Os EUA completaram nova rodada de ataques contra o Irã — a primeira desde o bombardeio de domingo, início do “D-Day econômico”. O Irã retaliou, e dois petroleiros atingiram minas navais ao cruzar Ormuz. Títulos soberanos foram vendidos ao redor do mundo — Fed, BoJ e BCE devem subir juros ainda este mês. O Japão rompeu a marca histórica de 3% no título de 10 anos. No Brasil, o Ibovespa foi na contramão do mundo: subiu 1,30% para 179.722 pontos — maior fechamento desde maio.
Internacional
Panorama Global
💥 EUA completam nova rodada de ataques ao Irã — primeira desde o início do “D-Day econômico”: as tensões se intensificaram depois que os EUA completaram ontem uma nova rodada de ataques contra o Irã, a primeira desde os bombardeios de domingo. Em retaliação, o Irã atacou alvos regionais, interceptados por Jordânia e Bahrein, e informou que dois petroleiros atingiram minas navais durante a travessia por Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária do país. O CENTCOM afirmou ter atingido sistemas de defesa aérea, comunicação e radar iranianos.
Nikkei▼2,85%Japão — forte aversão
Kospi▼3,99%Coreia do Sul
Brent▲0,36%US$ 94,99 — perto de US$ 95
Treasury 10a4,817%Máxima de décadas
🌐 Vendas de títulos soberanos ao redor do mundo — Fed, BoJ e BCE devem subir juros ainda este mês: o custo de captação global atingiu máximas de várias décadas. O bund alemão de 10 anos subiu a 3,375%, maior nível desde 2011; o gilt britânico estendeu o maior nível pós-2008, a 5,25%; e o título japonês de 10 anos chegou a 3,016%, após romper a marca de 3% pela primeira vez em três décadas. O tom mais duro de Warsh em Jackson Hole e os dados de inflação da UE já levam o mercado a precificar alta do BCE.
- China é a única do G20 a não aderir a comunicado sobre exportações “insustentáveis” — Bessent citou o superávit em conta corrente chinês como o maior e mais insustentável do mundo, e disse caber à China ajudar a resolver a crise do Irã
- ADP: emprego privado nos EUA cresce apenas 38 mil em agosto — abaixo do consenso de 47 mil, sinal adicional de desaceleração do mercado de trabalho americano
- Ouro recua 0,73%, a US$ 4.364,50 — movimento atípico em dia de forte aversão a risco, possivelmente refletindo realização de lucros após sucessivas máximas históricas nas últimas semanas
Ibovespa (ter)▲1,30%179.722 pts — maior desde 12/mai
Dólar (ter)▼0,47%R$ 5,1556
Defasagem gas.−61%Abicom · 31/08
Defasagem diesel−83%Abicom · 31/08
📈 Ibovespa vai na contramão do mundo — sobe 1,30% e atinge maior fechamento desde 12 de maio, puxado pela Petrobras: enquanto Ásia, Europa e Nova York recuaram num dia de aversão a risco generalizada provocada pela disparada do petróleo, o índice brasileiro avançou rumo aos 180 mil pontos, fechando a 179.722 pontos — o maior fechamento nominal desde 12 de maio, quando havia encerrado a 180.342. O maior apetite por risco impulsionou as blue chips, com destaque para a Petrobras, beneficiada pelo mesmo fator que, lá fora, alimentou a aversão a risco: o petróleo em alta. O dólar fechou em queda de 0,47%, a R$ 5,1556.
📊 PIB per capita avança 0,4% no 2T, segundo a FGV Ibre — mercado eleva aposta em corte da Selic em novembro: o resultado, após alta de 1% no 1T, surpreendeu positivamente e levou o mercado a aumentar as apostas de corte da Selic já na reunião de novembro do Copom. Ceron reforçou que o Brasil precisa encontrar caminhos estruturais para reduzir as taxas de juros, não apenas ciclos pontuais de corte.
- UE suspende importação de carnes, ovos e mel do Brasil — restrição mais ampla do que inicialmente reportado, com expectativa de que possa durar pelo menos um ano, segundo analistas do setor
- “Posteiro” pode elevar conta de luz em pelo menos R$ 2,4 bilhões — novo componente de custo identificado no setor elétrico que deve pressionar as tarifas nos próximos meses
- Combustível de avião já subiu 53% no ano — pressão crescente sobre o preço das passagens aéreas, refletindo diretamente a escalada do petróleo desde o início da crise em fevereiro
Corporativo
Empresas em Destaque
- T4F Entretenimento: teve o cancelamento de registro de companhia aberta aprovado pela CVM, concluindo o fechamento de capital — a empresa deixou de ter ações negociadas na B3 e de integrar o Novo Mercado a partir de ontem.
- Ânima Educação (ANIM3): a Compostella Participações, ligada ao grupo controlador, ampliou sua fatia para 10,92% das ações ordinárias — a participação conjunta do bloco de controle passou a 50,48% do capital, sem alteração na estrutura de controle ou administrativa.
Research BTG Pactual
Análise do Dia
O “D-Day econômico” anunciado por Bessent na semana passada deixou de ser retórica: os EUA completaram ontem sua primeira rodada de ataques desde o bombardeio de domingo, e o Irã respondeu com minas navais que atingiram dois petroleiros em Ormuz. É a confirmação de que a fase de escalada ativa, não apenas de pressão econômica, está de volta — e o mercado de juros globais reagiu com a mesma intensidade que o de petróleo: bunds alemães na máxima desde 2011, gilts britânicos no maior nível pós-2008, e o Japão rompendo 3% pela primeira vez em três décadas. Segundo o research do BTG Pactual, esse é o tipo de movimento que sinaliza reprecificação estrutural do custo de capital global, não apenas reação pontual a uma notícia — três dos principais bancos centrais do mundo (Fed, BoJ, BCE) caminhando simultaneamente para elevar juros neste mês é um alinhamento raro que tende a apertar a liquidez internacional de forma ampla. Para o Brasil, o dia trouxe um contraste notável: o Ibovespa subindo 1,30% justamente no dia em que o resto do mundo caía, graças à correlação direta da Petrobras com o petróleo em alta — mas essa mesma alta do petróleo é o que está destruindo as defasagens de combustíveis domésticas e ampliando o custo fiscal da crise. O PIB per capita surpreendendo positivamente reforça o caso para um corte de Selic em novembro, mas o cenário externo de juros globais subindo simultaneamente cria uma tensão que o Copom precisará navegar com cuidado nos próximos meses.
Monitoramento de Preços
Radar de Inflação
Defasagem Diesel−83%Abicom · 31/08 — recorde mantido
Defasagem Gasolina−61%Abicom · 31/08 — recorde mantido
BrentUS$ 94,99Perto de US$ 95 — minas em Ormuz
PIB per capita 2T▲0,4%Reforça aposta de corte em novembro
- Diesel e gasolina mantêm os recordes de −83% e −61% — a nova rodada de ataques e as minas navais em Ormuz eliminam qualquer perspectiva de melhora no curto prazo, com o Brent se aproximando de US$ 95
- Combustível de avião acumula alta de 53% no ano — pressão direta sobre o preço das passagens aéreas, mais um vetor inflacionário que já se espalha para o setor de serviços de transporte
- “Posteiro” pode adicionar R$ 2,4 bilhões à conta de luz — novo componente de custo no setor elétrico que se soma às pressões já existentes de El Niño e defasagens de combustíveis
- PIB per capita surpreende positivamente e reforça caso para corte de Selic em novembro — mas o alinhamento raro de Fed, BoJ e BCE subindo juros simultaneamente cria contrapeso externo relevante para a decisão do Copom
📌 Leitura do Radar: as defasagens seguem nos piores níveis de toda a crise, com o Brent se aproximando de US$ 95 após a nova rodada de ataques e as minas navais em Ormuz. O PIB per capita bom é o único contraponto doméstico positivo — mas o alinhamento simultâneo de Fed, BoJ e BCE subindo juros é um vento contrário global que o Copom não pode ignorar ao calibrar o próximo corte.
Seleção do Dia
Clipping de Notícias
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.
01
EUA / Irã / D-Day EconômicoGeopolítica — Escalada Ativa
EUA completam nova rodada de ataques ao Irã — dois petroleiros atingem minas navais em Ormuz
Os EUA completaram ontem uma nova rodada de ataques contra o Irã, a primeira desde os bombardeios de domingo, início do “D-Day econômico”. Em retaliação, o Irã atacou alvos regionais, interceptados por Jordânia e Bahrein, e informou que dois petroleiros atingiram minas navais ao cruzar Ormuz. O CENTCOM afirmou ter atingido sistemas de defesa aérea, comunicação e radar iranianos.
Contexto: a confirmação de que a fase de escalada ativa está de volta — não apenas pressão econômica — é o desenvolvimento mais preocupante da semana. Minas navais atingindo petroleiros reais, não apenas ameaças, elevam o risco operacional concreto para o transporte marítimo pela região.
02
Juros Globais / Bancos CentraisMercados Globais — Reprecificação
Títulos soberanos vendidos ao redor do mundo — Fed, BoJ e BCE devem subir juros ainda este mês
O custo de captação global atingiu máximas de várias décadas: o bund alemão de 10 anos subiu a 3,375% (maior desde 2011), o gilt britânico chegou a 5,25% (maior nível pós-2008), e o título japonês de 10 anos rompeu 3% pela primeira vez em três décadas. O tom mais duro de Warsh em Jackson Hole reforça a expectativa de alta simultânea dos principais bancos centrais.
Contexto: o alinhamento raro de Fed, BoJ e BCE caminhando simultaneamente para elevar juros neste mês sinaliza reprecificação estrutural do custo de capital global — um aperto de liquidez internacional que tende a pressionar todos os ativos de risco, incluindo emergentes como o Brasil.
03
Ibovespa / Petrobras / ContramãoMercado Doméstico — Divergência
Ibovespa vai na contramão do mundo — sobe 1,30% e atinge maior fechamento desde 12 de maio
Enquanto Ásia, Europa e Nova York recuaram num dia de aversão a risco generalizada provocada pela disparada do petróleo, o índice brasileiro avançou, fechando a 179.722 pontos — maior fechamento nominal desde 12 de maio. A Petrobras foi destaque, beneficiada pelo mesmo fator que alimentou a aversão a risco lá fora: o petróleo em alta.
Contexto: a correlação positiva entre petróleo e Ibovespa via Petrobras continua sendo o principal driver de divergência entre o Brasil e o resto do mundo em dias de escalada geopolítica — um padrão que já se repetiu múltiplas vezes neste ciclo.
04
UE / Carnes / RestriçãoComércio Internacional
UE suspende importação de carnes, ovos e mel do Brasil — restrição pode durar pelo menos um ano
A União Europeia ampliou a suspensão para além da carne, incluindo ovos e mel do Brasil. Segundo analistas do setor, a restrição pode durar pelo menos um ano — um golpe mais amplo e duradouro do que inicialmente reportado para as exportações agropecuárias brasileiras.
Contexto: a duração estimada de pelo menos um ano transforma esse evento de um choque pontual para um problema estrutural das exportações brasileiras, exigindo que o setor busque mercados alternativos de forma mais permanente, não apenas como solução temporária.
05
China / G20 / ComércioComércio Global
China é única do G20 a não aderir a comunicado sobre exportações “insustentáveis”
Segundo Bessent, a China foi o único membro do G20 a não aderir a um comunicado que classificou como insustentável o fluxo de exportações baratas de economias que não seguem regras de mercado. O secretário do Tesouro citou o superávit em conta corrente chinês como o maior e mais insustentável do mundo, e disse caber à China ajudar a resolver a crise do Irã.
Contexto: o isolamento da China nessa questão específica do G20 reforça as tensões comerciais já existentes entre Washington e Pequim, e a menção direta ao papel da China na crise do Irã sugere que os EUA podem intensificar a pressão diplomática sobre Pequim nas próximas semanas.