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Morning Call — 19 de Agosto

Morning CallQuarta-feira, 19 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,27% 166.335 pts
Dólar+0,40% R$ 5,2216
S&P Fut.+0,07%
Bitcoin−0,45% US$ 64.365

Autoridades iranianas cogitaram atacar alvos militares dos EUA na Europa caso a guerra se intensifique. O cessar-fogo rompeu na prática — Trump diz não haver conversas com Teerã. Os Emirados suspenderam todo o comércio com o Irã após dois mísseis balísticos serem disparados em direção às suas águas. A Ásia opera com forte aversão a risco (Kospi −5,80%). No Brasil, R$ 12,6 bilhões saíram da bolsa em uma semana — maior saída desde 2008 — e as defasagens explodiram: diesel em −85%, gasolina em −50%.

Internacional
Panorama Global

🎯 Irã cogita atacar alvos militares dos EUA na Europa caso a guerra se intensifique: autoridades iranianas levantaram a possibilidade em meio à paralisação total das negociações. Trump afirmou que os EUA não mantêm conversas com Teerã nem planejam retomá-las, e descartou estender o cessar-fogo de 60 dias que expirou na segunda-feira, após o pacto se romper na prática. O presidente do Parlamento iraniano, Qalibaf, disse que a reabertura de Ormuz depende do fim do bloqueio portuário, das sanções e das ameaças militares contra o país.
Kospi5,80%Coreia do Sul — forte aversão a risco
Nikkei3,16%Japão
Brent0,47%US$ 91,45
S&P 5000,07%Futuro — quase estável

🚨 Emirados suspendem todo o comércio com o Irã após mísseis balísticos disparados em direção às suas águas: o governo emiradense suspendeu todas as trocas comerciais e transações financeiras com o Irã “até segunda ordem”. A medida veio um dia após o Ministério da Defesa dos Emirados detectar dois mísseis balísticos disparados do Irã em direção às águas territoriais do país — ambos caíram no mar, sem causar danos ou vítimas. O Irã negou que os Emirados fossem o alvo.
  • Trump suspende por 3 dias a tarifa de 50% sobre o Canadá — taxa que entraria em vigor hoje foi adiada enquanto os dois países buscam finalizar um acordo, segundo publicação do presidente em redes sociais
  • Inflação da zona do euro confirmada em 2,9% em julho — núcleo acelerou de 2,4% para 2,5%, acima do esperado, renovando pressão sobre o BCE
  • Ata do FOMC sai hoje — mercado busca mais detalhes sobre a divisão dos dirigentes do Fed quanto à necessidade de elevar juros, enquanto Trump segue pressionando por taxas mais baixas

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (ter)0,27%166.335 pts
Dólar (ter)0,40%R$ 5,2216
Defasagem gas.50%Abicom · 18/08 — disparou
Defasagem diesel85%Abicom · 18/08 — recorde extremo

🚪 Saída de estrangeiros bate recorde histórico — R$ 12,6 bilhões retirados da bolsa em uma semana, a maior desde 2008: segundo levantamento com dados da Bloomberg, entre os dias 10 e 14 de agosto, investidores estrangeiros retiraram R$ 12,6 bilhões em ações listadas na B3 — a maior saída semanal desde o início da série histórica, em 2008. A postura mais cautelosa antes das eleições e a maior concorrência por capital global estão entre os fatores que explicam o movimento.
📊 Ibovespa fecha em queda apesar da alta de Petrobras e Vale — petróleo sobe pelo 3º pregão seguido: o índice oscilou entre 166.211 e 168.389 pontos, fechando a 166.335 pontos. A perda só não foi maior devido ao avanço das ações da Petrobras (ON +0,31%) e da Vale, que atuaram como contraponto, em linha com os preços do petróleo em alta pelo terceiro pregão consecutivo. O dólar fechou em alta de 0,40%, a R$ 5,2216, pressionado pelo cenário externo menos favorável.
  • TCU bloqueia R$ 5 bi destinados a reduzir tarifas de energia no Norte e Nordeste — mais um capítulo do embate institucional sobre o uso de recursos do setor elétrico
  • Juros efetivos da dívida atingem o maior valor em 10 anos — combinação de Selic elevada, alta do risco-país e programas subsidiados encarece o custo total da dívida pública
  • Recuperações judiciais crescem 66% com juros altos e crédito restrito, puxadas pelo agronegócio — tendência que ganha força após os casos recentes de Casas Bahia e outras varejistas

Corporativo
Empresas em Destaque

  • JBS (JBSS3) / Pilgrim’s Pride: submeteu oferta não vinculante para comprar as ações minoritárias da Pilgrim’s Pride, o que deve levar ao fechamento de capital da controlada americana na Nasdaq. Pela proposta, cada acionista trocaria uma ação da Pilgrim’s Pride por 2,086 ações classe A da JBS. A JBS já detém cerca de 82% do capital da controlada.
  • Cosan (CSAN3): notificou formalmente a NYSE sobre sua intenção de deslistar voluntariamente os ADS negociados nos EUA, decisão aprovada pelo conselho na sexta-feira. A companhia manterá a listagem das ações ordinárias no Novo Mercado da B3, como parte da simplificação da estrutura de capital.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A possibilidade de o Irã atacar alvos americanos na Europa é a escalada mais séria do conflito até agora — pela primeira vez, a guerra deixa de ser regional e passa a ameaçar território fora do Oriente Médio. Combinado com os Emirados suspendendo todo o comércio com Teerã após mísseis caírem perto de suas águas, o quadro geopolítico entrou em uma fase de imprevisibilidade que os mercados claramente não sabem precificar — daí o tombo generalizado na Ásia, liderado pelo Kospi caindo quase 6%. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais alarmante para o Brasil nesta edição não é internacional, é doméstico: R$ 12,6 bilhões retirados da bolsa brasileira em uma única semana é a maior saída de capital estrangeiro desde que a série histórica começou, em 2008 — superando inclusive os piores momentos da crise financeira global daquele ano. Isso não é mais um fluxo de cautela pré-eleitoral comum, é uma fuga de proporções históricas. A defasagem do diesel em −85% e da gasolina em −50% são o espelho fiscal dessa crise: cada dia que o conflito no Oriente Médio se prolonga, mais caro fica para o governo brasileiro sustentar os subsídios, num momento em que o próprio Tesouro já paga o maior custo de dívida em 10 anos. Para o investidor, a pergunta não é mais se o mercado vai continuar caindo — é até que ponto a combinação de crise geopolítica extrema com fuga de capital recorde consegue se sustentar antes de forçar uma resposta de política econômica, seja via Banco Central, seja via sinalização fiscal mais clara do governo antes das eleições.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel85%Abicom · 18/08 — recorde extremo
Defasagem Gasolina50%Abicom · 18/08 — disparou
BrentUS$ 91,453º pregão seguido de alta
Fluxo Estrangeiro−R$ 12,6 biMaior saída semanal desde 2008

  • Diesel atinge −85% — o maior recorde de toda a crise: a combinação da ameaça iraniana à Europa com a suspensão total de comércio pelos Emirados eliminou qualquer expectativa de normalização de curto prazo no fornecimento de petróleo e derivados para o Brasil
  • Gasolina dispara para −50% — pela primeira vez a defasagem atinge metade do valor de mercado livre, um patamar que testa os limites operacionais do mecanismo de subvenção vigente
  • Brent sobe pelo terceiro pregão consecutivo — a escalada segue sem trégua, com o mercado de petróleo precificando cada novo desdobramento da crise diplomática entre EUA, Irã e agora os Emirados
  • R$ 12,6 bi de saída em uma semana é a maior desde 2008 — mais que um dado de mercado, é um sinal de alerta que tende a pressionar ainda mais o câmbio e a curva de juros nas próximas semanas, se o padrão persistir
📌 Leitura do Radar: esta é a leitura mais crítica do ciclo até agora — quatro indicadores em vermelho, sem nenhum contraponto positivo. O diesel em −85% e a fuga de capital recorde desde 2008 formam uma combinação rara de choque externo extremo com deterioração doméstica simultânea. O mercado está, na prática, sem uma âncora positiva clara nesta edição — algo que não acontecia desde o pico da crise em julho.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Irã / Europa / AmeaçaGeopolítica — Expansão do Conflito
Irã cogita atacar alvos militares dos EUA na Europa caso a guerra se intensifique
Autoridades iranianas levantaram a possibilidade em meio à paralisação total das negociações. Trump afirmou que os EUA não mantêm conversas com Teerã nem planejam retomá-las, descartando estender o cessar-fogo que expirou na segunda. Qalibaf disse que a reabertura de Ormuz depende do fim do bloqueio portuário, das sanções e das ameaças militares contra o Irã.
Contexto: é a primeira vez que o conflito ameaça se expandir para fora do Oriente Médio — uma escalada geográfica que muda fundamentalmente o cálculo de risco global. Se concretizada, envolveria diretamente a Otan e ampliaria dramaticamente o escopo da guerra.

02
Emirados / Irã / MísseisGeopolítica — Novo Front
Emirados suspendem todo o comércio com o Irã após mísseis balísticos em direção às suas águas
O governo emiradense suspendeu todas as trocas comerciais e transações financeiras com o Irã “até segunda ordem”, um dia após detectar dois mísseis balísticos disparados do Irã em direção às suas águas territoriais — ambos caíram no mar, sem danos. O Irã negou que os Emirados fossem o alvo pretendido.
Contexto: é o primeiro país do Golfo, além do eixo direto EUA-Irã, a romper relações comerciais completas — um sinal de que a coalizão regional contra o Irã está se ampliando, o que tende a isolar ainda mais Teerã e reduzir o espaço para uma solução negociada.

03
Fluxo / Bolsa / RecordeMercado Doméstico — Alerta Máximo
Saída de estrangeiros bate recorde histórico — R$ 12,6 bilhões em uma semana, maior desde 2008
Entre 10 e 14 de agosto, investidores estrangeiros retiraram R$ 12,6 bilhões em ações listadas na B3 — a maior saída semanal desde o início da série histórica da Bloomberg, em 2008. A postura mais cautelosa antes das eleições e a maior concorrência por capital global explicam parte do movimento.
Contexto: superar o recorde de 2008 — ano da crise financeira global — é um sinal extremamente preocupante. Não é mais um ajuste de portfólio pré-eleitoral comum, é uma reprecificação estrutural do risco Brasil que tende a se refletir em pressão adicional sobre câmbio e juros nas próximas semanas.

04
Combustíveis / DefasagemInflação — Recorde Extremo
Diesel bate −85% e gasolina dispara para −50% — piores leituras de toda a crise
A Abicom registrou defasagem de −85% para o diesel e −50% para a gasolina na leitura de ontem — ambas as piores marcas de toda a crise. O movimento acompanha o Brent subindo pelo terceiro pregão consecutivo, em meio à escalada envolvendo Irã, Emirados e a ameaça de expansão do conflito para a Europa.
Contexto: a gasolina atingindo metade do valor de mercado livre (−50%) testa os limites operacionais do mecanismo de subvenção — cada dia adicional nesse patamar eleva substancialmente o custo fiscal acumulado que o próximo governo herdará.

05
JBS / Pilgrim’s PrideCorporativo — M&A
JBS propõe fechar capital da Pilgrim’s Pride — troca de 2,086 ações por papel da controlada americana
A JBS submeteu oferta não vinculante para comprar as ações em circulação da Pilgrim’s Pride em posse de minoritários, o que deve levar ao fechamento de capital da controlada, atualmente listada na Nasdaq. Cada acionista trocaria uma ação da Pilgrim’s Pride por 2,086 ações classe A da JBS. A companhia já detém cerca de 82% do capital da controlada.
Contexto: a consolidação da Pilgrim’s Pride sob controle total da JBS simplifica a estrutura societária do grupo e reduz custos de compliance duplo em duas bolsas — movimento que segue a tendência recente de outras empresas brasileiras (como a Cosan) simplificando suas listagens internacionais.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 18 de Agosto

Morning CallTerça-feira, 18 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,09% 166.784 pts
Dólar−0,36% R$ 5,2006
S&P Fut.−0,54%
Bitcoin−0,19% US$ 64.177

Trump ameaçou bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã — a janela de 60 dias para um acordo se encerrou ontem sem avanço. Um cargueiro foi atingido por projétil ao cruzar Ormuz hoje. Autoridade iraniana diz que o país adotará postura “totalmente ofensiva” se o acordo provisório não for implementado. Os Treasuries sobem forte, com o de 30 anos perto da máxima desde 2002. No Brasil, o Ibovespa completa a 10ª sessão seguida de perdas.

Internacional
Panorama Global

💣 Trump ameaça bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã: a ameaça ocorre no mesmo dia em que a janela de 60 dias prevista para um acordo entre EUA e Irã se encerrou sem avanço. Trump descartou estender o cessar-fogo no curto prazo, alegando que Teerã não aceitaria os termos necessários para encerrar a guerra. Omã, aliado de Washington, mantém negociações ativas com o Irã para reabrir Ormuz — rota crítica que virou um dos principais entraves nas conversas com representantes americanos.
Brent0,13%US$ 90,99 — acima de US$ 90
Nikkei2,54%Japão — forte aversão a risco
S&P 5000,54%Futuro
Treasury 30a5,322%Perto da máxima desde 2002

🚢 Cargueiro é atingido por projétil ao cruzar Ormuz — Irã ameaça postura “totalmente ofensiva”: segundo a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um navio cargueiro foi atingido hoje ao cruzar o estreito, em meio à paralisação das negociações. Uma autoridade sênior do Irã disse ontem que o país passará a adotar postura “totalmente ofensiva” caso um acordo de paz provisório não seja implementado — a sinalização mais dura do lado iraniano desde o início da crise.
  • Juros longos disparam globalmente — Treasury de 10 anos sobe a 4,738%, o de 2 anos a 4,192%; no Japão, o título de 10 anos tocou 2,945%, maior nível em mais de três décadas, refletindo expectativa de aperto do BoJ e venda generalizada de soberanos longos no mundo todo
  • Reino Unido: desemprego estável em 4,9%, mas salários crescem apenas 2,8% — expansão mais fraca desde outubro de 2020. Vagas de emprego caem a 707 mil, mínima desde 2021, com folha de pagamento recuando pelo 6º mês seguido
  • Produção industrial dos EUA sai hoje às 10h15 — indicador monitorado de perto por seus efeitos sobre a trajetória de juros do Fed, em meio à escalada geopolítica que já pressiona os Treasuries

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (seg)0,09%166.784 pts — 10ª queda seguida
Dólar (seg)0,36%R$ 5,2006 — correção
Defasagem gas.46%Abicom · 17/08 — piora
Defasagem diesel78%Abicom · 17/08 — novo recorde

📉 Ibovespa fecha a 10ª sessão seguida de perdas — economia perde ritmo, com IBC-Br recuando 0,64% em junho: o índice oscilou entre perdas e ganhos, chegou a tocar 168.007 pontos, mas não sustentou o campo positivo diante da queda mais intensa das ações de bancos, fechando a 166.784 pontos. O resultado destoou da leve recuperação do dólar e dos juros futuros, refletindo a cautela específica com a proximidade das eleições e a saída de investidores estrangeiros. O IBC-Br, prévia do PIB, recuou 0,64% em junho, puxado pela retração da indústria e dos serviços — sinal de perda de ritmo que deve pesar na próxima decisão do Copom.
💵 Dólar recua e corrige parte da alta da semana passada — moeda havia saltado de R$ 5,08 para R$ 5,21 em cinco sessões: o dólar fechou em queda de 0,36%, a R$ 5,2006, após oscilar entre R$ 5,1808 e R$ 5,2213 — um movimento técnico de correção após a forte valorização da semana anterior. O IGP-10 registrou a terceira deflação seguida, ajudada pelos preços no atacado, dado que dá algum suporte doméstico ao BC mesmo com o cenário externo mais adverso.
  • Focus mantém IPCA 2026 em 5,02% e reduz projeção de PIB para 2027 — sinal de que o mercado começa a incorporar o enfraquecimento da atividade sugerido pelo IBC-Br
  • Galípolo diz que o ciclo de política monetária está mais relacionado a questões endógenas — sinalização de que o BC olha mais para fatores domésticos do que para o cenário externo na condução da Selic, apesar da volatilidade geopolítica
  • Durigan: “Brasil não se dobra” e situação com EUA é “pontual” — tentativa de baixar a temperatura da crise diplomática, num momento em que grandes bancos já ampliam provisão contra calotes diante do cenário econômico mais turvo

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Ecopetrol / Brava Energia (BRAV3): a Ecopetrol Investimentos concluiu a aquisição do controle da Brava Energia, liquidando a OPA e a operação privada anunciadas em abril — a subsidiária brasileira da colombiana passou a deter cerca de 51% do capital social da companhia.
  • Axia Energia: converterá 10,26 milhões de ações preferenciais Classe C em ordinárias nesta terça-feira, e resgatará e cancelará outras 37,17 milhões em 24 de agosto — investidores com ADRs recebem os recursos em até 7 dias úteis após a conclusão.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A ameaça de Trump de bombardear Omã — um aliado histórico dos EUA na região, e justamente o país que está mediando a única via diplomática ainda ativa com o Irã — é um sinal de que a diplomacia americana no Oriente Médio está em um ponto de ruptura. Ameaçar o mediador é, na prática, ameaçar a última ponte de saída negociada do conflito. Não é coincidência que os juros longos americanos estejam disparando: o Treasury de 30 anos perto da máxima desde 2002 reflete um mercado que está precificando risco geopolítico estrutural, não mais transitório. Segundo o research do BTG Pactual, o Irã respondendo com a ameaça de postura “totalmente ofensiva” fecha o ciclo de escalada retórica mais perigoso desde o início da guerra — ambos os lados descartando, pela primeira vez de forma simultânea, qualquer sinalização de recuo. Para o Brasil, o efeito imediato já apareceu: diesel batendo novo recorde de −78% e gasolina piorando para −46%, revertendo a leve melhora do fim de semana. No front doméstico, o IBC-Br confirmando perda de ritmo da economia em junho complica ainda mais o quadro para o Copom, que precisará balancear uma atividade mais fraca (favorável a cortes) com um ambiente externo extremamente hostil (desfavorável). A décima sessão seguida de perdas do Ibovespa já não é mais notícia isolada — é o pano de fundo estrutural com o qual o mercado brasileiro terá que conviver enquanto o conflito no Oriente Médio não encontrar um novo equilíbrio, que hoje parece mais distante do que em qualquer momento das últimas semanas.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel78%Abicom · 17/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina46%Abicom · 17/08 — piora
BrentUS$ 90,99Acima de US$ 90 — Omã ameaçado
IGP-10Deflação3ª seguida — suporte doméstico

  • Diesel bate novo recorde de −78% — revertendo a leve melhora do fim de semana; a ameaça de Trump a Omã e o ataque ao cargueiro em Ormuz eliminaram qualquer perspectiva de alívio de curto prazo
  • Gasolina piora para −46% — segunda leitura seguida de deterioração após o breve respiro da última leitura, acompanhando a escalada do Brent para acima de US$ 90
  • Brent ultrapassa US$ 90 com a ameaça direta a Omã: ao mirar o único mediador ativo nas negociações, Trump elevou o prêmio de risco do petróleo para o nível mais alto desde o pico de julho, quando o Brent chegou a superar US$ 100
  • IGP-10 registra a 3ª deflação seguida — os preços no atacado seguem ajudando o quadro inflacionário doméstico, um dos poucos sinais positivos nesta edição em meio à escalada externa
📌 Leitura do Radar: a escalada retórica entre EUA e Irã reverteu integralmente a melhora marginal vista no fim de semana — diesel e gasolina voltam a bater recordes, com o Brent de volta acima de US$ 90. O único contraponto positivo é doméstico: o IGP-10 em sua terceira deflação seguida mostra que a pressão de custos ao produtor segue controlada, mesmo com o choque de petróleo. A pergunta que define a semana: até onde vai a escalada entre Washington e Teerã antes de uma nova pausa diplomática?

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Trump / Omã / IrãGeopolítica — Ruptura Diplomática
Trump ameaça bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã
A ameaça ocorre no mesmo dia em que a janela de 60 dias prevista para um acordo entre EUA e Irã se encerrou sem avanço. Trump descartou estender o cessar-fogo, alegando que Teerã não aceita os termos necessários para encerrar a guerra. Omã mantém negociações ativas com o Irã para reabrir Ormuz — rota que virou um dos principais entraves nas conversas com representantes americanos.
Contexto: ameaçar o único mediador ativo é um sinal de ruptura diplomática mais grave que qualquer retórica anterior no conflito — coloca em risco a última via de saída negociada, e explica por que os Treasuries longos dispararam para níveis não vistos desde 2002.

02
Ormuz / Irã / Postura OfensivaGeopolítica — Escalada Simultânea
Cargueiro é atingido por projétil em Ormuz; Irã ameaça postura “totalmente ofensiva”
Segundo a UKMTO, um navio cargueiro foi atingido hoje ao cruzar o estreito. Uma autoridade sênior do Irã disse ontem que o país passará a adotar postura “totalmente ofensiva” caso um acordo de paz provisório não seja implementado — a sinalização mais dura do lado iraniano desde o início da crise, ocorrendo no mesmo dia da ameaça de Trump a Omã.
Contexto: pela primeira vez desde o início do conflito, ambos os lados sinalizam escalada simultânea sem qualquer gesto de recuo — um padrão mais perigoso do que os episódios anteriores, em que normalmente um lado sinalizava abertura enquanto o outro escalava.

03
Combustíveis / DefasagemInflação — Recorde
Diesel bate novo recorde de −78%; gasolina piora para −46%, revertendo melhora do fim de semana
A Abicom registrou defasagem de −78% para o diesel — novo recorde absoluto — e −46% para a gasolina, ambas em piora após a breve melhora vista na leitura anterior. O movimento acompanha o Brent voltando a superar US$ 90 com a escalada entre EUA e Irã envolvendo Omã.
Contexto: a reversão da melhora de apenas alguns dias mostra como as defasagens brasileiras estão diretamente amarradas à volatilidade da retórica geopolítica — sem um desfecho estrutural do conflito, qualquer alívio tende a ser temporário e rapidamente revertido.

04
Ibovespa / IBC-Br / AtividadeMercado Doméstico
Ibovespa fecha 10ª sessão seguida de perdas; IBC-Br recua 0,64% e confirma perda de ritmo da economia
O índice fechou a 166.784 pontos, destoando da leve recuperação do dólar e dos juros futuros — reflexo da cautela específica com as eleições e a saída de estrangeiros. O IBC-Br, prévia do PIB, recuou 0,64% em junho, puxado pela retração da indústria e dos serviços, sinalizando perda de ritmo da atividade após um início de ano mais aquecido.
Contexto: o IBC-Br fraco complica a decisão do Copom — atividade mais fraca justificaria cortes mais rápidos, mas o ambiente externo extremamente hostil (Trump-Omã, Irã “ofensivo”) pede mais cautela. Essa tensão entre dado doméstico e cenário externo deve marcar o próximo comunicado do BC.

05
Treasuries / Juros GlobaisMercados Globais
Juros longos disparam globalmente — Treasury de 30 anos perto da máxima desde 2002; Japão no maior nível em 3 décadas
O Treasury de 30 anos avançou para cerca de 5,322%, patamar pouco abaixo da máxima desde 2002. No Japão, o título soberano de 10 anos tocou 2,945%, maior nível em mais de três décadas, e o de 2 anos subiu para 1,70%, o maior patamar desde 1995 — reflexo de expectativas de aperto do BoJ e venda generalizada de soberanos longos globalmente.
Contexto: a alta simultânea de juros longos nos EUA e no Japão, dois dos maiores mercados de dívida soberana do mundo, sinaliza que o mercado está precificando um cenário de maior risco estrutural — não apenas geopolítico, mas também fiscal — o que tende a pressionar o custo de capital globalmente, inclusive para emergentes como o Brasil.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
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Morning Call — 17 de Agosto

Morning CallSegunda-feira, 17 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,10% 166.934 pts
Dólar+2,67% sem. acima R$ 5,20
S&P Fut.−0,17%
Bitcoin+0,36% US$ 63.326

O cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã expira hoje, sem sinais de renovação — negociações descritas como “paralisadas”. O tráfego em Ormuz atingiu novo mínimo: apenas 5 navios cruzaram no fim de semana, ante 31 no anterior — queda de 90% desde o início da guerra. No Brasil, o Ibovespa fechou a 9ª sessão seguida de perdas na sexta, pior sequência desde 2023, com a semana em −3,23%. E o fim de semana trouxe a Casas Bahia pedindo recuperação judicial, com passivo de R$ 17,3 bilhões.

Internacional
Panorama Global

Cessar-fogo EUA-Irã expira hoje sem sinais de renovação — negociações “paralisadas”: um funcionário do governo americano descreveu as negociações entre Washington e Teerã como paralisadas. O chanceler iraniano, Araqchi, afirmou que o país “não tomou a decisão de retomar as negociações” com os EUA. Reportagens indicam que Teerã negocia separadamente com Omã um acordo para retomar o tráfego pelo estreito — sinal de que a via diplomática direta com Washington segue travada.
Brent0,82%US$ 89,25
S&P 5000,17%Futuro — após recorde na semana
Nasdaq0,28%Futuro
Shanghai1,41%China

🚢 Tráfego em Ormuz atinge novo mínimo — apenas 5 navios no fim de semana, ante 31 no anterior: segundo dados da Kpler, a navegação pela região acumula queda de 90% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Nos EUA, a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) caiu abaixo de 300 milhões de barris — mínimo desde que as cavernas de armazenamento foram preenchidas, no início dos anos 1980 — à medida que o governo acelera a liberação de estoques para conter os preços, o que especialistas apontam como risco à própria estrutura de armazenamento.
  • China: vendas no varejo crescem só 0,6% em julho (vs. 1,5% esperado) — investimento em ativos fixos urbanos recua 6,7% no ano, desemprego urbano sobe a 5,2%. Sinais que ampliam a pressão por mais estímulos de Pequim no 2º semestre
  • Japão: PIB cresce 0,3% no 2T — terceiro trimestre consecutivo de expansão, mas em ritmo mais lento que o 1T (+0,5%) e abaixo da previsão
  • Kospi não operou hoje por feriado nacional — mercado sul-coreano retoma amanhã após semana de forte volatilidade

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (sex)0,10%166.934 pts · semana −3,23%
Dólar (semana)2,67%2ª maior alta semanal do ano
Defasagem gas.42%Abicom · 14/08 — melhora leve
Defasagem diesel75%Abicom · 14/08 — melhora vs. −77%

📉 Ibovespa fecha a 9ª sessão seguida de perdas — sequência mais longa desde 2023; semana é a pior desde maio: o índice cedeu mais de 1,3% no pior momento da sexta-feira, por causa do fluxo vendedor persistente de estrangeiros, mas amenizou para −0,10% no fechamento, a 166.934 pontos. Na semana, o recuo acumulado foi de 3,23% — o pior desempenho semanal desde maio. O dólar valorizou 2,67% na semana ante o real, a segunda alta semanal mais forte do ano, e o euro voltou a superar R$ 6 pela primeira vez desde março.
🏬 Casas Bahia pede recuperação judicial — passivo de R$ 17,3 bilhões: o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no fim da noite de domingo. É a maior notícia corporativa do fim de semana e reforça o quadro desafiador do varejo brasileiro em meio a juros elevados e consumo pressionado.
  • Governo dos EUA avalia novas sanções contra Moraes, segundo o Financial Times — nova frente de escalada na crise diplomática Brasil-EUA, que já inclui tarifas e a revogação do visto da embaixadora
  • Amorim sugere que o governo apresse o uso da Lei de Reciprocidade — pressão interna para acelerar a resposta brasileira às tarifas americanas, em meio à escalada bilateral
  • Desvantagem tarifária do Brasil salta quase 7 pontos com as novas sobretaxas dos EUA — mede o quanto os produtos brasileiros ficaram menos competitivos frente a concorrentes de outros países no mercado americano

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Casas Bahia (BHIA3): pediu recuperação judicial na noite de domingo, com passivo total de R$ 17,3 bilhões informado na petição — o maior evento de crédito corporativo do fim de semana.
  • Cosan (CSAN3): anunciou pacote de medidas para simplificar sua estrutura societária — troca do CFO e da vice-presidência jurídica, reorganização de ativos agrícolas do Grupo Radar e retirada das ações da NYSE, com mudanças válidas a partir de 1º de setembro.
  • Ambipar (AMBP3): adiou novamente a divulgação do balanço do 2T, atribuindo o atraso ao processo de recuperação judicial em curso; buscará publicar os resultados pendentes de 2025 e do 1T/2T26 “o quanto antes”.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana começa com o relógio batendo: o cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã expira hoje, e as negociações estão descritas como paralisadas. O dado mais revelador não é retórico — é o tráfego real em Ormuz, que caiu para apenas 5 navios no fim de semana, uma queda de 90% desde o início da guerra. Isso não é mais uma crise de percepção, é um colapso logístico consumado. Segundo o research do BTG Pactual, a combinação da SPR americana caindo abaixo de 300 milhões de barris — mínimo desde os anos 1980 — com o esgotamento das negociações diplomáticas sinaliza que os próximos dias serão decisivos para saber se o conflito entra numa nova fase de escalada ou se a via alternativa com Omã, que o Irã está explorando separadamente, consegue destravar pelo menos o tráfego marítimo, ainda que sem resolver a disputa de fundo com Washington. No Brasil, o quadro segue deteriorando de forma mais estrutural: nove sessões seguidas de perdas no Ibovespa, a pior sequência desde 2023, e a Casas Bahia declarando recuperação judicial no fim de semana são sintomas do mesmo problema — um ambiente de crédito e consumo pressionado que a incerteza eleitoral só amplifica. Para o investidor, a pergunta mais urgente da semana são duas, e ambas sem resposta clara: o que acontece quando o cessar-fogo expirar sem renovação hoje à noite, e até onde a saída de capital do Ibovespa continua antes de encontrar um piso técnico e fundamental.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel75%Abicom · 14/08 — melhora vs. −77%
Defasagem Gasolina42%Abicom · 14/08 — melhora leve
Tráfego em Ormuz5 naviosMínimo histórico — era 31
SPR dos EUA<300 mi bblMínimo desde anos 1980

  • Diesel melhora levemente para −75% (de −77%) — ainda no patamar de recorde histórico, mas a primeira leitura de alívio marginal em vários dias, coincidindo com o ANP registrando queda nos preços do diesel, gasolina e gás de cozinha na semana
  • Gasolina melhora para −42% (de −43%) — movimento consistente com a queda de preços via ANP, mas ainda distante de um patamar sustentável para o subsídio
  • Tráfego em Ormuz cai para apenas 5 navios — colapso logístico consumado: a queda de 90% desde o início da guerra não é mais uma ameaça, é a realidade operacional da região. Qualquer normalização das defasagens brasileiras depende diretamente da reversão desse número
  • SPR americana abaixo de 300 milhões de barris: o governo dos EUA está queimando reservas estratégicas para conter os preços domésticos — um recurso finito que, se continuar no ritmo atual, pode se esgotar e retirar um importante amortecedor do mercado global de petróleo
📌 Leitura do Radar — abertura de semana: primeira melhora marginal nas defasagens em vários dias (diesel −75%, gasolina −42%), mas o pano de fundo geopolítico piorou: tráfego em Ormuz em colapso e cessar-fogo expirando hoje sem renovação. A melhora nos combustíveis pode ser temporária se o cessar-fogo não for renovado e o conflito escalar ainda mais nas próximas 24-48 horas.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / Cessar-fogoGeopolítica — Prazo Decisivo
Cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã expira hoje sem sinais de renovação
Um funcionário do governo americano descreveu as negociações entre Washington e Teerã como paralisadas. O chanceler iraniano, Araqchi, afirmou que o Irã “não tomou a decisão de retomar as negociações” com os EUA. Reportagens indicam que Teerã negocia separadamente com Omã um acordo para retomar o tráfego pelo estreito.
Contexto: a expiração do cessar-fogo sem renovação é o evento de maior risco da semana — pode significar retomada de ataques diretos ou, na melhor hipótese, uma solução parcial via Omã que resolveria o tráfego sem resolver a disputa política de fundo entre EUA e Irã.

02
Ormuz / Tráfego / KplerGeopolítica — Colapso Logístico
Tráfego em Ormuz cai a novo mínimo — apenas 5 navios no fim de semana, ante 31 no anterior
Segundo dados da Kpler, a navegação pela região acumula queda de 90% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O fluxo já havia atingido mínima em três meses na semana passada e continuou se deteriorando. A SPR americana caiu abaixo de 300 milhões de barris, mínimo desde os anos 1980, à medida que o governo acelera liberações para conter preços.
Contexto: a queda de 90% no tráfego não é mais uma métrica de risco, é a realidade operacional consolidada da região. A recuperação das defasagens brasileiras — que tiveram leve melhora nesta edição — depende diretamente de uma reversão desse número, que hoje não tem sinais de acontecer no curto prazo.

03
Ibovespa / Fluxo / Recorde NegativoMercado Doméstico
Ibovespa fecha 9ª sessão seguida de perdas — sequência mais longa desde 2023; pior semana desde maio
O índice cedeu mais de 1,3% no pior momento da sexta-feira, mas amenizou para −0,10% no fechamento, a 166.934 pontos. Na semana, o recuo acumulado foi de 3,23% — o pior desempenho semanal desde maio. O dólar valorizou 2,67% na semana, a segunda alta semanal mais forte do ano, e o euro voltou a superar R$ 6 pela primeira vez desde março.
Contexto: nove sessões seguidas de perdas superam qualquer correção técnica normal — é a confirmação de uma tendência estrutural ligada à incerteza eleitoral e ao fluxo persistente de saída de estrangeiros, que já soma R$ 32 bilhões desde abril.

04
Casas Bahia / Varejo / RJCorporativo — Crédito
Casas Bahia pede recuperação judicial — passivo total de R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no fim da noite de domingo, com passivo total de R$ 17,3 bilhões informado na petição. É a maior notícia corporativa do fim de semana no varejo brasileiro.
Contexto: junto com a inadimplência recorde de 9,1 milhões de empresas no país (R$ 232 bi em dívidas em atraso), o pedido da Casas Bahia reforça o quadro de estresse de crédito que juros elevados e consumo pressionado vêm impondo ao varejo brasileiro há meses.

05
China / Atividade / EstímulosEconomia Global
Atividade da China perde força em julho — vendas no varejo crescem só 0,6%, bem abaixo do esperado
As vendas no varejo da China cresceram apenas 0,6% em relação ao ano anterior, bem abaixo da alta de 1,5% projetada. O investimento em ativos fixos urbanos recuou 6,7% no acumulado do ano, contração mais intensa que a estimada. A produção industrial avançou 4,5%, também abaixo da previsão, e a taxa de desemprego urbano subiu a 5,2%.
Contexto: os dados fracos ampliam a pressão por mais estímulos de Pequim na segunda metade do ano — o que, se vier, tende a ser positivo para a demanda global de commodities e, por extensão, para as exportações brasileiras de minério e agropecuárias.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 14 de Agosto

Morning CallSexta-feira, 14 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,23% 167.101 pts
Dólar+0,25% R$ 5,1925
S&P Fut.+0,07%
Bitcoin−0,80% US$ 62.841

Bessent promete medidas econômicas “nunca vistas antes” contra o Irã, enquanto o Pentágono diz que o bloqueio naval pode durar “indefinidamente”. Trump ameaça tarifa de 25% a qualquer país que comprar do Irã — o que pode atingir a China. Wall Street fechou em recorde histórico ontem. No Brasil, o Ibovespa acumula a 8ª sessão seguida de perdas — pior sequência desde 2023 — após romper suportes técnicos importantes. O diesel bateu novo recorde: −77%.

Internacional
Panorama Global

🚨 EUA escalam pressão sobre o Irã — Bessent promete isolamento econômico “nunca visto antes”; bloqueio pode durar “indefinidamente”: o secretário do Tesouro disse à Newsmax que os EUA vão combinar um isolamento econômico inédito ao bloqueio contínuo de Ormuz, impedindo qualquer navio de entrar ou sair de portos iranianos. A declaração veio após o secretário de Defesa, Hegseth, afirmar que as Forças Armadas podem manter o bloqueio “indefinidamente”. Trump ameaçou tarifas de 25% a qualquer país que comprar bens ou serviços iranianos — o que pode atingir diretamente a China, principal parceira comercial do Irã.
S&P 5000,07%Fechou em recorde ontem
Kospi2,42%Coreia do Sul
Brent0,96%US$ 87,91
Ouro0,42%US$ 4.402

🏦 Irã sinaliza aderir ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics para contornar pressão americana: o presidente do banco central iraniano, Hemmati, disse que o país deve se juntar em breve à instituição financeira do bloco, buscando reforçar alianças econômicas alternativas diante do isolamento anunciado por Washington. Movimento que reforça a tendência de realinhamento geopolítico do Irã para longe do sistema financeiro ocidental.
  • Zona do euro registra superávit comercial de €1,8 bi em junho — revertendo déficit de €6,1 bi em maio, com importações de energia em queda
  • França: inflação acelera para 2,1% (de 1,8%) — puxada por serviços (+2,2%) e energia (+12,6%, com gás e derivados de petróleo)
  • Novos empréstimos bancários na China caem inesperadamente em julho — patamar negativo de 340 bi de yuans, ante +1,61 tri em junho, refletindo fraca demanda por crédito em meio à crise imobiliária persistente

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (qui)0,23%167.101 pts — 8ª queda seguida
Dólar (qui)0,25%R$ 5,1925
Defasagem gas.43%Abicom · 13/08 — piora
Defasagem diesel77%Abicom · 13/08 — novo recorde

📉 Ibovespa confirma tendência de baixa — 8ª sessão seguida de perdas, pior sequência desde 2023: o índice fechou a 167.101 pontos, rompendo de uma só vez os suportes técnicos de 172.200 e 168.100 pontos — sinal técnico que confirma a tendência de queda. Desde abril, investidores não residentes já retiraram R$ 32 bilhões da bolsa brasileira. É a pior sequência de perdas desde as 13 sessões consecutivas de recuo em agosto de 2023. O dólar fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,1925.
⚖️ Brasil inicia processo da Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA: em reação à tarifa de 25% imposta por Trump com base na Seção 301, o governo iniciou a análise para adoção da lei de reciprocidade, com o Itamaraty notificando Washington e solicitando consultas diplomáticas. Segundo o Planalto, a medida reforça a disposição do Brasil em privilegiar o diálogo, já que o país atuou junto ao USTR ao longo do último ano apresentando evidências contra as alegações de práticas desleais.
  • Acelen reduz preço da gasolina em 11,2% com adesão à subvenção — primeiro movimento concreto de repasse ao consumidor em meio à escalada das defasagens
  • Parcela da dívida atrelada à Selic atinge maior patamar em 20 anos — reflexo direto da incerteza sobre as contas públicas, que encarece e torna mais vulnerável o perfil da dívida pública brasileira
  • Projeto pode cortar até R$ 16,6 bilhões da saúde e educação em 2027, calculam economistas — mais um capítulo do trade-off fiscal ligado às medidas de desoneração de combustíveis

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Ambev (ABEV3): aprovou o cancelamento de 279 milhões de ações em tesouraria, sem redução do capital social, encerrando o programa de recompra iniciado em outubro de 2025 por ter atingido o limite previsto.
  • JHSF (JHSF3): renovou o programa de recompra de ações, autorizando aquisição de até 10% das ações em circulação, com prazo de execução de até 18 meses, até fevereiro de 2028.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O contraste desta sexta-feira não poderia ser mais nítido: Wall Street fechou em recorde histórico ontem, caminhando para a terceira semana consecutiva de alta, enquanto o Ibovespa confirma tendência técnica de baixa após oito sessões seguidas de perdas — a pior sequência desde agosto de 2023. Os R$ 32 bilhões retirados por estrangeiros desde abril não são mais um fluxo pontual, são uma tendência que o mercado já trata como estrutural até que haja clareza sobre o cenário eleitoral. Segundo o research do BTG Pactual, a escalada anunciada por Bessent e Hegseth contra o Irã — isolamento econômico “nunca visto antes” e bloqueio “indefinido” — é o tipo de retórica que tende a manter o petróleo pressionado por mais tempo, o que é diretamente ruim para o Brasil: o diesel já bateu −77% de defasagem, novo recorde absoluto, e a Acelen precisou reduzir preços via subvenção para começar a repassar algum alívio ao consumidor. A ameaça de tarifas de 25% a compradores de produtos iranianos, incluindo potencialmente a China, adiciona mais uma camada de risco à já intrincada teia comercial global — e o Brasil, que também está processando sua própria disputa tarifária com os EUA via Lei da Reciprocidade, observa de perto como Washington trata parceiros comerciais de países sob sanção. Para o investidor, a pergunta da semana que se encerra é dupla: até onde vai a saída de capital do Ibovespa antes de encontrar um piso técnico, e até onde o conflito no Oriente Médio consegue escalar sem que o mercado global — hoje em máxima histórica — finalmente reaja.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel77%Abicom · 13/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina43%Abicom · 13/08 — piora
BrentUS$ 87,91+0,96% — pressão dos EUA sobre Irã
PPI EUAEstávelAlivia pressão, reforça pausa do Fed

  • Diesel bate novo recorde de −77% — a escalada retórica dos EUA contra o Irã (isolamento “nunca visto antes”, bloqueio “indefinido”) mantém o prêmio de risco elevado no petróleo, sem sinal de convergência para as defasagens brasileiras
  • Gasolina piora para −43% — mas a Acelen já reduziu preços em 11,2% com adesão à subvenção, primeiro movimento concreto de repasse ao consumidor nesta semana de deterioração acelerada
  • PPI americano estável alivia pressão sobre o Fed — reforça a hipótese de pausa nos juros em setembro, dado que se soma ao CPI em linha divulgado nesta semana
  • Brent sobe com retórica mais dura dos EUA contra o Irã: o mercado precifica que o isolamento econômico anunciado por Bessent e a manutenção indefinida do bloqueio naval reduzem qualquer chance de resolução rápida do conflito nas próximas semanas
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: a semana termina com o diesel batendo novo recorde de −77% e o petróleo pressionado pela escalada retórica dos EUA contra o Irã. O único alívio vem dos EUA: o PPI estável reforça a hipótese de pausa do Fed em setembro. Para o Brasil, a combinação de defasagens recordes com a pior sequência de queda do Ibovespa desde 2023 é o quadro mais desafiador do ciclo até agora.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Ibovespa / Fluxo / TécnicoMercado Doméstico — Alerta Técnico
Ibovespa confirma tendência de baixa — 8ª sessão seguida de perdas, pior sequência desde 2023
O índice fechou a 167.101 pontos, rompendo de uma só vez os suportes técnicos de 172.200 e 168.100 pontos. Desde abril, investidores não residentes retiraram R$ 32 bilhões da bolsa brasileira. É a pior sequência de perdas desde as 13 sessões consecutivas de recuo em agosto de 2023.
Contexto: o rompimento simultâneo de dois suportes técnicos é um sinal que analistas técnicos costumam interpretar como confirmação de tendência — não apenas correção. Combinado com o fluxo de saída persistente, o quadro sugere que o mercado já não está mais testando um piso, está buscando um novo patamar de equilíbrio.

02
EUA / Irã / IsolamentoGeopolítica — Escalada Máxima
Bessent promete isolamento econômico “nunca visto antes” contra o Irã; bloqueio pode durar “indefinidamente”
O secretário do Tesouro americano disse que os EUA vão combinar isolamento econômico inédito ao bloqueio contínuo de Ormuz. O secretário de Defesa, Hegseth, afirmou que o bloqueio naval pode se estender indefinidamente. Trump ameaçou tarifas de 25% a qualquer país que comprar produtos iranianos — o que pode atingir a China.
Contexto: é a retórica mais dura do governo americano desde o início do conflito — “nunca visto antes” e “indefinidamente” sinalizam que Washington abandonou qualquer expectativa de resolução rápida. Para o petróleo e as defasagens brasileiras, é o pior cenário possível: um conflito sem data para terminar.

03
Combustíveis / DefasagemInflação — Novo Recorde
Defasagem do diesel bate novo recorde de −77%; Acelen reduz gasolina em 11,2% com subvenção
A Abicom registrou defasagem de −77% para o diesel — novo recorde absoluto — e −43% para a gasolina na leitura de ontem. A Acelen reduziu o preço da gasolina em 11,2% ao aderir à subvenção, primeiro movimento concreto de repasse de alívio ao consumidor nesta semana de deterioração acelerada das defasagens.
Contexto: a redução da Acelen mostra que o mecanismo de subvenção está funcionando pontualmente, mas o recorde do diesel evidencia que o problema estrutural (Ormuz + veto russo) segue sem solução. Cada distribuidora que não aderir à subvenção mantém o repasse total ao consumidor final.

04
Wall Street / Recorde / S&P 500Mercados Globais
S&P 500 fecha em recorde histórico — terceira semana consecutiva de alta em vista
O índice americano fechou ontem no maior nível da história, caminhando para a terceira semana consecutiva de ganhos, com a Ásia acompanhando parte dos ganhos nesta madrugada — destaque para o Kospi, que subiu 2,42%. O movimento contrasta fortemente com o desempenho do Ibovespa, que acumula oito sessões seguidas de perdas.
Contexto: o descolamento entre o recorde de Wall Street e o pior momento técnico do Ibovespa em anos reforça que o problema brasileiro é idiossincrático — ligado à incerteza eleitoral e fiscal doméstica, não a um ambiente de aversão a risco global, que segue favorável aos ativos de risco em geral.

05
Brasil / EUA / ReciprocidadeComércio Internacional
Brasil inicia processo da Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA
Em reação à tarifa de 25% imposta por Trump com base na Seção 301, o governo brasileiro iniciou a análise para adoção da lei de reciprocidade. O Itamaraty notificou Washington e solicitou consultas diplomáticas — medida que, segundo o Planalto, reforça a disposição do Brasil em privilegiar o diálogo antes de qualquer retaliação efetiva.
Contexto: o início do processo é um passo formal, não uma retaliação imediata — o Brasil segue priorizando a via diplomática, mesmo com a tensão bilateral em alta após a revogação do visto da embaixadora. A resposta americana às consultas nas próximas semanas será o próximo termômetro da relação.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
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Morning Call — 13 de Agosto

Morning CallQuinta-feira, 13 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,23% 167.491 pts
Dólar+0,36% R$ 5,1793
S&P Fut.+0,14%
Bitcoin+0,50% US$ 63.627

O CPI americano veio em linha com o esperado (+0,1% no mês, +3,4% no ano) — alívio parcial para o Fed, mas o PPI de hoje é o próximo teste, com ligação direta ao núcleo do PCE. A Ucrânia atacou terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk, e a Rússia alertou para risco à cadeia global de alimentos. No Brasil, as defasagens bateram novo recorde — diesel em −73% — e o Ibovespa segue em queda, pressionado pela saída de estrangeiros às vésperas das eleições.

Internacional
Panorama Global

📊 CPI dos EUA sobe 0,1% em julho, em linha com o esperado — alívio parcial, mas dúvidas seguem: na comparação anual, a alta foi de 3,4%, também dentro do consenso. O núcleo, que exclui energia e alimentos, avançou 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses. Apesar do resultado trazer algum alívio de curto prazo para o Fed, o mercado mantém dúvidas sobre os próximos passos da política monetária. Hoje, o destaque da agenda é o PPI — especialmente relevante por sua relação com o núcleo do PCE, principal referência de inflação do Fed.
Kospi3,56%Coreia do Sul
S&P 5000,14%Futuro
Brent1,69%US$ 87,48
Treasury 10a4,672%↓ de 4,692%

🌾 Ucrânia ataca terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk — Rússia alerta para risco à cadeia global de alimentos: drones e mísseis atingiram navios de guerra e terminais de exportação de grãos no Mar Negro, danificando estruturas de armazenamento. A Ucrânia afirmou ter atingido diversos navios de guerra russos. A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, alertou para o risco de interrupção no fornecimento global de alimentos diante do aumento dos riscos à navegação na região.
  • Reino Unido cresce 0,4% no 2T — ritmo mais acelerado do G7 no primeiro semestre (1T havia sido +0,6%), superando os EUA no período. A libra caiu, com as preocupações do Oriente Médio ofuscando o bom dado
  • Espanha: inflação revisada para 3,6% em julho — maior patamar desde maio de 2024, puxada por diesel (+15,7%) e gasolina (+7,3%), além de eletricidade (+8,4%) em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio
  • Onda de calor ameaça geração nuclear na Europa — Romênia desligou seu único reator por baixo nível do rio Danúbio; estimativa de custo de até 1% do PIB do bloco com as interrupções ligadas ao calor

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (qua)0,23%167.491 pts
Dólar (qua)0,36%R$ 5,1793
Defasagem gas.41%Abicom · 12/08 — piora
Defasagem diesel73%Abicom · 12/08 — novo recorde

📉 Ibovespa cai pelo 2º dia seguido — saída de estrangeiros se intensifica às vésperas das eleições: o índice tocou máxima de 168.310 pontos mas fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, perto da mínima da sessão. A redução de exposição por investidores estrangeiros continua a pesar, com volume financeiro de R$ 24,2 bilhões. O dólar fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,1793 — o real entre as moedas mais fracas do dia, com relato de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos.
Congresso aprova PLP dos Combustíveis com “gatilhos” para antecipar ajuste fiscal — mas “jabutis” podem elevar conta de luz em 5%: a lei aprovada traz subteto para gastos e ampliação de benefícios fiscais, com mecanismos para antecipar o ajuste fiscal conforme a evolução da dívida. Um estudo aponta que os “jabutis” incluídos no projeto podem elevar a conta de luz residencial em 5% — o custo oculto de uma medida pensada para aliviar os combustíveis.
  • Governo Trump sinaliza mais ações sobre o Brasil — nova escalada potencial na crise diplomática, que já inclui tarifas e a revogação do visto da embaixadora
  • Mudanças na desoneração de combustíveis podem custar até R$ 8 bi à saúde em 2027 — trade-off fiscal que ilustra o custo de oportunidade das medidas de alívio a combustíveis
  • QPC: 94% do mercado esperava corte de 0,25pp em agosto e 57% achava que deveria cortar — sinal de que o mercado segue mais hawkish que a mediana das expectativas sobre o ritmo do Copom

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Ultrapar (UGPA3): aprovou pagamento de R$ 1,08 bilhão em dividendos (R$ 1,00 por ação ordinária), a partir de 3 de setembro, com base na posição acionária de 24 de agosto.
  • GPA (PCAR3): aprovou os principais termos e condições para emissão de novas debêntures, operação que integra a solução de reestruturação financeira prevista no plano de recuperação extrajudicial da companhia.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O CPI em linha com o esperado deveria ter sido uma boa notícia — e globalmente foi, com o Kospi disparando 3,56% e o Brent recuando. Mas o Ibovespa não conseguiu capturar esse alívio: caiu pelo segundo dia seguido, e o dólar subiu para R$ 5,18, com o real entre as moedas mais fracas do mundo na sessão. A narrativa se repete e se aprofunda: o problema brasileiro não é externo, é doméstico — a proximidade das eleições está acelerando a saída de capital estrangeiro, com relatos de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos. Segundo o research do BTG Pactual, esse é um padrão que tende a se intensificar nas próximas semanas: mercado tipicamente amplia a cautela com Brasil no período pré-eleitoral, e neste ciclo há o agravante da crise diplomática com os EUA, que segue escalando — o governo Trump sinaliza mais ações contra o país. No front doméstico, o PLP dos Combustíveis aprovado traz uma mensagem mista: gatilhos fiscais são positivos para a credibilidade de médio prazo, mas os “jabutis” que podem elevar a conta de luz em 5% mostram como o processo legislativo brasileiro raramente entrega soluções limpas. Para o investidor, a pergunta mais relevante da semana deixou de ser sobre dados de inflação — o CPI bom não mudou a trajetória do Ibovespa — e passou a ser sobre até onde vai a deterioração do fluxo estrangeiro enquanto durar a incerteza eleitoral.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel73%Abicom · 12/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina41%Abicom · 12/08 — piora
CPI EUA (jul)3,4% a.a.Em linha com o esperado
Grãos / Mar NegroRiscoAtaque a terminais russos

  • Diesel bate novo recorde de −73% — o duplo choque de Ormuz e do veto russo à exportação continua sem sinais de convergência, mesmo com o Brent recuando 1,69% nesta sessão
  • Gasolina piora para −41% (de −40%) — segunda leitura seguida de deterioração, ampliando a pressão fiscal sobre o subsídio que o governo já sinaliza ser insustentável no ritmo atual
  • CPI americano em linha alivia parcialmente o Fed — mas o PPI de hoje será o próximo teste, com relação direta ao núcleo do PCE, a métrica preferida do Fed para calibrar a política monetária
  • Ataque ucraniano a terminais de grãos na Rússia acende alerta para alimentos: a Rússia é a maior exportadora de trigo do mundo — qualquer interrupção prolongada no fluxo de grãos pelo Mar Negro pode se somar ao choque de energia e ampliar a pressão inflacionária global via alimentos
📌 Leitura do Radar: as defasagens de combustíveis seguem se deteriorando (diesel −73%, gasolina −41%), enquanto um novo front de risco se abre nos alimentos globais com o ataque a terminais de grãos russos no Mar Negro. O CPI bom nos EUA é a única âncora positiva da manhã — mas o PPI de hoje e os desdobramentos do ataque ucraniano são os dois eventos que podem redefinir a trajetória de preços nas próximas semanas.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Ibovespa / Fluxo / EleiçõesMercado Doméstico — Deterioração
Ibovespa cai pelo 2º dia seguido — saída de estrangeiros se intensifica às vésperas das eleições
O índice tocou máxima de 168.310 pontos mas fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos. A redução de exposição por investidores estrangeiros continua a pesar, com relato de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos. O dólar fechou em alta de 0,36%, a R$ 5,1793, com o real entre as moedas mais fracas do dia.
Contexto: o padrão se repete mesmo com um CPI americano benigno — reforçando que o problema é doméstico e ligado à proximidade eleitoral, não a fatores externos. Esse tipo de cautela pré-eleitoral tende a se intensificar nas próximas semanas, historicamente.

02
Combustíveis / DefasagemInflação — Novo Recorde
Defasagem do diesel bate novo recorde de −73%; gasolina piora para −41%
A Abicom registrou defasagem de −73% para o diesel — novo recorde absoluto — e −41% para a gasolina na leitura de ontem, ambas em piora. O Congresso aprovou o PLP dos Combustíveis com gatilhos fiscais e ampliação de benefícios, mas um estudo aponta que os “jabutis” do projeto podem elevar a conta de luz residencial em 5%.
Contexto: a aprovação do PLP dos Combustíveis é positiva no papel — traz gatilhos para antecipar o ajuste fiscal —, mas o efeito colateral sobre a conta de luz mostra como raramente uma medida de alívio sai limpa do processo legislativo brasileiro em ano eleitoral.

03
Ucrânia / Rússia / GrãosGeopolítica — Novo Front
Ucrânia ataca terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk — Rússia alerta para risco a alimentos
Drones e mísseis ucranianos atingiram navios de guerra e terminais de exportação de grãos no porto de Novorossiysk, no Mar Negro, danificando estruturas de armazenamento. A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, alertou para o risco de interrupção no fornecimento global de alimentos diante do aumento dos riscos à navegação na região.
Contexto: é a primeira vez em semanas que o conflito Rússia-Ucrânia ameaça diretamente a cadeia de alimentos, somando-se ao choque de energia do conflito EUA-Irã. Se a interrupção nas exportações de grãos se prolongar, o mercado terá dois choques de commodities simultâneos pressionando a inflação global.

04
CPI / Fed / EUAPolítica Monetária Global
CPI dos EUA sobe 0,1% em julho, em linha com o esperado — PPI de hoje é o próximo teste
O CPI subiu 0,1% no mês e 3,4% no ano, ambos dentro do consenso. O núcleo avançou 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses. Apesar do alívio de curto prazo, o mercado mantém dúvidas sobre os próximos passos do Fed. Hoje, o PPI é o destaque da agenda, por sua relação direta com o núcleo do PCE — a métrica de inflação preferida do banco central americano.
Contexto: um CPI em linha é neutro, não decisivo — não resolve a dúvida entre corte e manutenção em setembro. O PPI de hoje, ao alimentar diretamente a métrica que o Fed mais acompanha, tem potencial para mover mais o mercado do que o próprio CPI de ontem.

05
Europa / Energia / ClimaRisco Energético Europa
Onda de calor e seca ameaça geração nuclear na Europa — Romênia desliga único reator do país
Uma onda de calor e seca excepcional elevou o risco à geração de energia nuclear no continente. Na Romênia, a estatal Nuclearelectrica iniciou o desligamento do único reator nuclear em operação no país devido ao baixo nível de água no rio Danúbio. A estimativa é que as interrupções ligadas ao calor possam custar cerca de 1% do PIB do bloco europeu.
Contexto: a combinação de clima extremo com a crise energética já existente (petróleo caro por causa do Oriente Médio) cria um cenário de dupla pressão sobre os preços de energia na Europa — reforçado pela aceleração da inflação de eletricidade já vista na Espanha (+8,4%) nesta mesma edição.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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Morning Call — 12 de Agosto

Morning CallQuarta-feira, 12 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−2,50% 167.874 pts
Dólarpressionado saída de capital
S&P Fut.+0,19%
Bitcoin+0,65% US$ 63.766

O Ibovespa despencou 2,5% ontem, ao menor fechamento desde 20 de janeiro, com saída de R$ 5,55 bilhões em capital estrangeiro na semana. O IPCA de julho veio a +0,07%, a menor taxa para o mês desde 2022 — reforçando a expectativa de novo corte do Copom em setembro. No Oriente Médio, houthis atacaram um cargueiro em Bab-el-Mandeb e forças americanas dispararam contra navio que tentou romper o bloqueio a Ormuz. Hoje sai o CPI americano — evento central da manhã.

Internacional
Panorama Global

🚢 Mar Vermelho tem novo episódio grave — houthis atacam cargueiro em Bab-el-Mandeb; EUA disparam contra navio que tentou romper bloqueio: rebeldes houthis apoiados pelo Irã atacaram um navio cargueiro no Estreito de Bab-el-Mandeb. Horas depois, forças americanas informaram ter disparado mísseis contra um porta-contêineres que teria tentado romper o bloqueio imposto por Washington a portos iranianos no Golfo de Omã. Os dois eventos mostram o custo crescente da guerra, que já se estende pelo sexto mês, sobre duas das rotas marítimas mais críticas do mundo — mesmo com diplomatas sinalizando avanços para a reabertura de Ormuz.
Kospi3,68%Coreia do Sul — salto forte
Nasdaq0,57%Futuro — aguarda CPI
Brent0,15%US$ 88,78
Ouro0,44%US$ 4.460 — nova máxima

📉 AIE corta ainda mais a projeção de demanda por petróleo em 2026 — queda de 1,6 milhão de barris/dia: a Agência Internacional de Energia revisou a estimativa para baixo em 510 mil barris/dia a mais que o previsto no mês passado, à medida que se aprofundam os efeitos do fechamento de Ormuz. Segundo a AIE, os preços elevados dos combustíveis devem continuar pressionando o consumo, embora a demanda deva se recuperar e voltar a crescer no último trimestre do ano.
  • CPI dos EUA sai hoje pela manhã — dado mais aguardado do dia, deve balizar os próximos passos de juros do Fed. Dirigentes do Fed seguem divididos: Goolsbee chama inflação de “maior problema”, enquanto Venable (Atlanta) diz que a perspectiva depende do desfecho no Oriente Médio
  • Itália: inflação desacelera para 2,9% em julho (de 3,0%) — menor patamar desde abril. Já a Alemanha acelera para 2,8% (de 2,3%), puxada por energia (+8,3%, de +3,4%) com o fim do desconto temporário de impostos sobre combustíveis em junho
  • Kospi dispara 3,68% — recuperação forte após semana de volatilidade extrema nas ações de semicondutores sul-coreanas

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (ter)2,50%167.874 pts — menor desde 20/jan
IPCA julho0,07%Menor para julho desde 2022
Fluxo estrangeiro−R$ 5,55 biSaída na semana
IGP-M (1ª prévia ago)0,26%Acelerou vs. −0,39% jul

📉 Ibovespa cai 2,5% ao menor fechamento desde 20 de janeiro — saída de capital estrangeiro acelera: o índice abriu estável, chegou a subir 0,12% na máxima do dia, mas caiu abaixo dos 170 mil pontos e manteve trajetória negativa até fechar a 167.874,64 pontos. Além da cautela global com as tensões no Oriente Médio, pesaram temores domésticos — sobretudo o quadro fiscal a poucos meses da eleição. Só na semana passada, saíram R$ 5,55 bilhões da bolsa brasileira.
📊 IPCA de julho desacelera para 0,07% — menor para o mês desde 2022, com nova deflação forte de alimentos: a ata do Copom, divulgada ontem, manteve a mensagem de que a desaceleração da atividade e a moderação da inflação permitiram o corte para 14% — mas riscos ligados a choques de oferta, política fiscal expansionista e desancoragem de expectativas seguem impedindo um corte maior. Segundo o Copom, os próximos passos continuam dependentes da evolução dos dados. Ata e IPCA reforçam a previsão de novo corte da Selic em setembro.
  • IGP-M acelera na 1ª prévia de agosto para 0,26% (de −0,39% em julho) — puxado pelo IPA (60% do índice), que passou de −0,66% para +0,28%. O IPC (30%) seguiu em deflação leve, de 0,01% para −0,09%
  • Bônus de Itaipu deve aliviar a conta de luz em agosto, segundo IBGE — o benefício pode compensar parcialmente a pressão dos “jabutis” aprovados no Senado sobre a tarifa de energia
  • Congresso instala hoje comissão para analisar MP das “blusinhas” — parte da agenda tributária que segue em tramitação em meio à corrida eleitoral no Legislativo

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Axia Energia: detentores de ações preferenciais Classe C (PNC) poderão optar pela conversão em ordinárias entre 12 e 14 de agosto — quem não se manifestar no prazo terá as ações resgatadas automaticamente.
  • Oi (OIBR3): voltou a adiar a divulgação de resultados, citando “impactos relevantes” da recuperação judicial e dos processos competitivos em curso para alienação de ativos já anunciados.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Ibovespa caindo 2,5% para o menor nível desde janeiro, mesmo com o IPCA vindo bem abaixo do esperado, é o sinal mais claro de que o mercado brasileiro está precificando risco doméstico, não inflação. A saída de R$ 5,55 bilhões em capital estrangeiro numa única semana confirma que o problema é de confiança — o quadro fiscal a poucos meses da eleição pesa mais do que qualquer dado de curto prazo, por melhor que seja. E o IPCA de julho foi de fato muito bom: +0,07%, a menor taxa para o mês desde 2022, com nova deflação de alimentos. A ata do Copom reforçou que o corte para 14% teve amparo na desaceleração da atividade e na moderação da inflação — mas o BC foi claro ao listar os riscos que seguem impedindo um corte maior: choques de oferta (leia-se: petróleo e Ormuz), política fiscal expansionista e desancoragem de expectativas. Segundo o research do BTG Pactual, o IGP-M acelerando na primeira prévia de agosto é um alerta que merece atenção — o índice de preços ao produtor virou de negativo para positivo, sinal de que a pressão de custos pode estar retornando mesmo com o consumidor ainda protegido pela deflação de alimentos. Para o investidor, o CPI americano de hoje é o evento mais aguardado da manhã, mas o verdadeiro termômetro da semana é doméstico: o mercado vai continuar vendendo Brasil enquanto não houver clareza sobre o rumo fiscal do país pós-eleição — e isso não depende de nenhum dado de inflação, por melhor que seja.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

IPCA julho0,07%Menor para julho desde 2022
IGP-M (1ª prévia)0,26%Acelerou vs. −0,39% em julho
Defasagem Diesel−70%Abicom · 11/08 — recorde
Brent0,15%US$ 88,78 — leve alívio

  • IPCA de julho em +0,07% — menor para o mês desde 2022: a nova deflação forte de alimentos foi o principal vetor de alívio. É o segundo mês seguido de leitura benigna, reforçando a expectativa de corte do Copom em setembro
  • IGP-M acelera na 1ª prévia de agosto — alerta a monitorar: o IPA (60% do índice) virou de −0,66% para +0,28%, sinalizando possível retomada de pressão de custos ao produtor, mesmo com o IPC (consumidor) ainda em leve deflação
  • Diesel segue no recorde de −70% (leitura de ontem) — o duplo choque de Ormuz e do veto russo continua sem sinais de convergência, mesmo com o Brent cedendo levemente hoje
  • Brent recua para US$ 88,78 — alívio modesto após a escalada retórica de Trump: a AIE cortando a projeção de demanda para 2026 é o contraponto de médio prazo que pode ajudar a moderar os preços, ainda que o efeito nas defasagens brasileiras leve tempo para aparecer
📌 Leitura do Radar: o IPCA segue surpreendendo positivamente, mas o IGP-M acelerando na prévia de agosto é o primeiro sinal de que a pressão de custos pode estar voltando pelo lado do produtor. Combinado com o diesel ainda no recorde de −70%, o quadro de inflação de curto prazo é mais benigno no consumidor final do que na cadeia de produção — uma divergência que vale monitorar nas próximas semanas.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Ibovespa / Fluxo / FiscalMercado Doméstico — Alerta
Ibovespa cai 2,5% ao menor fechamento desde 20 de janeiro — saída de R$ 5,55 bi em capital estrangeiro na semana
O índice abriu estável, chegou a subir 0,12% na máxima, mas caiu abaixo dos 170 mil pontos e fechou a 167.874,64 pontos — menor nível desde 20 de janeiro. Além da cautela global com o Oriente Médio, pesaram temores fiscais domésticos a poucos meses da eleição. Só na semana passada, saíram R$ 5,55 bilhões da bolsa brasileira.
Contexto: a queda ocorre mesmo com o IPCA vindo bem abaixo do esperado — sinal de que o mercado está precificando risco fiscal/eleitoral, não inflação. Enquanto não houver clareza sobre o rumo fiscal pós-eleição, dados macro positivos tendem a ter efeito limitado sobre o fluxo.

02
IPCA / Inflação / CopomInflação — Surpresa Positiva
IPCA de julho desacelera para 0,07% — menor taxa para o mês desde 2022
O IPCA desacelerou para 0,07% em julho, após alta de 0,16% em junho, amparado por nova deflação forte de alimentos — a menor taxa para um mês de julho desde 2022. A ata do Copom, divulgada no mesmo dia, defendeu política fiscal “anticíclica” para ajudar a levar a inflação à meta e reforçou que os próximos passos dependem da evolução dos dados.
Contexto: ata e IPCA juntos reforçam a previsão de novo corte da Selic em setembro. Mas o Copom foi explícito ao listar riscos que persistem — choques de oferta, fiscal expansionista e desancoragem de expectativas — o que limita a magnitude dos próximos cortes mesmo com dados favoráveis.

03
Mar Vermelho / Ormuz / AtaquesGeopolítica — Escalada
Houthis atacam cargueiro em Bab-el-Mandeb; EUA disparam contra navio que tentou romper bloqueio a Ormuz
Rebeldes houthis atacaram um navio cargueiro no Estreito de Bab-el-Mandeb. Horas depois, forças americanas informaram ter disparado mísseis contra um porta-contêineres que tentou romper o bloqueio imposto por Washington a portos iranianos no Golfo de Omã — dois episódios que mostram o custo crescente da guerra sobre rotas marítimas críticas, no sexto mês de conflito.
Contexto: os dois eventos ocorrem mesmo com diplomatas sinalizando avanços para a reabertura de Ormuz — reforçando o padrão do conflito: sinalizações diplomáticas positivas convivendo com incidentes militares no terreno, o que mantém o prêmio de risco no petróleo mesmo quando a retórica parece melhorar.

04
AIE / Demanda / PetróleoEnergia Global
AIE corta projeção de demanda por petróleo em 2026 — queda revisada para 1,6 milhão de barris/dia
A Agência Internacional de Energia revisou a estimativa de queda na demanda mundial por petróleo em 2026 para 1,6 milhão de barris por dia — 510 mil barris/dia a mais que a previsão do mês passado, à medida que se aprofundam os efeitos do fechamento de Ormuz. Segundo a AIE, os preços elevados devem continuar pressionando o consumo, com recuperação esperada apenas no último trimestre.
Contexto: a revisão da AIE é o contraponto estrutural de médio prazo à escalada retórica de curto prazo — se a demanda global cai mais que o previsto, isso cria pressão baixista sobre o Brent independentemente do desfecho político do conflito, ainda que o efeito leve meses para se manifestar nos preços.

05
Alemanha / Itália / InflaçãoInflação Europa
Inflação da Alemanha acelera para 2,8% puxada por energia; Itália desacelera para 2,9%
A inflação anual da Alemanha acelerou para 2,8% em julho (de 2,3% em junho), puxada por um salto na inflação de energia, de 3,4% para 8,3%, com o fim do desconto temporário de impostos sobre combustíveis em junho. Já a Itália desacelerou para 2,9% (de 3,0%), o menor patamar desde abril.
Contexto: a divergência entre Alemanha e Itália mostra como políticas fiscais domésticas (como descontos temporários em impostos de energia) podem mascarar ou acelerar o repasse do choque geopolítico do petróleo para a inflação ao consumidor — um lembrete de que a inflação de energia na Europa segue diretamente ligada ao desfecho do conflito no Oriente Médio.

Amare Private Invest

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Morning Call — 11 de Agosto

Morning CallTerça-feira, 11 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespaestável 172.180 pts
Dólar+0,53% R$ 5,1106
S&P Fut.−0,01%
Bitcoin+0,25% US$ 64.098

Trump escalou o discurso sobre Ormuz — disse ter “controle total” da via e defendeu que o Irã pague reparações aos EUA, invertendo o pedido inicial iraniano. Teerã insiste que o estreito segue fechado até o fim do bloqueio naval americano. O Brent sobe 2,4% para US$ 89,85 e as defasagens de combustíveis pioram: diesel bate −70%, novo recorde. Hoje sai a ata do Copom, com detalhes do corte para 14%.

Internacional
Panorama Global

🛡️ Trump diz ter “controle total” de Ormuz e defende que Irã pague reparações aos EUA: o presidente americano afirmou que a Marinha já retirou minas do Estreito e classificou a postura americana de “muralha de aço”. Em publicação no Truth Social, disse que a cobrança iraniana por indenizações de guerra lhe deu “uma ideia interessante” — a de que o Irã compense os EUA, e não o contrário. Autoridades iranianas insistem que o estreito seguirá fechado até que Washington encerre o bloqueio naval.
Brent2,43%US$ 89,85 — retórica escala
Nikkei2,08%Japão — destaque do dia
Treasury 10a4,733%↑ de 4,698%
Ouro0,24%US$ 4.430 — nova máxima

🛢️ EUA estendem suspensão de lei de cabotagem — estoques de petróleo no menor nível em 4 décadas: o governo Trump ampliou a isenção da lei que restringe transporte de cargas entre portos americanos a navios dos EUA, tentando aumentar o fluxo de combustíveis. A medida veio após dados mostrarem estoques de petróleo bruto no menor patamar em mais de 40 anos — evidência da pressão real que o bloqueio prolongado de Ormuz exerce sobre o mercado americano.
  • Zelensky alerta que Putin prepara escalada — cita uso de equipamentos norte-coreanos, aumento da produção de mísseis balísticos russos e planos de mobilização; pediu reforço de sanções e defesa aérea aos parceiros de Kiev
  • EUA aceitam consultas na OMC sobre as tarifas ao Brasil — governo americano respondeu ao pedido brasileiro e disponibilizou representantes para conversar em data conveniente às duas partes
  • China quer se juntar ao Brasil na ação contra os EUA na OMC — sinaliza alinhamento estratégico entre os dois países diante da política tarifária americana

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (seg)estável172.180 pts — teste técnico
Dólar (seg)0,53%R$ 5,1106
Defasagem gas.40%Abicom · 11/08 — piora forte
Defasagem diesel70%Abicom · 11/08 — novo recorde

🏦 Ata do Copom sai hoje — mercado busca sinalização sobre os próximos passos da Selic: o documento deve detalhar a decisão de cortar a taxa básica para 14% ao ano e, segundo analistas, pode indicar o ritmo dos próximos movimentos. O Ibovespa ficou contido ontem pela cautela que antecede a divulgação de dados de inflação no Brasil e nos EUA, além da escalada do petróleo no exterior.
Defasagens disparam — diesel bate −70%, gasolina salta para −40%: mesmo com o subsídio ativo, a Petrobras mantém defasagem relevante na venda de combustíveis. Silveira admitiu que o governo pode buscar nova estratégia para manter o subsídio diante da escalada do petróleo. O decreto para abrir o mercado livre de energia deve sair até a próxima semana, segundo o ministro.
  • Governo fica sem verba para pagar R$ 105,5 bilhões em despesas — Saúde e Educação são as pastas mais afetadas, evidenciando o aperto fiscal em meio à despesa financeira de R$ 149 bi no 1º semestre
  • Focus reduz projeções para IPCA e PIB de 2026 — expectativa para inflação em 2027 e 2028 é mantida pela segunda semana consecutiva, sinal de ancoragem nas projeções de médio prazo
  • Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula — movimento político relevante que pode facilitar a articulação do governo na Câmara em meio à “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti

Corporativo
Empresas em Destaque

  • BTG Pactual (BPAC11): resultado recorde no 2T26 — receita total de R$ 10,4 bilhões (+16% a/a), lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões (+23% a/a) e ROAE de 26,7%. Captação líquida de R$ 59 bilhões no trimestre, encerrando com R$ 2,7 trilhões em ativos sob gestão.
  • Natura &Co (NTCO3): lucro líquido de apenas R$ 35 milhões no 2T26 — queda de 92% ante os R$ 446 milhões do ano anterior, afetado por custos com liquidação de derivativos e base de comparação desfavorável.
  • JBS (JBSS3): registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2T26, revertendo o lucro de US$ 528 milhões do ano anterior — primeiro prejuízo da companhia em 11 trimestres, desde antes da listagem na NYSE.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A retórica de Trump sobre Ormuz deu uma guinada notável: de negociar reabertura para exigir reparações do Irã. É uma inversão que dificilmente aproxima as partes de um acordo — e o mercado reagiu com o Brent subindo para US$ 89,85, o maior nível em quase duas semanas. O efeito colateral doméstico é imediato e severo: a defasagem do diesel bateu −70%, novo recorde absoluto, e a gasolina saltou para −40%, mesmo com o subsídio ativo. Silveira já sinaliza que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar esse subsídio caso o petróleo continue subindo. Segundo o research do BTG Pactual, o evento mais importante do dia para o investidor brasileiro é doméstico: a ata do Copom, que deve detalhar o raciocínio por trás do corte para 14% e sinalizar o ritmo dos próximos passos. O contexto é favorável para uma leitura moderadamente dovish — o Focus já reduziu as projeções de IPCA e PIB para 2026, com as expectativas de 2027 e 2028 mantidas estáveis pela segunda semana, sinal de ancoragem. Mas o Brent subindo e as defasagens batendo recorde são o contraponto que pode limitar o otimismo do mercado com o ritmo do ciclo de cortes. A pergunta central da semana: o Copom vai continuar sinalizando cortes com a mesma convicção diante de um cenário externo que piora a cada dia — ou o comunicado de hoje trará sinais de maior cautela?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel70%Abicom · 11/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina40%Abicom · 11/08 — piora forte
BrentUS$ 89,85+2,43% — maior em 2 semanas
Focus IPCA 2026Reduzido2ª semana de ancoragem em 27/28

  • Diesel bate −70% — novo recorde absoluto de toda a crise: a escalada retórica de Trump sobre Ormuz, somada ao bloqueio naval que já dura mais de 5 meses, elevou o Brent e piorou drasticamente a defasagem. Mesmo com o subsídio, a Petrobras mantém desalinhamento relevante na venda de combustíveis
  • Gasolina salta para −40% (de −29% na leitura anterior) — a maior piora em uma única leitura desde o início de agosto. Silveira já admite que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar o subsídio se o petróleo continuar subindo
  • Brent em US$ 89,85 — maior nível em quase duas semanas: a virada retórica de Trump, que passou de buscar acordo para exigir reparações do Irã, afasta as partes de uma solução negociada e mantém o prêmio de risco elevado no petróleo
  • Focus mantém IPCA 2027/2028 estável pela 2ª semana — sinal de ancoragem: mesmo com a piora do cenário de curto prazo (petróleo, defasagens), as expectativas de médio prazo permanecem estáveis — o mercado ainda não vê contaminação estrutural apesar do choque de oferta recorrente
📌 Leitura do Radar: a pior leitura de defasagens desde o início da crise — diesel em −70% e gasolina em −40%, ambos piorando com força. O Brent voltando a subir por causa de retórica (não de fatos concretos no terreno) é o dado mais preocupante: sugere que o mercado de petróleo segue extremamente sensível a declarações políticas, sem uma trajetória estável. A ata do Copom hoje será testada contra esse pano de fundo mais desafiador.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Ormuz / Trump / ReparaçõesGeopolítica — Guinada Retórica
Trump diz ter “controle total” de Ormuz e defende que Irã pague reparações aos EUA
Trump afirmou que a Marinha americana já retirou minas do Estreito e classificou a postura dos EUA de “muralha de aço”. Em publicação no Truth Social, disse que a cobrança iraniana por indenizações lhe deu a ideia de que o Irã deveria compensar os EUA, e não o contrário. Teerã insiste que o estreito seguirá fechado até o fim do bloqueio naval americano.
Contexto: a inversão do pedido de reparações — de “Irã cobra dos EUA” para “EUA cobram do Irã” — é retoricamente hostil e afasta qualquer sinalização de acordo próximo. Para o petróleo, é o tipo de declaração que eleva o prêmio de risco sem mudar nada no terreno — exatamente o padrão que tem caracterizado esse conflito nos últimos meses.

02
Defasagem / CombustíveisInflação — Recorde
Defasagem do diesel bate −70%, recorde absoluto; gasolina salta para −40%
A Abicom registrou defasagem de −70% para o diesel e −40% para a gasolina na leitura de hoje — pioras fortes em relação às leituras anteriores. Mesmo com o subsídio ativo, a Petrobras mantém desalinhamento na venda de combustíveis. Silveira sinalizou que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar o subsídio.
Contexto: é a pior leitura conjunta de defasagens desde o início da crise. Com o Brent subindo por razões retóricas (não por fundamentos de oferta/demanda), a trajetória fica mais imprevisível — dificultando o planejamento fiscal do governo sobre até quando sustentar o subsídio.

03
BTG Pactual / Resultado 2TCorporativo — Recorde
BTG Pactual registra novo trimestre recorde — lucro de R$ 5,1 bilhões e ROAE de 26,7%
O BTG Pactual reportou receita total de R$ 10,4 bilhões (+16% a/a) e lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões (+23% a/a) no 2T26, com ROAE de 26,7%. Captação líquida de R$ 59 bilhões no trimestre elevou o AuM/WuM a R$ 2,7 trilhões. No semestre, receitas somaram R$ 20,4 bilhões (+24%) e lucro ajustado, R$ 10,0 bilhões (+31%).
Contexto: o resultado confirma a resiliência da plataforma diversificada do BTG mesmo em ambiente de juros altos e volatilidade — a captação de R$ 59 bi no trimestre é particularmente relevante, mostrando que o banco segue atraindo capital apesar da incerteza macro doméstica e externa.

04
Copom / Ata / SelicPolítica Monetária Brasil
Ata do Copom sai hoje — mercado busca sinalização sobre o ritmo dos próximos cortes
O documento deve detalhar a decisão de reduzir a Selic para 14% ao ano e, segundo analistas, pode indicar os próximos passos do ciclo. A divulgação ocorre em meio a cautela do mercado — Ibovespa ficou contido ontem entre a escalada do petróleo e a expectativa por dados de inflação no Brasil e nos EUA.
Contexto: a ata é o evento doméstico mais aguardado da semana. Com o Focus mantendo as projeções de 2027/2028 estáveis mas o cenário de curto prazo piorando (petróleo, defasagens), o tom da ata — mais dovish ou mais cauteloso — vai definir a precificação da curva de juros nos próximos dias.

05
JBS / Natura / ResultadosCorporativo — Resultados Fracos
JBS tem primeiro prejuízo em 11 trimestres; Natura vê lucro cair 92% no 2T
A JBS registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2T26, revertendo o lucro de US$ 528 milhões do ano anterior — primeiro resultado negativo em 11 trimestres. A Natura encerrou o período com lucro de apenas R$ 35 milhões, queda de 92% ante os R$ 446 milhões do ano anterior, afetada por custos com liquidação de derivativos e base de comparação desfavorável.
Contexto: os dois resultados fracos, em setores diferentes (proteínas e consumo), sugerem pressão de custos e câmbio afetando margens de forma disseminada — tema que o mercado vai monitorar na temporada de balanços que ainda está em curso, especialmente à luz do dólar voltando a subir.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 10 de Agosto

Morning CallSegunda-feira, 10 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−1,73% 172.513 pts
Dólar−0,46% R$ 5,0835
S&P Fut.+0,14%
Bitcoin+0,02% US$ 65.165

O payroll de julho veio muito abaixo do esperado — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil, leitura claramente dovish para o Fed. No Oriente Médio, o Irã diz estar perto de fechar acordo com Omã sobre rotas em Ormuz, mas mantém condições para negociar com Washington. Houthis atacaram a refinaria de Jazan da Aramco, dois dias após a Arábia Saudita assinar pacto de defesa com Turquia e Paquistão. O Ibovespa fechou a semana em queda de 3,08%.

Internacional
Panorama Global

📉 Payroll de julho decepciona — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil: a revisão negativa conjunta de 103 mil vagas em maio e junho reforça o quadro de desaceleração — a média móvel de 3 meses caiu para cerca de 20 mil e a de 6 meses para 44 mil. A fraqueza se concentrou no setor público (−53 mil), enquanto o privado criou apenas 30 mil postos, também abaixo do consenso. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas por queda na oferta de mão de obra, não por criação de vagas. Leitura dovish para o Fed — mas analistas alertam que não é suficiente sozinha para tirar a alta de juros da mesa em setembro.
S&P 5000,14%Futuro
Nikkei2,08%Japão — destaque do dia
Brent1,05%US$ 84,43 — Ormuz segue bloqueado
Treasury 10a4,657%↑ leve apesar do payroll fraco

🏭 Houthis atacam refinaria de Jazan da Aramco — Arábia Saudita assina pacto de defesa com Turquia e Paquistão: o grupo alinhado ao Irã reivindicou o ataque; o Ministério de Energia saudita informou que o incêndio foi extinto sem feridos. O ataque ocorreu dois dias depois de a Arábia Saudita assinar pacto de defesa mútua com Turquia e Paquistão — prevendo que um ataque a qualquer um dos três seja tratado como ataque a todos. O bloqueio naval americano a Ormuz já dura mais de cinco meses; o CENTCOM redirecionou 55 embarcações e abordou outras.
  • Irã diz estar perto de fechar acordo com Omã sobre novas rotas de navegação em Ormuz — mas mantém condições (compensação financeira, fim de sanções) antes de negociar diretamente com Washington
  • Sunrise Energy Metals dispara 16% após garantir financiamento de US$ 400 milhões dos EUA para a primeira mina primária de escândio do mundo — parte do esforço global para reduzir dependência da China em terras raras
  • ‘Payroll’ fraco não basta para tirar alta de juros da mesa no Fed — Hassett confirma que Trump conversa com Warsh sobre economia, mas nega intromissão direta nos juros

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (sex)1,73%172.513 pts · semana −3,08%
Dólar (sex)0,46%R$ 5,0835 · semana +0,27%
Defasagem gas.−29%Abicom · 07/08 — melhora
Defasagem diesel−58%Abicom · 07/08 — leve piora

📊 Ibovespa cai 1,73% na sexta e acumula −3,08% na semana — balanços fracos ofuscam payroll dovish: mesmo com o payroll mais fraco que o esperado nos EUA (normalmente positivo para emergentes), o Ibovespa destoou dos demais ativos domésticos, pressionado por balanços corporativos fracos e por rotação global para ações de tecnologia. O volume financeiro somou R$ 21 bilhões no Ibovespa — sem gatilhos capazes de atrair fluxo consistente para a bolsa brasileira.
  • BC cria regra para reter operações de criptos acima de US$ 10 mil por 24h — medida cautelar contra fraudes em operações para o exterior ou carteiras autocustodiadas, válida a partir de 1º de janeiro de 2027
  • Bancos descartam aval a empréstimo para salvar o BRB sem participação do Tesouro — impasse que se arrasta e amplia o risco de uma solução mais onerosa aos cofres públicos
  • Plano de governo de Lula promete manter arcabouço fiscal e controlar inflação — sinalização early de campanha que o mercado vai monitorar de perto diante da “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Iguatemi (IGTI11): fechou acordo vinculante para vender participações minoritárias em cinco ativos à gestora TRX por R$ 876,1 milhões — inclui fatias do Iguatemi Alphaville, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Praia de Belas e I Fashion Outlet Novo Hamburgo.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O payroll fraco de sexta-feira deveria ter sido uma boa notícia para os ativos brasileiros — juros americanos mais dovish normalmente favorecem o diferencial de taxas e o fluxo para emergentes. Mas o Ibovespa fez o oposto: caiu 1,73% na sexta e fechou a semana com −3,08%, destoando dos demais mercados. A leitura correta é que o problema não é externo — é doméstico: balanços corporativos fracos e a ausência de um catalisador local capaz de atrair fluxo, num momento em que a “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti e as ameaças de escalada diplomática dos EUA já pesavam sobre o sentimento. No Oriente Médio, o quadro segue de impasse controlado: o Irã sinaliza proximidade de um acordo com Omã sobre as rotas de Ormuz, mas mantém pré-condições para voltar à mesa com Washington, enquanto os houthis atacam a Aramco e a Arábia Saudita busca blindagem via pacto de defesa com Turquia e Paquistão — sinal de que a região se prepara para uma convivência prolongada com a instabilidade, não para uma resolução iminente. Para o investidor, a semana que começa tem dois fios a monitorar: os dados de inflação nos EUA e no Brasil, que vão testar se o payroll fraco realmente muda a trajetória do Fed, e se o Ibovespa consegue achar algum catalisador doméstico que reverta a pior semana em meses — ou se o mercado brasileiro seguirá descolado mesmo com ventos externos mais favoráveis.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Gasolina29%Abicom · 07/08 — melhora vs. −24%
Defasagem Diesel58%Abicom · 07/08 — leve piora
BrentUS$ 84,43+1,05% — Ormuz ainda bloqueado
Payroll EUA−23 milDovish para o Fed

  • Gasolina melhora para −29% (de −24%) — apesar do Brent subindo, a defasagem melhorou na leitura de sexta-feira, refletindo o comportamento do petróleo nos dias anteriores
  • Diesel piora levemente para −58% (de −56%) — o insumo mais crítico para o Brasil segue pressionado pelo bloqueio prolongado de Ormuz e pelo veto russo à exportação
  • Brent sobe para US$ 84,43 com bloqueio naval ainda em vigor — o CENTCOM já redirecionou 55 embarcações comerciais e abordou outras para garantir o cumprimento do próprio bloqueio americano, que já dura mais de cinco meses e afeta um quarto do comércio marítimo de petróleo
  • Payroll fraco é dovish para o Fed, mas mercado não descarta alta em setembro — o dado isolado não é suficiente para mudar a função de reação, especialmente com o CPI desta semana no radar como próximo teste decisivo
📌 Leitura do Radar — abertura de semana: sinais mistos nos combustíveis (gasolina melhora, diesel piora) refletem um Brent que voltou a subir com o bloqueio de Ormuz sem data para acabar. O payroll fraco nos EUA é o dado mais construtivo da manhã — mas o CPI americano e o IPCA brasileiro desta semana serão os verdadeiros testes de trajetória, tanto para o Fed quanto para o Copom.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Payroll / Fed / EUAPolítica Monetária — Dado Dovish
Payroll de julho decepciona — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil
O payroll de julho mostrou corte de 23 mil vagas, muito abaixo do consenso de +80 mil, com revisão negativa conjunta de 103 mil vagas em maio e junho. A fraqueza se concentrou no setor público (−53 mil); o privado criou apenas 30 mil postos. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, mas por menor oferta de mão de obra, não por criação de vagas.
Contexto: a leitura é claramente dovish, mas analistas avisam que um único dado fraco não tira a hipótese de alta em setembro da mesa — o CPI desta semana será o próximo teste decisivo para a trajetória do Fed.

02
Ormuz / Bloqueio / IrãGeopolítica — Impasse Prolongado
Bloqueio naval dos EUA a Ormuz completa 5 meses — Irã diz estar perto de acordo com Omã, mas mantém condições
O CENTCOM redirecionou 55 embarcações comerciais e abordou outras para garantir o bloqueio que os próprios EUA impõem a Ormuz. O Irã afirmou estar perto de fechar acordo com Omã sobre novas rotas de navegação, mas exige compensação financeira e fim de sanções antes de negociar diretamente com Washington. Mensagens seguem sendo trocadas por intermediários.
Contexto: a rota afeta um quarto do comércio marítimo global de petróleo e um quinto do GNL mundial. Um acordo via Omã sem envolvimento direto de Washington seria uma solução parcial — resolveria a navegação, mas não a tensão bilateral EUA-Irã de fundo.

03
Houthis / Aramco / Arábia SauditaConflito Regional
Houthis atacam refinaria de Jazan da Aramco — Arábia Saudita assina pacto de defesa com Turquia e Paquistão
Os houthis, alinhados ao Irã, reivindicaram o ataque à refinaria de Jazan; o incêndio foi extinto sem feridos, segundo o Ministério de Energia saudita. O ataque ocorreu dois dias após a Arábia Saudita assinar pacto de defesa mútua com Turquia e Paquistão, prevendo que um ataque a qualquer um dos três seja tratado como ataque a todos.
Contexto: o pacto de defesa é o sinal mais concreto de que a Arábia Saudita está se blindando para uma convivência prolongada com a instabilidade regional, não esperando resolução rápida. Para o petróleo, mantém o prêmio de risco geopolítico elevado independentemente do desfecho das negociações EUA-Irã.

04
Ibovespa / Fluxo / BalançosMercado Doméstico
Ibovespa cai 1,73% na sexta e acumula −3,08% na semana — pior desempenho em meses, mesmo com payroll dovish
O Ibovespa destoou dos demais ativos domésticos e recuou 1,73% na sexta, pressionado por balanços corporativos fracos e rotação global para tecnologia — mesmo com o payroll fraco nos EUA, normalmente favorável a emergentes. Volume financeiro de R$ 21 bilhões, sem gatilhos capazes de atrair fluxo consistente.
Contexto: o descolamento do Ibovespa em relação a um cenário externo mais favorável é o sinal mais preocupante da semana — sugere que fatores domésticos (fiscal, balanços, risco diplomático) estão pesando mais que o ambiente global no humor dos investidores locais.

05
Terras Raras / Escândio / EUAMinerais Críticos
Sunrise Energy Metals dispara 16% após garantir US$ 400 milhões dos EUA para mina de escândio
A mineradora australiana Sunrise Energy Metals teve ações disparando até 29% intradia, fechando com alta de mais de 16%, após garantir financiamento de longo prazo de US$ 400 milhões do Departamento de Guerra dos EUA para desenvolver a primeira mina primária de escândio do mundo — parte do esforço para reduzir a dependência da China, que controla quase 70% da mineração global de terras raras.
Contexto: o investimento direto de uma agência de defesa americana em mineração civil é um sinal do quanto a segurança de minerais críticos virou prioridade estratégica. Para o Brasil, com reservas relevantes de terras raras ainda pouco exploradas, é um lembrete do potencial não capturado nesse mercado em rápida reconfiguração geopolítica.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 7 de Agosto

Morning CallSexta-feira, 7 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−1,23% 175.546 pts
Dólar−0,41% R$ 5,1070
S&P Fut.+0,10%
Bitcoin+0,36% US$ 64.609

Sexta-feira decisiva com o payroll de julho dos EUA ainda pela manhã. O Irã acusou Trump de fazer “diplomacia de teatro” — Teerã nega negociações em andamento, dias depois de Trump dizer que os contornos de um acordo já estavam definidos. A Petrobras reportou lucro recorde de R$ 52,4 bilhões no 2T, alta de 96,8% na comparação anual. China surpreendeu com exportações +23,9% em julho, mesmo sob tensão comercial crescente com os EUA.

Internacional
Panorama Global

🎭 Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre as negociações: o presidente do Parlamento iraniano, Ghalibaf, negociador-chefe do país, acusou Trump de encenação, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos com Teerã. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã para Ormuz, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar a via.
S&P 5000,10%Futuro
Nasdaq0,32%Futuro
Brent0,15%US$ 82,37 — Ormuz em dúvida
Ouro1,56%US$ 4.366 — nova máxima

  • EUA impõem tarifa de 15% sobre polissilício chinês — matéria-prima para painéis solares e chips, com preço mínimo de importação em vigor a partir de 4 de dezembro. Empresas que investirem em produção doméstica recebem incentivos do governo
  • China exporta +23,9% em julho (vs. +27% em junho) — desaceleração, mas acima da projeção de +22% do mercado. Resultado impulsionado pela demanda global por produtos de inteligência artificial
  • Alemanha: produção industrial surpreende com alta de 0,2% em junho — maior economia da Europa segue se esquivando dos impactos mais severos do conflito no Oriente Médio, apesar do superávit comercial encolher com importações da China +9,1%

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (qui)1,23%175.546 pts
Dólar (qui)0,41%R$ 5,1070
Defasagem gas.−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem diesel−56%Abicom · 06/08 — leve piora

⚖️ “Guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre o ajuste fiscal — e EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil: o mercado observa caminhos distintos apontados por Durigan e Moretti para o ajuste fiscal, segundo o Estadão. Simultaneamente, diplomatas americanos teriam avisado empresários que os EUA podem escalar a crise contra o Brasil — desdobramento preocupante após a revogação do visto da embaixadora. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra plano de recuperação “crível”.
  • Copom em modo “data dependent” alimenta aposta em Selic mais baixa — mercado lê o comunicado neutro como sinal de que o BC está confortável para continuar cortando se os dados colaborarem
  • Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal em meio às críticas sobre a trajetória da dívida pública acima de R$ 10 tri
  • Governo negocia medidas em favor do etanol em projeto para reduzir tributo sobre combustíveis em 2026 — contrapõe as ameaças ao etanol a 32% vindas do TCU e da Câmara

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Petrobras (PETR3/4): lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26, alta de 96,8% na comparação anual — impulsionado pela alta do petróleo e da produção recorde. Receita de vendas de R$ 169,5 bilhões (+42,3%) e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões (+79,6%).
  • Neoenergia Brasília: anunciou plano de investimentos de R$ 3,1 bilhões entre 2026 e 2030 para expansão e modernização da rede no DF — inclui 5 novas subestações e 132 km de linhas de alta tensão.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana termina com um contraste que resume bem o momento: a Petrobras reportando o melhor trimestre em anos, com lucro de R$ 52,4 bilhões, enquanto o Irã acusa Trump de encenação diplomática e o acordo sobre Ormuz segue tão distante quanto parecia próximo há poucos dias. O payroll de hoje é o evento mais aguardado da manhã — um dado forte reforça a tese de Fed hawkish (Kashkari e outros já sinalizando alta em setembro), o que pressiona o diferencial de juros justamente quando o Copom brasileiro está em modo “data dependent” e o mercado aposta em Selic ainda mais baixa. Segundo o research do BTG Pactual, o Ibovespa caindo 1,23% ontem reflete essa tensão dupla: incerteza externa sobre os juros americanos somada à “guerra fria” doméstica entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal — e as notícias sobre uma possível escalada da crise diplomática com os EUA não ajudam. As defasagens de combustíveis se estabilizaram (gasolina em −24%, diesel em −56%), mas sem o alívio adicional que se esperava com Ormuz. Para o investidor, o fim de semana chega com mais perguntas abertas do que fechadas: o payroll vai confirmar ou desafiar a hipótese de alta do Fed em setembro? E será que a “diplomacia de teatro” do Irã é retórica de barganha ou sinal de que as negociações realmente fracassaram?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Gasolina−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem Diesel56%Abicom · 06/08 — leve piora
BrentUS$ 82,37Ormuz em dúvida
Ouro4.366Nova máxima histórica

  • Gasolina estável em −24% — a leitura da Abicom de ontem confirma o patamar da véspera. Sem novidade definitiva sobre Ormuz, a defasagem se estabilizou no melhor nível do conflito, mas sem avançar mais
  • Diesel piora levemente para −56% (de −53%) — o impasse nas negociações e o veto russo à exportação seguem pressionando o produto mais crítico para o Brasil neste momento
  • Brent estável perto de US$ 82 — o mercado aguarda clareza sobre o desfecho das negociações EUA-Irã antes de precificar um novo movimento. A “diplomacia de teatro” de Ghalibaf é um sinal de que essa clareza pode demorar
  • Ouro atinge nova máxima histórica — US$ 4.366,70 a onça, alta de 1,56%. O metal segue como o termômetro mais confiável de que o mercado não vê o conflito global como resolvido, mesmo com o petróleo relativamente estável
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: as defasagens de combustíveis pararam de melhorar — gasolina estabilizou em −24% e diesel piorou levemente para −56%. O Brent parado em torno de US$ 82 reflete a incerteza sobre Ormuz. O payroll de hoje e o desfecho (ou não) das negociações EUA-Irã são os dois eventos que vão definir se a semana que vem retoma a trajetória de convergência ou se estaciona no patamar atual.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Petrobras / Resultado 2TCorporativo — Recorde
Petrobras reporta lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26 — alta de 96,8% na comparação anual
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, impulsionado pela alta do petróleo e da produção. A receita de vendas somou R$ 169,5 bilhões (+42,3%), enquanto o Ebitda ajustado cresceu 79,6%, para R$ 93,8 bilhões, na mesma base de comparação.
Contexto: o resultado captura o melhor momento do ciclo — petróleo elevado e produção recorde simultaneamente. Para o investidor, o desafio agora é a sustentabilidade: se as negociações EUA-Irã resultarem em acordo e o Brent cair, o próximo trimestre dificilmente repete esse patamar de lucro.

02
Irã / EUA / NegociaçãoGeopolítica — Impasse
Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre acordo em Ormuz
O negociador-chefe do Irã, Ghalibaf, acusou Trump de encenação diplomática, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar Ormuz.
Contexto: a acusação pública de “teatro” é um sinal de deterioração na confiança entre as partes — mais grave que um simples desmentido. Para o petróleo, mantém o prêmio de risco de Ormuz aceso pelo menos até a próxima sinalização concreta de uma das partes.

03
Fiscal / Durigan / MorettiPolítica Econômica Brasil
Mercado vê “guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre caminhos distintos para o ajuste fiscal
O Estadão relata que o mercado percebe divergência entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra um plano de recuperação “crível”. Durigan também afirmou que o aumento da dívida pública decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal.
Contexto: divergências públicas entre membros da equipe econômica em ano eleitoral tendem a ser lidas pelo mercado como sinal de falta de coordenação — o que pode pressionar o prêmio de risco fiscal justamente no momento em que a dívida já está no maior custo em 10 anos.

04
EUA / Brasil / DiplomaciaCrise Diplomática
EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil, segundo diplomatas americanos a empresários
Diplomatas americanos teriam avisado empresários que os Estados Unidos podem escalar a crise contra o Brasil, segundo o Estadão. A informação chega dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington — e antes da conversa que Lula sinalizou buscar com Trump na semana que vem.
Contexto: se confirmada, uma escalada adicional dificultaria a tentativa de Lula de desescalar a crise diplomaticamente. Para o mercado, o risco de novas sanções ou restrições comerciais antes das eleições é o principal fator de instabilidade cambial no curto prazo.

05
China / Exportações / ComércioEconomia Global
Exportações chinesas crescem 23,9% em julho, acima da projeção, impulsionadas pela demanda por IA
As exportações da China cresceram 23,9% em julho na comparação anual, desacelerando frente aos 27% de junho, mas superando a projeção de 22% dos economistas. O resultado foi puxado pela demanda global aquecida por produtos ligados à inteligência artificial, mesmo com as novas tensões comerciais com os EUA (incluindo a tarifa sobre polissilício anunciada ontem).
Contexto: a resiliência das exportações chinesas, mesmo sob pressão tarifária crescente, sugere que a demanda global por tecnologia de IA está criando um contrapeso à guerra comercial. Para o Brasil, uma China exportando forte tende a manter a demanda por commodities industriais aquecida.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
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Morning Call — 6 de Agosto

Morning CallQuinta-feira, 6 de agosto de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

O Copom cortou a Selic para 14% ontem — mas o comunicado foi deliberadamente ambíguo, sem sinalizar o próximo passo. Enquanto isso, o tráfego em Ormuz colapsou para 2 navios (ante 8 na véspera), a Ucrânia atacou duas refinarias russas e a China lançou seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro. O BC brasileiro optou por cautela: o ciclo continua, mas em velocidade a ser definida pelos dados.

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Panorama GlobalInternacional

🚢 Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito: apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, após o grupo houthi do Iêmen atacar um petroleiro saudita. O colapso do tráfego ocorre exatamente quando as negociações EUA-Irã pareciam avançar — e revela que o conflito tem múltiplos atores além dos dois protagonistas. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações em andamento com Washington.
S&P 500+0,14%Futuro
Nasdaq−0,48%Futuro — realização em tech
Kospi−4,58%Coreia do Sul
DAX+0,17%Alemanha
Brent+0,37%US$ 79,74 — escala de Ormuz pressiona
WTI+0,28%US$ 75,43
Treasury 10a4,625%↑ leve
Ouro+0,67%US$ 4.334 — máxima histórica

🇺🇦 Ucrânia ataca duas refinarias russas — Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos, a centenas de km da fronteira: drones de longo alcance ucranianos atingiram duas das maiores refinarias da Rússia — a Slavneft-Yanos, em Yaroslavl, é uma das maiores do país. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da “frota fantasma” e quatro empresas de metais estratégicos russos.
  • China lança seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro — proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportação de drones para os EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos. As medidas são a primeira retaliação chinesa à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo” mas “reversível” — às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês
  • Kashkari (Fed) diz que “chegou o momento de elevar os juros gradualmente” — e Cook (Fed) diz estar “preparada para subir juros, se necessário”. Dois membros do Fed sinalizando alta reforça a leitura de que o ciclo de afrouxamento americano está longe de começar
  • Memorando EUA-Irã de junho ainda em vigor: o vice-chanceler iraniano confirmou que o acordo de 60 dias (reabertura de Ormuz sem tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano) segue como referência — mas os houthis, que não são parte do acordo, estão sabotando o tráfego independentemente

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qua)−0,11%177.697 pts — volátil
Dólar (qua)−0,06%R$ 5,1281 — quase estável
Selic14,00%↓ de 14,25% — Copom cortou
Defasagem gas.−24%Abicom · 05/08 — melhor do conflito

🏦 Copom cortou Selic para 14% com comunicado neutro — próximos passos em aberto, dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação: o 4º corte consecutivo de 0,25 pp levou a Selic ao menor patamar desde março de 2025. O comunicado foi deliberadamente ambíguo: o BC citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem de expectativas), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal doméstico. A magnitude do próximo corte ficará a cargo dos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
🇺🇸🇧🇷 Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — e retoma diálogo com Alcolumbre mediado pelo Supremo: após a crise com a revogação do visto da embaixadora, Lula sinaliza que buscará Trump pessoalmente na próxima semana — movimento que pode desescalar a crise diplomática antes que ela se aprofunde. No plano doméstico, Lula retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF, e o governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil.
  • Lula sanciona piso do frete e veta anistia aos caminhoneiros de 2022 — medida que equilibra a relação com o setor de transporte que está diretamente afetado pela defasagem do diesel em −53%, sem conceder anistia política que beneficiaria o movimento bolsonarista de 2022
  • Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 (estudo) — dado que contextualiza a pressão sobre o consumo privado num ambiente de juros altos e inflação acima da meta. O governo prevê Imposto Seletivo sobre bets, mas deve adiar por temor de impacto eleitoral
  • MP junto ao TCU contesta o aumento de etanol na gasolina — nova ameaça ao etanol a 32%, que junto com o projeto de Kicis na Câmara mostra que o único amortecedor de custo zero dos combustíveis está sendo contestado em múltiplas frentes institucionais

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Eneva (ENEV3): a termelétrica Azulão I (295 MW) inicia operação comercial hoje — timing perfeito com o tráfego de Ormuz colapsando e a pressão sobre o sistema elétrico do El Niño. Receita fixa anual de R$ 278,3 milhões por 15 anos, reajustada pelo IPCA.
  • Auren Energia (AURE3): cadastrou projetos para o leilão de baterias de dezembro — sinaliza interesse em armazenamento de energia, segmento estratégico para compensar a intermitência das renováveis no contexto do El Niño.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado — Pós-Copom
Baseado no Research BTG Pactual

O Copom entregou o corte esperado — mas não entregou o comunicado que o mercado queria. Ao deixar os próximos passos “em aberto” e citar explicitamente petróleo, juros nos EUA e inflação como determinantes do ciclo, o BC jogou a decisão de setembro de volta para os dados. Segundo o research do BTG Pactual, a leitura correta do comunicado é de um BC que está confortável cortando, mas que não quer se comprometer com velocidade num ambiente de Ormuz instável — e com razão. O colapso do tráfego em Ormuz para apenas 2 navios ontem (de 8 na véspera), causado pelos houthis, mostra que o conflito tem camadas que vão além das negociações EUA-Irã. O memorando de 60 dias de junho pode estar em vigor formalmente, mas os atores regionais — houthis, milícias iraquianas, Rússia via diésel — continuam criando perturbações. Para o investidor, o pós-Copom tem três vetores simultâneos: a Selic em 14% abre espaço para ativos de risco domésticos; o Brent em US$ 79 com Ormuz instável mantém o risco de alta do petróleo vivo; e a China escalando contramedidas comerciais eleva o risco de uma nova rodada de tensão global antes da visita de Xi a Washington. O comunicado neutro do Copom foi a resposta correta a esse ambiente — e o mercado que esperava “porta aberta explícita” precisará se ajustar a uma condução mais dependente de dados.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Gasolina
−24%
Abicom · 05/08 — melhor do conflito
Defasagem Diesel
−53%
Abicom · 05/08 — ainda crítico
Brent
US$ 79,74
+0,37% — Ormuz: só 2 navios ontem
Selic
14,00%
Copom cortou 0,25 pp ontem

  • Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — o menor nível registrado desde o início do conflito: o ataque houthi a um petroleiro saudita paralisou o Estreito ontem — apenas 2 embarcações cruzaram contra 8 no dia anterior. O dado de tráfego de Ormuz é o termômetro mais real do conflito — e está piscando vermelho. Mesmo com as negociações EUA-Irã avançando, os houthis (que não fazem parte do acordo) têm poder de paralisar o tráfego independentemente
  • Ucrânia ataca refinarias russas — pressão adicional sobre o fornecimento de diesel: as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos estão entre as maiores da Rússia. Os ataques ucranianos reduzem a capacidade de refino russa — o que, combinado com o veto russo à exportação de diesel, amplifica o choque de oferta que mantém o diesel brasileiro em −53%
  • Gasolina mantida em −24% — a defasagem mais baixa desde março: a leitura de hoje (referência ao dia 05/08) confirma o movimento positivo. Com o Brent oscilando entre US$ 79 e US$ 82, a gasolina deve se manter em torno de −20% a −25% nas próximas leituras — a faixa em que o encerramento do subsídio começa a ser tecnicamente discutível
  • Selic em 14% — o menor patamar desde março de 2025: o corte do Copom ontem entrega o menor nível da Selic em mais de um ano. Para o investidor, a Selic em queda com gasolina em −24% e IPCA-15 em +0,06% é o ambiente mais favorável para ativos de risco domésticos desde o início do conflito — desde que o Brent se mantenha comportado
  • Ouro em nova máxima histórica — US$ 4.334 a onça: o ouro continua sua trajetória de alta estrutural, impulsionado pela incerteza geopolítica global, pelo sell-off nos Treasuries e pela demanda de bancos centrais de economias emergentes. Para o investidor brasileiro, o ouro em máxima histórica é o sinal mais claro de que o mercado não acredita que o conflito global acabou
📌 Leitura do Radar — Pós-Copom: o Radar de hoje tem uma leitura de equilíbrio instável — dois verdes (gasolina em −24%, Selic cortada) e dois amarelos (diesel em −53%, Brent com Ormuz instável). O colapso do tráfego em Ormuz para 2 navios é o dado mais preocupante — revela que os houthis podem sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o ciclo de cortes do Copom, o determinante mais importante nas próximas semanas será o Brent: se se mantiver abaixo de US$ 82, a convergência das defasagens continua e o caminho para setembro fica aberto.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Copom / Selic / ComunicadoPolítica Monetária Brasil
Copom corta Selic para 14% com postura neutra — próximos passos dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação
O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% em reunião encerrada ontem — 4º corte consecutivo de 0,25 pp, menor patamar desde março de 2025. O comunicado citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal. A magnitude do próximo corte ficará definida pelos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
Contexto: O comunicado neutro foi a escolha correta num ambiente de Ormuz instável e Fed hawkish — mas frustrou quem esperava sinalização explícita de novos cortes. Para o mercado, a mensagem é: o ciclo continua, mas em velocidade definida pelos dados. Petróleo, inflação e Fed serão os três termômetros para a reunião de setembro.

02
Ormuz / Houthis / TráfegoConflito — Dado Crítico
Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito
Apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, segundo dados da consultoria Kpler. O ataque houthi a um petroleiro saudita no Mar Vermelho foi o gatilho. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações diretas. O memorando de 60 dias de junho segue como referência formal — mas os houthis não são parte do acordo.
Contexto: 2 navios em Ormuz é o número mais baixo registrado desde o início do conflito — um colapso logístico que mostra que os houthis têm poder de sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o Brent, é um floor: mesmo com as negociações avançando, os houthis mantêm o risco de perturbação do tráfego marítimo independentemente.

03
China / EUA / ContramedidasComércio Global
China lança maior pacote de contramedidas comerciais desde outubro — sanciona 7 empresas americanas e restringe exportação de drones
A China proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportações de drones aos EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos — seu mais amplo pacote de contramedidas desde a trégua de outubro. As medidas são a primeira retaliação à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo mas reversível” às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês.
Contexto: As contramedidas chinesas são um sinal de que Pequim está elevando o custo de conformidade para empresas americanas — mas mantendo as sanções reversíveis para usar como moeda de negociação na visita de Xi. Para o Brasil, a tensão EUA-China é um cenário de dupla oportunidade: mais demanda chinesa por commodities brasileiras e mais pressão sobre Washington para diversificar fornecedores.

04
Lula / Trump / DiplomaciaDiplomacia Brasil-EUA
Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — possível desescalada da crise do visto da embaixadora
Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na próxima semana, em possível movimento para desescalar a crise diplomática aberta pela revogação do visto da embaixadora brasileira. O governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil. Lula também retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF — sinalizando que busca estabilização em múltiplas frentes simultaneamente.
Contexto: Uma conversa Lula-Trump antes das eleições seria o desfecho mais construtivo para a crise diplomática — e o timing antes do 15 de agosto (início do período eleitoral) é estratégico. Para o mercado, a desescalada reduziria o risco de sanções adicionais que poderiam pressionar o dólar e os ativos brasileiros no pré-eleitoral.

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Ucrânia / Rússia / RefinariasEnergia Global
Ucrânia ataca duas das maiores refinarias da Rússia — Slavneft-Yanos e Bashneft-Novoil a centenas de km da fronteira
Drones ucranianos de longo alcance atingiram a Bashneft-Novoil (Bashkortostan) e a Slavneft-Yanos (Yaroslavl) — uma das maiores refinarias da Rússia. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da frota fantasma russa e quatro empresas de metais estratégicos.
Contexto: Ataques a refinarias russas afetam diretamente a capacidade de produção de diesel — o produto mais crítico para o Brasil neste momento, com defasagem ainda em −53%. Se os ataques reduzirem a capacidade de refino russa, o veto à exportação de diesel russo pode se tornar estrutural em vez de temporário, complicando ainda mais a convergência da defasagem mesmo com o Brent caindo.

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