O CPI americano veio em linha com o esperado (+0,1% no mês, +3,4% no ano) — alívio parcial para o Fed, mas o PPI de hoje é o próximo teste, com ligação direta ao núcleo do PCE. A Ucrânia atacou terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk, e a Rússia alertou para risco à cadeia global de alimentos. No Brasil, as defasagens bateram novo recorde — diesel em −73% — e o Ibovespa segue em queda, pressionado pela saída de estrangeiros às vésperas das eleições.
Internacional
Panorama Global
📊 CPI dos EUA sobe 0,1% em julho, em linha com o esperado — alívio parcial, mas dúvidas seguem: na comparação anual, a alta foi de 3,4%, também dentro do consenso. O núcleo, que exclui energia e alimentos, avançou 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses. Apesar do resultado trazer algum alívio de curto prazo para o Fed, o mercado mantém dúvidas sobre os próximos passos da política monetária. Hoje, o destaque da agenda é o PPI — especialmente relevante por sua relação com o núcleo do PCE, principal referência de inflação do Fed.
Kospi▲3,56%Coreia do Sul
S&P 500▲0,14%Futuro
Brent▼1,69%US$ 87,48
Treasury 10a4,672%↓ de 4,692%
🌾 Ucrânia ataca terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk — Rússia alerta para risco à cadeia global de alimentos: drones e mísseis atingiram navios de guerra e terminais de exportação de grãos no Mar Negro, danificando estruturas de armazenamento. A Ucrânia afirmou ter atingido diversos navios de guerra russos. A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, alertou para o risco de interrupção no fornecimento global de alimentos diante do aumento dos riscos à navegação na região.
- Reino Unido cresce 0,4% no 2T — ritmo mais acelerado do G7 no primeiro semestre (1T havia sido +0,6%), superando os EUA no período. A libra caiu, com as preocupações do Oriente Médio ofuscando o bom dado
- Espanha: inflação revisada para 3,6% em julho — maior patamar desde maio de 2024, puxada por diesel (+15,7%) e gasolina (+7,3%), além de eletricidade (+8,4%) em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio
- Onda de calor ameaça geração nuclear na Europa — Romênia desligou seu único reator por baixo nível do rio Danúbio; estimativa de custo de até 1% do PIB do bloco com as interrupções ligadas ao calor
Ibovespa (qua)▼0,23%167.491 pts
Dólar (qua)▲0,36%R$ 5,1793
Defasagem gas.▲41%Abicom · 12/08 — piora
Defasagem diesel▲73%Abicom · 12/08 — novo recorde
📉 Ibovespa cai pelo 2º dia seguido — saída de estrangeiros se intensifica às vésperas das eleições: o índice tocou máxima de 168.310 pontos mas fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, perto da mínima da sessão. A redução de exposição por investidores estrangeiros continua a pesar, com volume financeiro de R$ 24,2 bilhões. O dólar fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,1793 — o real entre as moedas mais fracas do dia, com relato de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos.
⛽ Congresso aprova PLP dos Combustíveis com “gatilhos” para antecipar ajuste fiscal — mas “jabutis” podem elevar conta de luz em 5%: a lei aprovada traz subteto para gastos e ampliação de benefícios fiscais, com mecanismos para antecipar o ajuste fiscal conforme a evolução da dívida. Um estudo aponta que os “jabutis” incluídos no projeto podem elevar a conta de luz residencial em 5% — o custo oculto de uma medida pensada para aliviar os combustíveis.
- Governo Trump sinaliza mais ações sobre o Brasil — nova escalada potencial na crise diplomática, que já inclui tarifas e a revogação do visto da embaixadora
- Mudanças na desoneração de combustíveis podem custar até R$ 8 bi à saúde em 2027 — trade-off fiscal que ilustra o custo de oportunidade das medidas de alívio a combustíveis
- QPC: 94% do mercado esperava corte de 0,25pp em agosto e 57% achava que deveria cortar — sinal de que o mercado segue mais hawkish que a mediana das expectativas sobre o ritmo do Copom
Corporativo
Empresas em Destaque
- Ultrapar (UGPA3): aprovou pagamento de R$ 1,08 bilhão em dividendos (R$ 1,00 por ação ordinária), a partir de 3 de setembro, com base na posição acionária de 24 de agosto.
- GPA (PCAR3): aprovou os principais termos e condições para emissão de novas debêntures, operação que integra a solução de reestruturação financeira prevista no plano de recuperação extrajudicial da companhia.
Research BTG Pactual
Análise do Dia
O CPI em linha com o esperado deveria ter sido uma boa notícia — e globalmente foi, com o Kospi disparando 3,56% e o Brent recuando. Mas o Ibovespa não conseguiu capturar esse alívio: caiu pelo segundo dia seguido, e o dólar subiu para R$ 5,18, com o real entre as moedas mais fracas do mundo na sessão. A narrativa se repete e se aprofunda: o problema brasileiro não é externo, é doméstico — a proximidade das eleições está acelerando a saída de capital estrangeiro, com relatos de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos. Segundo o research do BTG Pactual, esse é um padrão que tende a se intensificar nas próximas semanas: mercado tipicamente amplia a cautela com Brasil no período pré-eleitoral, e neste ciclo há o agravante da crise diplomática com os EUA, que segue escalando — o governo Trump sinaliza mais ações contra o país. No front doméstico, o PLP dos Combustíveis aprovado traz uma mensagem mista: gatilhos fiscais são positivos para a credibilidade de médio prazo, mas os “jabutis” que podem elevar a conta de luz em 5% mostram como o processo legislativo brasileiro raramente entrega soluções limpas. Para o investidor, a pergunta mais relevante da semana deixou de ser sobre dados de inflação — o CPI bom não mudou a trajetória do Ibovespa — e passou a ser sobre até onde vai a deterioração do fluxo estrangeiro enquanto durar a incerteza eleitoral.
Monitoramento de Preços
Radar de Inflação
Defasagem Diesel▲73%Abicom · 12/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina▲41%Abicom · 12/08 — piora
CPI EUA (jul)3,4% a.a.Em linha com o esperado
Grãos / Mar NegroRiscoAtaque a terminais russos
- Diesel bate novo recorde de −73% — o duplo choque de Ormuz e do veto russo à exportação continua sem sinais de convergência, mesmo com o Brent recuando 1,69% nesta sessão
- Gasolina piora para −41% (de −40%) — segunda leitura seguida de deterioração, ampliando a pressão fiscal sobre o subsídio que o governo já sinaliza ser insustentável no ritmo atual
- CPI americano em linha alivia parcialmente o Fed — mas o PPI de hoje será o próximo teste, com relação direta ao núcleo do PCE, a métrica preferida do Fed para calibrar a política monetária
- Ataque ucraniano a terminais de grãos na Rússia acende alerta para alimentos: a Rússia é a maior exportadora de trigo do mundo — qualquer interrupção prolongada no fluxo de grãos pelo Mar Negro pode se somar ao choque de energia e ampliar a pressão inflacionária global via alimentos
📌 Leitura do Radar: as defasagens de combustíveis seguem se deteriorando (diesel −73%, gasolina −41%), enquanto um novo front de risco se abre nos alimentos globais com o ataque a terminais de grãos russos no Mar Negro. O CPI bom nos EUA é a única âncora positiva da manhã — mas o PPI de hoje e os desdobramentos do ataque ucraniano são os dois eventos que podem redefinir a trajetória de preços nas próximas semanas.
Seleção do Dia
Clipping de Notícias
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.
01
Ibovespa / Fluxo / EleiçõesMercado Doméstico — Deterioração
Ibovespa cai pelo 2º dia seguido — saída de estrangeiros se intensifica às vésperas das eleições
O índice tocou máxima de 168.310 pontos mas fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos. A redução de exposição por investidores estrangeiros continua a pesar, com relato de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos. O dólar fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,1793, com o real entre as moedas mais fracas do dia.
Contexto: o padrão se repete mesmo com um CPI americano benigno — reforçando que o problema é doméstico e ligado à proximidade eleitoral, não a fatores externos. Esse tipo de cautela pré-eleitoral tende a se intensificar nas próximas semanas, historicamente.
02
Combustíveis / DefasagemInflação — Novo Recorde
Defasagem do diesel bate novo recorde de −73%; gasolina piora para −41%
A Abicom registrou defasagem de −73% para o diesel — novo recorde absoluto — e −41% para a gasolina na leitura de ontem, ambas em piora. O Congresso aprovou o PLP dos Combustíveis com gatilhos fiscais e ampliação de benefícios, mas um estudo aponta que os “jabutis” do projeto podem elevar a conta de luz residencial em 5%.
Contexto: a aprovação do PLP dos Combustíveis é positiva no papel — traz gatilhos para antecipar o ajuste fiscal —, mas o efeito colateral sobre a conta de luz mostra como raramente uma medida de alívio sai limpa do processo legislativo brasileiro em ano eleitoral.
03
Ucrânia / Rússia / GrãosGeopolítica — Novo Front
Ucrânia ataca terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk — Rússia alerta para risco a alimentos
Drones e mísseis ucranianos atingiram navios de guerra e terminais de exportação de grãos no porto de Novorossiysk, no Mar Negro, danificando estruturas de armazenamento. A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, alertou para o risco de interrupção no fornecimento global de alimentos diante do aumento dos riscos à navegação na região.
Contexto: é a primeira vez em semanas que o conflito Rússia-Ucrânia ameaça diretamente a cadeia de alimentos, somando-se ao choque de energia do conflito EUA-Irã. Se a interrupção nas exportações de grãos se prolongar, o mercado terá dois choques de commodities simultâneos pressionando a inflação global.
04
CPI / Fed / EUAPolítica Monetária Global
CPI dos EUA sobe 0,1% em julho, em linha com o esperado — PPI de hoje é o próximo teste
O CPI subiu 0,1% no mês e 3,4% no ano, ambos dentro do consenso. O núcleo avançou 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses. Apesar do alívio de curto prazo, o mercado mantém dúvidas sobre os próximos passos do Fed. Hoje, o PPI é o destaque da agenda, por sua relação direta com o núcleo do PCE — a métrica de inflação preferida do banco central americano.
Contexto: um CPI em linha é neutro, não decisivo — não resolve a dúvida entre corte e manutenção em setembro. O PPI de hoje, ao alimentar diretamente a métrica que o Fed mais acompanha, tem potencial para mover mais o mercado do que o próprio CPI de ontem.
05
Europa / Energia / ClimaRisco Energético Europa
Onda de calor e seca ameaça geração nuclear na Europa — Romênia desliga único reator do país
Uma onda de calor e seca excepcional elevou o risco à geração de energia nuclear no continente. Na Romênia, a estatal Nuclearelectrica iniciou o desligamento do único reator nuclear em operação no país devido ao baixo nível de água no rio Danúbio. A estimativa é que as interrupções ligadas ao calor possam custar cerca de 1% do PIB do bloco europeu.
Contexto: a combinação de clima extremo com a crise energética já existente (petróleo caro por causa do Oriente Médio) cria um cenário de dupla pressão sobre os preços de energia na Europa — reforçado pela aceleração da inflação de eletricidade já vista na Espanha (+8,4%) nesta mesma edição.