do DF ainda busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
  • Governo reembala Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano — redireciona recursos já previstos para dar aparência de resposta estrutural ao protecionismo americano
  • Governo busca mercados alternativos após tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre nova taxa de 12,5% para fechar o plano de diversificação das exportações
  • Governo antecipa contratos de vencedores de leilões de energia para garantir geração térmica diante do El Niño — custo emergencial que vai à conta de luz

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • BRB / Governo do DF: caixa do banco preocupa o BC, que pode ter de tomar decisão nos próximos dias. O BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A situação é monitorada de perto pelo Banco Central e pelo governo federal.
  • Petrobras (PETR3/4): com o Brent acima de US$ 98, a estatal opera num ambiente de receitas crescentes — mas o subsídio mantido pelo governo limita o repasse ao consumidor. O governo usa a Petrobras como amortecedor do choque de preços, o que pressiona a política de preços da estatal.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent a US$ 98,59 é um número que muda a natureza do problema. Não se trata mais de calibrar o momento de retirada do subsídio ou de esperar que o petróleo “volte ao normal” — a US$ 98, com Ormuz e o Mar Vermelho sob ameaça simultânea, o mercado começa a precificar a possibilidade de que US$ 100+ seja o novo patamar de equilíbrio enquanto o conflito durar. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais grave desta edição não é o preço do petróleo em si, mas a expansão do conflito para uma segunda rota marítima: os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, comprometendo a válvula de alívio que havia mantido parte do escoamento do Golfo funcionando quando Ormuz estava restrita. Agora, pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais estão comprometidas ao mesmo tempo — e não há alternativa de escala para o petróleo do Golfo Pérsico. Para o Brasil, o Banco Mundial alertou que cinco meses de conflito podem pesar sobre o PIB global — o que adiciona risco de desaceleração da demanda externa ao choque de oferta de combustíveis que o país já enfrenta internamente. O MPF pedindo suspensão do etanol a 32% é o dado doméstico mais preocupante: se deferido, elimina o único amortecedor de custo zero disponível num momento em que todos os outros instrumentos já foram utilizados. A semana fecha com o Brasil digerindo uma combinação de choques que não tinha paralelo desde março — mas, diferente de março, agora sem perspectiva de resolução diplomática à vista.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 98,59
+4,80% — limiar de US$ 100
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 22/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−53%
Abicom · 22/07
Etanol 32%
Risco judicial
MPF pede suspensão — amortecedor ameaçado

  • Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100: o petróleo se aproxima do nível psicológico de US$ 100 pela primeira vez neste conflito. Com Trump ameaçando destruir infraestrutura iraniana e as duas principais rotas marítimas do Golfo sob ameaça, o mercado não tem referência clara de teto. A um passo de US$ 100, as defasagens dos combustíveis brasileiros tornam-se insustentáveis sem subsídio permanente
  • Mar Vermelho e Ormuz comprometidos simultaneamente: pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico estão sob ameaça ao mesmo tempo. Os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, eliminando a válvula de alívio que mantinha parte do escoamento funcionando enquanto Ormuz estava restrita
  • MPF pede suspensão do etanol a 32%: ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível ao governo. O MPF alega irregularidades no processo de aprovação pelo CNPE. Com o Brent a US$ 98, a perda do etanol a 32% representaria agravamento imediato das defasagens — já em recordes históricos
  • Governo antecipa contratos de energia térmica por causa do El Niño: além do petróleo, o governo age preventivamente para garantir geração elétrica diante da seca no Centro-Oeste e das chuvas no Sul previstas pelo El Niño. A antecipação de contratos térmicos tem custo — e esse custo vai para a conta de luz
  • Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025 e El Niño amplia riscos para commodities agrícolas — soja, milho, café e laranja entre os mais vulneráveis. A pressão nos alimentos se intensifica justamente quando o petróleo já está no pior patamar de toda a crise
📌 Leitura do Radar: quatro alertas vermelhos — Brent a US$ 98, diesel em −67%, gasolina em −53% e o etanol a 32% ameaçado judicialmente. É o Radar mais crítico desta série. A novidade desta edição é a expansão do conflito para o Mar Vermelho: com as duas rotas principais comprometidas, o teto do Brent se torna uma incógnita real. Para o Brasil, a combinação de petróleo próximo de US$ 100, El Niño ativo e MPF questionando o único amortecedor de custo zero é o ambiente mais adverso para a inflação desde o início do conflito.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Trump / IrãConflito — Limiar de US$ 100
Brent a US$ 98 — Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana; Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global
O Brent avança 4,80% para US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima do conflito. Trump ameaçou destruir pontes e usinas elétricas iranianas a cada ataque em Ormuz. O Banco Mundial alertou que o conflito, perto de completar cinco meses, pode reduzir o PIB global e reacender a inflação. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques ao Irã.
Contexto: A US$ 98, o mercado começa a precificar que US$ 100 pode não ser um teto, mas um piso — se as duas rotas marítimas do Golfo ficarem bloqueadas. A ameaça de Trump de destruir infraestrutura civil iraniana eleva o risco de escalada para além do campo militar e pode interromper as negociações diplomáticas em curso. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent adiciona bilhões ao custo do subsídio.

02
Houthis / Mar Vermelho / Bab el-MandebSegunda Rota Comprometida
Houthis atacam dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — as duas rotas do Golfo comprometidas ao mesmo tempo
O grupo houthi do Iêmen atacou dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã, com incêndio confirmado na proa de uma embarcação. A Arábia Saudita classificou o ataque como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sob ataque, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente pela primeira vez neste conflito.
Contexto: Este é o dado mais grave desta edição do ponto de vista estrutural de mercado: a perda simultânea das duas rotas elimina a válvula de alívio que havia mantido o Brent abaixo de US$ 95 nas semanas anteriores. Sem alternativa de escala para o petróleo do Golfo, o teto do Brent é uma incógnita real. Para o Brasil, é a concretização do pior cenário energético possível neste conflito.

03
MPF / Etanol / CombustíveisAmortecedor Ameaçado
MPF aciona Justiça para suspender aumento do etanol na gasolina para 32% — único amortecedor de custo zero em risco
O Ministério Público Federal acionou a Justiça pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado pelo CNPE na semana passada. Se deferida, a medida eliminaria o único instrumento de mitigação de custo zero disponível ao governo num momento de Brent próximo de US$ 100. Lula deve manter o subsídio da gasolina, o que gera problema crescente para a Fazenda.
Contexto: O MPF questionar o etanol a 32% no pior momento do conflito é o dado doméstico mais preocupante desta edição. A economia de R$ 0,03/litro é modesta, mas a medida tem valor estrutural — reduz a dependência de gasolina importada num momento em que o petróleo está a um passo de US$ 100. Uma suspensão judicial seria um retrocesso significativo na agenda de mitigação do choque.

04
BRB / BC / Risco FinanceiroSistema Financeiro Brasil
Caixa do BRB preocupa o BC — decisão sobre banco pode vir nos próximos dias
O Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB nos próximos dias, segundo o Estadão. O banco do Distrito Federal enfrenta problema de caixa após investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A governadora do DF busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
Contexto: O BRB em dificuldade de caixa com decisão do BC iminente é um risco que o mercado ainda não precificou completamente — está ofuscado pelo petróleo e pelas tarifas. Para o sistema financeiro, a forma como o BC resolverá o caso (intervenção, fusão, socorro) terá precedente relevante para outras instituições médias com exposição ao Master. A decisão deve vir antes do fim de semana.

05
Governo / Tarifaço / DiversificaçãoComércio Internacional
Governo reembala Brasil Soberano para o tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre taxa adicional de 12,5%
O governo reembalou o Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano, redirecionando recursos já previstos. O governo aguarda ainda a definição dos EUA sobre a possibilidade de uma taxa adicional de 12,5% — o que influenciará o formato da resposta brasileira. A diversificação de exportações para a Europa já mostrou R$ 10 bi de crescimento em dois meses (Alckmin).
Contexto: O “reembalo” do Brasil Soberano sem recursos novos é a resposta politicamente viável ao tarifaço num momento em que o espaço fiscal está comprimido por subsídios de combustíveis, antecipação de contratos de energia e iminente decisão sobre o BRB. Para os setores afetados — máquinas, equipamentos, manufaturados — a espera pela definição da taxa de 12,5% posterga os investimentos de ajuste necessários.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 22 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 22 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado

🌐

Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent dispara para US$ 94 — máxima absoluta do conflito — 11ª noite de ataques americanos ao Irã: o petróleo tipo Brent avança 3,66% para US$ 94,34, o nível mais alto desde o início do conflito em março. O WTI também sobe quase 4%, para US$ 87,65. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre Ormuz e alertou que Washington agirá para proteger seus interesses caso Teerã não leve as negociações a sério. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda não foi aceita por nenhuma das partes.
S&P 500−0,30%Futuro
Nasdaq−0,70%Futuro
FTSE+0,97%Londres
Kospi+0,74%Coreia do Sul
Brent+3,66%US$ 94,34 — máxima do conflito
WTI+3,92%US$ 87,65
Ouro+1,06%US$ 4.119 — porto seguro
Treasury 10a4,635%↑ — pressão inflacionária

💊 Trump anuncia cronograma de tarifas sobre genéricos importados — 100% a partir de 2028, 200% em 2029: a partir de 1º de agosto, genéricos importados ficam isentos por dois anos; depois, tarifa sobe para 100% e depois 200%. Objetivo é forçar fabricantes a produzir nos EUA. Medida que pressionará custos de saúde globalmente e pode afetar exportações farmacêuticas brasileiras no médio prazo.
  • Rubio: principal impasse é o Irã reivindicar o direito de controlar Ormuz — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA mantêm que o estreito é uma via de passagem internacional e que não cederão esse ponto nas negociações
  • Japão: déficit comercial supera 3 vezes o esperado em junho — pressionado pelo custo adicional do petróleo para substituir o do Oriente Médio. As exportações japonesas cresceram 19,3%, impulsionadas por eletrônicos, metais e automóveis
  • Reino Unido: inflação desacelera para 2,6% em junho — mínima em 15 meses, puxada pela queda nos preços da gasolina. Banco da Inglaterra deve manter juros na próxima semana, mas os próximos meses trarão pressão renovada do petróleo

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (ter)−0,03%173.326 pts — estável
Dólar (ter)−0,32%R$ 5,0731 — mínima desde 15/jun
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — recorde

🇺🇸 Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil entram em vigor hoje: a medida afeta milhares de itens, com exceção de carne e café. O governo avalia resposta entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas o Ministério da Fazenda sinalizou que não deve usar a lei por ora, e setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Uma nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
📉 IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — alívio nos preços ao produtor: o índice mostra deflação na segunda prévia, puxada pela queda nos preços ao produtor agropecuário (−9,5% no 1S26). Dado positivo para o IPCA de agosto, especialmente nos componentes de alimentos in natura e matérias-primas. A segunda prévia do IGP-M é um indicador antecedente relevante para a trajetória do IPCA nas próximas semanas.
  • Dólar cai para R$ 5,07 — menor nível desde 15 de junho: paradoxalmente, no dia em que as tarifas entram em vigor, o real se valoriza. O movimento reflete a alta do petróleo beneficiando exportadoras brasileiras e o fluxo de dólares ainda elevado como colchão. O mercado já havia precificado o tarifaço nas semanas anteriores
  • Etanol atinge menor preço médio desde 2024 — com o etanol a 32% recém-implementado e safra abundante, o custo do combustível alternativo está no menor patamar em dois anos. Fator desinflacionário relevante que compensa parte da alta do Brent
  • Vale registra melhor 2T de produção de minério desde 2018 — 84,2 mi de toneladas, alta de 0,8% na comparação anual. Resultado sólido que sustenta o papel mesmo em ambiente adverso para blue chips

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Vale (VALE3): melhor produção trimestral de minério de ferro para um 2T desde 2018, com 84,2 mi de toneladas (+0,8% a/a). O avanço veio do projeto S11D em Carajás e de volumes adicionais em Capanema e VGR1 (MG) — resultado operacional robusto que contrasta com o ambiente macroeconômico adverso.
  • Mercado Livre (MELI): captou R$ 1,5 bilhão em Letras Financeiras com demanda 2,2x o valor ofertado — operação em duas séries (2 e 3 anos) com remuneração de CDI+0,39% e CDI+0,47%. Demanda robusta sinaliza apetite do mercado de crédito mesmo em ambiente de juros elevados.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent em US$ 94 e as tarifas americanas de 25% entrando em vigor no mesmo dia deveriam ser a tempestade perfeita para o real — mas o dólar fechou ontem em R$ 5,07, o menor nível desde 15 de junho. Esse aparente paradoxo revela algo importante sobre a resiliência estrutural do Brasil neste ciclo: o fluxo de dólares acumulado no semestre (US$ 17,78 bi), a alta do petróleo beneficiando a Petrobras e as exportadoras, e o mercado que já havia precificado o tarifaço semanas antes formam um colchão que o mercado cambial está usando. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais construtivo do dia é o IGP-M com deflação de 1,11% na segunda prévia — sinal de que os preços ao produtor estão cedendo mesmo com o petróleo em alta, o que antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos. O etanol no menor preço desde 2024 complementa esse quadro: há desinflação real acontecendo em alguns vetores enquanto o petróleo sobe em outros. O desafio para as próximas semanas é a trajetória do Brent: a US$ 94, as defasagens em −52% e −67% tornam qualquer retirada de subsídio politicamente inviável — e o custo fiscal cresce a cada dia. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda aguarda resposta de ambos os lados: se aceita, o Brent poderia recuar para US$ 75–80 em poucas semanas, abrindo espaço para o governo agir. Se rejeitada, o mercado precisará reclassificar o conflito de crise geopolítica para realidade estrutural permanente — e reprecificar toda a curva de ativos brasileiros.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 94,34
+3,66% — máxima absoluta do conflito
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−52%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
IGP-M (2ª prévia jul)
−1,11%
Deflação — alívio ao produtor

  • Brent em US$ 94 — máxima absoluta do conflito: o petróleo supera todos os picos anteriores desta crise. Com Rubio acusando o Irã de descumprir o acordo e a proposta de trégua ainda sem resposta, o mercado não tem teto claro enquanto a incerteza sobre Ormuz persistir. Cada dólar a mais no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal dos subsídios
  • Diesel em −67% e gasolina em −52% — recordes que se acumulam: com o Brent em US$ 94 e as defasagens nesses níveis, o custo diário dos subsídios para o Tesouro é o maior de toda a crise. A decisão do governo sobre o subsídio da gasolina, prometida para o fim de julho, deve ser postergada mais uma vez — é matematicamente impossível retirá-lo com o Brent acima de US$ 90
  • IGP-M com deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — contrasta com o petróleo: os preços ao produtor agropecuário caíram 9,5% no primeiro semestre e o IGP-M mostra deflação mesmo com o Brent em alta. Isso acontece porque os alimentos in natura e as matérias-primas agrícolas têm dinâmica própria — e o El Niño ainda não se materializou completamente nas colheitas. O dado antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de alimentos
  • Etanol no menor preço médio desde 2024: a safra abundante e o etanol a 32% na gasolina mantêm o combustível alternativo barato. É o principal fator que impede que a alta do Brent se transmita integralmente para a gasolina nos postos — mesmo com a defasagem em −52%, o etanol está funcionando como amortecedor real
  • Segunda prévia do IGP-M como antecedente do IPCA de agosto: a deflação de 1,11% no IGP-M sugere que, mesmo com o petróleo pressionando, os componentes de alimentos e matérias-primas podem contribuir positivamente para o IPCA de agosto. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem nas próximas semanas
📌 Leitura do Radar: Brent em US$ 94 com defasagens em recordes históricos de um lado; IGP-M em deflação e etanol barato do outro. O Radar desta edição ilustra a divisão do cenário inflacionário brasileiro: combustíveis no pior momento de toda a crise, alimentos e matérias-primas em alívio real. O resultado líquido para o IPCA de agosto dependerá de qual dos dois vetores dominará nas próximas semanas — e da trajetória do petróleo após a resposta (ou não) à proposta de trégua de 10 dias.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Ormuz / RubioEnergia — Máxima do Conflito
Brent atinge US$ 94 — máxima do conflito — Rubio acusa Irã de descumprir acordo sobre Ormuz
O Brent avança 3,66% para US$ 94,34 — o nível mais alto desde o início do conflito. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o principal impasse é o Irã reivindicar controle sobre a via — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques. A proposta de trégua de 10 dias ainda aguarda resposta de ambos os lados.
Contexto: O Brent em US$ 94 com a proposta de trégua sem resposta é o cenário mais tenso do conflito até aqui. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal diário dos subsídios — tornando matematicamente impossível a retirada do subsídio da gasolina que estava prometida para o fim de julho. A resposta à trégua nas próximas 24–48 horas será o evento mais relevante para o petróleo.

02
Tarifaço / EUA-Brasil / RespostaComércio Internacional
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor hoje sobre o Brasil — governo avalia resposta entre diplomacia e reciprocidade
As tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entram em vigor nesta quarta, afetando milhares de itens com exceção de carne e café. O governo avalia entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas sinalizou que não deve usar a lei por ora. Setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
Contexto: O real em R$ 5,07 no dia em que as tarifas entram em vigor mostra que o mercado já havia precificado o evento. O impacto real virá nos próximos meses, à medida que os contratos de exportação se renovarem com as novas condições. A decisão do governo de não acionar a reciprocidade por ora é pragmática — preserva espaço para negociação e evita escalar o conflito comercial num momento de crise energética simultânea.

03
IGP-M / Inflação / AlívioInflação — Dado Construtivo
IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — preços ao produtor cedem mesmo com petróleo em alta
A segunda prévia do IGP-M registrou deflação de 1,11% em julho, com os preços ao produtor agropecuário acumulando queda de 9,5% no primeiro semestre. O dado contrasta com o Brent em alta e antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos in natura. Indicadores também mostram desaceleração mais forte da atividade econômica.
Contexto: A deflação no IGP-M é o dado mais construtivo para a inflação nesta semana tensa — indica que os preços ao produtor estão cedendo numa dinâmica própria do agronegócio, independente do petróleo. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem. Por ora, o dado sustenta a tese do mercado de que parte do choque inflacionário é transitória.

04
Fed / Juros EUAPolítica Monetária Global
Fed deve manter juros inalterados este ano — mas economistas citam chance elevada de alta caso petróleo persista
O consenso dos economistas consultados aponta que o Fed deve manter os juros inalterados em 2026, mas uma parcela relevante cita chance elevada de alta caso o petróleo permaneça acima de US$ 90 por tempo prolongado. A segunda prévia do IGP-M com deflação de 1,11% e os dados de atividade mostrando desaceleração reforçam o cenário base de manutenção — mas o Brent em US$ 94 mantém o risco de alta no radar.
Contexto: A posição do Fed é a chave para o BC brasileiro: se os EUA mantiverem juros, o diferencial de taxa a favor do Brasil permanece e o real tem sustentação. Se o Fed subir, o dólar global se fortalece e o colchão cambial brasileiro se consome mais rapidamente. O Copom de agosto decidirá no ambiente criado pela resposta (ou não) à trégua nas próximas semanas.

05
Governo / Crédito / FiscalPolítica Econômica Brasil
Governo acena com negociação e crédito para contornar tarifaço — dívida com agências reguladoras atinge R$ 135 bi
O governo combina aceno com negociação diplomática e oferta de crédito para setores afetados pelo tarifaço americano. Em paralelo, a dívida com agências reguladoras atingiu R$ 135 bilhões — pressão adicional sobre o orçamento num momento de subsídios de combustíveis custosos e pauta-bomba aguardando promulgação. Indicadores mostram desaceleração mais forte da atividade econômica em junho.
Contexto: A combinação de R$ 135 bi em dívida com reguladoras, subsídios de combustíveis sem prazo definido, pacote de crédito de R$ 145 bi e desaceleração da atividade forma o quadro fiscal mais desafiador desde o início do conflito. O governo tem instrumentos políticos, mas o espaço fiscal real para utilizá-los sem comprometer o arcabouço está cada vez mais estreito.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
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Morning Call — 21 de Julho

Morning CallTerça-feira, 21 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

🌐

Panorama GlobalInternacional

🕊️ Proposta de cessar-fogo de 10 dias apresentada a EUA e Irã — mercados reagem com forte alta: mediadores regionais apresentaram nesta terça a Washington e Teerã uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia impulsiona os mercados globalmente: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, Shanghai +1,79%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq futuro +1,18%. O petróleo recua levemente apesar do Irã ter atacado um petroleiro em Ormuz ainda nesta madrugada.
S&P 500+0,46%Futuro
Nasdaq+1,18%Futuro — tech lidera
Nikkei+3,30%Japão
Kospi+3,60%Coreia do Sul
Brent−0,48%US$ 88,79 — recua com cessar-fogo
WTI−0,50%US$ 82,81
Ouro+1,23%US$ 4.065 — porto seguro ativo
DXY−0,01%100,94 — estável

🚢 Atenção: Houthis declaram embargo marítimo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb: além de Ormuz, o grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb — a rota alternativa que os sauditas vinham usando para desviar o petróleo via Mar Vermelho durante a guerra. Se o bloqueio se concretizar, a válvula de alívio do mercado global se fecha junto com Ormuz.
  • 10ª noite de ataques americanos ao Irã: o CENTCOM confirmou a décima rodada consecutiva, mesmo com a proposta de trégua em curso. O tráfego em Ormuz caiu 66% na semana até 20/7 (53 travessias vs. 157 na semana anterior), segundo Lloyd’s List Intelligence
  • EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses — veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. Trump utilizou a Seção 338 do Tariff Act de 1930, dispositivo raramente usado. Tarifas entram em vigor em 30 dias. A escalada comercial americana se amplia além do Brasil
  • Exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em 2 meses (Alckmin) — diversificação de destino como resposta ao tarifaço americano já está em curso. Boa notícia para o agronegócio exportador

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (seg)−0,20%173.371 pts
Dólar (seg)−0,43%R$ 5,0893 — alivia
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — novo recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — novo recorde

Defasagens batem novos recordes absolutos: diesel em −67% e gasolina em −52%: mesmo com a proposta de cessar-fogo, as leituras de hoje da Abicom mostram os maiores desalinhamentos de toda a crise. O querosene de aviação subiu 57,6% em um ano. A Petrobras e a Acelen amenizam o impacto da volatilidade — mas o espaço para absorção é limitado com o Brent acima de US$ 88.
🇧🇷 Lula aguarda eleições para reciprocidade ao tarifaço — exportações à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses: o governo decidiu segurar medidas de reciprocidade ao tarifaço dos EUA até as eleições para não dar palanque a Flávio. Enquanto isso, a diversificação já acontece: Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em dois meses. Tarifas americanas entram em vigor amanhã (22/07).
  • Crise na Rússia pressiona combustíveis no Brasil: além do conflito em Ormuz, os ataques ucranianos às refinarias russas continuam impactando a disponibilidade de diesel no mercado global — reforçando o duplo choque de oferta
  • Campanha de Lula reforça interlocução com o mercado — sinalização de que, no período eleitoral, o governo busca minimizar o risco-Brasil percebido pelos investidores institucionais
  • Moraes arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Abin paralela — decisão que reduz o número de frentes judiciais abertas e pode influenciar o ambiente político-eleitoral

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Time For Fun (TIMS3): o controlador Fernando Alterio adquiriu 58,13% das ações em circulação a R$ 6,02 por ação na OPA de fechamento de capital, elevando sua participação a 79,14%. Liquidação prevista para amanhã (22/07).
  • Gerdau (GGBR4): adquiriu os 23,03% da Dona Francisca Energética (Dfesa) que pertenciam à Celesc por R$ 150 milhões, passando a deter 100% da companhia — expansão em geração de energia própria.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A proposta de cessar-fogo de 10 dias entre EUA e Irã é a notícia que o mercado estava esperando há semanas — e a reação é proporcional ao acúmulo de tensão: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro quase +0,5%. Mas convém calibrar o otimismo: o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada — depois da proposta já ter sido apresentada — e os houthis no Iêmen declararam embargo marítimo à Arábia Saudita com ameaça de fechar Bab el-Mandeb, a rota alternativa que os sauditas vinham usando para exportar petróleo enquanto Ormuz estava restrita. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário ideal de resolução exige não apenas um cessar-fogo EUA-Irã, mas também o recuo dos houthis — o que adiciona uma variável independente que o mercado ainda não precificou completamente. Para o Brasil, o dado mais importante desta terça é o Focus: pela terceira semana consecutiva, o IPCA 2026 recuou — o mercado mantém a tese de que o choque é temporário e que a desinflação voltará quando o conflito se resolver. As defasagens em −52% e −67% são recordes absolutos — mas o mercado olha para o que vem depois da trégua, não para o patamar atual. A questão que fica: se o cessar-fogo de 10 dias for aceito, o petróleo cai com força suficiente para permitir ao governo retirar o subsídio da gasolina no fim de julho? Com o Brent em US$ 88 hoje, precisaria cair para perto de US$ 70 para as defasagens se tornarem manejáveis. Dez dias podem não ser suficientes.

📋

Boletim Focus
Expectativas de Mercado

IPCA 2026
5,10%
↓ de 5,16% — 3ª queda seguida
Selic 2026
14,00%
Manutenção
Câmbio 2026
R$ 5,20
Manutenção
PIB 2026
1,99%
Manutenção

  • IPCA 2026 cai para 5,10% — terceira queda consecutiva: o mercado reduz a projeção de inflação pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,10%. O movimento confirma a tese de que o choque do petróleo é percebido como temporário — o mercado ancora na expectativa de que o conflito se resolve e a desinflação retorna. Ainda assim, a projeção para 2028 subiu levemente, acendendo alerta sobre expectativas de médio prazo
  • Selic em 14,00% — manutenção: o mercado segue precificando pelo menos mais um corte no ciclo, mas sem antecipar movimentos. O Copom de agosto dependerá da evolução do conflito e do petróleo nas próximas duas semanas
  • Câmbio em R$ 5,20 — estável: projeção sustentada pelo fluxo de dólares ainda positivo e pela expectativa de que o conflito não afeta estruturalmente o real. O dólar fechou ontem em R$ 5,0893 — abaixo da projeção do Focus, o que reflete o colchão cambial em ação
  • Atenção: projeção de inflação para 2028 subiu — enquanto o mercado reduz o IPCA de 2026 e 2027, a estimativa para 2028 avançou, sinalizando que parte dos analistas começa a incorporar riscos de médio prazo (El Niño, encargos de energia, pressão fiscal eleitoral) nas projeções mais longas
📌 Leitura do Focus: três quedas consecutivas no IPCA 2026 com defasagens em recordes históricos revelam uma aparente contradição — mas a lógica é consistente: o mercado precifica o choque como temporário e aposta na resolução do conflito. O risco dessa tese é exatamente o que os houthis fizeram hoje: adicionar variáveis independentes que podem prolongar a crise além da trégua EUA-Irã. Se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, a tese do “choque temporário” precisará ser revisada.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impaco para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / Cessar-fogoGeopolítica — Alívio Relativo
Mediadores apresentam proposta de cessar-fogo de 10 dias a EUA e Irã — mercados globais disparam
Mediadores regionais apresentaram nesta terça uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia provocou forte alta nos mercados: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq +1,18%. O petróleo recuou levemente. O CENTCOM, porém, confirmou a 10ª rodada de ataques na noite de ontem — e o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada.
Contexto: A proposta de trégua é genuinamente positiva — é o primeiro sinal concreto de mediação desde o colapso da trégua de junho. Mas a cautela é necessária: o Irã atacou um petroleiro depois da proposta ser apresentada, sinalizando que o campo militar ainda não está sincronizado com o diplomático. Para o petróleo cair o suficiente para permitir a retirada dos subsídios brasileiros, a trégua precisa ser aceita e mantida — 10 dias podem não ser suficientes.

02
Houthis / Bab el-Mandeb / EnergiaNova Ameaça de Bloqueio
Houthis declaram embargo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb — a válvula de alívio do petróleo global
O grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Esta rota vinha funcionando como válvula de alívio durante a guerra: os sauditas desviaram parte do petróleo por duto até um terminal de exportação no Mar Vermelho para contornar Ormuz. Um bloqueio de Bab el-Mandeb encerraria essa alternativa.
Contexto: A ameaça dos houthis adiciona uma segunda variável de risco energético independente do conflito EUA-Irã. Se Ormuz e Bab el-Mandeb forem bloqueados simultaneamente, o mercado de petróleo enfrentaria uma restrição de oferta sem precedente histórico — sem rota alternativa de escala para o petróleo do Golfo. Para o Brasil, é o cenário de pior caso: diesel em −67% já hoje, e sem perspectiva de normalização enquanto as duas rotas estiverem comprometidas.

03
Focus / IPCA / SelicInflação Brasil — 3ª Queda
Focus: IPCA 2026 cai para 5,10% pela 3ª semana seguida — mercado mantém tese do choque temporário
O Boletim Focus desta terça reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,16% para 5,10% — terceira queda consecutiva após 14 semanas de alta. A Selic esperada para o fim do ano foi mantida em 14,00%. O movimento confirma que o mercado precifica o conflito como choque temporário e aposta na desinflação pós-trégua. A projeção para 2028, porém, subiu levemente.
Contexto: IPCA caindo no Focus enquanto as defasagens batem recordes históricos parece contraditório, mas é coerente com a tese do mercado: o choque é temporário, a resolução vem, e a desinflação de junho voltará. O risco é exatamente a ameaça dos houthis: se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, o “temporário” vira “estrutural” e o Focus precisará ser revisado para cima. A alta na projeção de 2028 já é um sinal de alerta incipiente.

04
EUA / Canadá / TarifaçoComércio Internacional
EUA impõem tarifas de 50% sobre veículos, bebidas e laticínios do Canadá — escalada comercial americana se amplia
Os EUA impuseram tarifas adicionais de 50% sobre veículos automotores, bebidas alcoólicas e laticínios canadenses, usando a Seção 338 do Tariff Act de 1930 — dispositivo raramente utilizado. As tarifas entram em vigor em 30 dias e se aplicam independentemente do acordo de livre-comércio vigente entre os países. As tarifas de 25% sobre o Brasil entram em vigor hoje (22/07).
Contexto: Os EUA ampliam a guerra comercial do Brasil para o Canadá — o maior parceiro comercial americano. O uso da Seção 338, raramente acionada, sinaliza que Trump está disposto a escalar sem limites jurídicos convencionais. Para o Brasil, o foco agora é na entrada em vigor das tarifas de 25% amanhã — e na resposta do real a esse evento depois de semanas de preparação do mercado.

05
Exportações / Europa / DiversificaçãoComércio Exterior Brasil
Exportações brasileiras à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses — diversificação já em curso como resposta ao tarifaço
O vice-presidente Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em apenas dois meses — sinalização de que a diversificação de destinos das exportações já está em curso como resposta ao tarifaço americano. O governo mantém a estratégia de segurar medidas de reciprocidade até as eleições para não amplificar o conflito político.
Contexto: R$ 10 bi de crescimento para a Europa em dois meses é o dado mais construtivo para o setor exportador brasileiro desta semana — mostra que o agronegócio e a indústria já estão redirecionando fluxos. Esse deslocamento para a Europa e Ásia pode mitigar parte do impacto das tarifas americanas no médio prazo, especialmente se o acordo com a União Europeia avançar.

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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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Morning Call — 20 de Julho

Morning CallSegunda-feira, 20 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
9ª noite consecutiva de ataques EUA-Irã · Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito · Brent US$ 88 · Diesel −63% · Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas

🌐

Panorama GlobalInternacional

🛢️ Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito — 9ª noite de ataques americanos: o Irã anunciou que nenhuma gota de petróleo ou gás transitará pelo Estreito de Ormuz enquanto o conflito durar. O CENTCOM concluiu no domingo a 9ª noite consecutiva de ataques ao Irã. EUA e Irã se acusam mutuamente de violar o memorando de entendimento de junho. O Brent abre a semana em US$ 88 — o nível mais alto de todo o conflito — e as defasagens dos combustíveis brasileiros atingiram novos recordes no fim de semana: diesel em −63% e gasolina em −47%.
S&P 500+0,24%Futuro — recuperação
Nasdaq+0,37%Futuro
Kospi−4,50%Coreia do Sul
Shanghai+0,85%China
Brent+0,07%US$ 88,16 — máxima do conflito
WTI−0,57%US$ 82,02
Treasury 10a4,561%Sobe levemente
Ouro+0,16%US$ 4.025 — porto seguro

🇺🇦 Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas — o ataque mais letal dentro da Rússia em mais de dois anos: drones ucranianos atingiram dois depósitos e um terminal de petróleo em território russo no fim de semana — o mais letal desde o início do conflito. A Rússia respondeu com onda de mísseis balísticos e drones sobre Kiev. A OTAN declarou estar preparada para “qualquer movimento russo”, incluindo investida sobre Polônia e países bálticos.
  • Catar condena ataques iranianos à Jordânia, Bahrein e Kuwait — alinhamento dos países do Golfo contra o Irã se consolida. O isolamento iraniano no mundo árabe é crescente, mas não interrompe o conflito militar
  • PPI alemão +1,8% em junho anual (+5,1% em bens intermediários como metais e químicos) — reflexo da guerra chegando ao produtor europeu. A desinflação europeia pode ser temporária
  • IGP-10 amplia queda em julho — sinal positivo de curto prazo para a inflação doméstica, mas o alerta já chega: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio
  • Galípolo (BC) e decisão do BCE são os destaques da agenda desta semana — e as tarifas de 25% dos EUA entram em vigor na quarta (22/07)

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (sex)−0,06%173.714 pts · semana −2,33%
Dólar (sex)+0,25%R$ 5,1112
Defasagem gas.−47%Abicom · 17/07 — novo recorde
Defasagem diesel−63%Abicom · 17/07 — novo recorde

💳 Governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bilhões driblando o arcabouço fiscal: o governo Lula prepara pacote de crédito de R$ 145 bilhões para o ano eleitoral, usando mecanismos que contornam as regras do arcabouço. Ao mesmo tempo, começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço americano para definir o tamanho do socorro — enquanto o BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital sobre fundo com ativos do Master.
🛢️ Diesel em −63% e gasolina em −47% — defasagens batem novos recordes no fim de semana: com o Brent chegando a US$ 88 e o Irã declarando Ormuz fechado, as leituras da Abicom do fim de semana (17/07) mostram os maiores desalinhamentos de toda a crise. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho — mas o contexto atual torna qualquer retirada politicamente inviável.
  • Plano para gasolina com 35% de etanol avança — nova fase de testes prevista para setembro. Se aprovado, seria um passo além do etanol a 32% recém-implementado — amortecedor estrutural mais relevante no médio prazo
  • ONS reduz previsão para reservatórios do SE/CO em julho — com El Niño ativo, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste começam a recuar, aumentando o risco de bandeira amarela ou vermelha na conta de luz
  • TCU detecta falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas — combustível para novas investigações na alçada de Dino no STF. Tensão fiscal e política se intensifica no recesso

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • GPA (PCAR3): o grupo afirmou que as impugnações ao plano de recuperação extrajudicial são minoritárias — o plano já conta com apoio de 57,49% dos créditos, com 88,4% optando pela injeção de novos recursos. Sinal de que o processo de reestruturação avança.
  • Grupo Itajobi (sucroalcooleiro): pediu mediação empresarial no CEJUSC para renegociar dívida de R$ 3,76 bilhões antes de eventual recuperação judicial. O setor sucroenergético, que havia se beneficiado do etanol a 32%, enfrenta pressão de endividamento acumulada.
  • Carros chineses: vendas disparam no Brasil e derrubam preços tanto no mercado de novos quanto no de usados — a eletrificação da frota brasileira avança mesmo em ambiente de guerra comercial com os EUA.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana começa com o Brasil digerindo uma nova dimensão do conflito: o Irã declarou formalmente que Ormuz estará fechado enquanto durar o confronto — o que transforma o que era um risco operacional em uma declaração de política. Não é mais uma ameaça tática; é um posicionamento estratégico. Com o Brent em US$ 88, o diesel em −63% e a gasolina em −47%, o Brasil enfrenta as maiores defasagens de combustível de toda a crise — e ainda sem data definida para a reversão dos subsídios. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta abertura não é o petróleo, mas a combinação de dois conflitos globais simultâneos afetando o mesmo mercado de energia: Ormuz (petróleo do Oriente Médio) e refinarias russas (diesel do Leste Europeu) ao mesmo tempo. O Brasil está no epicentro desse duplo choque porque depende de ambas as rotas. Para a semana, três eventos definem o tom: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta (22/07) — o real será o termômetro imediato do impacto; Galípolo fala e o BCE decide — sinalizações sobre o ritmo de juros globais; e a evolução do conflito em Ormuz, que pode deteriorar ou abrir espaço para negociação. O paradoxo do momento: o governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bi para o ano eleitoral num ambiente de IPCA acima da meta, subsídios sem data de encerramento e conta de luz prestes a subir. Os colchões do Brasil resistem — mas a semana desta terça a sexta será uma das mais definidoras de 2026.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−63%
Abicom · 17/07 — novo recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−47%
Abicom · 17/07 — novo recorde
Brent
US$ 88,16
Máxima do conflito — Ormuz “fechado”
Reservatórios SE/CO
↓ ONS
ONS reduz previsão julho — El Niño ativo

  • Diesel em −63% — defasagem mais grave de toda a crise, com dois conflitos globais na origem: o fechamento declarado de Ormuz pelo Irã somado aos ataques ucranianos às refinarias russas cria uma restrição de oferta sem precedente neste ciclo. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa ao do Oriente Médio, perdeu os dois fornecedores alternativos ao mesmo tempo
  • Brent em US$ 88 — máxima do conflito: o petróleo tipo Brent atinge o nível mais alto desde o início do conflito em março, superando os picos anteriores. Com Ormuz declarado fechado e refinarias russas fora do ar, o mercado não tem referência clara de teto enquanto durar o duplo choque
  • Gasolina em −47% com etanol a 32% recém-implementado: mesmo com o aumento da mistura aprovado pelo CNPE na semana passada, a defasagem da gasolina atingiu novo recorde. O etanol a 32% economiza R$ 0,03/litro — mas cada dólar de alta no Brent adiciona cerca de R$ 0,05 à defasagem. O plano para 35% de etanol em setembro seria o próximo passo, mas ainda está em fase de testes
  • Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste recuam — ONS reduz previsão: com o El Niño ativo e as primeiras ondas de seca chegando ao Sudeste, a ONS reduziu a previsão para os reservatórios em julho. A combinação de menor afluência hídrica com encargos das eólicas “jabutis” cria pressão dupla na conta de luz para o 2S26
  • IGP-10 amplia queda em julho — alívio real, mas temporário: o índice que mede a inflação entre os dias 11 do mês anterior e 10 do corrente mostrou queda, puxado pela deflação nos preços ao produtor. O alerta, porém, já está no próprio relatório: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio nas próximas leituras
📌 Leitura do Radar — abertura de semana crítica: diesel em −63%, gasolina em −47%, Brent em US$ 88 e reservatórios recuando. É o Radar mais crítico desde o pico do conflito em março. A declaração iraniana de fechar Ormuz “enquanto durar o conflito” transforma o choque de oferta de episódico em estrutural — e é essa mudança de percepção que o mercado precisa precificar nas próximas sessões. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho: com esses números, qualquer cenário de retirada será extremamente difícil de justificar politicamente.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Irã / Ormuz / EUAConflito — Nova Declaração
Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito — 9ª noite de ataques americanos; EUA e Irã acusam-se de violar trégua de junho
O Irã declarou que nenhuma gota de petróleo ou gás transitará pelo Estreito de Ormuz enquanto durar o confronto com os EUA. O CENTCOM concluiu no domingo a 9ª noite consecutiva de ataques ao Irã. EUA e Irã se acusam mutuamente de violar o memorando de entendimento de junho. O Catar, Kuwait e Emirados condenaram os ataques iranianos à Jordânia, Bahrein e Kuwait.
Contexto: A declaração de fechar Ormuz “enquanto durar o conflito” é a escalada retórica mais grave desde o início da guerra — e muda o enquadramento do mercado: de choque temporário para bloqueio estrutural indefinido. Com 20% do petróleo mundial passando por Ormuz, qualquer sinalização de fechamento prolongado movimenta o Brent para cima. O isolamento do Irã no mundo árabe pode pressionar por negociação, mas o calendário é incerto.

02
Ucrânia / Rússia / EnergiaDuplo Choque de Oferta
Ucrânia atinge dois depósitos e um terminal de petróleo na Rússia — o ataque mais letal em mais de dois anos; Rússia responde com mísseis sobre Kiev
Drones ucranianos atingiram dois depósitos e um terminal de petróleo em território russo no fim de semana — o ataque mais letal dentro da Rússia em mais de dois anos. A Rússia respondeu com onda de mísseis balísticos sobre Kiev. A OTAN declarou estar preparada para “qualquer movimento russo”, incluindo investida sobre a Polônia e países bálticos.
Contexto: Com refinarias russas sob ataque sistemático e Ormuz declarado fechado pelo Irã, o Brasil perde simultaneamente os dois fornecedores alternativos de diesel que havia usado durante o conflito. Esse duplo choque de oferta é o fator que explica a defasagem do diesel em −63% — e não há perspectiva de resolução de nenhum dos dois conflitos no curto prazo.

03
Governo / Crédito / FiscalRisco Fiscal Brasil
Governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bi driblando o arcabouço fiscal em ano eleitoral
O governo Lula prepara pacote de crédito de R$ 145 bilhões para o ano eleitoral, usando mecanismos que contornam as regras do arcabouço fiscal. Paralelamente, o governo começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço americano para definir o tamanho do socorro. Os EUA teriam pedido ao Brasil abertura do setor químico e isenção para bens industriais como condição nas negociações.
Contexto: R$ 145 bi em crédito contornando o arcabouço é o sinal mais claro de que o governo está priorizando o ciclo eleitoral sobre a disciplina fiscal. Num ambiente de IPCA acima da meta, subsídios de combustíveis sem data de encerramento e conta de luz prestes a subir, adicionar estímulo de crédito é um vetor pró-inflacionário que o Copom precisará considerar em agosto.

04
Tarifaço / EUA-Brasil / MineraisComércio Internacional
EUA pediram abertura do setor químico e controle de minerais críticos no Brasil como condições do tarifaço — governo recusou
O governo revelou que os EUA pediram, durante as negociações, abertura do setor químico e isenção para bens industriais americanos — além de limitação dos investimentos chineses em minerais críticos no Brasil. O governo recusou todas as condições estruturais. As tarifas de 25% entram em vigor na quarta-feira (22/07).
Contexto: As condições reveladas pelo governo confirmam que o tarifaço tem dimensão geopolítica clara: os EUA querem limitar a presença chinesa nos minerais críticos brasileiros (lítio, nióbio, terras raras). A recusa brasileira mantém o conflito comercial aberto — e coloca o Brasil no centro de uma disputa entre as duas maiores potências mundiais por recursos estratégicos do século XXI.

05
TCU / Emendas Pix / FiscalGovernança Fiscal
TCU detecta falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas — e propõe elevar penduricalhos em até 40%
O TCU detectou falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas, alimentando investigações de Dino no STF. Ao mesmo tempo, o próprio TCU propõe ao Congresso elevar penduricalhos em até 40% após liberar supersalários fora do teto — postura contraditória que expõe as tensões internas entre controle e acomodação fiscal. A injeção de verba de emendas em municípios subiu 20% em ano eleitoral.
Contexto: O TCU num mesmo mês apontando falhas em 82% das emendas e propondo aumento de penduricalhos é o retrato da inconsistência fiscal brasileira em ano eleitoral. Para o investidor, o sinal é que a pressão sobre o gasto público continuará independentemente do conflito externo — e que o arcabouço fiscal tem cada vez menos força de contenção real.

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Morning Call — 17 de Julho

Morning CallSexta-feira, 17 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
6ª rodada de ataques EUA-Irã · Retaliação iraniana esta madrugada · Kospi −6,37% · Nikkei −4% · S&P futuro −1% · “Jabutis” podem adicionar R$ 60 bi/ano à conta de luz

🌐

Panorama GlobalInternacional

💥 6ª rodada de ataques americanos ao Irã — retaliação iraniana ocorreu esta madrugada: os EUA concluíram a sexta rodada consecutiva de bombardeios contra alvos militares iranianos. Nesta madrugada, o Irã anunciou ter atacado instalações militares americanas no Golfo. A troca diária de ataques evidencia o colapso definitivo da trégua de junho — o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz está novamente interrompido, com cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo afetado.
S&P 500−1,08%Futuro
Nasdaq−2,14%Futuro — tech despenca
Nikkei−4,03%Japão
Kospi−6,37%Coreia do Sul
Brent+0,70%US$ 84,82 — conflito sustenta
WTI+1,14%US$ 79,85
Treasury 10a4,529%↓ — fuga para qualidade
Ouro+0,24%US$ 4.001 — porto seguro

🇺🇸 Trump desclassifica inteligência sobre interferência chinesa nas eleições: em pronunciamento, Trump determinou a retirada do sigilo de documentos que, segundo ele, evidenciam interferência da China nas eleições americanas de meio de mandato. O movimento reacende a tensão EUA-China numa semana já carregada — e adiciona ruído geopolítico ao ambiente de mercado.
  • Inflação na zona do euro recua para 2,8% em junho (de 3,2% em maio) — dado que alivia a pressão sobre o BCE e contrasta com o cenário americano ainda tenso. A deflação mensal de 0,1% sugere que o choque do petróleo ainda não se transmitiu completamente ao consumidor europeu
  • Fed dividido: Logan (Fed Dallas) defende “juros moderadamente mais altos” para equilibrar as perspectivas de risco; Schmid (Fed Kansas City) mantém foco na inflação como definidor da política monetária. O consenso dovish que o mercado esperava está longe
  • Semicondutores prolongam perdas na Europa e Ásia — a fraqueza que havia pressionado o pregão de quinta em Nova York se estende, com impacto sobre Samsung, SK Hynix e toda a cadeia de tecnologia asiática

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qui)−1,24%173.825 pts
Dólar (qui)+0,40%R$ 5,0983
Defasagem gas.−46%Abicom · 16/07
Defasagem diesel−59%Abicom · 16/07 — recorde

⚖️ Tarifaço de 25% dos EUA afeta 3 mil itens e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras — entra em vigor na quarta: segundo a Amcham Brasil, a medida coloca o Brasil entre os países com maior nível de restrição ao mercado americano. O governo divulgou sua defesa na Seção 301 e informou que os EUA “não responderam” à proposta brasileira sobre etanol e açúcar. O STF reagiu ao governo Trump e declarou que “só se submete à Constituição brasileira”.
💡 “Jabutis” das eólicas podem adicionar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz: estimativa das empresas de energia revela o impacto real da aprovação relâmpago de quinta-feira no Senado. Com o Super El Niño configurado e o subsídio dos combustíveis consumindo recursos fiscais, o consumidor brasileiro enfrenta a perspectiva de pressão simultânea em energia elétrica e combustíveis em 2027.
  • Varejo de maio abaixo do esperado — dado de atividade que, somado à inflação de alimentos pesando nas vendas, reforça a percepção de que a política monetária restritiva está desacelerando o consumo
  • EUA pediram acordo que limitava investimentos brasileiros em minerais críticos como condição para negociação — o governo recusou (“Obviamente não aceitamos”, disse representante). Revela que o tarifaço tem dimensão geopolítica além da comercial
  • Galípolo (BC): argumentos dos EUA contra o Pix são “desculpas para criar lógica para o tarifaço” — o BC entra no debate diplomático com tom mais firme do que o habitual

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Telefônica Brasil (VIVT3): o conselho aprovou JCP de R$ 412,5 milhões líquidos (R$ 0,12908 por ação), com distribuição até 30/04/2027, com base na posição acionária de 27 de julho. Proventos relevantes num momento de aversão a risco — remuneração ao acionista mantida.
  • Votorantim Cimentos (VOTO3): investimento de R$ 260 milhões na fábrica de Xambioá (TO), com nova linha de moagem que ampliará a capacidade em 500 mil toneladas/ano a partir de julho de 2028. Expansão em infraestrutura produtiva mesmo em ambiente adverso.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana termina com o conflito EUA-Irã entrando na fase mais longa e desgastante desde o início — seis rodadas consecutivas de ataques sem cessar-fogo à vista, com retaliação iraniana nesta madrugada. O que o mercado estava tentando precificar como choque temporário começa a ganhar contornos de conflito prolongado, e essa mudança de percepção é a variável mais importante desta semana. Segundo o research do BTG Pactual, o Brasil enfrenta hoje o quadro externo mais adverso desde março, mas com uma diferença relevante: o Ibovespa fecha a semana em 174 mil pontos — bem acima dos 158 mil que marcaram o pior momento do conflito — e o dólar segue próximo de R$ 5,10, sustentado pelo fluxo de US$ 17,78 bi no semestre. Os colchões funcionam, mas estão sendo consumidos. Para a próxima semana, os três pontos de atenção são: os desdobramentos do conflito no fim de semana (qualquer sinalização diplomática ou nova escalada movimentará os mercados na segunda); a entrada em vigor das tarifas americanas na quarta (22/07), com o real como termômetro do impacto; e a decisão do governo sobre o subsídio da gasolina no fim de julho — com defasagem em −46% e conta de luz prestes a subir, o espaço fiscal é cada vez menor. O investidor que atravessou essa semana com carteira preservada tem um bom fim de semana pela frente — mas a próxima semana será mais definidora ainda.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
Defasagem Gasolina
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
“Jabutis” conta de luz
R$ 60 bi/ano
Estimativa setor — aprovados ontem
Super El Niño
Ativo
1ª onda de tempestades já atingiu o Brasil

  • Ormuz interrompida pela 6ª noite consecutiva — conflito se torna prolongado: a troca diária de ataques entre EUA e Irã evidencia o colapso da trégua de junho. Com 20% do tráfego mundial de petróleo passando por Ormuz, cada noite de ataques adiciona prêmio de risco ao Brent — que segue acima de US$ 84 mesmo com o mercado tentando precificar normalização
  • Diesel russo continua fora do mercado — duplo choque de oferta persiste: os ataques ucranianos às refinarias russas mantêm o diesel russo ausente dos mercados internacionais. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa parcial, enfrenta pressão por dois vetores simultâneos. A defasagem em −59% reflete essa dupla escassez
  • “Jabutis” das eólicas podem custar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz: a estimativa das empresas de energia é o número mais impactante desta sexta — aprovados em votação-relâmpago, os encargos adicionarão pressão permanente à inflação de energia elétrica a partir de 2027. Somados ao Super El Niño ativo, a conta de luz de 2027 promete ser um dos principais vetores do IPCA
  • Preços do diesel, gasolina e etanol recuaram nos postos na 1ª quinzena de julho (Ticket Log) — dado que parece contraditório com as defasagens, mas reflete o efeito da trégua de junho que ainda estava nos postos. Com a reescalada, essa tendência deve reverter nas próximas semanas
  • El Niño: primeira onda de tempestades já atingiu o Brasil — o fenômeno saiu da teoria e chegou ao campo. Sul do Brasil com chuvas intensas enquanto Centro-Oeste e Sudeste seguem com seca — padrão típico do El Niño que afeta culturas de verão e o nível dos reservatórios
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: o Radar fecha a semana com todos os quatro indicadores no vermelho pela primeira vez desde o pico do conflito em maio. Diesel em −59%, conta de luz com R$ 60 bi de encargos aprovados, Super El Niño ativo e Ormuz interrompida pela 6ª noite. O único alívio desta semana — etanol a 32% aprovado e CPI/PPI americanos abaixo do esperado — é real, mas insuficiente para compensar a magnitude dos choques acumulados. O fim de semana pode trazer novos desdobramentos diplomáticos ou militares que redefinirão o ambiente de segunda-feira.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / OrmuzConflito — 6ª Rodada
6ª rodada de ataques americanos ao Irã — retaliação iraniana esta madrugada; trégua de junho definitivamente encerrada
As Forças Armadas dos EUA concluíram a sexta rodada consecutiva de ataques ao Irã, com caças, drones e navios de guerra contra dezenas de alvos militares. Nesta madrugada, o Irã afirmou ter atacado instalações militares americanas no Golfo. A troca diária de ataques sinaliza o colapso definitivo da trégua firmada em junho, com o fluxo de energia por Ormuz interrompido novamente.
Contexto: Seis rodadas consecutivas sem cessar-fogo é o sinal mais claro de que o conflito deixou de ser episódico e se tornou sistemático. Para os mercados, isso muda a equação de precificação: o prêmio de risco do petróleo que o mercado estava tentando descontar como temporário precisa ser reavaliado como estrutural enquanto o conflito durar. O fim de semana será decisivo para o tom de segunda-feira.

02
Conta de Luz / Jabutis / EnergiaCusto de Vida Brasil
“Jabutis” das eólicas podem adicionar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz — estimativa das empresas de energia
Empresas do setor de energia estimam que os dispositivos aprovados pelo Senado em votação-relâmpago na quinta-feira podem adicionar R$ 60 bilhões anuais à conta de luz dos brasileiros. A medida foi incluída sem debate público antes do recesso parlamentar. Com o Super El Niño ativo e o subsídio dos combustíveis sob pressão fiscal, o consumidor enfrenta uma convergência de choques em energia.
Contexto: R$ 60 bilhões por ano na conta de luz é o equivalente a um imposto permanente sobre toda a base de consumidores de energia elétrica do Brasil — aprovado em velocidade recorde, antes do recesso, sem audiência pública. Para a inflação, é um vetor de pressão permanente que se somará ao El Niño em 2027. O governo, que já enfrenta o custo dos subsídios dos combustíveis, terá menos espaço fiscal para absorver o impacto elétrico.

03
Tarifaço / EUA-Brasil / AmchamComércio Internacional
Tarifaço afeta 3 mil itens e US$ 11 bi em exportações — EUA recusaram proposta brasileira sobre etanol e açúcar
Segundo a Amcham Brasil, o tarifaço de 25% afeta cerca de 3 mil itens exportados e mais de US$ 11 bilhões em vendas. O governo divulgou sua defesa formal na Seção 301, revelando que propôs acordo envolvendo etanol e açúcar — mas os EUA “não responderam”. Trump também havia pedido acordo limitando investimentos brasileiros em minerais críticos, proposta que o governo recusou.
Contexto: A revelação de que os EUA não responderam à proposta sobre etanol e açúcar — e que chegaram a pedir controle sobre minerais críticos — muda o enquadramento da negociação: não é apenas um tarifaço comercial, é uma disputa por influência geopolítica sobre recursos estratégicos brasileiros. Galípolo classificar os argumentos contra o Pix como “desculpas” reforça que o governo vê o tarifaço como pretexto.

04
Fed / Logan / SchmidPolítica Monetária Global
Fed dividido: Logan defende juros “moderadamente mais altos” e Schmid mantém foco na inflação
Logan (Fed Dallas) afirmou que juros “moderadamente mais altos” equilibrariam melhor as perspectivas de risco, enquanto Schmid (Fed Kansas City) disse que seu foco continua sendo a inflação ao definir o curso da política monetária. A divisão interna do Fed — evidenciada também na ata da semana passada — persiste mesmo após o CPI e PPI abaixo do esperado.
Contexto: O Fed dividido com o conflito em plena escalada é o ambiente mais difícil para o BC brasileiro desde o início do ciclo de cortes. O duplo alívio de CPI + PPI desta semana deu margem para o mercado respirar — mas Logan sinalizando juros mais altos lembra que o caminho de cortes nos EUA está longe de ser linear. Para o Copom de agosto, cada dado americano desta semana importa.

05
Ibovespa / Semana / BalançoMercado Brasil — Resiliência
Ibovespa fecha semana em 174 mil pontos e dólar em R$ 5,10 — colchões resistem apesar dos choques
Mesmo diante de uma semana com seis rodadas de ataques, tarifas de 25% confirmadas, “jabutis” bilionários aprovados e Fazenda elevando o IPCA para 5,1%, o Ibovespa mantém-se em 174 mil pontos — acima dos 158 mil do pior momento do conflito — e o dólar segue próximo de R$ 5,10. Os colchões estruturais do Brasil (fluxo de US$ 17,78 bi, reservas internacionais, etanol 32% aprovado) estão funcionando.
Contexto: A resiliência do mercado brasileiro em meio a tantos choques simultâneos é o dado mais construtivo que esta semana produziu. Não é imunidade — é o resultado do fluxo de dólares recorde, do real mais ajustado do que estava em março, e da expectativa de que o conflito ainda se resolverá. Mas os colchões são finitos: cada semana de Brent acima de US$ 84 os consome um pouco mais.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 16 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 16 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Petróleo fecha em leve alta — sumiço do diesel russo adiciona nova pressão à oferta: além do conflito EUA-Irã em Ormuz, o mercado digere um novo fator: o diesel russo desapareceu dos mercados internacionais após novos ataques ucranianos a refinarias russas. A combinação de Ormuz sob controle americano com refinarias russas fora do ar representa um duplo choque de oferta que o mercado ainda não precificou completamente. O Brent segue acima de US$ 85.
S&P 500−0,28%Futuro
Nasdaq−0,46%Futuro
Nikkei+0,42%Japão
Kospi+0,88%Coreia do Sul
Brent+0,18%US$ 85,46 — segue elevado
WTI+0,12%US$ 80,17
Treasury 10a4,521%↓ — PPI negativo alivia
DXY−0,15%100,51 — dólar cede

📉 PPI americano surpreende com queda inesperada em junho — segundo alívio inflacionário seguido: após o CPI abaixo do esperado ontem, o índice de preços ao produtor dos EUA registrou queda surpreendente em junho. O Livro Bege do Fed, porém, foi menos construtivo: todos os distritos relataram avanço dos preços. Warsh defendeu a independência do Fed em relação a Trump e disse estar “insatisfeito com as métricas de inflação” atuais — tom equilibrado.
  • Super El Niño já está configurado no Pacífico — o fenômeno deixou de ser previsão e tornou-se realidade. Com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano, o impacto sobre a agricultura brasileira e a energia elétrica se acelera
  • Milho sobe quase 2% em Chicago com tensão no Mar Negro e estoques menores — novo vetor de pressão nos alimentos que se soma ao trigo na menor safra americana em 55 anos
  • Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil começam a valer na próxima quarta (22/07), com exceções confirmadas para carnes e cafés — o governo estuda reciprocidade e responsabiliza a família Bolsonaro pela medida

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BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−46%Abicom · 16/07 — piora forte
Defasagem diesel−59%Abicom · 16/07 — recorde do conflito
IPCA 2026 (Fazenda)5,1%Acima do teto da meta
Gasolina — decisãoFim de julhoGoverno aguarda cenário

🧨 Semana fecha com quatro choques simultâneos para o Brasil: (1) defasagem do diesel em −59% — novo recorde do conflito; (2) tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta; (3) Senado aprovou “jabutis” bilionários nas contas de luz em votação-relâmpago antes do recesso; (4) Fazenda eleva projeção de IPCA para 5,1% em 2026 — acima do teto da meta. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina somente no fim de julho, aguardando estabilização do cenário externo.
🌽 Etanol a 32% já começa a valer — mas sumiço do diesel russo pressiona mais: o aumento da mistura aprovado pelo CNPE ontem começa a entrar na composição da gasolina. A medida, porém, chega num momento ainda mais adverso: além do conflito em Ormuz, o diesel russo sumiu dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. O governo publica MP que autoriza a renegociação das dívidas rurais — acordo que evitou votação da pauta-bomba de R$ 30 bi.
  • Senado foi a recesso sem votar projetos prioritários do governo — e aprovou os “jabutis” das eólicas offshore em votação-relâmpago, adicionando custo bilionário à conta de luz dos brasileiros
  • Alcolumbre segurou a promulgação da pauta-bomba à espera de conversa com Lula — o acordo sobre dívidas rurais foi o instrumento de troca. Tensão entre governo e Congresso persiste no recesso
  • Aprovação de Lula melhora no Quaest: pela primeira vez desde 2024, a aprovação supera a desaprovação — dado que contrasta com o ambiente econômico adverso e reforça que a agenda social tem sustentação eleitoral

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Exportações brasileiras de carne e café: os EUA confirmaram isenção de tarifas para carnes e cafés do Brasil — as duas principais commodities agrícolas brasileiras ficam de fora do tarifaço de 25%. Dado positivo para o agronegócio exportador.
  • Governo / Correios: o orçamento de 2027 deve prever aporte bilionário nos Correios, segundo O Globo — nova pressão de gasto público para uma empresa que suspendeu parte do plano de reestruturação em meio à busca por R$ 7 bilhões adicionais.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana encerra com o Brasil digerindo quatro choques simultâneos — e a pergunta que o mercado começa a fazer é se o país tem colchões suficientes para absorver todos eles ao mesmo tempo. A defasagem do diesel em −59% é o número mais grave da crise: não é apenas o reflexo do conflito em Ormuz, mas também do sumiço do diesel russo dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. Dois conflitos globais estão pressionando o mesmo produto simultaneamente. Segundo o research do BTG Pactual, o governo tem razão em esperar até o fim de julho antes de decidir sobre o subsídio da gasolina — qualquer movimento precipitado num cenário ainda em formação seria um erro. Mas o prazo se encurta: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta, os “jabutis” das eólicas vão pressionar a conta de luz, e a Fazenda já elevou o IPCA 2026 para 5,1%. Do lado externo, o duplo alívio inflacionário americano (CPI ontem, PPI hoje) é construtivo — mas o Livro Bege do Fed mostrando avanço de preços em todos os distritos lembra que o ambiente é de vigilância, não de relaxamento. A tese que sustenta a resiliência do Brasil — fluxo de dólares forte, IPCA convergindo no Focus, mercado precificando mais cortes da Selic — segue intacta, mas está sendo testada com mais intensidade a cada sessão desta semana.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
Defasagem Gasolina
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
IPCA 2026 (Fazenda)
5,1%
Acima do teto da meta — revisão para cima
Super El Niño
Configurado
Pacífico — já é realidade, não previsão

  • Diesel em −59% — novo recorde absoluto do conflito: a combinação de Ormuz sob controle americano com o sumiço do diesel russo (após ataques ucranianos às refinarias) cria um duplo choque de oferta inédito. O diesel brasileiro depende parcialmente do produto russo — e a escassez global vai além do conflito no Oriente Médio
  • Gasolina piora para −46% mesmo após etanol a 32%: a medida aprovada pelo CNPE ontem (economia de R$ 0,03/litro) é insuficiente diante do Brent acima de US$ 85 e do agravamento da oferta global. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio apenas no fim de julho — mas a pressão cresce a cada leitura da Abicom
  • Fazenda eleva IPCA 2026 para 5,1% — acima do teto da meta: a projeção oficial reconhece que a meta de inflação não será cumprida em 2026. A revisão para cima acontece na mesma semana em que o Focus havia recuado para 5,16% — sinais mistos sobre a trajetória. O mercado começa a ajustar suas expectativas diante dos choques acumulados
  • “Jabutis” das eólicas aprovados em votação-relâmpago: o Senado aprovou em caráter de urgência, antes do recesso, bilhões em encargos adicionais à conta de luz. Com o Super El Niño agora configurado no Pacífico, a pressão sobre a energia elétrica em 2027 é dupla — encargos legislativos mais risco climático
  • PPI americano em queda inesperada — segundo alívio inflacionário seguido: depois do CPI abaixo do esperado, o produtor americano também surpreendeu para baixo em junho. O Livro Bege, porém, contradiz: todos os distritos do Fed relataram avanço dos preços. O alívio nos indicadores antecedentes convive com pressão nos dados de atividade
📌 Leitura do Radar: diesel em −59% com dois conflitos globais pressionando o mesmo produto simultaneamente (Ormuz + refinarias russas) é o pior cenário que o Radar já registrou. A Fazenda eleva o IPCA para 5,1% e o Super El Niño está configurado. O único verde desta edição é o PPI americano — que alivia a pressão do Fed, mas não resolve os choques domésticos. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho: cada dia que passa com o Brent acima de US$ 85 torna essa decisão mais difícil.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Combustíveis / Diesel russo / OrmuzDuplo Choque de Oferta
Sumiço do diesel russo soma-se ao conflito em Ormuz — defasagem do diesel atinge −59%, novo recorde
Além do conflito EUA-Irã em Ormuz, o diesel russo desapareceu dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. A combinação dos dois choques elevou a defasagem do diesel para −59% na leitura de 16/07 — novo recorde absoluto do conflito. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio da gasolina apenas no fim de julho, aguardando estabilização.
Contexto: Dois conflitos globais — Oriente Médio e Ucrânia — pressionando o mesmo produto simultaneamente é um fenômeno inédito neste ciclo. O diesel russo havia sido uma alternativa parcial ao diesel do Oriente Médio durante o conflito; com as refinarias russas fora do ar, essa válvula de escape foi fechada. O mercado ainda não precificou completamente esse duplo choque.

02
Senado / Conta de Luz / FiscalRisco Fiscal e Energético
Senado aprova “jabutis” bilionários nas contas de luz em votação-relâmpago antes do recesso
O Senado aprovou em caráter de urgência, antes do recesso parlamentar, dispositivos que adicionam bilhões em encargos à conta de luz dos brasileiros. A medida foi apelidada de “jabutis” das eólicas offshore. Em paralelo, Alcolumbre segurou a promulgação de outras pautas-bomba após negociação com o governo sobre as dívidas rurais.
Contexto: Com o Super El Niño configurado e já afetando reservatórios, os consumidores chegarão a 2027 com encargos bilionários adicionais na conta de luz — num momento em que a energia elétrica já é o principal vetor de pressão nos preços administrados. A votação-relâmpago antes do recesso é um exemplo clássico de como o Congresso transfere custos ao consumidor sem debate público.

03
EUA / Tarifas / ExportaçõesComércio Internacional
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor na quarta (22/07) — carnes e cafés brasileiros ficam isentos
O governo dos EUA confirmou a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com início na próxima quarta-feira. As exportações de carnes e cafés ficam isentas — as duas principais commodities agrícolas brasileiras. O governo Lula estuda reciprocidade e responsabiliza a família Bolsonaro. Rubio afirmou que o Brasil foi tarifado porque Lula “não negociou de boa-fé”.
Contexto: A isenção de carnes e cafés é o resultado mais relevante das negociações — protege os dois maiores itens da pauta exportadora agrícola brasileira. O impacto maior será em manufaturados, aço e alumínio. Para o câmbio, a entrada em vigor das tarifas pode pressionar o real na quarta — mas o fluxo de dólares ainda elevado oferece proteção.

04
PPI EUA / Fed / Livro BegePolítica Monetária Global
PPI americano cai de forma inesperada em junho — segundo alívio seguido, mas Livro Bege mostra avanço de preços em todos os distritos
O índice de preços ao produtor dos EUA registrou queda surpreendente em junho, complementando o CPI abaixo do esperado de ontem. O Livro Bege, porém, mostrou que todos os distritos do Fed relataram avanço dos preços no período — dados contraditórios que refletem a dinâmica complexa do atual ciclo inflacionário americano. Warsh defendeu a independência do Fed e disse estar “insatisfeito com as métricas” atuais.
Contexto: O duplo alívio nos índices de preços americanos (CPI + PPI) é a melhor notícia possível para o Fed nesta semana — e, por consequência, para o BC brasileiro, que precisa de um ambiente externo mais favorável para continuar cortando juros. A contradição com o Livro Bege lembra que os dados de inflação são ainda voláteis e o Fed manterá postura vigilante.

05
Fazenda / IPCA / MetaInflação Brasil — Revisão
Fazenda sobe previsão de IPCA para 5,1% em 2026 — inflação supera o teto da meta oficialmente
O Ministério da Fazenda elevou sua projeção de IPCA para 5,1% em 2026 — acima do teto da meta de inflação. A revisão reconhece o impacto dos choques de combustíveis e energia sobre a trajetória de preços. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio da gasolina apenas no fim de julho, aguardando estabilização do cenário externo.
Contexto: A Fazenda reconhecendo oficialmente que o IPCA vai furar o teto é um marco relevante — sinaliza que o governo não espera uma reversão rápida dos choques externos. Para o Copom, é mais um argumento para cautela em agosto. O Focus havia recuado para 5,16% esta semana — se os choques continuarem, a convergência entre as projeções de mercado e do governo pode ocorrer pela via errada: ambas subindo.

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Morning Call — 15 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 15 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

📊 CPI americano desacelera para 3,5% em junho — alívio inesperado para o Fed: a inflação ao consumidor dos EUA veio abaixo do esperado em junho, desacelerando para 3,5% ao ano. O dado aliviou temporariamente a pressão sobre o Fed — mas Warsh foi cauteloso em seu depoimento ao Congresso, afirmando que o resultado não significa “missão cumprida” e que o Fed não tem “nenhuma tolerância” para inflação elevada. O petróleo segue elevado com a disputa por Ormuz — o principal fator de risco para os próximos dados de inflação.
S&P 500+0,52%Futuro
Nasdaq+0,78%Futuro
Nikkei+1,04%Japão
DAX+0,62%Alemanha
Brent+0,43%US$ 85,73 — segue elevado
WTI+0,35%US$ 80,58
Treasury 10a4,561%↓ de 4,620% — CPI alivia
DXY−0,42%100,66 — dólar cede

⚖️ EUA recuam da taxa de 20% em Ormuz — mas mantêm controle militar do estreito: após a proposta gerar reação negativa de aliados e do mercado, os EUA recuaram da taxa de 20% sobre cargueiros. O controle militar americano do estreito, porém, permanece — e o Irã ainda nega ter aceitado pedágios. O tráfego em Ormuz segue reduzido, mas cargueiros civis voltaram a cruzar sob escolta americana.
  • EUA impõem tarifas de 25% sobre o Brasil com exceção a bens que afetam a inflação americana — o prazo se confirma. O governo Lula avalia que a negociação só ocorrerá após as eleições brasileiras, caso as tarifas sejam confirmadas. Ministros levarão proposta de reciprocidade a Lula
  • Warsh no Congresso: afirmou que, se o Fed conduzir a política corretamente, “o surto inflacionário dos últimos 5 anos será coisa do passado”. Tom menos hawkish do que o esperado — mercado aliviou com o CPI + depoimento
  • Deflação técnica em junho nos EUA no dado mensal — mas Warsh ressaltou que a inflação acumulada ainda exige cautela. O petróleo elevado é o principal risco para os próximos meses

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BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−39%Abicom · 14/07 — subsídio mantido
Defasagem diesel−55%Abicom · 14/07 — crítico
Etanol gasolina32%CNPE aprovou ontem
Econ. estimadaR$ 0,03/LGoverno — redução na bomba

🌽 CNPE aprova etanol a 32% na gasolina — o amortecedor finalmente acionado: após quatro adiamentos, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento temporário da mistura de etanol de 30% para 32%. O governo estima economia de R$ 0,03 por litro na bomba — modesta, mas real. Com o etanol barato (cotações em queda na safra 2026/27) e o petróleo caro, a medida reduz a dependência de gasolina importada e é o único amortecedor sem custo fiscal disponível.
⚖️ Senado aprova PEC dos agentes de saúde — governo deve acionar o STF: a PEC foi aprovada sem indicação de fonte de receita, o que Durigan classificou como “provável motivo para acionar o STF”. O Congresso pressiona e o TCU pode liberar penduricalhos fora do teto — abrindo precedente fiscal relevante. A semana acumula pressões orçamentárias simultâneas.
  • Tarifas de 25% dos EUA confirmadas sobre o Brasil com exceção a bens que afetam a inflação americana — impacto direto em produtos como aço, alumínio e manufaturados. O governo estuda reciprocidade
  • Subsídio à gasolina mantido enquanto o cenário externo permanecer incerto. O governo não vê espaço para retirar o benefício com o Brent acima de US$ 85
  • Senado aprova MP do frete mínimo — texto segue para sanção presidencial. A medida afeta o transporte rodoviário e pode ter efeito inflacionário no custo de distribuição de alimentos

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Flávio Dino / Emendas: o ministro do STF proibiu a “terceirização” de emendas parlamentares — decisão que restringe a prática de parlamentares indicarem recursos para entidades geridas por terceiros, impactando a articulação política e financeira do Congresso.
  • BRB / Governo do DF: o governo do Distrito Federal discute com o Banco Central a evolução do acordo para socorrer o BRB, após as investigações ligadas ao caso Master. A reunião com Galípolo sinaliza que o BC está monitorando de perto a situação da instituição.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O dia traz um alívio relativo em dois eixos simultâneos — e convém calibrar bem o entusiasmo. Nos EUA, o CPI de junho veio abaixo do esperado (3,5%) e Warsh foi menos hawkish do que o mercado temia no Congresso; as treasuries recuaram e o dólar cedeu. No Brasil, o CNPE finalmente aprovou o etanol a 32%, acionando o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal. Mas segundo o research do BTG Pactual, nenhum desses dois eventos resolve o problema central: o Brent segue acima de US$ 85, as defasagens de combustíveis estão nos piores níveis de todo o conflito (diesel −55%, gasolina −39%), e o controle americano de Ormuz continua — apenas a taxa de 20% sobre cargueiros foi recuada. O CPI bom de junho foi capturado antes do petróleo disparar com a nova escalada; o dado de julho, com o Brent em US$ 85+, deverá ser muito pior. Para o investidor brasileiro, o que importa agora é o custo total do conflito: tarifas de 25% dos EUA confirmadas, PEC dos agentes de saúde aprovada sem fonte de receita, pauta-bomba de R$ 30 bi na fila, e subsídio aos combustíveis sem data de encerramento. O etanol a 32% e o CPI americano bom são relevantes — mas são alívios pontuais num quadro estruturalmente desafiador.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−55%
Abicom · 14/07 — pior do conflito
Defasagem Gasolina
−39%
Abicom · 14/07 — subsídio mantido
Etanol na gasolina
32%
CNPE aprovou — amortecedor acionado
CPI EUA (jun)
3,5%
Abaixo do esperado — alívio temporário

  • Etanol a 32% aprovado — amortecedor finalmente acionado: a economia de R$ 0,03 por litro é modesta, mas a medida tem valor estrutural maior: reduz a proporção de gasolina importada no blend e funciona como proteção parcial contra novas altas do Brent. Com o etanol barato na safra 2026/27, a medida é praticamente custo-zero e deveria ter sido aprovada em maio
  • Defasagens ainda críticas — diesel em −55% e gasolina em −39%: o etanol a 32% não resolve o problema das defasagens, mas limita o agravamento. O subsídio à gasolina permanece indefinidamente enquanto o Brent não recuar abaixo de US$ 80. O diesel em −55% é o número mais preocupante — qualquer novo choque em Ormuz aprofunda ainda mais
  • CPI americano em 3,5% — bom dado, mas capturado antes da nova escalada: o dado de junho foi medido antes do Brent disparar para US$ 86. O CPI de julho, a ser divulgado em agosto, deverá refletir o choque do petróleo — e será esse dado que o Fed usará na sua próxima decisão de juros
  • Trigo na menor safra americana em 55 anos: a estimativa de menor produção americana em mais de meio século impulsiona os preços do trigo — componente relevante do custo de pão, massas e alimentos processados. Junta-se ao El Niño como vetor de pressão nos alimentos
  • Prato feito 7,2% mais caro no acumulado de 2026 — a inflação de alimentação fora do lar já está visível no cotidiano do consumidor. A combinação de petróleo caro (frete e insumos) com El Niño (clima e safras) e trigo em alta cria pressão simultânea em múltiplos componentes do IPCA de alimentos
📌 Leitura do Radar: o CNPE aprovou o etanol a 32% — o primeiro movimento doméstico concreto de mitigação desde a reescalada. Mas diesel em −55% e gasolina em −39% com Brent acima de US$ 85 mostram que um amortecedor de R$ 0,03/litro é insuficiente para resolver o problema. O CPI americano bom é alívio real, mas capturado antes do choque do petróleo. O quadro inflacionário do 2S26 continua sendo desafiador — com três vetores simultâneos: combustíveis, alimentos e El Niño.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
CPI / Fed / WarshPolítica Monetária Global — Alívio
CPI americano desacelera para 3,5% em junho — Warsh diz que não há “missão cumprida” mas tom alivia mercado
A inflação ao consumidor dos EUA desacelerou para 3,5% ao ano em junho, vindo abaixo do esperado. Warsh, em depoimento ao Congresso, afirmou que o resultado não significa “missão cumprida” e que o Fed não tem “nenhuma tolerância” para inflação elevada — mas sinalizou que, se conduzir a política corretamente, o surto inflacionário dos últimos 5 anos ficará no passado. As treasuries recuaram e o dólar cedeu.
Contexto: O CPI bom + Warsh menos hawkish é a melhor combinação possível para os mercados nesta semana tensa. Para o Brasil, o recuo do dólar e das treasuries abre margem para o BC manter o ciclo de cortes. A ressalva: o dado de junho foi capturado antes do Brent atingir US$ 86 — o CPI de julho, a ser divulgado em agosto, será o verdadeiro teste.

02
CNPE / Etanol / CombustíveisInflação — Amortecedor
CNPE aprova aumento do etanol na gasolina para 32% — após quatro adiamentos, amortecedor doméstico é finalmente acionado
O Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento temporário da mistura de etanol de 30% para 32% na gasolina. O governo estima economia de R$ 0,03 por litro na bomba. Com o etanol barato na safra 2026/27 e o petróleo caro, a medida reduz a dependência de gasolina importada sem custo para o Tesouro — o único amortecedor dessa natureza disponível ao governo.
Contexto: Quatro adiamentos depois, a medida mais simples e eficiente do arsenal governamental foi finalmente aprovada. R$ 0,03 por litro é modesto, mas a medida tem valor estrutural: limita o agravamento das defasagens e reduz a exposição ao Brent. Deveria ter sido aprovada em maio — mas é bem-vinda agora.

03
EUA / Tarifaço / BrasilComércio Internacional
EUA confirmam tarifas de 25% sobre o Brasil com exceção a bens que afetam inflação americana
Os EUA confirmaram a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceção a bens cuja tributação afetaria a inflação americana. O governo Lula avalia que a negociação só ocorrerá após as eleições brasileiras. Ministros estudam medidas de reciprocidade. A Folha revelou que o governo trabalha com três cenários para lidar com o tarifaço.
Contexto: A confirmação das tarifas adiciona um choque comercial ao choque energético que o Brasil já enfrenta. A exceção para bens que afetam a inflação americana revela que os EUA estão calibrando o tarifaço para proteger seu próprio consumidor — o que reduz o escopo das tarifas, mas não elimina o impacto sobre setores como aço, alumínio e manufaturados.

04
Senado / PEC / FiscalRisco Fiscal Brasil
Senado aprova PEC dos agentes de saúde sem fonte de receita — governo deve acionar STF
O Senado aprovou a PEC dos agentes de saúde sem indicar fonte de receita para cobrir o gasto. Durigan afirmou ser “provável” o acionamento do STF pelo governo. O Congresso também pressiona o TCU para liberar penduricalhos fora do teto, o que abriria um precedente fiscal relevante. A semana acumula múltiplas pressões sobre o orçamento.
Contexto: A PEC sem fonte de receita é a definição de irresponsabilidade fiscal — e o governo se vê na posição desconfortável de ter que recorrer ao STF para barrar uma medida aprovada pelo Congresso aliado. Somada ao tarifaço americano, ao subsídio dos combustíveis e à pauta-bomba de R$ 30 bi, a pressão fiscal desta semana é a maior desde o início do segundo semestre.

05
Ormuz / PetróleoGeopolítica — Evolução
EUA recuam da taxa de 20% sobre cargueiros em Ormuz — mas mantêm controle militar do estreito
Após a proposta de taxa de 20% sobre cargueiros gerar reação negativa de aliados e do mercado, os EUA recuaram da medida. O controle militar americano de Ormuz, no entanto, permanece — e o Irã ainda nega ter aceito qualquer forma de pedágio. O tráfego no estreito segue reduzido, mas cargueiros civis voltaram a cruzar sob escolta americana.
Contexto: O recuo da taxa de 20% é positivo — era uma medida sem precedente que criaria um sistema de pedágio permanente sobre a principal rota de petróleo do mundo. Mas o Brent segue acima de US$ 85 enquanto o controle militar de Ormuz persistir. O mercado aguarda se haverá novas rodadas de negociação com o Irã ou nova escalada nos próximos dias.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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Morning Call — 14 de Julho

Morning CallTerça-feira, 14 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
Trump assume controle de Ormuz e propõe taxa de 20% sobre cargueiros · Brent +3,7% a US$ 86 · Petróleo sobe quase 10% ontem · Defasagem diesel em −55%

🌐

Panorama GlobalInternacional

🛢️ Trump assume controle de Ormuz e impõe taxa de 20% sobre cargueiros — Brent dispara para US$ 86: após três noites consecutivas de ataques americanos ao Irã, Trump anunciou que os EUA assumirão o controle do Estreito de Ormuz a partir das 17h de hoje (horário de Brasília) e proporão uma taxa de 20% sobre navios que cruzarem a via. O petróleo fechou ontem com alta de quase 10% — maior alta diária desde 2020. O tráfego de navios em Ormuz caiu 60% na comparação semanal (Kpler). O Irã atacou os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein em retaliação.
S&P 500−0,02%Futuro — cautela
Nasdaq+0,47%Futuro — tech resiste
Nikkei+0,74%Japão
Shanghai+1,36%China — exportações +27%
Brent+3,73%US$ 86,41 — nível crítico
WTI+2,64%US$ 80,20
Treasury 10a4,620%↑ — pressão inflacionária
DXY−0,20%101,09 — leve alívio

🏛️ Warsh depõe no Congresso hoje — CPI de junho nos EUA também sai: o primeiro testemunho semestral de Warsh perante a Câmara dos EUA ocorre num contexto de petróleo disparando e inflação pressionada. O CPI de junho será o dado-chave: se vier acima do esperado com o Brent em US$ 86, o cenário de alta de juros nos EUA ganha força — Waller já sinalizou abertura para subir e criticou as políticas de Warsh.
  • Tráfego em Ormuz cai 60% na semana — mais de 8 milhões de barris passaram no domingo com apoio militar americano, mas a via está operando em capacidade reduzida. A taxa de 20% sobre cargueiros é uma nova variável que o mercado ainda está precificando
  • Irã ataca Emirados e Bahrein: navios-tanque Mombasa e Al Bahiyah dos Emirados foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos. Os ataques se espalharam para países do Golfo que não eram alvos diretos
  • Exportações da China disparam +27% em junho (vs. +19,4% em maio) — dado muito forte que sugere antecipação de compras antes de novas tarifas. Iene próximo à mínima de 40 anos (162,38/dólar)
  • Mercado amplia apostas em alta de juros do Fed com Waller aberto a subir e criticando Warsh. O conflito reacende a pressão inflacionária global no pior momento possível para o ciclo de cortes

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (seg)−1,20%175.739 pts
Dólar (seg)+0,45%R$ 5,1315
Defasagem gas.−39%Abicom · 14/07 — piora
Defasagem diesel−55%Abicom · 14/07 — crítico

Defasagem do diesel em −55% e gasolina em −39% — o pior momento do conflito: com o Brent em US$ 86, as defasagens pioraram substancialmente. O diesel em −55% e a gasolina em −39% representam os maiores desalinhamentos de preço de toda a crise — superando até o pico de maio quando o Brent estava em US$ 123. Isso ocorre porque o mercado havia se ajustado para baixo durante a trégua de junho e julho, criando uma base menor.
🌽 CNPE decide hoje sobre etanol a 32% — e o governo não vê necessidade de retornar subsídio ao diesel: o Conselho Nacional de Política Energética se reúne nesta terça para decidir sobre o aumento da mistura de etanol. O governo surpreende ao afirmar que não vê necessidade de retornar o subsídio ao diesel — aposta que o controle americano de Ormuz e a taxa de 20% sobre cargueiros forçarão uma negociação mais rápida com o Irã.
  • Focus: IPCA 2026 cai para 5,16% — redução de 5,30% para 5,16%, segunda queda consecutiva. O mercado começa a mover para mais um corte de juros após agosto — dado positivo que contrasta com o choque do petróleo
  • Tarifaço: Lula diz que não haverá novo tarifaço a dois dias do prazo americano — o governo trabalha com três cenários e prepara discursos de defesa. Alcolumbre irrita-se com o governo após ofensiva da PF
  • Pauta-bomba de R$ 30 bi pode ser votada no Senado esta semana — pressão fiscal se acumula com o petróleo em alta

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Petrobras (PETR3/4): a gestora GQG Partners reduziu sua participação para 4,99% das ações ordinárias (via ADRs), de 5,031% — desinvestimento marginal, mas sinaliza ajuste de posição numa semana de alta volatilidade no petróleo.
  • Bradsaúde / Rede D’Or (RDOR3): a Bradsaúde concluiu a inclusão de ativos imobiliários da Rede D’Or na Atlântica D’Or, joint venture das duas companhias, destinados à construção de um hospital em São Conrado (RJ) — expansão no setor de saúde privada.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O conflito EUA-Irã entra numa nova fase mais grave e estruturalmente diferente das anteriores: Trump não está apenas atacando alvos militares — está assumindo o controle físico de Ormuz e criando uma taxa de 20% sobre cargueiros. Isso transforma o estreito de um campo de batalha em um instrumento de política comercial americana, o que tem implicações de longo prazo muito além do preço do petróleo de amanhã. Segundo o research do BTG Pactual, o Brent em US$ 86 com Ormuz operando a 40% da capacidade normal é o cenário que o mercado mais temia desde o início do conflito em março — e que parecia descartado depois da trégua de junho. O dado mais surpreendente e construtivo neste contexto adverso é o Focus: o IPCA 2026 caiu para 5,16% — segunda queda consecutiva após 14 altas seguidas. Isso sugere que o mercado ainda acredita que o choque é temporário e que a trajetória de desinflação de junho prevalecerá quando o conflito se resolver. Para o investidor, o que define o cenário das próximas semanas são dois eventos de hoje: o depoimento de Warsh no Congresso americano e a decisão do CNPE sobre o etanol a 32%. O primeiro vai sinalizar se o Fed está mais perto de subir ou manter juros diante do petróleo em US$ 86. O segundo é o único amortecedor doméstico ainda disponível para o governo — e que foi adiado quatro vezes.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−55%
Abicom · 14/07 — pior do conflito
Defasagem Gasolina
−39%
Abicom · 14/07 — piora acelerada
Brent
US$ 86,41
+3,73% · ontem +9% — nível crítico
IPCA 2026 (Focus)
5,16%
↓ de 5,30% — 2ª queda seguida

  • Brent em US$ 86 — o nível mais alto desde o pico do conflito em maio: o petróleo fechou ontem com alta de quase 10%, a maior diária desde 2020. Com o controle americano de Ormuz e a taxa de 20% sobre cargueiros entrando em vigor hoje às 17h, o mercado não tem referência clara para onde o preço vai — a incerteza é máxima
  • Diesel em −55% e gasolina em −39% — os piores números de toda a crise: paradoxalmente, as defasagens estão maiores do que quando o Brent estava em US$ 123 em maio, porque o mercado havia se ajustado para baixo durante a trégua. O governo afirma não ver necessidade de retornar o subsídio ao diesel — postura que será duramente testada se o Brent permanecer acima de US$ 80
  • CNPE decide hoje sobre etanol a 32% — quarto adiamento: a reunião foi confirmada para esta terça. A aprovação é urgente: com o Brent em US$ 86, qualquer redução na dependência de gasolina importada tem valor imediato. O etanol está barato e disponível — é o único amortecedor que o governo controla
  • Focus: IPCA 2026 em 5,16% — segunda queda consecutiva: surpreendente dado o cenário. O mercado ancora na expectativa de que o choque é temporário — e que a desinflação de junho voltará quando o conflito se resolver. O mercado começa a precificar mais um corte da Selic após agosto
  • El Niño com 81% de chance de se intensificar e pressionar soja, milho, café e laranja. A combinação de choque de energia (petróleo) com choque climático (El Niño) é o pior cenário inflacionário para o 2S26 — mas o Focus sugere que o mercado ainda não precifica o duplo choque de forma plena
📌 Leitura do Radar: diesel em −55%, Brent em US$ 86 e tráfego em Ormuz caindo 60% — o Radar está no vermelho em todas as frentes de combustíveis. O único verde é o Focus em 5,16%, que reflete a expectativa de que o choque é temporário. A decisão do CNPE sobre o etanol a 32% hoje é o dado doméstico mais relevante do dia — é literalmente a última carta disponível ao governo para amortecer o impacto sem custo fiscal.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / OrmuzNova Fase do Conflito
Trump assume controle de Ormuz e impõe taxa de 20% sobre cargueiros — Brent atinge US$ 86 após alta de 9% ontem
Após três noites consecutivas de ataques, Trump anunciou que os EUA assumirão o controle do Estreito de Ormuz a partir de hoje às 17h e proporão taxa de 20% sobre cargueiros. O petróleo fechou ontem com alta de quase 10% — maior diária desde 2020. O tráfego em Ormuz caiu 60% na semana. O Irã atacou navios dos Emirados Árabes e do Bahrein em retaliação.
Contexto: Esta é a escalada mais grave desde o início do conflito — Trump não está apenas atacando, está criando uma nova estrutura de controle geopolítico sobre a principal rota de petróleo do mundo. A taxa de 20% sobre cargueiros é uma inovação sem precedente que transforma Ormuz num instrumento de receita americana. Para o Brasil, cada dólar que o Brent sobe acima de US$ 80 aprofunda a defasagem e pressiona o ciclo de cortes da Selic.

02
Fed / Warsh / CPIPolítica Monetária Global
Warsh depõe no Congresso hoje com Brent em US$ 86 — CPI de junho sai e Waller defende alta de juros
O primeiro testemunho semestral de Warsh perante a Câmara dos EUA ocorre hoje num contexto de petróleo disparando e inflação pressionada. Waller sinalizou abertura para subir juros e criticou políticas de Warsh. O CPI de junho será divulgado hoje — se vier acima do esperado com o petróleo em alta, o cenário de subida de juros nos EUA se consolida.
Contexto: O depoimento de Warsh hoje é o evento mais relevante para os juros globais desta semana. Se ele sinalizar manutenção diante do choque do petróleo, é dovish relativo — bom para emergentes. Se endossar a postura de Waller (alta de juros), o dólar global se fortalece e o real perde o colchão cambial construído no semestre. O CPI de junho chegará como pano de fundo imediato.

03
Focus / SelicInflação — Sinal Construtivo
Focus: IPCA 2026 cai para 5,16% — 2ª queda seguida; mercado começa a precificar mais corte após agosto
O Boletim Focus desta segunda reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,30% para 5,16% — segunda queda consecutiva após 14 semanas de alta. O mercado começa a se mover para precificar mais um corte de juros após agosto. Análises apontam que o mercado ainda acredita que o choque do petróleo é temporário e que a desinflação de junho voltará.
Contexto: O Focus caindo para 5,16% com o Brent em US$ 86 é o dado mais surpreendente e construtivo da semana. Revela que o mercado precifica o conflito como choque temporário — e que a trajetória de queda do IPCA que começou com o alívio de junho ainda está na memória dos analistas. É a aposta de que o Copom terá espaço para continuar cortando quando a poeira baixar.

04
Tarifaço / EUA / BrasilComércio Internacional
Lula diz que não haverá novo tarifaço a 2 dias do prazo — governo trabalha com três cenários
A dois dias do prazo americano, Lula afirmou que não haverá novo tarifaço sobre produtos brasileiros. O governo definiu três cenários e prepara discursos de defesa. Alcolumbre irrita-se com o governo após ofensiva da PF e PT inicia campanha #AprovaSenado para pressionar o Senado. Entidades privadas propõem acordo bilateral para evitar as tarifas.
Contexto: O prazo do tarifaço americano chega numa semana em que Washington está concentrado em Ormuz — o que pode criar uma janela diplomática para o Brasil, já que Trump tem outros assuntos prioritários. A confiança de Lula de que “não haverá tarifaço” pode ser fundamentada em sinais que não vieram a público ainda.

05
Fiscal / CongressoRisco Fiscal Brasil
Pauta-bomba de R$ 30 bi pode ser votada no Senado esta semana — imposto sobre dividendos arrecada só 5% do previsto
O Senado pode votar a PEC com impacto de R$ 30 bilhões ainda esta semana. Em paralelo, o imposto sobre dividendos — pilar da reforma tributária — arrecadou apenas 5% do previsto para o ano, podendo frustrar a projeção do governo. O governo tenta enxugar a PEC dos agentes de saúde para reduzir o impacto bilionário nas contas públicas.
Contexto: A combinação de R$ 30 bi em nova pauta-bomba com o imposto sobre dividendos frustrando a arrecadação cria um duplo problema fiscal: gastos maiores e receitas menores. Com o petróleo pressionando o subsídio e o Copom sob pressão para pausar, o espaço fiscal do governo está sendo comprimido por todas as frentes simultaneamente.

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Morning Call — 13 de Julho

Morning CallSegunda-feira, 13 de julho de 2026
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Panorama GlobalInternacional

⚠️ Mercados globais operam sob cautela após escalada entre EUA e Irã reacender tensões no Estreito de Ormuz: Forças americanas e iranianas trocaram ataques ao longo do fim de semana. A escalada começou depois que a Guarda Revolucionária iraniana atacou um navio porta-contêineres, levando os EUA a atingir 140 alvos no sábado e lançar nova onda de ataques no domingo. Em resposta, o Irã atacou instalações militares dos EUA em vários países. A mídia estatal iraniana afirmou que o Estreito de Ormuz foi fechado, mas militares americanos contestam, afirmando que permanece aberto.
S&P 500 Fut-0,24%7.602,25 pts
Nasdaq Fut-0,90%29.761,50 pts
Dow Jones Fut+0,11%52.962,00 pts
Nikkei-1,92%Ásia
Shanghai-2,06%3.913,794 pts
WTI+2,27%US$ 73,03
Brent+1,67%US$ 77,28
Ouro-0,79%US$ 4.081,10

  • Estreito de Ormuz em risco: Dados de rastreamento mostram apenas 6 embarcações cruzando o estreito no domingo, a menor movimentação em 5 semanas.
  • Acordo de paz em dúvida: A nova troca de ataques lança dúvidas sobre o futuro do acordo interino firmado no mês passado.
  • Petróleo dispara: WTI sobe 2,27% e Brent avança 1,67% com o risco geopolítico reacendido.
  • Índice do dólar recua: DXY cai 0,05%, a 100,90 pontos, enquanto Bitcoin cede 1,71%.

🌿

BrasilMercado Doméstico

📈 Ibovespa fecha sexta em alta de 2,97% após IPCA abaixo do esperado ampliar apostas de novo corte de juros: O índice tocou mínima intradiária aos 172.761 pontos pela manhã e ganhou mais de 5 mil pontos ao longo do pregão, encerrando aos 177.866 pontos. Ações cíclicas domésticas lideraram os ganhos, com bancos subindo mais de 5%. O resultado marca a terceira semana seguida de alta, com ganho acumulado de 2,2%.
Ibovespa+2,97%177.866 pts
Dólar-0,28%R$ 5,1084
Defasagem Gas.-31%Abicom · 10/07
Defasagem Diesel-45%Abicom · 10/07

IPCA de junho fica abaixo do esperado e alimenta chance de novo corte na Selic: O resultado do IPCA impulsionou o Ibovespa a ganhar mais de 5 mil pontos no pregão, com apostas de novo corte de juros pelo Banco Central na reunião de agosto.
CMN amplia prazos de financiamento pré-embarque do Proex: O prazo máximo de desembolso ao exportador antes do embarque passa de 180 para até 360 dias, prorrogáveis até 750 dias, em sessão extraordinária realizada na sexta-feira.
  • Dólar recua 1,15% na semana: A moeda se beneficia da recuperação do apetite ao risco em moedas emergentes e pelo resultado do IPCA.
  • Ações cíclicas lideram: Ações de bancos sobem mais de 5% em alguns casos, impulsionadas pelas apostas de corte de juros.
  • Terceira semana de alta: O Ibovespa acumula ganhos de 2,2% nas últimas três semanas.

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Oi S.A. (OIBR4): Assinou contrato de venda da unidade de serviços telefônicos fixos à Método Telecomunicações e Comércio, vencedora do procedimento competitivo no processo de recuperação judicial.
  • JHSF Península (JHSF3): Concluiu a compra da Baluma, dona do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai. O projeto será ampliado para incluir shopping com 50 lojas, hotel Fasano, cassino e residenciais.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O mercado global enfrenta um novo teste de resiliência com a escalada entre EUA e Irã reacendendo tensões no Estreito de Ormuz. Segundo o research do BTG Pactual, a movimentação de apenas 6 embarcações no domingo (menor em 5 semanas) sinaliza cautela real, não apenas retórica. O BTG aponta que o risco geopolítico está revertendo parte dos ganhos de junho no Brasil. Porém, o IPCA abaixo do esperado oferece um ‘colchão’ doméstico: as apostas de novo corte de juros em agosto sustentam o apetite por risco local. O paradoxo é que enquanto o petróleo sobe (pressão de custos), a inflação brasileira recua (alívio monetário). Para o investidor Private, o foco deve estar na dinâmica Selic vs. Geopolítica — a primeira oferecendo suporte, a segunda criando volatilidade.

🌡️

Radar de InflaçãoMonitoramento de Preços

Diesel (Abicom)−45%Crítico / 10/07
Gasolina (Abicom)−31%Pressão / 10/07
BrentUS$ 77,28Escalada Geopolítica
IPCA Jun0,16%Abaixo do Esperado

  • Combustíveis caem na segunda semana de julho: Defasagem do diesel em −45% e gasolina em −31%, segundo ANP e Abicom.
  • Etanol mais competitivo: ANP aponta que etanol é mais competitivo que a gasolina em 9 Estados.
  • Petróleo sobe com risco geopolítico: WTI avança 2,27% e Brent sobe 1,67% com escalada no Oriente Médio.
  • IPCA abaixo do esperado: Inflação de junho fica em 0,16%, alimentando apostas de novo corte de juros.
  • Minério de ferro e soja em alta: Minério sobe com escassez de oferta; soja teve semana de altas em quase todo o Brasil.
📌 Leitura do Radar: A defasagem de combustíveis em patamares críticos (−45% diesel) contrasta com o alívio inflacionário de junho. O risco geopolítico no Oriente Médio é o principal vetor de pressão nos próximos dias.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
GEOPOLÍTICA / ENERGIARISCO GLOBAL
Escalada entre EUA e Irã reacende tensões no Estreito de Ormuz
Forças americanas e iranianas trocam ataques; apenas 6 embarcações cruzam o estreito no domingo, a menor movimentação em 5 semanas.
Contexto: O risco de interrupção no comércio de petróleo é real. A movimentação de navios desligando transponders sinaliza cautela genuína, não apenas especulação.

02
INFLAÇÃO / BRASILALÍVIO
IPCA de junho fica abaixo do esperado e alimenta chance de novo corte na Selic
Inflação sobe 0,16% com alívio em alimentos e combustíveis, ampliando apostas de novo corte de juros pelo Banco Central em agosto.
Contexto: O resultado positivo sustenta o apetite por risco local e justifica a alta de 2,97% do Ibovespa na sexta. Ações cíclicas lideraram os ganhos.

03
FISCAL / EXPORTAÇÕESPROEX
CMN amplia prazos de financiamento pré-embarque do Proex até 750 dias
Conselho Monetário Nacional aprova em sessão extraordinária aumento dos prazos de desembolso ao exportador antes do embarque.
Contexto: A medida visa fortalecer a competitividade das exportações brasileiras em meio à volatilidade cambial e ao risco geopolítico global.

04
CORPORATIVO / OIRECUPERAÇÃO
Oi S.A. assina contrato de venda de unidade de telefonia fixa à Método
Venda da UPI de serviços telefônicos fixos aprovada pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro no processo de recuperação judicial.
Contexto: A transação marca um passo importante na reestruturação da Oi, reduzindo passivos e focando em segmentos mais rentáveis.

05
TURISMO / IMOBILIÁRIOEXPANSÃO
JHSF conclui compra da Baluma e planeja expansão em Punta del Este
JHSF Península finaliza aquisição do complexo Enjoy Punta del Este e prepara ampliação com shopping, hotel Fasano, cassino e residenciais.
Contexto: O investimento reforça a estratégia da JHSF em ativos de alto padrão e diversificação geográfica no segmento de turismo premium.

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Morning Call — 10 de Julho

Morning CallSexta-feira, 10 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado

🌐

Panorama GlobalInternacional

⚖️ Mercados respiram com redução dos temores de escalada — mas petróleo segue elevado: a sinalização de Trump de que não pretende uma guerra em larga escala trouxe alívio relativo. O Brent recua para US$ 76,10 (de US$ 78+ de ontem), mas ainda opera muito acima do patamar pré-reescalada. A AIE alertou nesta sexta que a demanda global por petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020, com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio.
S&P 500−0,16%Futuro
Nasdaq−0,55%Futuro
Nikkei+1,20%Japão
Kospi+2,52%Coreia do Sul
Brent−0,26%US$ 76,10 — recua mas segue alto
WTI−0,36%US$ 71,82
Treasury 10a4,535%↓ de 4,558%
DXY−0,02%100,88 — leve alívio

  • AIE alerta: demanda global de petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020 com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio. A agência ressalva que uma recuperação está em curso, mas nova escalada pode complicar o cenário
  • Warsh nomeia Arminio Fraga para revisar comunicação do Fed — o ex-presidente do BC brasileiro integra força-tarefa de reformas do Fed. Warsh deve ganhar alívio na inflação com revisão do PCE, segundo analistas
  • Inflação na Europa desacelera: França cai para 1,8% em junho (de 2,4% em maio), puxada por energia −4,2%; Alemanha sobe 2,4% em linha com o esperado. Dados reforçam que o choque de energia está parcialmente se dissipando na Europa
  • Japão: PPI acelera no ritmo mais rápido em mais de 3 anos com empresas repassando custos do conflito ao consumidor — argumento adicional para o BoJ subir juros. Taxa de vacância de escritórios em Tóquio cai abaixo de 1% pela primeira vez em seis anos

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qui)+1,22%172.742 pts — recuperação
Dólar (qui)−0,50%R$ 5,1228
Defasagem gas.−34%Abicom · 09/07
Defasagem diesel−50%Abicom · 09/07 — crítico

📈 Ibovespa recupera +1,22% e dólar volta a R$ 5,12 — mercado corrige excessos: após dias de pressão intensa, ontem os investidores aproveitaram o pregão para corrigir os excessos, especialmente em metais e mineração. O dólar recuou 0,50% para R$ 5,1228. O pregão teve menor liquidez devido ao feriado estadual de 9 de Julho em São Paulo — volume de R$ 15,4 bi, abaixo da média.
Subsídio à gasolina prorrogado por causa da guerra — etanol a 32% vai à terça: o governo prolonga o subsídio à gasolina enquanto o cenário externo não se estabilizar, segundo Durigan. O fim da subvenção “depende do cenário externo”. Hugo Motta confirmou que o aumento do etanol na gasolina para 32% — adiado três vezes — será discutido na terça-feira. O governo manteve a alíquota de 12% do imposto de exportação de petróleo.
  • IGP-M: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia de julho (FGV) — sinal positivo para o componente de aluguéis no IPCA, que havia pressionado o índice nos meses anteriores
  • Arminio Fraga no Fed: o ex-presidente do BC brasileiro integra grupo de trabalho que revisará a estratégia de comunicação do Fed sob Warsh — presença relevante de um nome de peso brasileiro na reforma do banco central mais importante do mundo
  • Entidades do Brasil e EUA propõem acordo para evitar novo tarifaço de Trump — iniciativa privada tenta criar canal alternativo ao impasse político entre os governos

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Petrobras (PETR3/4): concluiu a aquisição e assumiu a operação do bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe (África), com consórcio formado por Petrobras 75%, Oranto 15% e ANPST 10%. Expansão internacional em momento de volatilidade do petróleo.
  • Oi (OIBR3): informou agravamento significativo da situação financeira, com risco concreto de interrupção das operações a partir de 1º de agosto de 2026. O caixa caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões — considerado insuficiente pelo gestor judicial para sustentar a operação no curtíssimo prazo.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana encerra com uma conclusão paradoxal: o pior cenário foi evitado, mas o cenário atual já é suficientemente ruim para reverter boa parte do trabalho de junho. O Brent em US$ 76 — recuando dos US$ 78 de ontem, mas ainda muito acima dos US$ 71 de segunda-feira — mantém as defasagens de combustíveis nos piores níveis de todo o conflito (diesel −50%), o subsídio prorrogado e o etanol a 32% adiado pela terceira vez. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta semana não é o petróleo, mas o dólar: mesmo com o Brent disparando 6% na quarta, o real fechou a semana perto de R$ 5,12 — sustentado pelo fluxo de entrada de US$ 17,78 bi no semestre, o maior em oito anos. Esse colchão cambial é o principal diferencial do Brasil em relação à primeira rodada do conflito em março, quando o real chegou a R$ 5,80. A nomeação de Arminio Fraga para revisar a comunicação do Fed é um dado curioso e positivo para a credibilidade do processo — Warsh sinalizou que quer mais clareza e menos “forward guidance”, e escolheu o arquiteto do regime de metas de inflação brasileiro para ajudá-lo. Para a semana que vem, os três eventos a monitorar são: a discussão do etanol a 32% na terça (o único amortecedor doméstico ainda não acionado), os desdobramentos do conflito em Ormuz, e a leitura do mercado sobre o ritmo do Fed após a revisão do PCE que Warsh prometeu.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−50%
Abicom · 09/07 — pior do conflito
Defasagem Gasolina
−34%
Abicom · 09/07 — subsídio prorrogado
Brent
US$ 76,10
Recua, mas ainda alto vs. US$ 71 na seg.
El Niño
81% forte
Chance de intensificação até o fim do ano

  • Diesel em −50% — o dado mais crítico do Radar: a defasagem do diesel permanece no pior nível de todo o conflito. Com o Brent em US$ 76, a diferença entre o preço internacional e o praticado nas bombas exige manutenção do subsídio — e o governo prorrogou explicitamente o programa “por causa da guerra”
  • Subsídio da gasolina prorrogado indefinidamente: Durigan confirmou que o fim da subvenção “depende do cenário externo”. O etanol a 32% — o único amortecedor que o governo controla — foi adiado para a terça-feira. A aprovação esta semana seria o primeiro passo concreto de normalização desde a reescalada
  • AIE: demanda global de petróleo deve cair pela 1ª vez desde 2020 com o conflito — sinal de que o choque não é apenas de preço, mas de volume. Para o Brasil, menor demanda global pode eventualmente pressionar o Brent para baixo, mas no curto prazo a oferta restrita domina
  • IGP-M de julho: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia — dado construtivo que pode aliviar a pressão nos contratos residenciais. O IGP-M de junho havia caído 0,50%, sugerindo uma tendência de alívio nos preços ao produtor que pode chegar ao IPCA com defasagem
  • El Niño com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano: o fenômeno agrava os riscos sobre alimentos e energia elétrica justamente quando o petróleo já pressionava a inflação. A combinação de dois choques simultâneos — petróleo e clima — é o cenário mais adverso para o IPCA do 2S26
📌 Leitura do Radar: o Brent recuou de US$ 78 para US$ 76, mas isso não resolve o problema — a defasagem do diesel em −50% continua sendo o número mais preocupante desde o início do conflito. O subsídio prorrogado protege o consumidor mas pressiona o fiscal. O único movimento positivo desta semana no Radar é o IGP-M de aluguéis caindo. O etanol a 32%, se aprovado na terça, será o primeiro sinal concreto de normalização desde a reescalada.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Fed / Arminio FragaPolítica Monetária Global
Warsh nomeia Arminio Fraga para revisar comunicação do Fed — ex-presidente do BC brasileiro integra força-tarefa
Kevin Warsh anunciou força-tarefa para reformas no Fed e escolheu Arminio Fraga — ex-presidente do Banco Central do Brasil e arquiteto do regime de metas de inflação — para integrar o grupo que revisará a estratégia de comunicação. Warsh prometeu menos “forward guidance” e mais clareza. Analistas veem Warsh ganhando alívio com a revisão do PCE.
Contexto: A escolha de Fraga é um sinal de que Warsh quer incorporar as melhores práticas globais de comunicação de bancos centrais — e o brasileiro é reconhecido internacionalmente por ter construído a credibilidade do BC sob pressão de crise. Para o Brasil, é um vínculo simbólico relevante entre os dois países num momento de tensão comercial.

02
Combustíveis / EtanolInflação — Agenda da Próxima Semana
Subsídio à gasolina prorrogado por causa da guerra — etanol a 32% vai à discussão na terça-feira
O governo prolonga o subsídio à gasolina enquanto o cenário externo não se estabilizar, segundo Durigan. Hugo Motta confirmou que o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% — adiado três vezes — será discutido na terça-feira. A alíquota de 12% do imposto de exportação de petróleo foi mantida.
Contexto: O etanol a 32% na terça é o evento doméstico mais relevante da próxima semana para a inflação. Com o Brent em US$ 76 e o diesel em −50% de defasagem, qualquer amortecedor é bem-vindo. A aprovação reduziria a dependência de gasolina importada e funcionaria como colchão parcial da nova alta do petróleo — sem custo para o Tesouro.

03
AIE / Petróleo / Oriente MédioGeopolítica — Energia
AIE: demanda global de petróleo deve cair pela 1ª vez desde 2020 com o conflito EUA-Irã
A Agência Internacional de Energia divulgou relatório alertando que a demanda global por petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020, com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz prejudicando os fluxos pelo Golfo Pérsico. A agência ressalva que uma recuperação está em curso, mas alerta que nova escalada pode complicar o cenário.
Contexto: A queda da demanda global é uma faca de dois gumes: no curto prazo, a oferta restrita domina e o petróleo segue alto. No médio prazo, se a demanda cair e Ormuz for reaberto, o ajuste pode ser mais rápido do que o esperado. Para o Brasil, o cenário favorável seria Brent caindo para US$ 65–70 sem nova escalada — o que permitiria encerrar o subsídio e retomar o ciclo de cortes da Selic.

04
Oi (OIBR3)Empresas — Risco Operacional
Oi alerta para risco de interrupção das operações a partir de 1º de agosto — caixa cai para R$ 19,6 mi
A Oi informou ao mercado que enfrenta agravamento significativo de sua situação financeira, com risco concreto de interrupção das operações a partir de 1º de agosto de 2026. O caixa da companhia em recuperação judicial caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões — nível considerado insuficiente pelo gestor judicial para sustentar a operação no curtíssimo prazo.
Contexto: A Oi em colapso iminente é um caso de risco sistêmico para as telecomunicações brasileiras — a empresa ainda opera redes relevantes mesmo em recuperação judicial. A interrupção das operações afetaria diretamente clientes residenciais e empresariais. Para o mercado financeiro, sinaliza que os credores precisarão decidir rapidamente entre injetar capital ou aceitar uma reestruturação mais drástica.

05
Tarifaço / EUA / NegociaçãoComércio Internacional
Entidades do Brasil e EUA propõem acordo privado para evitar novo tarifaço — comissão critica regulação digital brasileira
Entidades empresariais dos dois países apresentaram proposta de acordo para evitar a aplicação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em paralelo, uma comissão dos EUA criticou a regulação digital brasileira, acusando o Brasil de querer “censurar empresas” — nova frente de tensão bilateral além do Pix e das tarifas comerciais.
Contexto: A iniciativa privada tenta criar um canal de solução que os governos não estão conseguindo abrir. A crítica americana à regulação digital adiciona uma terceira frente às tensões bilaterais — após o Pix e as tarifas comerciais. Para o Brasil, a questão regulatória digital pode se tornar tão relevante quanto o debate tarifário nas negociações com Washington.

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