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Morning Call — 11 de Agosto

Morning CallTerça-feira, 11 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespaestável 172.180 pts
Dólar+0,53% R$ 5,1106
S&P Fut.−0,01%
Bitcoin+0,25% US$ 64.098

Trump escalou o discurso sobre Ormuz — disse ter “controle total” da via e defendeu que o Irã pague reparações aos EUA, invertendo o pedido inicial iraniano. Teerã insiste que o estreito segue fechado até o fim do bloqueio naval americano. O Brent sobe 2,4% para US$ 89,85 e as defasagens de combustíveis pioram: diesel bate −70%, novo recorde. Hoje sai a ata do Copom, com detalhes do corte para 14%.

Internacional
Panorama Global

🛡️ Trump diz ter “controle total” de Ormuz e defende que Irã pague reparações aos EUA: o presidente americano afirmou que a Marinha já retirou minas do Estreito e classificou a postura americana de “muralha de aço”. Em publicação no Truth Social, disse que a cobrança iraniana por indenizações de guerra lhe deu “uma ideia interessante” — a de que o Irã compense os EUA, e não o contrário. Autoridades iranianas insistem que o estreito seguirá fechado até que Washington encerre o bloqueio naval.
Brent2,43%US$ 89,85 — retórica escala
Nikkei2,08%Japão — destaque do dia
Treasury 10a4,733%↑ de 4,698%
Ouro0,24%US$ 4.430 — nova máxima

🛢️ EUA estendem suspensão de lei de cabotagem — estoques de petróleo no menor nível em 4 décadas: o governo Trump ampliou a isenção da lei que restringe transporte de cargas entre portos americanos a navios dos EUA, tentando aumentar o fluxo de combustíveis. A medida veio após dados mostrarem estoques de petróleo bruto no menor patamar em mais de 40 anos — evidência da pressão real que o bloqueio prolongado de Ormuz exerce sobre o mercado americano.
  • Zelensky alerta que Putin prepara escalada — cita uso de equipamentos norte-coreanos, aumento da produção de mísseis balísticos russos e planos de mobilização; pediu reforço de sanções e defesa aérea aos parceiros de Kiev
  • EUA aceitam consultas na OMC sobre as tarifas ao Brasil — governo americano respondeu ao pedido brasileiro e disponibilizou representantes para conversar em data conveniente às duas partes
  • China quer se juntar ao Brasil na ação contra os EUA na OMC — sinaliza alinhamento estratégico entre os dois países diante da política tarifária americana

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (seg)estável172.180 pts — teste técnico
Dólar (seg)0,53%R$ 5,1106
Defasagem gas.40%Abicom · 11/08 — piora forte
Defasagem diesel70%Abicom · 11/08 — novo recorde

🏦 Ata do Copom sai hoje — mercado busca sinalização sobre os próximos passos da Selic: o documento deve detalhar a decisão de cortar a taxa básica para 14% ao ano e, segundo analistas, pode indicar o ritmo dos próximos movimentos. O Ibovespa ficou contido ontem pela cautela que antecede a divulgação de dados de inflação no Brasil e nos EUA, além da escalada do petróleo no exterior.
Defasagens disparam — diesel bate −70%, gasolina salta para −40%: mesmo com o subsídio ativo, a Petrobras mantém defasagem relevante na venda de combustíveis. Silveira admitiu que o governo pode buscar nova estratégia para manter o subsídio diante da escalada do petróleo. O decreto para abrir o mercado livre de energia deve sair até a próxima semana, segundo o ministro.
  • Governo fica sem verba para pagar R$ 105,5 bilhões em despesas — Saúde e Educação são as pastas mais afetadas, evidenciando o aperto fiscal em meio à despesa financeira de R$ 149 bi no 1º semestre
  • Focus reduz projeções para IPCA e PIB de 2026 — expectativa para inflação em 2027 e 2028 é mantida pela segunda semana consecutiva, sinal de ancoragem nas projeções de médio prazo
  • Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula — movimento político relevante que pode facilitar a articulação do governo na Câmara em meio à “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti

Corporativo
Empresas em Destaque

  • BTG Pactual (BPAC11): resultado recorde no 2T26 — receita total de R$ 10,4 bilhões (+16% a/a), lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões (+23% a/a) e ROAE de 26,7%. Captação líquida de R$ 59 bilhões no trimestre, encerrando com R$ 2,7 trilhões em ativos sob gestão.
  • Natura &Co (NTCO3): lucro líquido de apenas R$ 35 milhões no 2T26 — queda de 92% ante os R$ 446 milhões do ano anterior, afetado por custos com liquidação de derivativos e base de comparação desfavorável.
  • JBS (JBSS3): registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2T26, revertendo o lucro de US$ 528 milhões do ano anterior — primeiro prejuízo da companhia em 11 trimestres, desde antes da listagem na NYSE.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A retórica de Trump sobre Ormuz deu uma guinada notável: de negociar reabertura para exigir reparações do Irã. É uma inversão que dificilmente aproxima as partes de um acordo — e o mercado reagiu com o Brent subindo para US$ 89,85, o maior nível em quase duas semanas. O efeito colateral doméstico é imediato e severo: a defasagem do diesel bateu −70%, novo recorde absoluto, e a gasolina saltou para −40%, mesmo com o subsídio ativo. Silveira já sinaliza que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar esse subsídio caso o petróleo continue subindo. Segundo o research do BTG Pactual, o evento mais importante do dia para o investidor brasileiro é doméstico: a ata do Copom, que deve detalhar o raciocínio por trás do corte para 14% e sinalizar o ritmo dos próximos passos. O contexto é favorável para uma leitura moderadamente dovish — o Focus já reduziu as projeções de IPCA e PIB para 2026, com as expectativas de 2027 e 2028 mantidas estáveis pela segunda semana, sinal de ancoragem. Mas o Brent subindo e as defasagens batendo recorde são o contraponto que pode limitar o otimismo do mercado com o ritmo do ciclo de cortes. A pergunta central da semana: o Copom vai continuar sinalizando cortes com a mesma convicção diante de um cenário externo que piora a cada dia — ou o comunicado de hoje trará sinais de maior cautela?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel70%Abicom · 11/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina40%Abicom · 11/08 — piora forte
BrentUS$ 89,85+2,43% — maior em 2 semanas
Focus IPCA 2026Reduzido2ª semana de ancoragem em 27/28

  • Diesel bate −70% — novo recorde absoluto de toda a crise: a escalada retórica de Trump sobre Ormuz, somada ao bloqueio naval que já dura mais de 5 meses, elevou o Brent e piorou drasticamente a defasagem. Mesmo com o subsídio, a Petrobras mantém desalinhamento relevante na venda de combustíveis
  • Gasolina salta para −40% (de −29% na leitura anterior) — a maior piora em uma única leitura desde o início de agosto. Silveira já admite que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar o subsídio se o petróleo continuar subindo
  • Brent em US$ 89,85 — maior nível em quase duas semanas: a virada retórica de Trump, que passou de buscar acordo para exigir reparações do Irã, afasta as partes de uma solução negociada e mantém o prêmio de risco elevado no petróleo
  • Focus mantém IPCA 2027/2028 estável pela 2ª semana — sinal de ancoragem: mesmo com a piora do cenário de curto prazo (petróleo, defasagens), as expectativas de médio prazo permanecem estáveis — o mercado ainda não vê contaminação estrutural apesar do choque de oferta recorrente
📌 Leitura do Radar: a pior leitura de defasagens desde o início da crise — diesel em −70% e gasolina em −40%, ambos piorando com força. O Brent voltando a subir por causa de retórica (não de fatos concretos no terreno) é o dado mais preocupante: sugere que o mercado de petróleo segue extremamente sensível a declarações políticas, sem uma trajetória estável. A ata do Copom hoje será testada contra esse pano de fundo mais desafiador.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Ormuz / Trump / ReparaçõesGeopolítica — Guinada Retórica
Trump diz ter “controle total” de Ormuz e defende que Irã pague reparações aos EUA
Trump afirmou que a Marinha americana já retirou minas do Estreito e classificou a postura dos EUA de “muralha de aço”. Em publicação no Truth Social, disse que a cobrança iraniana por indenizações lhe deu a ideia de que o Irã deveria compensar os EUA, e não o contrário. Teerã insiste que o estreito seguirá fechado até o fim do bloqueio naval americano.
Contexto: a inversão do pedido de reparações — de “Irã cobra dos EUA” para “EUA cobram do Irã” — é retoricamente hostil e afasta qualquer sinalização de acordo próximo. Para o petróleo, é o tipo de declaração que eleva o prêmio de risco sem mudar nada no terreno — exatamente o padrão que tem caracterizado esse conflito nos últimos meses.

02
Defasagem / CombustíveisInflação — Recorde
Defasagem do diesel bate −70%, recorde absoluto; gasolina salta para −40%
A Abicom registrou defasagem de −70% para o diesel e −40% para a gasolina na leitura de hoje — pioras fortes em relação às leituras anteriores. Mesmo com o subsídio ativo, a Petrobras mantém desalinhamento na venda de combustíveis. Silveira sinalizou que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar o subsídio.
Contexto: é a pior leitura conjunta de defasagens desde o início da crise. Com o Brent subindo por razões retóricas (não por fundamentos de oferta/demanda), a trajetória fica mais imprevisível — dificultando o planejamento fiscal do governo sobre até quando sustentar o subsídio.

03
BTG Pactual / Resultado 2TCorporativo — Recorde
BTG Pactual registra novo trimestre recorde — lucro de R$ 5,1 bilhões e ROAE de 26,7%
O BTG Pactual reportou receita total de R$ 10,4 bilhões (+16% a/a) e lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões (+23% a/a) no 2T26, com ROAE de 26,7%. Captação líquida de R$ 59 bilhões no trimestre elevou o AuM/WuM a R$ 2,7 trilhões. No semestre, receitas somaram R$ 20,4 bilhões (+24%) e lucro ajustado, R$ 10,0 bilhões (+31%).
Contexto: o resultado confirma a resiliência da plataforma diversificada do BTG mesmo em ambiente de juros altos e volatilidade — a captação de R$ 59 bi no trimestre é particularmente relevante, mostrando que o banco segue atraindo capital apesar da incerteza macro doméstica e externa.

04
Copom / Ata / SelicPolítica Monetária Brasil
Ata do Copom sai hoje — mercado busca sinalização sobre o ritmo dos próximos cortes
O documento deve detalhar a decisão de reduzir a Selic para 14% ao ano e, segundo analistas, pode indicar os próximos passos do ciclo. A divulgação ocorre em meio a cautela do mercado — Ibovespa ficou contido ontem entre a escalada do petróleo e a expectativa por dados de inflação no Brasil e nos EUA.
Contexto: a ata é o evento doméstico mais aguardado da semana. Com o Focus mantendo as projeções de 2027/2028 estáveis mas o cenário de curto prazo piorando (petróleo, defasagens), o tom da ata — mais dovish ou mais cauteloso — vai definir a precificação da curva de juros nos próximos dias.

05
JBS / Natura / ResultadosCorporativo — Resultados Fracos
JBS tem primeiro prejuízo em 11 trimestres; Natura vê lucro cair 92% no 2T
A JBS registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2T26, revertendo o lucro de US$ 528 milhões do ano anterior — primeiro resultado negativo em 11 trimestres. A Natura encerrou o período com lucro de apenas R$ 35 milhões, queda de 92% ante os R$ 446 milhões do ano anterior, afetada por custos com liquidação de derivativos e base de comparação desfavorável.
Contexto: os dois resultados fracos, em setores diferentes (proteínas e consumo), sugerem pressão de custos e câmbio afetando margens de forma disseminada — tema que o mercado vai monitorar na temporada de balanços que ainda está em curso, especialmente à luz do dólar voltando a subir.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 10 de Agosto

Morning CallSegunda-feira, 10 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−1,73% 172.513 pts
Dólar−0,46% R$ 5,0835
S&P Fut.+0,14%
Bitcoin+0,02% US$ 65.165

O payroll de julho veio muito abaixo do esperado — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil, leitura claramente dovish para o Fed. No Oriente Médio, o Irã diz estar perto de fechar acordo com Omã sobre rotas em Ormuz, mas mantém condições para negociar com Washington. Houthis atacaram a refinaria de Jazan da Aramco, dois dias após a Arábia Saudita assinar pacto de defesa com Turquia e Paquistão. O Ibovespa fechou a semana em queda de 3,08%.

Internacional
Panorama Global

📉 Payroll de julho decepciona — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil: a revisão negativa conjunta de 103 mil vagas em maio e junho reforça o quadro de desaceleração — a média móvel de 3 meses caiu para cerca de 20 mil e a de 6 meses para 44 mil. A fraqueza se concentrou no setor público (−53 mil), enquanto o privado criou apenas 30 mil postos, também abaixo do consenso. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas por queda na oferta de mão de obra, não por criação de vagas. Leitura dovish para o Fed — mas analistas alertam que não é suficiente sozinha para tirar a alta de juros da mesa em setembro.
S&P 5000,14%Futuro
Nikkei2,08%Japão — destaque do dia
Brent1,05%US$ 84,43 — Ormuz segue bloqueado
Treasury 10a4,657%↑ leve apesar do payroll fraco

🏭 Houthis atacam refinaria de Jazan da Aramco — Arábia Saudita assina pacto de defesa com Turquia e Paquistão: o grupo alinhado ao Irã reivindicou o ataque; o Ministério de Energia saudita informou que o incêndio foi extinto sem feridos. O ataque ocorreu dois dias depois de a Arábia Saudita assinar pacto de defesa mútua com Turquia e Paquistão — prevendo que um ataque a qualquer um dos três seja tratado como ataque a todos. O bloqueio naval americano a Ormuz já dura mais de cinco meses; o CENTCOM redirecionou 55 embarcações e abordou outras.
  • Irã diz estar perto de fechar acordo com Omã sobre novas rotas de navegação em Ormuz — mas mantém condições (compensação financeira, fim de sanções) antes de negociar diretamente com Washington
  • Sunrise Energy Metals dispara 16% após garantir financiamento de US$ 400 milhões dos EUA para a primeira mina primária de escândio do mundo — parte do esforço global para reduzir dependência da China em terras raras
  • ‘Payroll’ fraco não basta para tirar alta de juros da mesa no Fed — Hassett confirma que Trump conversa com Warsh sobre economia, mas nega intromissão direta nos juros

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (sex)1,73%172.513 pts · semana −3,08%
Dólar (sex)0,46%R$ 5,0835 · semana +0,27%
Defasagem gas.−29%Abicom · 07/08 — melhora
Defasagem diesel−58%Abicom · 07/08 — leve piora

📊 Ibovespa cai 1,73% na sexta e acumula −3,08% na semana — balanços fracos ofuscam payroll dovish: mesmo com o payroll mais fraco que o esperado nos EUA (normalmente positivo para emergentes), o Ibovespa destoou dos demais ativos domésticos, pressionado por balanços corporativos fracos e por rotação global para ações de tecnologia. O volume financeiro somou R$ 21 bilhões no Ibovespa — sem gatilhos capazes de atrair fluxo consistente para a bolsa brasileira.
  • BC cria regra para reter operações de criptos acima de US$ 10 mil por 24h — medida cautelar contra fraudes em operações para o exterior ou carteiras autocustodiadas, válida a partir de 1º de janeiro de 2027
  • Bancos descartam aval a empréstimo para salvar o BRB sem participação do Tesouro — impasse que se arrasta e amplia o risco de uma solução mais onerosa aos cofres públicos
  • Plano de governo de Lula promete manter arcabouço fiscal e controlar inflação — sinalização early de campanha que o mercado vai monitorar de perto diante da “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Iguatemi (IGTI11): fechou acordo vinculante para vender participações minoritárias em cinco ativos à gestora TRX por R$ 876,1 milhões — inclui fatias do Iguatemi Alphaville, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Praia de Belas e I Fashion Outlet Novo Hamburgo.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O payroll fraco de sexta-feira deveria ter sido uma boa notícia para os ativos brasileiros — juros americanos mais dovish normalmente favorecem o diferencial de taxas e o fluxo para emergentes. Mas o Ibovespa fez o oposto: caiu 1,73% na sexta e fechou a semana com −3,08%, destoando dos demais mercados. A leitura correta é que o problema não é externo — é doméstico: balanços corporativos fracos e a ausência de um catalisador local capaz de atrair fluxo, num momento em que a “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti e as ameaças de escalada diplomática dos EUA já pesavam sobre o sentimento. No Oriente Médio, o quadro segue de impasse controlado: o Irã sinaliza proximidade de um acordo com Omã sobre as rotas de Ormuz, mas mantém pré-condições para voltar à mesa com Washington, enquanto os houthis atacam a Aramco e a Arábia Saudita busca blindagem via pacto de defesa com Turquia e Paquistão — sinal de que a região se prepara para uma convivência prolongada com a instabilidade, não para uma resolução iminente. Para o investidor, a semana que começa tem dois fios a monitorar: os dados de inflação nos EUA e no Brasil, que vão testar se o payroll fraco realmente muda a trajetória do Fed, e se o Ibovespa consegue achar algum catalisador doméstico que reverta a pior semana em meses — ou se o mercado brasileiro seguirá descolado mesmo com ventos externos mais favoráveis.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Gasolina29%Abicom · 07/08 — melhora vs. −24%
Defasagem Diesel58%Abicom · 07/08 — leve piora
BrentUS$ 84,43+1,05% — Ormuz ainda bloqueado
Payroll EUA−23 milDovish para o Fed

  • Gasolina melhora para −29% (de −24%) — apesar do Brent subindo, a defasagem melhorou na leitura de sexta-feira, refletindo o comportamento do petróleo nos dias anteriores
  • Diesel piora levemente para −58% (de −56%) — o insumo mais crítico para o Brasil segue pressionado pelo bloqueio prolongado de Ormuz e pelo veto russo à exportação
  • Brent sobe para US$ 84,43 com bloqueio naval ainda em vigor — o CENTCOM já redirecionou 55 embarcações comerciais e abordou outras para garantir o cumprimento do próprio bloqueio americano, que já dura mais de cinco meses e afeta um quarto do comércio marítimo de petróleo
  • Payroll fraco é dovish para o Fed, mas mercado não descarta alta em setembro — o dado isolado não é suficiente para mudar a função de reação, especialmente com o CPI desta semana no radar como próximo teste decisivo
📌 Leitura do Radar — abertura de semana: sinais mistos nos combustíveis (gasolina melhora, diesel piora) refletem um Brent que voltou a subir com o bloqueio de Ormuz sem data para acabar. O payroll fraco nos EUA é o dado mais construtivo da manhã — mas o CPI americano e o IPCA brasileiro desta semana serão os verdadeiros testes de trajetória, tanto para o Fed quanto para o Copom.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Payroll / Fed / EUAPolítica Monetária — Dado Dovish
Payroll de julho decepciona — corte de 23 mil vagas contra expectativa de +80 mil
O payroll de julho mostrou corte de 23 mil vagas, muito abaixo do consenso de +80 mil, com revisão negativa conjunta de 103 mil vagas em maio e junho. A fraqueza se concentrou no setor público (−53 mil); o privado criou apenas 30 mil postos. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, mas por menor oferta de mão de obra, não por criação de vagas.
Contexto: a leitura é claramente dovish, mas analistas avisam que um único dado fraco não tira a hipótese de alta em setembro da mesa — o CPI desta semana será o próximo teste decisivo para a trajetória do Fed.

02
Ormuz / Bloqueio / IrãGeopolítica — Impasse Prolongado
Bloqueio naval dos EUA a Ormuz completa 5 meses — Irã diz estar perto de acordo com Omã, mas mantém condições
O CENTCOM redirecionou 55 embarcações comerciais e abordou outras para garantir o bloqueio que os próprios EUA impõem a Ormuz. O Irã afirmou estar perto de fechar acordo com Omã sobre novas rotas de navegação, mas exige compensação financeira e fim de sanções antes de negociar diretamente com Washington. Mensagens seguem sendo trocadas por intermediários.
Contexto: a rota afeta um quarto do comércio marítimo global de petróleo e um quinto do GNL mundial. Um acordo via Omã sem envolvimento direto de Washington seria uma solução parcial — resolveria a navegação, mas não a tensão bilateral EUA-Irã de fundo.

03
Houthis / Aramco / Arábia SauditaConflito Regional
Houthis atacam refinaria de Jazan da Aramco — Arábia Saudita assina pacto de defesa com Turquia e Paquistão
Os houthis, alinhados ao Irã, reivindicaram o ataque à refinaria de Jazan; o incêndio foi extinto sem feridos, segundo o Ministério de Energia saudita. O ataque ocorreu dois dias após a Arábia Saudita assinar pacto de defesa mútua com Turquia e Paquistão, prevendo que um ataque a qualquer um dos três seja tratado como ataque a todos.
Contexto: o pacto de defesa é o sinal mais concreto de que a Arábia Saudita está se blindando para uma convivência prolongada com a instabilidade regional, não esperando resolução rápida. Para o petróleo, mantém o prêmio de risco geopolítico elevado independentemente do desfecho das negociações EUA-Irã.

04
Ibovespa / Fluxo / BalançosMercado Doméstico
Ibovespa cai 1,73% na sexta e acumula −3,08% na semana — pior desempenho em meses, mesmo com payroll dovish
O Ibovespa destoou dos demais ativos domésticos e recuou 1,73% na sexta, pressionado por balanços corporativos fracos e rotação global para tecnologia — mesmo com o payroll fraco nos EUA, normalmente favorável a emergentes. Volume financeiro de R$ 21 bilhões, sem gatilhos capazes de atrair fluxo consistente.
Contexto: o descolamento do Ibovespa em relação a um cenário externo mais favorável é o sinal mais preocupante da semana — sugere que fatores domésticos (fiscal, balanços, risco diplomático) estão pesando mais que o ambiente global no humor dos investidores locais.

05
Terras Raras / Escândio / EUAMinerais Críticos
Sunrise Energy Metals dispara 16% após garantir US$ 400 milhões dos EUA para mina de escândio
A mineradora australiana Sunrise Energy Metals teve ações disparando até 29% intradia, fechando com alta de mais de 16%, após garantir financiamento de longo prazo de US$ 400 milhões do Departamento de Guerra dos EUA para desenvolver a primeira mina primária de escândio do mundo — parte do esforço para reduzir a dependência da China, que controla quase 70% da mineração global de terras raras.
Contexto: o investimento direto de uma agência de defesa americana em mineração civil é um sinal do quanto a segurança de minerais críticos virou prioridade estratégica. Para o Brasil, com reservas relevantes de terras raras ainda pouco exploradas, é um lembrete do potencial não capturado nesse mercado em rápida reconfiguração geopolítica.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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Morning Call — 7 de Agosto

Morning CallSexta-feira, 7 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−1,23% 175.546 pts
Dólar−0,41% R$ 5,1070
S&P Fut.+0,10%
Bitcoin+0,36% US$ 64.609

Sexta-feira decisiva com o payroll de julho dos EUA ainda pela manhã. O Irã acusou Trump de fazer “diplomacia de teatro” — Teerã nega negociações em andamento, dias depois de Trump dizer que os contornos de um acordo já estavam definidos. A Petrobras reportou lucro recorde de R$ 52,4 bilhões no 2T, alta de 96,8% na comparação anual. China surpreendeu com exportações +23,9% em julho, mesmo sob tensão comercial crescente com os EUA.

Internacional
Panorama Global

🎭 Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre as negociações: o presidente do Parlamento iraniano, Ghalibaf, negociador-chefe do país, acusou Trump de encenação, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos com Teerã. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã para Ormuz, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar a via.
S&P 5000,10%Futuro
Nasdaq0,32%Futuro
Brent0,15%US$ 82,37 — Ormuz em dúvida
Ouro1,56%US$ 4.366 — nova máxima

  • EUA impõem tarifa de 15% sobre polissilício chinês — matéria-prima para painéis solares e chips, com preço mínimo de importação em vigor a partir de 4 de dezembro. Empresas que investirem em produção doméstica recebem incentivos do governo
  • China exporta +23,9% em julho (vs. +27% em junho) — desaceleração, mas acima da projeção de +22% do mercado. Resultado impulsionado pela demanda global por produtos de inteligência artificial
  • Alemanha: produção industrial surpreende com alta de 0,2% em junho — maior economia da Europa segue se esquivando dos impactos mais severos do conflito no Oriente Médio, apesar do superávit comercial encolher com importações da China +9,1%

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (qui)1,23%175.546 pts
Dólar (qui)0,41%R$ 5,1070
Defasagem gas.−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem diesel−56%Abicom · 06/08 — leve piora

⚖️ “Guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre o ajuste fiscal — e EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil: o mercado observa caminhos distintos apontados por Durigan e Moretti para o ajuste fiscal, segundo o Estadão. Simultaneamente, diplomatas americanos teriam avisado empresários que os EUA podem escalar a crise contra o Brasil — desdobramento preocupante após a revogação do visto da embaixadora. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra plano de recuperação “crível”.
  • Copom em modo “data dependent” alimenta aposta em Selic mais baixa — mercado lê o comunicado neutro como sinal de que o BC está confortável para continuar cortando se os dados colaborarem
  • Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal em meio às críticas sobre a trajetória da dívida pública acima de R$ 10 tri
  • Governo negocia medidas em favor do etanol em projeto para reduzir tributo sobre combustíveis em 2026 — contrapõe as ameaças ao etanol a 32% vindas do TCU e da Câmara

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Petrobras (PETR3/4): lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26, alta de 96,8% na comparação anual — impulsionado pela alta do petróleo e da produção recorde. Receita de vendas de R$ 169,5 bilhões (+42,3%) e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões (+79,6%).
  • Neoenergia Brasília: anunciou plano de investimentos de R$ 3,1 bilhões entre 2026 e 2030 para expansão e modernização da rede no DF — inclui 5 novas subestações e 132 km de linhas de alta tensão.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana termina com um contraste que resume bem o momento: a Petrobras reportando o melhor trimestre em anos, com lucro de R$ 52,4 bilhões, enquanto o Irã acusa Trump de encenação diplomática e o acordo sobre Ormuz segue tão distante quanto parecia próximo há poucos dias. O payroll de hoje é o evento mais aguardado da manhã — um dado forte reforça a tese de Fed hawkish (Kashkari e outros já sinalizando alta em setembro), o que pressiona o diferencial de juros justamente quando o Copom brasileiro está em modo “data dependent” e o mercado aposta em Selic ainda mais baixa. Segundo o research do BTG Pactual, o Ibovespa caindo 1,23% ontem reflete essa tensão dupla: incerteza externa sobre os juros americanos somada à “guerra fria” doméstica entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal — e as notícias sobre uma possível escalada da crise diplomática com os EUA não ajudam. As defasagens de combustíveis se estabilizaram (gasolina em −24%, diesel em −56%), mas sem o alívio adicional que se esperava com Ormuz. Para o investidor, o fim de semana chega com mais perguntas abertas do que fechadas: o payroll vai confirmar ou desafiar a hipótese de alta do Fed em setembro? E será que a “diplomacia de teatro” do Irã é retórica de barganha ou sinal de que as negociações realmente fracassaram?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Gasolina−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem Diesel56%Abicom · 06/08 — leve piora
BrentUS$ 82,37Ormuz em dúvida
Ouro4.366Nova máxima histórica

  • Gasolina estável em −24% — a leitura da Abicom de ontem confirma o patamar da véspera. Sem novidade definitiva sobre Ormuz, a defasagem se estabilizou no melhor nível do conflito, mas sem avançar mais
  • Diesel piora levemente para −56% (de −53%) — o impasse nas negociações e o veto russo à exportação seguem pressionando o produto mais crítico para o Brasil neste momento
  • Brent estável perto de US$ 82 — o mercado aguarda clareza sobre o desfecho das negociações EUA-Irã antes de precificar um novo movimento. A “diplomacia de teatro” de Ghalibaf é um sinal de que essa clareza pode demorar
  • Ouro atinge nova máxima histórica — US$ 4.366,70 a onça, alta de 1,56%. O metal segue como o termômetro mais confiável de que o mercado não vê o conflito global como resolvido, mesmo com o petróleo relativamente estável
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: as defasagens de combustíveis pararam de melhorar — gasolina estabilizou em −24% e diesel piorou levemente para −56%. O Brent parado em torno de US$ 82 reflete a incerteza sobre Ormuz. O payroll de hoje e o desfecho (ou não) das negociações EUA-Irã são os dois eventos que vão definir se a semana que vem retoma a trajetória de convergência ou se estaciona no patamar atual.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Petrobras / Resultado 2TCorporativo — Recorde
Petrobras reporta lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26 — alta de 96,8% na comparação anual
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, impulsionado pela alta do petróleo e da produção. A receita de vendas somou R$ 169,5 bilhões (+42,3%), enquanto o Ebitda ajustado cresceu 79,6%, para R$ 93,8 bilhões, na mesma base de comparação.
Contexto: o resultado captura o melhor momento do ciclo — petróleo elevado e produção recorde simultaneamente. Para o investidor, o desafio agora é a sustentabilidade: se as negociações EUA-Irã resultarem em acordo e o Brent cair, o próximo trimestre dificilmente repete esse patamar de lucro.

02
Irã / EUA / NegociaçãoGeopolítica — Impasse
Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre acordo em Ormuz
O negociador-chefe do Irã, Ghalibaf, acusou Trump de encenação diplomática, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar Ormuz.
Contexto: a acusação pública de “teatro” é um sinal de deterioração na confiança entre as partes — mais grave que um simples desmentido. Para o petróleo, mantém o prêmio de risco de Ormuz aceso pelo menos até a próxima sinalização concreta de uma das partes.

03
Fiscal / Durigan / MorettiPolítica Econômica Brasil
Mercado vê “guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre caminhos distintos para o ajuste fiscal
O Estadão relata que o mercado percebe divergência entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra um plano de recuperação “crível”. Durigan também afirmou que o aumento da dívida pública decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal.
Contexto: divergências públicas entre membros da equipe econômica em ano eleitoral tendem a ser lidas pelo mercado como sinal de falta de coordenação — o que pode pressionar o prêmio de risco fiscal justamente no momento em que a dívida já está no maior custo em 10 anos.

04
EUA / Brasil / DiplomaciaCrise Diplomática
EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil, segundo diplomatas americanos a empresários
Diplomatas americanos teriam avisado empresários que os Estados Unidos podem escalar a crise contra o Brasil, segundo o Estadão. A informação chega dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington — e antes da conversa que Lula sinalizou buscar com Trump na semana que vem.
Contexto: se confirmada, uma escalada adicional dificultaria a tentativa de Lula de desescalar a crise diplomaticamente. Para o mercado, o risco de novas sanções ou restrições comerciais antes das eleições é o principal fator de instabilidade cambial no curto prazo.

05
China / Exportações / ComércioEconomia Global
Exportações chinesas crescem 23,9% em julho, acima da projeção, impulsionadas pela demanda por IA
As exportações da China cresceram 23,9% em julho na comparação anual, desacelerando frente aos 27% de junho, mas superando a projeção de 22% dos economistas. O resultado foi puxado pela demanda global aquecida por produtos ligados à inteligência artificial, mesmo com as novas tensões comerciais com os EUA (incluindo a tarifa sobre polissilício anunciada ontem).
Contexto: a resiliência das exportações chinesas, mesmo sob pressão tarifária crescente, sugere que a demanda global por tecnologia de IA está criando um contrapeso à guerra comercial. Para o Brasil, uma China exportando forte tende a manter a demanda por commodities industriais aquecida.

Amare Private Invest

Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
Para orientações personalizadas, fale com seu assessor.

Morning Call — 6 de Agosto

Morning CallQuinta-feira, 6 de agosto de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

O Copom cortou a Selic para 14% ontem — mas o comunicado foi deliberadamente ambíguo, sem sinalizar o próximo passo. Enquanto isso, o tráfego em Ormuz colapsou para 2 navios (ante 8 na véspera), a Ucrânia atacou duas refinarias russas e a China lançou seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro. O BC brasileiro optou por cautela: o ciclo continua, mas em velocidade a ser definida pelos dados.

🌐

Panorama GlobalInternacional

🚢 Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito: apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, após o grupo houthi do Iêmen atacar um petroleiro saudita. O colapso do tráfego ocorre exatamente quando as negociações EUA-Irã pareciam avançar — e revela que o conflito tem múltiplos atores além dos dois protagonistas. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações em andamento com Washington.
S&P 500+0,14%Futuro
Nasdaq−0,48%Futuro — realização em tech
Kospi−4,58%Coreia do Sul
DAX+0,17%Alemanha
Brent+0,37%US$ 79,74 — escala de Ormuz pressiona
WTI+0,28%US$ 75,43
Treasury 10a4,625%↑ leve
Ouro+0,67%US$ 4.334 — máxima histórica

🇺🇦 Ucrânia ataca duas refinarias russas — Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos, a centenas de km da fronteira: drones de longo alcance ucranianos atingiram duas das maiores refinarias da Rússia — a Slavneft-Yanos, em Yaroslavl, é uma das maiores do país. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da “frota fantasma” e quatro empresas de metais estratégicos russos.
  • China lança seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro — proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportação de drones para os EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos. As medidas são a primeira retaliação chinesa à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo” mas “reversível” — às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês
  • Kashkari (Fed) diz que “chegou o momento de elevar os juros gradualmente” — e Cook (Fed) diz estar “preparada para subir juros, se necessário”. Dois membros do Fed sinalizando alta reforça a leitura de que o ciclo de afrouxamento americano está longe de começar
  • Memorando EUA-Irã de junho ainda em vigor: o vice-chanceler iraniano confirmou que o acordo de 60 dias (reabertura de Ormuz sem tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano) segue como referência — mas os houthis, que não são parte do acordo, estão sabotando o tráfego independentemente

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qua)−0,11%177.697 pts — volátil
Dólar (qua)−0,06%R$ 5,1281 — quase estável
Selic14,00%↓ de 14,25% — Copom cortou
Defasagem gas.−24%Abicom · 05/08 — melhor do conflito

🏦 Copom cortou Selic para 14% com comunicado neutro — próximos passos em aberto, dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação: o 4º corte consecutivo de 0,25 pp levou a Selic ao menor patamar desde março de 2025. O comunicado foi deliberadamente ambíguo: o BC citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem de expectativas), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal doméstico. A magnitude do próximo corte ficará a cargo dos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
🇺🇸🇧🇷 Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — e retoma diálogo com Alcolumbre mediado pelo Supremo: após a crise com a revogação do visto da embaixadora, Lula sinaliza que buscará Trump pessoalmente na próxima semana — movimento que pode desescalar a crise diplomática antes que ela se aprofunde. No plano doméstico, Lula retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF, e o governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil.
  • Lula sanciona piso do frete e veta anistia aos caminhoneiros de 2022 — medida que equilibra a relação com o setor de transporte que está diretamente afetado pela defasagem do diesel em −53%, sem conceder anistia política que beneficiaria o movimento bolsonarista de 2022
  • Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 (estudo) — dado que contextualiza a pressão sobre o consumo privado num ambiente de juros altos e inflação acima da meta. O governo prevê Imposto Seletivo sobre bets, mas deve adiar por temor de impacto eleitoral
  • MP junto ao TCU contesta o aumento de etanol na gasolina — nova ameaça ao etanol a 32%, que junto com o projeto de Kicis na Câmara mostra que o único amortecedor de custo zero dos combustíveis está sendo contestado em múltiplas frentes institucionais

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Eneva (ENEV3): a termelétrica Azulão I (295 MW) inicia operação comercial hoje — timing perfeito com o tráfego de Ormuz colapsando e a pressão sobre o sistema elétrico do El Niño. Receita fixa anual de R$ 278,3 milhões por 15 anos, reajustada pelo IPCA.
  • Auren Energia (AURE3): cadastrou projetos para o leilão de baterias de dezembro — sinaliza interesse em armazenamento de energia, segmento estratégico para compensar a intermitência das renováveis no contexto do El Niño.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado — Pós-Copom
Baseado no Research BTG Pactual

O Copom entregou o corte esperado — mas não entregou o comunicado que o mercado queria. Ao deixar os próximos passos “em aberto” e citar explicitamente petróleo, juros nos EUA e inflação como determinantes do ciclo, o BC jogou a decisão de setembro de volta para os dados. Segundo o research do BTG Pactual, a leitura correta do comunicado é de um BC que está confortável cortando, mas que não quer se comprometer com velocidade num ambiente de Ormuz instável — e com razão. O colapso do tráfego em Ormuz para apenas 2 navios ontem (de 8 na véspera), causado pelos houthis, mostra que o conflito tem camadas que vão além das negociações EUA-Irã. O memorando de 60 dias de junho pode estar em vigor formalmente, mas os atores regionais — houthis, milícias iraquianas, Rússia via diésel — continuam criando perturbações. Para o investidor, o pós-Copom tem três vetores simultâneos: a Selic em 14% abre espaço para ativos de risco domésticos; o Brent em US$ 79 com Ormuz instável mantém o risco de alta do petróleo vivo; e a China escalando contramedidas comerciais eleva o risco de uma nova rodada de tensão global antes da visita de Xi a Washington. O comunicado neutro do Copom foi a resposta correta a esse ambiente — e o mercado que esperava “porta aberta explícita” precisará se ajustar a uma condução mais dependente de dados.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Gasolina
−24%
Abicom · 05/08 — melhor do conflito
Defasagem Diesel
−53%
Abicom · 05/08 — ainda crítico
Brent
US$ 79,74
+0,37% — Ormuz: só 2 navios ontem
Selic
14,00%
Copom cortou 0,25 pp ontem

  • Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — o menor nível registrado desde o início do conflito: o ataque houthi a um petroleiro saudita paralisou o Estreito ontem — apenas 2 embarcações cruzaram contra 8 no dia anterior. O dado de tráfego de Ormuz é o termômetro mais real do conflito — e está piscando vermelho. Mesmo com as negociações EUA-Irã avançando, os houthis (que não fazem parte do acordo) têm poder de paralisar o tráfego independentemente
  • Ucrânia ataca refinarias russas — pressão adicional sobre o fornecimento de diesel: as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos estão entre as maiores da Rússia. Os ataques ucranianos reduzem a capacidade de refino russa — o que, combinado com o veto russo à exportação de diesel, amplifica o choque de oferta que mantém o diesel brasileiro em −53%
  • Gasolina mantida em −24% — a defasagem mais baixa desde março: a leitura de hoje (referência ao dia 05/08) confirma o movimento positivo. Com o Brent oscilando entre US$ 79 e US$ 82, a gasolina deve se manter em torno de −20% a −25% nas próximas leituras — a faixa em que o encerramento do subsídio começa a ser tecnicamente discutível
  • Selic em 14% — o menor patamar desde março de 2025: o corte do Copom ontem entrega o menor nível da Selic em mais de um ano. Para o investidor, a Selic em queda com gasolina em −24% e IPCA-15 em +0,06% é o ambiente mais favorável para ativos de risco domésticos desde o início do conflito — desde que o Brent se mantenha comportado
  • Ouro em nova máxima histórica — US$ 4.334 a onça: o ouro continua sua trajetória de alta estrutural, impulsionado pela incerteza geopolítica global, pelo sell-off nos Treasuries e pela demanda de bancos centrais de economias emergentes. Para o investidor brasileiro, o ouro em máxima histórica é o sinal mais claro de que o mercado não acredita que o conflito global acabou
📌 Leitura do Radar — Pós-Copom: o Radar de hoje tem uma leitura de equilíbrio instável — dois verdes (gasolina em −24%, Selic cortada) e dois amarelos (diesel em −53%, Brent com Ormuz instável). O colapso do tráfego em Ormuz para 2 navios é o dado mais preocupante — revela que os houthis podem sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o ciclo de cortes do Copom, o determinante mais importante nas próximas semanas será o Brent: se se mantiver abaixo de US$ 82, a convergência das defasagens continua e o caminho para setembro fica aberto.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Copom / Selic / ComunicadoPolítica Monetária Brasil
Copom corta Selic para 14% com postura neutra — próximos passos dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação
O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% em reunião encerrada ontem — 4º corte consecutivo de 0,25 pp, menor patamar desde março de 2025. O comunicado citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal. A magnitude do próximo corte ficará definida pelos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
Contexto: O comunicado neutro foi a escolha correta num ambiente de Ormuz instável e Fed hawkish — mas frustrou quem esperava sinalização explícita de novos cortes. Para o mercado, a mensagem é: o ciclo continua, mas em velocidade definida pelos dados. Petróleo, inflação e Fed serão os três termômetros para a reunião de setembro.

02
Ormuz / Houthis / TráfegoConflito — Dado Crítico
Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito
Apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, segundo dados da consultoria Kpler. O ataque houthi a um petroleiro saudita no Mar Vermelho foi o gatilho. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações diretas. O memorando de 60 dias de junho segue como referência formal — mas os houthis não são parte do acordo.
Contexto: 2 navios em Ormuz é o número mais baixo registrado desde o início do conflito — um colapso logístico que mostra que os houthis têm poder de sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o Brent, é um floor: mesmo com as negociações avançando, os houthis mantêm o risco de perturbação do tráfego marítimo independentemente.

03
China / EUA / ContramedidasComércio Global
China lança maior pacote de contramedidas comerciais desde outubro — sanciona 7 empresas americanas e restringe exportação de drones
A China proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportações de drones aos EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos — seu mais amplo pacote de contramedidas desde a trégua de outubro. As medidas são a primeira retaliação à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo mas reversível” às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês.
Contexto: As contramedidas chinesas são um sinal de que Pequim está elevando o custo de conformidade para empresas americanas — mas mantendo as sanções reversíveis para usar como moeda de negociação na visita de Xi. Para o Brasil, a tensão EUA-China é um cenário de dupla oportunidade: mais demanda chinesa por commodities brasileiras e mais pressão sobre Washington para diversificar fornecedores.

04
Lula / Trump / DiplomaciaDiplomacia Brasil-EUA
Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — possível desescalada da crise do visto da embaixadora
Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na próxima semana, em possível movimento para desescalar a crise diplomática aberta pela revogação do visto da embaixadora brasileira. O governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil. Lula também retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF — sinalizando que busca estabilização em múltiplas frentes simultaneamente.
Contexto: Uma conversa Lula-Trump antes das eleições seria o desfecho mais construtivo para a crise diplomática — e o timing antes do 15 de agosto (início do período eleitoral) é estratégico. Para o mercado, a desescalada reduziria o risco de sanções adicionais que poderiam pressionar o dólar e os ativos brasileiros no pré-eleitoral.

05
Ucrânia / Rússia / RefinariasEnergia Global
Ucrânia ataca duas das maiores refinarias da Rússia — Slavneft-Yanos e Bashneft-Novoil a centenas de km da fronteira
Drones ucranianos de longo alcance atingiram a Bashneft-Novoil (Bashkortostan) e a Slavneft-Yanos (Yaroslavl) — uma das maiores refinarias da Rússia. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da frota fantasma russa e quatro empresas de metais estratégicos.
Contexto: Ataques a refinarias russas afetam diretamente a capacidade de produção de diesel — o produto mais crítico para o Brasil neste momento, com defasagem ainda em −53%. Se os ataques reduzirem a capacidade de refino russa, o veto à exportação de diesel russo pode se tornar estrutural em vez de temporário, complicando ainda mais a convergência da defasagem mesmo com o Brent caindo.

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Morning Call — 31 de Julho

Morning CallSexta-feira, 31 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🤖 IA puxa recuperação global — Kospi +17,9%, maior alta diária da história do índice: Samsung e SK Hynix recuperam parte das perdas da semana com o retorno do apetite por ações de inteligência artificial. O Kospi encerrou com +17,9% — o maior ganho diário de sua história — após cair acumulado de mais de 15% em dois pregões. O Nikkei subiu 4,03%. Os futuros americanos avançam: S&P +0,41%, Nasdaq +1,00%.
S&P 500+0,41%Futuro
Nasdaq+1,00%Futuro — IA lidera
Kospi+17,90%Maior alta diária da história
Nikkei+4,03%Japão
Brent+0,27%US$ 89,27 — discussões sobre Ormuz
WTI−0,10%US$ 83,51
Treasury 10a4,649%↓ de 4,694% — algum alívio
DXY+0,26%100,12

💥 Irã ataca bases americanas no Kuwait e Bahrein — conflito se expande geograficamente: o Irã afirmou ter atacado a base aérea de Ahmad al-Jaber (Kuwait) e a base de Sheikh Isa (Bahrein) em retaliação a novos ataques americanos. Um drone atingiu navios no porto de Damieta, no Egito — o primeiro incidente em solo egípcio desde o início da guerra. O conflito claramente extravasa as fronteiras EUA-Irã e avança para outros países da região.
  • BoJ manteve juros em 1,0% por 8 votos a 1 — com Hajime Takata propondo alta para 1,25%. Decisão esperada pelo mercado após a alta de junho. O Japão segue na trilha hawkish mais lenta que seus pares
  • PMI industrial da China contrai para 49,2 em julho (de 50,3 em junho) — surpresa negativa. O PMI não manufatureiro também caiu para 49,0. A China desacelera no exato momento em que o conflito pressiona as cadeias de suprimento globais
  • Inflação da zona do euro acelera para 2,9% em julho (de 2,8%) — energia dispara de +8,5% para +10,0% com a retomada das hostilidades. O BCE, que havia mantido juros em 2,25%, enfrenta pressão crescente para apertar mais
  • PCE americano de junho cai 0,1% e sobe 3,7% em 12 meses — dado favorável que reduziu o tom hawkish do Fed e ajudou a recuperação dos mercados ontem, após a polêmica de Warsh sobre o PCE como métrica

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qui)+1,90%177.000+ pts — blue chips commodities
Dólar (qui)−0,92%R$ 5,0608 — mínima recente
Defasagem gas.−58%Abicom · 30/07 — piora
Defasagem diesel−79%Abicom · 30/07 — novo recorde

Diesel em −79% — novo recorde absoluto de toda a crise; Rússia estende veto à exportação de diesel: a leitura da Abicom de ontem registrou −79% de defasagem no diesel — o maior desalinhamento de toda a crise, superando todos os recordes anteriores. A Rússia estendeu o veto à exportação de diesel, agravando o duplo choque de oferta (Ormuz + refinarias russas). A gasolina piorou para −58%. O subsídio prorrogado protege o consumidor, mas o custo fiscal cresce a cada leitura.
📉 IGP-M cai 1,16% em julho e PCE americano abaixo do esperado — dois dados construtivos para a inflação: o IGP-M de julho, que mede a inflação entre produtores, registrou queda de 1,16% — refletindo a deflação nos preços agropecuários e a queda nos custos de construção. No acumulado de 12 meses, sobe apenas 2,76%. O dado antecipa alívio no IPCA de agosto. Nos EUA, o PCE de junho caiu 0,1% e subiu apenas 3,7% no ano — abaixo das expectativas, ajudando na recuperação dos mercados ontem.
  • Desemprego cai para 5,4% — dado positivo para a renda, mas que mantém o mercado de trabalho aquecido e “trava” a Selic: num mercado de trabalho tão apertado, qualquer corte muito rápido dos juros pode reacender a inflação de serviços
  • Dívida pública acima de R$ 10 tri e custo no maior patamar em 10 anos — a combinação de dívida alta com juros longos subindo (reflexo da polêmica de Warsh) pressiona o custo de rolagem. Lula deve terminar o terceiro mandato com déficit nominal recorde
  • Etanol tem maior vantagem sobre a gasolina desde 2017 — com o etanol barato (safra abundante) e a gasolina subsidiada mas ainda cara relativamente, a vantagem do biocombustível nas bombas é a maior em quase uma década. Dado positivo para o consumidor e para o setor sucroenergético

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Vale (VALE3): aprovou novo programa de recompra de até 100 milhões de ações (2,3% do total), com prazo de 18 meses a partir de ontem (30/07) — sinal de confiança da gestão no valor da ação, num momento de transição de governança após a saída de Gasparino.
  • Raízen (RAIZ4): a recuperação extrajudicial foi aprovada pela Justiça de São Paulo, viabilizando a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas com adesão de 81,6% dos credores quirografários — desfecho positivo para a maior empresa de bioenergia do Brasil.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O mês de julho encerra com um paradoxo que resume todo o ciclo: o Kospi registra a maior alta diária da sua história no mesmo dia em que a defasagem do diesel brasileiro atinge −79%, o Irã ataca bases americanas no Kuwait e Bahrein, e a Rússia estende o veto à exportação de diesel. O mundo financeiro e o mundo real operam em dois registros simultâneos — e o Brasil está exposto a ambos. Segundo o research do BTG Pactual, o encerramento de julho tem três leituras para o investidor. Primeiro: a resiliência dos ativos brasileiros ao longo de um mês de conflito extremo é notável — o Ibovespa fecha julho acima de 177 mil pontos, o dólar em R$ 5,06, e o IPCA-15 veio em +0,06%. Segundo: o custo oculto dessa resiliência é o subsídio fiscal dos combustíveis — com o diesel em −79%, cada dia de Brent acima de US$ 85 aprofunda o passivo que o próximo governo herdará. Terceiro: agosto começa com três eventos definidores na semana que vem — o Copom, os dados de PIB do 2T brasileiro e os desdobramentos da reunião chinesa de mediação com o Irã. Se a China conseguir retomar as negociações, o Brent pode cair para US$ 70–75 em agosto, desencadeando a normalização das defasagens e permitindo ao governo encerrar o subsídio antes de outubro. Se não — o ciclo continua, e o próximo governo herda o maior desequilíbrio de preços de combustíveis da história recente do Brasil.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−79%
Abicom · 30/07 — novo recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−58%
Abicom · 30/07 — piora
IGP-M julho
−1,16%
Deflação — alívio ao produtor
PCE EUA (jun)
3,7% a.a.
Abaixo do esperado — alivia Fed

  • Diesel em −79% — o maior desalinhamento de toda a crise EUA-Irã: a Rússia estendeu o veto à exportação de diesel, agravando o duplo choque de oferta que já incluía Ormuz. Com dois dos principais fornecedores de diesel do mercado global comprometidos, a defasagem atingiu um patamar que não tem precedente neste ciclo — e que torna o subsídio ao diesel praticamente obrigatório, mesmo que o governo não queira restabelecê-lo formalmente
  • Gasolina piora para −58% com Brent voltando a US$ 89: a leitura de ontem mostra a piora da gasolina para −58%, revertendo parte da convergência dos últimos dias. O subsídio prorrogado protege o consumidor — mas o custo fiscal diário é crescente com o Brent em US$ 89
  • IGP-M cai 1,16% em julho — deflação ao produtor que antecipa alívio no IPCA: a deflação nos preços agropecuários e na construção civil derrubou o IGP-M pelo segundo mês consecutivo. No acumulado de 12 meses, o índice acumula apenas 2,76% — muito abaixo do IPCA de 2026, confirmando que a pressão inflacionária vem dos administrados (energia, combustíveis) e não da dinâmica de demanda
  • PCE americano de junho abaixo do esperado — alivia pressão sobre o Fed: o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) caiu 0,1% em junho e acumula +3,7% em 12 meses — abaixo do esperado. O dado contradiz a postura hawkish dos dissidentes do Fed e reforça o argumento de Warsh pela manutenção dos juros. Para o Brasil, o PCE bom nos EUA reduz marginalmente a pressão sobre o diferencial de juros
  • Etanol com maior vantagem sobre gasolina desde 2017: o biocombustível está no menor preço em anos enquanto a gasolina, mesmo subsidiada, mantém patamar mais alto. O etanol a 32% na gasolina amplifica essa vantagem — e o dado sugere que parte dos motoristas já migrou para o abastecimento com etanol hidratado, o que reduz marginalmente a demanda por gasolina importada
📌 Leitura do Radar — fechamento de julho: o mês encerra com o diesel em −79% — recorde absoluto — e o Kospi com a maior alta diária da história. Dois dados que resumem o paradoxo de julho: o pior choque de energia desde 1973 convivendo com a maior recuperação de um índice de ações em um único dia. O Radar fecha julho com dois verdes (IGP-M deflação, PCE americano bom) e dois vermelhos históricos (diesel −79%, gasolina −58%). Agosto começa com o Copom na semana que vem como o evento central.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Diesel / Rússia / DefasagemDuplo Choque de Oferta — Recorde
Diesel em −79% — Rússia estende veto à exportação e agrava o duplo choque de oferta com Ormuz
A defasagem do diesel atingiu −79% na leitura da Abicom de ontem — o maior desalinhamento de toda a crise EUA-Irã, superando todos os recordes anteriores. A Rússia estendeu o veto à exportação de diesel, agravando o duplo choque de oferta que já incluía Ormuz sob controle americano. A gasolina piorou para −58%. O governo descartou retornar o subsídio ao diesel.
Contexto: −79% de defasagem no diesel é um número sem precedente na história recente do Brasil. Significa que o diesel brasileiro está sendo vendido por menos de um quinto do valor que seria praticado no mercado livre. O custo desse desequilíbrio está sendo absorvido pela Petrobras, pelos distribuidores e implicitamente pelo Tesouro via subsídio da gasolina. A normalização só virá com o Brent abaixo de US$ 75 — e por ora, está em US$ 89.

02
Kospi / IA / SemicondutoresMercados — Evento Histórico
Kospi +17,9% — maior alta diária da história do índice; Samsung +28%, SK Hynix +30%
O Kospi encerrou com +17,9% ontem — o maior ganho diário de sua história — após cair mais de 15% acumulado em dois pregões anteriores. Samsung Electronics subiu 28% e SK Hynix disparou 30%, impulsionados pela recuperação do apetite por ações de inteligência artificial em Wall Street. O índice atingiu 6.595 pontos, revertendo integralmente o colapso da semana.
Contexto: A volatilidade extrema do Kospi esta semana — de −10,84% e −5,98% para +17,9% em três pregões — ilustra o quanto o mercado de semicondutores está precificando um único tema: os gastos em IA das big techs americanas. Para o Brasil, o movimento é relevante porque afeta o apetite global por risco e por consequência o fluxo para emergentes. O Ibovespa deve abrir com forte alta hoje.

03
Irã / Kuwait / Bahrein / EgitoConflito — Expansão Geográfica
Irã ataca bases americanas no Kuwait e Bahrein — drone atinge navios no Egito pela primeira vez
O Irã afirmou ter atacado a base aérea de Ahmad al-Jaber (Kuwait) e a de Sheikh Isa (Bahrein) em retaliação a novos ataques americanos. Um drone atingiu navios no porto de Damieta, no Egito — o primeiro incidente em solo egípcio desde o início da guerra. O conflito claramente extravasa as fronteiras EUA-Irã, com o IRGC expandindo geograficamente suas operações.
Contexto: A expansão do conflito para Kuwait, Bahrein e Egito é a evolução mais preocupante desde o início da guerra — não pelo impacto imediato, mas pelo precedente: o Irã está demonstrando que pode atingir aliados dos EUA em múltiplos países ao mesmo tempo. Para o Brent, cada novo país envolvido adiciona prêmio de risco geopolítico. O Egito é particularmente sensível por operar o Canal de Suez.

04
Dívida pública / Fiscal / LulaCenário Fiscal Brasil
Dívida pública acima de R$ 10 tri e custo no maior patamar em 10 anos — Lula deve terminar mandato com déficit recorde
A dívida pública brasileira ultrapassou R$ 10 trilhões com o custo de rolagem no maior patamar em quase 10 anos. Lula deve terminar o terceiro mandato com déficit nominal recorde. Órgãos do governo pressionam a equipe econômica pedindo mais de R$ 46 bilhões para gastos em 2027. O secretário do Tesouro confirmou que medidas de controle de despesas e aperto do arcabouço estão na mesa.
Contexto: Dívida acima de R$ 10 tri com custo no maior nível em 10 anos é o pano de fundo fiscal do pré-eleitoral — e o mercado começa a precificá-lo com juros futuros subindo. A pressão por R$ 46 bi adicionais em 2027 mostra que o aperto fiscal prometido por Durigan está sendo contestado internamente. Para o investidor, a combinação de dívida cara com petróleo alto e subsídios indefinidos é o principal risco fiscal do 2S26.

05
Raízen / Vale / CorporativoEmpresas — Desfechos Positivos
Raízen tem recuperação extrajudicial aprovada (R$ 61,4 bi em dívidas) — Vale aprova recompra de 100 mi de ações
A Raízen teve sua recuperação extrajudicial aprovada pela Justiça de São Paulo, viabilizando a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas com adesão de 81,6% dos credores. A Vale aprovou novo programa de recompra de até 100 milhões de ações (2,3% do total em circulação), com prazo de 18 meses — sinal de confiança da gestão no valor da ação após a turbulência de governança.
Contexto: Dois desfechos corporativos positivos num dia de muitas notícias ruins. A Raízen resolvida é importante para o setor sucroenergético — a maior empresa de bioenergia do Brasil ganha estabilidade financeira para operar no ambiente de etanol a 32% e demanda crescente. A recompra da Vale sinaliza que a nova gestão quer remunerar o acionista enquanto resolve os problemas de governança.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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Morning Call — 29 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 29 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

🌐

Panorama GlobalInternacional

💥 Irã lança mísseis balísticos contra tropas americanas — hostilidades retomadas após breve pausa: forças iranianas atacaram tropas americanas no Oriente Médio na noite de ontem, com os mísseis sendo interceptados pelo CENTCOM. Em resposta, EUA e Arábia Saudita atacaram sites de logística e armas no leste do Iraque. O episódio marca a retomada das hostilidades após a pausa iniciada na sexta-feira — mas em escala menor que as 13 rodadas anteriores. O Brent volta a subir 3,66%, para US$ 87,17.
S&P 500+0,18%Futuro — aguarda Fed
Nasdaq−0,11%Futuro — chips pesam
Kospi−5,98%Coreia do Sul — 2º colapso seguido
Nikkei−1,49%Japão
Brent+3,66%US$ 87,17 — sobe com retomada
WTI+3,41%US$ 81,96
Treasury 10a4,613%↓ — aguarda Fed
DXY−0,08%101,34 — leve alívio

🏛️ Fed decide hoje à tarde — manutenção esperada com pelo menos dois dissidentes: o Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária hoje. O consenso aponta para manutenção dos juros, mas analistas preveem ao menos dois dissidentes — provavelmente favoráveis a uma alta. O IPCA-15 brasileiro abaixo do esperado e a sinalização de Galípolo de “Selic por mais tempo” criam um contraste interessante entre os dois bancos centrais. A coletiva de Warsh será monitorada para sinais sobre o próximo passo do Fed.
  • Kospi despenca −5,98% pelo 2º pregão consecutivo — liderado pela SK Hynix após dúvidas sobre investimentos maciços em IA. O colapso acumulado do índice sul-coreano nos dois dias supera 15% — refletindo a fragilidade da cadeia de semicondutores diante de qualquer sinalização de desaceleração nos gastos em IA
  • Ucrânia ataca a Wildberries — maior varejista online da Rússia, equivalente à Amazon. A empresa evacuou um depósito em Riazan após ataques a instalações industriais. O governo russo pode ter que socorrer a companhia — pressão adicional sobre a economia de guerra de Moscou
  • Durigan sinaliza que governo pode desacelerar crescimento do limite de gastos do arcabouço — em conversa com o mercado, o secretário do Tesouro antecipa possível ajuste nas regras fiscais que reduziria o espaço para expansão do gasto. Mercado reage bem a sinalizações de disciplina fiscal

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (ter)+0,74%176.000+ pts — IPCA-15 impulsiona
Dólar (ter)+0,20%R$ 5,1216
Defasagem gas.−53%Abicom · 28/07
Defasagem diesel−67%Abicom · 28/07

📊 IPCA-15 de +0,06% em julho crava aposta no corte do Copom na semana que vem: a prévia da inflação de julho surpreendeu positivamente, com +0,06% — a menor taxa para julho desde 2023. O alívio veio dos alimentos, que tiveram a maior queda para julho desde 2010. A alta da conta de luz impediu que o índice ficasse negativo. O resultado consolida a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual do Copom na reunião da semana que vem, com os juros futuros caindo em bloco ontem.
💵 Transações correntes: o menor déficit para junho desde 2023 — IDP cobre com folga: o déficit em transações correntes de junho foi de apenas US$ 2,33 bilhões — o menor para o mês desde 2023 — amplamente coberto pela entrada de US$ 9,075 bilhões de Investimento Direto no País. O superávit comercial de US$ 8,83 bilhões em junho foi o maior para o mês desde 2023. Dados que reforçam o colchão cambial e a resiliência externa do Brasil.
  • Lula defende que projetos científicos com “sustentação” possam ser excluídos do arcabouço — sinalização de que o governo busca criar flexibilidades no teto de gastos, na contramão da sinalização de Durigan ao mercado. A tensão entre o discurso presidencial e o técnico é um risco político relevante
  • BNDES aprova R$ 20 bilhões em crédito para caminhões e ônibus — resposta ao setor afetado pela defasagem do diesel (−67%) que não tem subsídio direto. A linha de crédito é indireta, mas mostra que o governo reconhece o impacto sobre o transporte
  • Durigan confirma prorrogação do Desenrola por mais 30 dias, com expectativa de 10 milhões de pessoas atendidas — expansão do programa de renegociação de dívidas em ano eleitoral

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Raízen (RAIZ4): o conselho aprovou adesão ao Refis do Estado de Goiás para liquidar débitos de ICMS. Operação relevante para a gestão tributária da maior empresa de bioenergia do Brasil, que opera no ambiente de etanol barato e demanda crescente pós-aprovação da mistura a 32%.
  • Petrobras (PETR3/4): com o Brent voltando a US$ 87, a estatal recupera parte do movimento de ontem. O novo diretor interino de transição energética (Nozaki) assume amanhã, num momento em que o preço do petróleo ainda é o principal driver das ações.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O IPCA-15 de +0,06% é o dado mais construtivo para a política monetária brasileira neste ciclo — e chega num momento muito bem-vindo: às vésperas do Copom de agosto. Com alimentos caindo na maior magnitude para julho desde 2010 e a energia elétrica como único vetor de pressão, o BC brasileiro tem a janela que precisava para executar mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Mas convém calibrar o entusiasmo: o Irã retomou os ataques ontem à noite, o Brent voltou a US$ 87, e o Kospi colapsa pelo segundo dia consecutivo com a crise de semicondutores ainda sem resolução. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário para o Copom de agosto tem dois eixos: o IPCA-15 bom que abre espaço para o corte, e o petróleo voltando a subir que fecha esse espaço parcialmente. A decisão do Fed hoje à tarde é o tie-breaker: se mantiver os juros e Warsh sinalizar pausa prolongada, o BC brasileiro corta com conforto. Se o Fed for hawkish — mesmo mantendo os juros — a sinalização pode complicar o timing do Copom. Para o investidor, o dia de hoje combina dois eventos de altíssimo impacto em sequência: a decisão do Fed à tarde e a trajetória do petróleo com a retomada das hostilidades. A semana que parecia encaminhar para um desfecho mais construtivo ganhou nova turbulência — mas o IPCA-15 permanece como o âncora positiva mais sólida do ciclo.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

IPCA-15 julho
+0,06%
Menor para julho desde 2023 — Copom corta
Alimentos IPCA-15
Queda
Maior queda para julho desde 2010
Brent
US$ 87,17
+3,66% — hostilidades retomadas
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 28/07 — deve piorar amanhã

  • IPCA-15 de +0,06% — a melhor leitura inflacionária deste ciclo para julho: a prévia da inflação de julho confirma o alívio que o mercado esperava desde o início das negociações de trégua. A alta da conta de luz impediu que o índice ficasse negativo — o que teria sido a primeira deflação para julho em muitos anos. A trajetória é a mais favorável ao corte do Copom desde o início do conflito
  • Alimentos com maior queda para julho desde 2010: feijão, tomate, melancia e outros alimentos in natura puxaram a deflação no componente de alimentação. O El Niño, que havia sido apontado como risco para a safra, ainda não se materializou nos preços — e as colheitas do cerrado estão abastecendo o mercado interno
  • Conta de luz impediu que o IPCA-15 ficasse negativo: os encargos aprovados pelo Senado (R$ 1 tri em custo extra) e a antecipação de contratos térmicos (R$ 4,75 bi) já estão aparecendo no componente de energia elétrica. A conta de luz é o vetor que mais preocupa no IPCA dos próximos meses — e vai piorar com os “jabutis” que entram em vigor
  • Brent volta a US$ 87 com retomada das hostilidades: o Irã lançou mísseis balísticos contra tropas americanas na noite de ontem — hostilidades retomadas após pausa de quatro dias. O petróleo reage, revertendo parte da queda acumulada desde sexta. A defasagem do diesel, que havia melhorado de −69% para −58%, deve piorar nas próximas leituras da Abicom
  • Ureia sobe pela 4ª semana seguida nos portos do Brasil com tensões geopolíticas — o insumo mais importante para a produção agrícola encarece enquanto o El Niño aumenta a dependência de fertilizantes. O efeito ainda não apareceu nos preços ao consumidor — mas a pressão no custo de produção é real e pode aparecer nas safras de 2027
📌 Leitura do Radar: dois verdes e dois vermelhos — o Radar mais equilibrado em semanas. O IPCA-15 bom e os alimentos em queda apontam para o corte do Copom; o Brent voltando a US$ 87 e o diesel em −67% lembram que o conflito não acabou. O resultado líquido é favorável ao BC brasileiro por agora — mas a decisão do Fed hoje à tarde pode mudar essa equação. Se Warsh for hawkish, o espaço de Galípolo para cortar se estreita. Se for neutro, o corte de agosto está praticamente confirmado.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
IPCA-15 / Copom / InflaçãoInflação Brasil — Melhor Leitura do Ciclo
IPCA-15 sobe apenas 0,06% em julho — menor para o mês desde 2023; corte do Copom praticamente cravado
O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente com +0,06% — a menor taxa para o mês desde 2023. A queda dos alimentos foi a maior para julho desde 2010. A alta da conta de luz impediu que o índice fosse negativo. O resultado reforçou a aposta de que o Copom cortará a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem, com os juros futuros caindo em bloco ontem.
Contexto: O IPCA-15 de +0,06% é a melhor âncora inflacionária que o Copom poderia receber às vésperas de sua reunião. Com alimentos caindo e apenas a conta de luz pressionando, o BC tem a janela que precisava para mais um corte. A ressalva: o IPCA-15 foi coletado antes da retomada das hostilidades de ontem à noite — o próximo dado pode ser mais pressionado pelo petróleo voltando a US$ 87.

02
Irã / EUA / RetomadaConflito — Nova Rodada
Irã lança mísseis balísticos contra tropas americanas — hostilidades retomadas após pausa de 4 dias; Brent volta a US$ 87
Forças iranianas atacaram tropas americanas no Oriente Médio na noite de ontem, com os mísseis interceptados pelo CENTCOM. EUA e Arábia Saudita revidaram com ataques no leste do Iraque. O episódio marca a retomada das hostilidades após a pausa iniciada na sexta-feira, embora em escala menor que as 13 rodadas anteriores. O Brent sobe 3,66% para US$ 87,17.
Contexto: A retomada em escala menor (mísseis balísticos, não rodada completa de ataques) sugere que a escalada está num patamar diferente do pico de três semanas atrás. O mercado tende a processar como ruído tático, não como nova escalada estrutural — o que explica por que o S&P futuro ainda avança levemente. Para o Brasil, o Brent em US$ 87 reverte parte da melhora nas defasagens dos últimos dias.

03
Fed / Warsh / Juros EUAPolítica Monetária Global — Decisão do Dia
Fed decide hoje — manutenção esperada com pelo menos dois dissidentes; coletiva de Warsh será monitorada
O Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária hoje à tarde. O consenso aponta para manutenção dos juros, mas analistas preveem pelo menos dois dissidentes. A coletiva de Warsh será o evento mais monitorado — em busca de sinais sobre o próximo passo. Trump voltou a pressionar o Fed a cortar juros e chamou os diretores de “políticos”, complicando a comunicação da instituição.
Contexto: A decisão do Fed hoje é o tie-breaker para o Copom de agosto. Se Warsh for neutro ou dovish, o BC brasileiro corta com conforto na semana que vem. Se for hawkish — mesmo mantendo os juros — a sinalização pode pesar sobre o diferencial de juros e complicar o timing de Galípolo. A pressão de Trump sobre o Fed adiciona ruído político que Warsh precisará navegar com cuidado.

04
Transações correntes / IDP / CâmbioBrasil — Resiliência Externa
Menor déficit em transações correntes desde 2023 em junho — IDP de US$ 9 bi e superávit comercial recorde cobrem com folga
O déficit em transações correntes de junho foi de apenas US$ 2,33 bilhões — o menor para o mês desde 2023 —, amplamente coberto pela entrada de US$ 9,075 bilhões de IDP e pelo superávit comercial de US$ 8,83 bilhões (o maior para junho desde 2023). Os dados reforçam o colchão cambial que manteve o dólar abaixo de R$ 5,15 mesmo com o conflito no auge.
Contexto: O colchão externo do Brasil — evidenciado pelos US$ 17,78 bi de entrada líquida no semestre e pelo IDP robusto — é o principal diferencial estrutural do país em relação a outros emergentes neste ciclo. Para o câmbio, os dados confirmam que o real tem sustentação fundamentalista mesmo em ambiente adverso. Para a Selic, o fluxo positivo reduz a necessidade de diferencial de juros elevado para atrair capital.

05
Arcabouço / Durigan / FiscalFiscal Brasil — Sinalização Relevante
Durigan sinaliza que governo pode desacelerar crescimento do limite de gastos do arcabouço fiscal
Em conversas com o mercado, o secretário Durigan sinalizou que o governo pode desacelerar o crescimento do teto de gastos do arcabouço fiscal — uma concessão à disciplina fiscal que o mercado financeiro recebeu positivamente. A sinalização contrasta com a fala de Lula de que projetos científicos “com sustentação” poderiam ser excluídos das regras. A tensão entre os dois discursos é um risco político a monitorar.
Contexto: Durigan falando em desacelerar o crescimento do limite de gastos é a sinalização fiscal mais construtiva da semana — e chega num momento em que o FGV registrou impulso fiscal dobrando em três meses. O mercado precisa de ancoragem fiscal para manter o prêmio de risco sob controle em ano eleitoral. A divergência entre Durigan (disciplina) e Lula (flexibilidade) será monitorada nas próximas semanas.

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Morning Call — 23 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 23 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
Brent US$ 98,59 — a um passo de US$ 100 · Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana · Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho · Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global

🌐

Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima absoluta do conflito: o petróleo tipo Brent avança 4,80% para US$ 98,59, o nível mais alto desde o início do conflito em março. Trump ameaçou destruir pontos da infraestrutura iraniana — pontes e usinas elétricas — a cada vez que o Irã atacar um navio em Ormuz. Os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã. O Banco Mundial alerta que os impactos do conflito, perto de completar cinco meses, podem pesar sobre o PIB global.
S&P 500−0,34%Futuro
Nasdaq−0,36%Futuro
Kospi+4,40%Coreia do Sul
Nikkei+0,46%Japão
Brent+4,80%US$ 98,59 — limiar de US$ 100
WTI+3,88%US$ 90,20
Treasury 10a4,681%↑ — inflação precificada
DXY+0,02%101,15 — leve força

🚢 Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho — Bab el-Mandeb sob ameaça concreta: o grupo houthi do Iêmen confirmou ataque a dois petroleiros sauditas nesta manhã, com incêndio na proa de uma das embarcações. A Arábia Saudita confirmou o ataque e classificou como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sendo atacado, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente.
  • Banco Mundial alerta: o conflito perto de completar cinco meses pode reduzir o PIB global e reacender a inflação — primeiro alerta formal de uma instituição multilateral sobre o impacto macroeconômico sistêmico da guerra
  • Iene cai à mínima em 40 anos (163,30/dólar) — o petróleo caro frustrou as expectativas de crescimento do PIB japonês, tornando o iene a pior moeda do G10. Os juros de 2 anos no Japão atingiram o maior nível em 31 anos
  • Confiança empresarial na França sobe para o maior nível em 4 meses em julho — dado que contrasta com o ambiente de guerra e reflete a resiliência do setor de serviços europeu
  • MPF pede suspensão do etanol a 32% na gasolina — ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal num momento de Brent próximo de US$ 100

🌿

BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−53%Abicom · 22/07
Defasagem diesel−67%Abicom · 22/07 — recorde
BrentUS$ 98,59Subsídio mantido indefinidamente
BRB / BCDecisão iminenteCaixa preocupa — próximos dias

Lula deve manter subsídio da gasolina — decisão do fim de julho postergada indefinidamente: com o Brent a US$ 98, qualquer retirada do subsídio geraria impacto imediato e politicamente inviável nos postos. O governo antecipa contratos de energia térmica diante do El Niño — mais um custo emergencial. O MPF pediu suspensão do etanol a 32%, o que, se deferido, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível. A Fazenda enfrenta o problema de financiar o subsídio indefinidamente.
🏦 BRB: caixa preocupa o BC — decisão pode vir nos próximos dias: o Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB em poucos dias, segundo bastidores do Estadão. O banco do DF enfrenta problema de caixa após as investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de ativos. A governadora do DF ainda busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
  • Governo reembala Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano — redireciona recursos já previstos para dar aparência de resposta estrutural ao protecionismo americano
  • Governo busca mercados alternativos após tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre nova taxa de 12,5% para fechar o plano de diversificação das exportações
  • Governo antecipa contratos de vencedores de leilões de energia para garantir geração térmica diante do El Niño — custo emergencial que vai à conta de luz

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • BRB / Governo do DF: caixa do banco preocupa o BC, que pode ter de tomar decisão nos próximos dias. O BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A situação é monitorada de perto pelo Banco Central e pelo governo federal.
  • Petrobras (PETR3/4): com o Brent acima de US$ 98, a estatal opera num ambiente de receitas crescentes — mas o subsídio mantido pelo governo limita o repasse ao consumidor. O governo usa a Petrobras como amortecedor do choque de preços, o que pressiona a política de preços da estatal.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent a US$ 98,59 é um número que muda a natureza do problema. Não se trata mais de calibrar o momento de retirada do subsídio ou de esperar que o petróleo “volte ao normal” — a US$ 98, com Ormuz e o Mar Vermelho sob ameaça simultânea, o mercado começa a precificar a possibilidade de que US$ 100+ seja o novo patamar de equilíbrio enquanto o conflito durar. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais grave desta edição não é o preço do petróleo em si, mas a expansão do conflito para uma segunda rota marítima: os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, comprometendo a válvula de alívio que havia mantido parte do escoamento do Golfo funcionando quando Ormuz estava restrita. Agora, pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais estão comprometidas ao mesmo tempo — e não há alternativa de escala para o petróleo do Golfo Pérsico. Para o Brasil, o Banco Mundial alertou que cinco meses de conflito podem pesar sobre o PIB global — o que adiciona risco de desaceleração da demanda externa ao choque de oferta de combustíveis que o país já enfrenta internamente. O MPF pedindo suspensão do etanol a 32% é o dado doméstico mais preocupante: se deferido, elimina o único amortecedor de custo zero disponível num momento em que todos os outros instrumentos já foram utilizados. A semana fecha com o Brasil digerindo uma combinação de choques que não tinha paralelo desde março — mas, diferente de março, agora sem perspectiva de resolução diplomática à vista.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 98,59
+4,80% — limiar de US$ 100
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 22/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−53%
Abicom · 22/07
Etanol 32%
Risco judicial
MPF pede suspensão — amortecedor ameaçado

  • Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100: o petróleo se aproxima do nível psicológico de US$ 100 pela primeira vez neste conflito. Com Trump ameaçando destruir infraestrutura iraniana e as duas principais rotas marítimas do Golfo sob ameaça, o mercado não tem referência clara de teto. A um passo de US$ 100, as defasagens dos combustíveis brasileiros tornam-se insustentáveis sem subsídio permanente
  • Mar Vermelho e Ormuz comprometidos simultaneamente: pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico estão sob ameaça ao mesmo tempo. Os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, eliminando a válvula de alívio que mantinha parte do escoamento funcionando enquanto Ormuz estava restrita
  • MPF pede suspensão do etanol a 32%: ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível ao governo. O MPF alega irregularidades no processo de aprovação pelo CNPE. Com o Brent a US$ 98, a perda do etanol a 32% representaria agravamento imediato das defasagens — já em recordes históricos
  • Governo antecipa contratos de energia térmica por causa do El Niño: além do petróleo, o governo age preventivamente para garantir geração elétrica diante da seca no Centro-Oeste e das chuvas no Sul previstas pelo El Niño. A antecipação de contratos térmicos tem custo — e esse custo vai para a conta de luz
  • Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025 e El Niño amplia riscos para commodities agrícolas — soja, milho, café e laranja entre os mais vulneráveis. A pressão nos alimentos se intensifica justamente quando o petróleo já está no pior patamar de toda a crise
📌 Leitura do Radar: quatro alertas vermelhos — Brent a US$ 98, diesel em −67%, gasolina em −53% e o etanol a 32% ameaçado judicialmente. É o Radar mais crítico desta série. A novidade desta edição é a expansão do conflito para o Mar Vermelho: com as duas rotas principais comprometidas, o teto do Brent se torna uma incógnita real. Para o Brasil, a combinação de petróleo próximo de US$ 100, El Niño ativo e MPF questionando o único amortecedor de custo zero é o ambiente mais adverso para a inflação desde o início do conflito.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Trump / IrãConflito — Limiar de US$ 100
Brent a US$ 98 — Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana; Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global
O Brent avança 4,80% para US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima do conflito. Trump ameaçou destruir pontes e usinas elétricas iranianas a cada ataque em Ormuz. O Banco Mundial alertou que o conflito, perto de completar cinco meses, pode reduzir o PIB global e reacender a inflação. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques ao Irã.
Contexto: A US$ 98, o mercado começa a precificar que US$ 100 pode não ser um teto, mas um piso — se as duas rotas marítimas do Golfo ficarem bloqueadas. A ameaça de Trump de destruir infraestrutura civil iraniana eleva o risco de escalada para além do campo militar e pode interromper as negociações diplomáticas em curso. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent adiciona bilhões ao custo do subsídio.

02
Houthis / Mar Vermelho / Bab el-MandebSegunda Rota Comprometida
Houthis atacam dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — as duas rotas do Golfo comprometidas ao mesmo tempo
O grupo houthi do Iêmen atacou dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã, com incêndio confirmado na proa de uma embarcação. A Arábia Saudita classificou o ataque como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sob ataque, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente pela primeira vez neste conflito.
Contexto: Este é o dado mais grave desta edição do ponto de vista estrutural de mercado: a perda simultânea das duas rotas elimina a válvula de alívio que havia mantido o Brent abaixo de US$ 95 nas semanas anteriores. Sem alternativa de escala para o petróleo do Golfo, o teto do Brent é uma incógnita real. Para o Brasil, é a concretização do pior cenário energético possível neste conflito.

03
MPF / Etanol / CombustíveisAmortecedor Ameaçado
MPF aciona Justiça para suspender aumento do etanol na gasolina para 32% — único amortecedor de custo zero em risco
O Ministério Público Federal acionou a Justiça pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado pelo CNPE na semana passada. Se deferida, a medida eliminaria o único instrumento de mitigação de custo zero disponível ao governo num momento de Brent próximo de US$ 100. Lula deve manter o subsídio da gasolina, o que gera problema crescente para a Fazenda.
Contexto: O MPF questionar o etanol a 32% no pior momento do conflito é o dado doméstico mais preocupante desta edição. A economia de R$ 0,03/litro é modesta, mas a medida tem valor estrutural — reduz a dependência de gasolina importada num momento em que o petróleo está a um passo de US$ 100. Uma suspensão judicial seria um retrocesso significativo na agenda de mitigação do choque.

04
BRB / BC / Risco FinanceiroSistema Financeiro Brasil
Caixa do BRB preocupa o BC — decisão sobre banco pode vir nos próximos dias
O Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB nos próximos dias, segundo o Estadão. O banco do Distrito Federal enfrenta problema de caixa após investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A governadora do DF busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
Contexto: O BRB em dificuldade de caixa com decisão do BC iminente é um risco que o mercado ainda não precificou completamente — está ofuscado pelo petróleo e pelas tarifas. Para o sistema financeiro, a forma como o BC resolverá o caso (intervenção, fusão, socorro) terá precedente relevante para outras instituições médias com exposição ao Master. A decisão deve vir antes do fim de semana.

05
Governo / Tarifaço / DiversificaçãoComércio Internacional
Governo reembala Brasil Soberano para o tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre taxa adicional de 12,5%
O governo reembalou o Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano, redirecionando recursos já previstos. O governo aguarda ainda a definição dos EUA sobre a possibilidade de uma taxa adicional de 12,5% — o que influenciará o formato da resposta brasileira. A diversificação de exportações para a Europa já mostrou R$ 10 bi de crescimento em dois meses (Alckmin).
Contexto: O “reembalo” do Brasil Soberano sem recursos novos é a resposta politicamente viável ao tarifaço num momento em que o espaço fiscal está comprimido por subsídios de combustíveis, antecipação de contratos de energia e iminente decisão sobre o BRB. Para os setores afetados — máquinas, equipamentos, manufaturados — a espera pela definição da taxa de 12,5% posterga os investimentos de ajuste necessários.

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Morning Call — 22 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 22 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent dispara para US$ 94 — máxima absoluta do conflito — 11ª noite de ataques americanos ao Irã: o petróleo tipo Brent avança 3,66% para US$ 94,34, o nível mais alto desde o início do conflito em março. O WTI também sobe quase 4%, para US$ 87,65. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre Ormuz e alertou que Washington agirá para proteger seus interesses caso Teerã não leve as negociações a sério. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda não foi aceita por nenhuma das partes.
S&P 500−0,30%Futuro
Nasdaq−0,70%Futuro
FTSE+0,97%Londres
Kospi+0,74%Coreia do Sul
Brent+3,66%US$ 94,34 — máxima do conflito
WTI+3,92%US$ 87,65
Ouro+1,06%US$ 4.119 — porto seguro
Treasury 10a4,635%↑ — pressão inflacionária

💊 Trump anuncia cronograma de tarifas sobre genéricos importados — 100% a partir de 2028, 200% em 2029: a partir de 1º de agosto, genéricos importados ficam isentos por dois anos; depois, tarifa sobe para 100% e depois 200%. Objetivo é forçar fabricantes a produzir nos EUA. Medida que pressionará custos de saúde globalmente e pode afetar exportações farmacêuticas brasileiras no médio prazo.
  • Rubio: principal impasse é o Irã reivindicar o direito de controlar Ormuz — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA mantêm que o estreito é uma via de passagem internacional e que não cederão esse ponto nas negociações
  • Japão: déficit comercial supera 3 vezes o esperado em junho — pressionado pelo custo adicional do petróleo para substituir o do Oriente Médio. As exportações japonesas cresceram 19,3%, impulsionadas por eletrônicos, metais e automóveis
  • Reino Unido: inflação desacelera para 2,6% em junho — mínima em 15 meses, puxada pela queda nos preços da gasolina. Banco da Inglaterra deve manter juros na próxima semana, mas os próximos meses trarão pressão renovada do petróleo

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (ter)−0,03%173.326 pts — estável
Dólar (ter)−0,32%R$ 5,0731 — mínima desde 15/jun
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — recorde

🇺🇸 Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil entram em vigor hoje: a medida afeta milhares de itens, com exceção de carne e café. O governo avalia resposta entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas o Ministério da Fazenda sinalizou que não deve usar a lei por ora, e setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Uma nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
📉 IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — alívio nos preços ao produtor: o índice mostra deflação na segunda prévia, puxada pela queda nos preços ao produtor agropecuário (−9,5% no 1S26). Dado positivo para o IPCA de agosto, especialmente nos componentes de alimentos in natura e matérias-primas. A segunda prévia do IGP-M é um indicador antecedente relevante para a trajetória do IPCA nas próximas semanas.
  • Dólar cai para R$ 5,07 — menor nível desde 15 de junho: paradoxalmente, no dia em que as tarifas entram em vigor, o real se valoriza. O movimento reflete a alta do petróleo beneficiando exportadoras brasileiras e o fluxo de dólares ainda elevado como colchão. O mercado já havia precificado o tarifaço nas semanas anteriores
  • Etanol atinge menor preço médio desde 2024 — com o etanol a 32% recém-implementado e safra abundante, o custo do combustível alternativo está no menor patamar em dois anos. Fator desinflacionário relevante que compensa parte da alta do Brent
  • Vale registra melhor 2T de produção de minério desde 2018 — 84,2 mi de toneladas, alta de 0,8% na comparação anual. Resultado sólido que sustenta o papel mesmo em ambiente adverso para blue chips

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Vale (VALE3): melhor produção trimestral de minério de ferro para um 2T desde 2018, com 84,2 mi de toneladas (+0,8% a/a). O avanço veio do projeto S11D em Carajás e de volumes adicionais em Capanema e VGR1 (MG) — resultado operacional robusto que contrasta com o ambiente macroeconômico adverso.
  • Mercado Livre (MELI): captou R$ 1,5 bilhão em Letras Financeiras com demanda 2,2x o valor ofertado — operação em duas séries (2 e 3 anos) com remuneração de CDI+0,39% e CDI+0,47%. Demanda robusta sinaliza apetite do mercado de crédito mesmo em ambiente de juros elevados.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent em US$ 94 e as tarifas americanas de 25% entrando em vigor no mesmo dia deveriam ser a tempestade perfeita para o real — mas o dólar fechou ontem em R$ 5,07, o menor nível desde 15 de junho. Esse aparente paradoxo revela algo importante sobre a resiliência estrutural do Brasil neste ciclo: o fluxo de dólares acumulado no semestre (US$ 17,78 bi), a alta do petróleo beneficiando a Petrobras e as exportadoras, e o mercado que já havia precificado o tarifaço semanas antes formam um colchão que o mercado cambial está usando. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais construtivo do dia é o IGP-M com deflação de 1,11% na segunda prévia — sinal de que os preços ao produtor estão cedendo mesmo com o petróleo em alta, o que antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos. O etanol no menor preço desde 2024 complementa esse quadro: há desinflação real acontecendo em alguns vetores enquanto o petróleo sobe em outros. O desafio para as próximas semanas é a trajetória do Brent: a US$ 94, as defasagens em −52% e −67% tornam qualquer retirada de subsídio politicamente inviável — e o custo fiscal cresce a cada dia. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda aguarda resposta de ambos os lados: se aceita, o Brent poderia recuar para US$ 75–80 em poucas semanas, abrindo espaço para o governo agir. Se rejeitada, o mercado precisará reclassificar o conflito de crise geopolítica para realidade estrutural permanente — e reprecificar toda a curva de ativos brasileiros.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 94,34
+3,66% — máxima absoluta do conflito
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−52%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
IGP-M (2ª prévia jul)
−1,11%
Deflação — alívio ao produtor

  • Brent em US$ 94 — máxima absoluta do conflito: o petróleo supera todos os picos anteriores desta crise. Com Rubio acusando o Irã de descumprir o acordo e a proposta de trégua ainda sem resposta, o mercado não tem teto claro enquanto a incerteza sobre Ormuz persistir. Cada dólar a mais no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal dos subsídios
  • Diesel em −67% e gasolina em −52% — recordes que se acumulam: com o Brent em US$ 94 e as defasagens nesses níveis, o custo diário dos subsídios para o Tesouro é o maior de toda a crise. A decisão do governo sobre o subsídio da gasolina, prometida para o fim de julho, deve ser postergada mais uma vez — é matematicamente impossível retirá-lo com o Brent acima de US$ 90
  • IGP-M com deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — contrasta com o petróleo: os preços ao produtor agropecuário caíram 9,5% no primeiro semestre e o IGP-M mostra deflação mesmo com o Brent em alta. Isso acontece porque os alimentos in natura e as matérias-primas agrícolas têm dinâmica própria — e o El Niño ainda não se materializou completamente nas colheitas. O dado antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de alimentos
  • Etanol no menor preço médio desde 2024: a safra abundante e o etanol a 32% na gasolina mantêm o combustível alternativo barato. É o principal fator que impede que a alta do Brent se transmita integralmente para a gasolina nos postos — mesmo com a defasagem em −52%, o etanol está funcionando como amortecedor real
  • Segunda prévia do IGP-M como antecedente do IPCA de agosto: a deflação de 1,11% no IGP-M sugere que, mesmo com o petróleo pressionando, os componentes de alimentos e matérias-primas podem contribuir positivamente para o IPCA de agosto. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem nas próximas semanas
📌 Leitura do Radar: Brent em US$ 94 com defasagens em recordes históricos de um lado; IGP-M em deflação e etanol barato do outro. O Radar desta edição ilustra a divisão do cenário inflacionário brasileiro: combustíveis no pior momento de toda a crise, alimentos e matérias-primas em alívio real. O resultado líquido para o IPCA de agosto dependerá de qual dos dois vetores dominará nas próximas semanas — e da trajetória do petróleo após a resposta (ou não) à proposta de trégua de 10 dias.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Ormuz / RubioEnergia — Máxima do Conflito
Brent atinge US$ 94 — máxima do conflito — Rubio acusa Irã de descumprir acordo sobre Ormuz
O Brent avança 3,66% para US$ 94,34 — o nível mais alto desde o início do conflito. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o principal impasse é o Irã reivindicar controle sobre a via — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques. A proposta de trégua de 10 dias ainda aguarda resposta de ambos os lados.
Contexto: O Brent em US$ 94 com a proposta de trégua sem resposta é o cenário mais tenso do conflito até aqui. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal diário dos subsídios — tornando matematicamente impossível a retirada do subsídio da gasolina que estava prometida para o fim de julho. A resposta à trégua nas próximas 24–48 horas será o evento mais relevante para o petróleo.

02
Tarifaço / EUA-Brasil / RespostaComércio Internacional
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor hoje sobre o Brasil — governo avalia resposta entre diplomacia e reciprocidade
As tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entram em vigor nesta quarta, afetando milhares de itens com exceção de carne e café. O governo avalia entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas sinalizou que não deve usar a lei por ora. Setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
Contexto: O real em R$ 5,07 no dia em que as tarifas entram em vigor mostra que o mercado já havia precificado o evento. O impacto real virá nos próximos meses, à medida que os contratos de exportação se renovarem com as novas condições. A decisão do governo de não acionar a reciprocidade por ora é pragmática — preserva espaço para negociação e evita escalar o conflito comercial num momento de crise energética simultânea.

03
IGP-M / Inflação / AlívioInflação — Dado Construtivo
IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — preços ao produtor cedem mesmo com petróleo em alta
A segunda prévia do IGP-M registrou deflação de 1,11% em julho, com os preços ao produtor agropecuário acumulando queda de 9,5% no primeiro semestre. O dado contrasta com o Brent em alta e antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos in natura. Indicadores também mostram desaceleração mais forte da atividade econômica.
Contexto: A deflação no IGP-M é o dado mais construtivo para a inflação nesta semana tensa — indica que os preços ao produtor estão cedendo numa dinâmica própria do agronegócio, independente do petróleo. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem. Por ora, o dado sustenta a tese do mercado de que parte do choque inflacionário é transitória.

04
Fed / Juros EUAPolítica Monetária Global
Fed deve manter juros inalterados este ano — mas economistas citam chance elevada de alta caso petróleo persista
O consenso dos economistas consultados aponta que o Fed deve manter os juros inalterados em 2026, mas uma parcela relevante cita chance elevada de alta caso o petróleo permaneça acima de US$ 90 por tempo prolongado. A segunda prévia do IGP-M com deflação de 1,11% e os dados de atividade mostrando desaceleração reforçam o cenário base de manutenção — mas o Brent em US$ 94 mantém o risco de alta no radar.
Contexto: A posição do Fed é a chave para o BC brasileiro: se os EUA mantiverem juros, o diferencial de taxa a favor do Brasil permanece e o real tem sustentação. Se o Fed subir, o dólar global se fortalece e o colchão cambial brasileiro se consome mais rapidamente. O Copom de agosto decidirá no ambiente criado pela resposta (ou não) à trégua nas próximas semanas.

05
Governo / Crédito / FiscalPolítica Econômica Brasil
Governo acena com negociação e crédito para contornar tarifaço — dívida com agências reguladoras atinge R$ 135 bi
O governo combina aceno com negociação diplomática e oferta de crédito para setores afetados pelo tarifaço americano. Em paralelo, a dívida com agências reguladoras atingiu R$ 135 bilhões — pressão adicional sobre o orçamento num momento de subsídios de combustíveis custosos e pauta-bomba aguardando promulgação. Indicadores mostram desaceleração mais forte da atividade econômica em junho.
Contexto: A combinação de R$ 135 bi em dívida com reguladoras, subsídios de combustíveis sem prazo definido, pacote de crédito de R$ 145 bi e desaceleração da atividade forma o quadro fiscal mais desafiador desde o início do conflito. O governo tem instrumentos políticos, mas o espaço fiscal real para utilizá-los sem comprometer o arcabouço está cada vez mais estreito.

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Morning Call — 21 de Julho

Morning CallTerça-feira, 21 de julho de 2026
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Morning Call
Análise diária de mercado

🌐

Panorama GlobalInternacional

🕊️ Proposta de cessar-fogo de 10 dias apresentada a EUA e Irã — mercados reagem com forte alta: mediadores regionais apresentaram nesta terça a Washington e Teerã uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia impulsiona os mercados globalmente: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, Shanghai +1,79%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq futuro +1,18%. O petróleo recua levemente apesar do Irã ter atacado um petroleiro em Ormuz ainda nesta madrugada.
S&P 500+0,46%Futuro
Nasdaq+1,18%Futuro — tech lidera
Nikkei+3,30%Japão
Kospi+3,60%Coreia do Sul
Brent−0,48%US$ 88,79 — recua com cessar-fogo
WTI−0,50%US$ 82,81
Ouro+1,23%US$ 4.065 — porto seguro ativo
DXY−0,01%100,94 — estável

🚢 Atenção: Houthis declaram embargo marítimo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb: além de Ormuz, o grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb — a rota alternativa que os sauditas vinham usando para desviar o petróleo via Mar Vermelho durante a guerra. Se o bloqueio se concretizar, a válvula de alívio do mercado global se fecha junto com Ormuz.
  • 10ª noite de ataques americanos ao Irã: o CENTCOM confirmou a décima rodada consecutiva, mesmo com a proposta de trégua em curso. O tráfego em Ormuz caiu 66% na semana até 20/7 (53 travessias vs. 157 na semana anterior), segundo Lloyd’s List Intelligence
  • EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses — veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. Trump utilizou a Seção 338 do Tariff Act de 1930, dispositivo raramente usado. Tarifas entram em vigor em 30 dias. A escalada comercial americana se amplia além do Brasil
  • Exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em 2 meses (Alckmin) — diversificação de destino como resposta ao tarifaço americano já está em curso. Boa notícia para o agronegócio exportador

🌿

BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (seg)−0,20%173.371 pts
Dólar (seg)−0,43%R$ 5,0893 — alivia
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — novo recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — novo recorde

Defasagens batem novos recordes absolutos: diesel em −67% e gasolina em −52%: mesmo com a proposta de cessar-fogo, as leituras de hoje da Abicom mostram os maiores desalinhamentos de toda a crise. O querosene de aviação subiu 57,6% em um ano. A Petrobras e a Acelen amenizam o impacto da volatilidade — mas o espaço para absorção é limitado com o Brent acima de US$ 88.
🇧🇷 Lula aguarda eleições para reciprocidade ao tarifaço — exportações à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses: o governo decidiu segurar medidas de reciprocidade ao tarifaço dos EUA até as eleições para não dar palanque a Flávio. Enquanto isso, a diversificação já acontece: Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em dois meses. Tarifas americanas entram em vigor amanhã (22/07).
  • Crise na Rússia pressiona combustíveis no Brasil: além do conflito em Ormuz, os ataques ucranianos às refinarias russas continuam impactando a disponibilidade de diesel no mercado global — reforçando o duplo choque de oferta
  • Campanha de Lula reforça interlocução com o mercado — sinalização de que, no período eleitoral, o governo busca minimizar o risco-Brasil percebido pelos investidores institucionais
  • Moraes arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Abin paralela — decisão que reduz o número de frentes judiciais abertas e pode influenciar o ambiente político-eleitoral

🏢

Empresas em DestaqueCorporativo

  • Time For Fun (TIMS3): o controlador Fernando Alterio adquiriu 58,13% das ações em circulação a R$ 6,02 por ação na OPA de fechamento de capital, elevando sua participação a 79,14%. Liquidação prevista para amanhã (22/07).
  • Gerdau (GGBR4): adquiriu os 23,03% da Dona Francisca Energética (Dfesa) que pertenciam à Celesc por R$ 150 milhões, passando a deter 100% da companhia — expansão em geração de energia própria.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A proposta de cessar-fogo de 10 dias entre EUA e Irã é a notícia que o mercado estava esperando há semanas — e a reação é proporcional ao acúmulo de tensão: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro quase +0,5%. Mas convém calibrar o otimismo: o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada — depois da proposta já ter sido apresentada — e os houthis no Iêmen declararam embargo marítimo à Arábia Saudita com ameaça de fechar Bab el-Mandeb, a rota alternativa que os sauditas vinham usando para exportar petróleo enquanto Ormuz estava restrita. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário ideal de resolução exige não apenas um cessar-fogo EUA-Irã, mas também o recuo dos houthis — o que adiciona uma variável independente que o mercado ainda não precificou completamente. Para o Brasil, o dado mais importante desta terça é o Focus: pela terceira semana consecutiva, o IPCA 2026 recuou — o mercado mantém a tese de que o choque é temporário e que a desinflação voltará quando o conflito se resolver. As defasagens em −52% e −67% são recordes absolutos — mas o mercado olha para o que vem depois da trégua, não para o patamar atual. A questão que fica: se o cessar-fogo de 10 dias for aceito, o petróleo cai com força suficiente para permitir ao governo retirar o subsídio da gasolina no fim de julho? Com o Brent em US$ 88 hoje, precisaria cair para perto de US$ 70 para as defasagens se tornarem manejáveis. Dez dias podem não ser suficientes.

📋

Boletim Focus
Expectativas de Mercado

IPCA 2026
5,10%
↓ de 5,16% — 3ª queda seguida
Selic 2026
14,00%
Manutenção
Câmbio 2026
R$ 5,20
Manutenção
PIB 2026
1,99%
Manutenção

  • IPCA 2026 cai para 5,10% — terceira queda consecutiva: o mercado reduz a projeção de inflação pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,10%. O movimento confirma a tese de que o choque do petróleo é percebido como temporário — o mercado ancora na expectativa de que o conflito se resolve e a desinflação retorna. Ainda assim, a projeção para 2028 subiu levemente, acendendo alerta sobre expectativas de médio prazo
  • Selic em 14,00% — manutenção: o mercado segue precificando pelo menos mais um corte no ciclo, mas sem antecipar movimentos. O Copom de agosto dependerá da evolução do conflito e do petróleo nas próximas duas semanas
  • Câmbio em R$ 5,20 — estável: projeção sustentada pelo fluxo de dólares ainda positivo e pela expectativa de que o conflito não afeta estruturalmente o real. O dólar fechou ontem em R$ 5,0893 — abaixo da projeção do Focus, o que reflete o colchão cambial em ação
  • Atenção: projeção de inflação para 2028 subiu — enquanto o mercado reduz o IPCA de 2026 e 2027, a estimativa para 2028 avançou, sinalizando que parte dos analistas começa a incorporar riscos de médio prazo (El Niño, encargos de energia, pressão fiscal eleitoral) nas projeções mais longas
📌 Leitura do Focus: três quedas consecutivas no IPCA 2026 com defasagens em recordes históricos revelam uma aparente contradição — mas a lógica é consistente: o mercado precifica o choque como temporário e aposta na resolução do conflito. O risco dessa tese é exatamente o que os houthis fizeram hoje: adicionar variáveis independentes que podem prolongar a crise além da trégua EUA-Irã. Se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, a tese do “choque temporário” precisará ser revisada.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impaco para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / Cessar-fogoGeopolítica — Alívio Relativo
Mediadores apresentam proposta de cessar-fogo de 10 dias a EUA e Irã — mercados globais disparam
Mediadores regionais apresentaram nesta terça uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia provocou forte alta nos mercados: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq +1,18%. O petróleo recuou levemente. O CENTCOM, porém, confirmou a 10ª rodada de ataques na noite de ontem — e o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada.
Contexto: A proposta de trégua é genuinamente positiva — é o primeiro sinal concreto de mediação desde o colapso da trégua de junho. Mas a cautela é necessária: o Irã atacou um petroleiro depois da proposta ser apresentada, sinalizando que o campo militar ainda não está sincronizado com o diplomático. Para o petróleo cair o suficiente para permitir a retirada dos subsídios brasileiros, a trégua precisa ser aceita e mantida — 10 dias podem não ser suficientes.

02
Houthis / Bab el-Mandeb / EnergiaNova Ameaça de Bloqueio
Houthis declaram embargo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb — a válvula de alívio do petróleo global
O grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Esta rota vinha funcionando como válvula de alívio durante a guerra: os sauditas desviaram parte do petróleo por duto até um terminal de exportação no Mar Vermelho para contornar Ormuz. Um bloqueio de Bab el-Mandeb encerraria essa alternativa.
Contexto: A ameaça dos houthis adiciona uma segunda variável de risco energético independente do conflito EUA-Irã. Se Ormuz e Bab el-Mandeb forem bloqueados simultaneamente, o mercado de petróleo enfrentaria uma restrição de oferta sem precedente histórico — sem rota alternativa de escala para o petróleo do Golfo. Para o Brasil, é o cenário de pior caso: diesel em −67% já hoje, e sem perspectiva de normalização enquanto as duas rotas estiverem comprometidas.

03
Focus / IPCA / SelicInflação Brasil — 3ª Queda
Focus: IPCA 2026 cai para 5,10% pela 3ª semana seguida — mercado mantém tese do choque temporário
O Boletim Focus desta terça reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,16% para 5,10% — terceira queda consecutiva após 14 semanas de alta. A Selic esperada para o fim do ano foi mantida em 14,00%. O movimento confirma que o mercado precifica o conflito como choque temporário e aposta na desinflação pós-trégua. A projeção para 2028, porém, subiu levemente.
Contexto: IPCA caindo no Focus enquanto as defasagens batem recordes históricos parece contraditório, mas é coerente com a tese do mercado: o choque é temporário, a resolução vem, e a desinflação de junho voltará. O risco é exatamente a ameaça dos houthis: se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, o “temporário” vira “estrutural” e o Focus precisará ser revisado para cima. A alta na projeção de 2028 já é um sinal de alerta incipiente.

04
EUA / Canadá / TarifaçoComércio Internacional
EUA impõem tarifas de 50% sobre veículos, bebidas e laticínios do Canadá — escalada comercial americana se amplia
Os EUA impuseram tarifas adicionais de 50% sobre veículos automotores, bebidas alcoólicas e laticínios canadenses, usando a Seção 338 do Tariff Act de 1930 — dispositivo raramente utilizado. As tarifas entram em vigor em 30 dias e se aplicam independentemente do acordo de livre-comércio vigente entre os países. As tarifas de 25% sobre o Brasil entram em vigor hoje (22/07).
Contexto: Os EUA ampliam a guerra comercial do Brasil para o Canadá — o maior parceiro comercial americano. O uso da Seção 338, raramente acionada, sinaliza que Trump está disposto a escalar sem limites jurídicos convencionais. Para o Brasil, o foco agora é na entrada em vigor das tarifas de 25% amanhã — e na resposta do real a esse evento depois de semanas de preparação do mercado.

05
Exportações / Europa / DiversificaçãoComércio Exterior Brasil
Exportações brasileiras à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses — diversificação já em curso como resposta ao tarifaço
O vice-presidente Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em apenas dois meses — sinalização de que a diversificação de destinos das exportações já está em curso como resposta ao tarifaço americano. O governo mantém a estratégia de segurar medidas de reciprocidade até as eleições para não amplificar o conflito político.
Contexto: R$ 10 bi de crescimento para a Europa em dois meses é o dado mais construtivo para o setor exportador brasileiro desta semana — mostra que o agronegócio e a indústria já estão redirecionando fluxos. Esse deslocamento para a Europa e Ásia pode mitigar parte do impacto das tarifas americanas no médio prazo, especialmente se o acordo com a União Europeia avançar.

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Morning Call — 20 de Julho

Morning CallSegunda-feira, 20 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
9ª noite consecutiva de ataques EUA-Irã · Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito · Brent US$ 88 · Diesel −63% · Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito — 9ª noite de ataques americanos: o Irã anunciou que nenhuma gota de petróleo ou gás transitará pelo Estreito de Ormuz enquanto o conflito durar. O CENTCOM concluiu no domingo a 9ª noite consecutiva de ataques ao Irã. EUA e Irã se acusam mutuamente de violar o memorando de entendimento de junho. O Brent abre a semana em US$ 88 — o nível mais alto de todo o conflito — e as defasagens dos combustíveis brasileiros atingiram novos recordes no fim de semana: diesel em −63% e gasolina em −47%.
S&P 500+0,24%Futuro — recuperação
Nasdaq+0,37%Futuro
Kospi−4,50%Coreia do Sul
Shanghai+0,85%China
Brent+0,07%US$ 88,16 — máxima do conflito
WTI−0,57%US$ 82,02
Treasury 10a4,561%Sobe levemente
Ouro+0,16%US$ 4.025 — porto seguro

🇺🇦 Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas — o ataque mais letal dentro da Rússia em mais de dois anos: drones ucranianos atingiram dois depósitos e um terminal de petróleo em território russo no fim de semana — o mais letal desde o início do conflito. A Rússia respondeu com onda de mísseis balísticos e drones sobre Kiev. A OTAN declarou estar preparada para “qualquer movimento russo”, incluindo investida sobre Polônia e países bálticos.
  • Catar condena ataques iranianos à Jordânia, Bahrein e Kuwait — alinhamento dos países do Golfo contra o Irã se consolida. O isolamento iraniano no mundo árabe é crescente, mas não interrompe o conflito militar
  • PPI alemão +1,8% em junho anual (+5,1% em bens intermediários como metais e químicos) — reflexo da guerra chegando ao produtor europeu. A desinflação europeia pode ser temporária
  • IGP-10 amplia queda em julho — sinal positivo de curto prazo para a inflação doméstica, mas o alerta já chega: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio
  • Galípolo (BC) e decisão do BCE são os destaques da agenda desta semana — e as tarifas de 25% dos EUA entram em vigor na quarta (22/07)

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (sex)−0,06%173.714 pts · semana −2,33%
Dólar (sex)+0,25%R$ 5,1112
Defasagem gas.−47%Abicom · 17/07 — novo recorde
Defasagem diesel−63%Abicom · 17/07 — novo recorde

💳 Governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bilhões driblando o arcabouço fiscal: o governo Lula prepara pacote de crédito de R$ 145 bilhões para o ano eleitoral, usando mecanismos que contornam as regras do arcabouço. Ao mesmo tempo, começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço americano para definir o tamanho do socorro — enquanto o BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital sobre fundo com ativos do Master.
🛢️ Diesel em −63% e gasolina em −47% — defasagens batem novos recordes no fim de semana: com o Brent chegando a US$ 88 e o Irã declarando Ormuz fechado, as leituras da Abicom do fim de semana (17/07) mostram os maiores desalinhamentos de toda a crise. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho — mas o contexto atual torna qualquer retirada politicamente inviável.
  • Plano para gasolina com 35% de etanol avança — nova fase de testes prevista para setembro. Se aprovado, seria um passo além do etanol a 32% recém-implementado — amortecedor estrutural mais relevante no médio prazo
  • ONS reduz previsão para reservatórios do SE/CO em julho — com El Niño ativo, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste começam a recuar, aumentando o risco de bandeira amarela ou vermelha na conta de luz
  • TCU detecta falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas — combustível para novas investigações na alçada de Dino no STF. Tensão fiscal e política se intensifica no recesso

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • GPA (PCAR3): o grupo afirmou que as impugnações ao plano de recuperação extrajudicial são minoritárias — o plano já conta com apoio de 57,49% dos créditos, com 88,4% optando pela injeção de novos recursos. Sinal de que o processo de reestruturação avança.
  • Grupo Itajobi (sucroalcooleiro): pediu mediação empresarial no CEJUSC para renegociar dívida de R$ 3,76 bilhões antes de eventual recuperação judicial. O setor sucroenergético, que havia se beneficiado do etanol a 32%, enfrenta pressão de endividamento acumulada.
  • Carros chineses: vendas disparam no Brasil e derrubam preços tanto no mercado de novos quanto no de usados — a eletrificação da frota brasileira avança mesmo em ambiente de guerra comercial com os EUA.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana começa com o Brasil digerindo uma nova dimensão do conflito: o Irã declarou formalmente que Ormuz estará fechado enquanto durar o confronto — o que transforma o que era um risco operacional em uma declaração de política. Não é mais uma ameaça tática; é um posicionamento estratégico. Com o Brent em US$ 88, o diesel em −63% e a gasolina em −47%, o Brasil enfrenta as maiores defasagens de combustível de toda a crise — e ainda sem data definida para a reversão dos subsídios. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta abertura não é o petróleo, mas a combinação de dois conflitos globais simultâneos afetando o mesmo mercado de energia: Ormuz (petróleo do Oriente Médio) e refinarias russas (diesel do Leste Europeu) ao mesmo tempo. O Brasil está no epicentro desse duplo choque porque depende de ambas as rotas. Para a semana, três eventos definem o tom: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta (22/07) — o real será o termômetro imediato do impacto; Galípolo fala e o BCE decide — sinalizações sobre o ritmo de juros globais; e a evolução do conflito em Ormuz, que pode deteriorar ou abrir espaço para negociação. O paradoxo do momento: o governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bi para o ano eleitoral num ambiente de IPCA acima da meta, subsídios sem data de encerramento e conta de luz prestes a subir. Os colchões do Brasil resistem — mas a semana desta terça a sexta será uma das mais definidoras de 2026.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−63%
Abicom · 17/07 — novo recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−47%
Abicom · 17/07 — novo recorde
Brent
US$ 88,16
Máxima do conflito — Ormuz “fechado”
Reservatórios SE/CO
↓ ONS
ONS reduz previsão julho — El Niño ativo

  • Diesel em −63% — defasagem mais grave de toda a crise, com dois conflitos globais na origem: o fechamento declarado de Ormuz pelo Irã somado aos ataques ucranianos às refinarias russas cria uma restrição de oferta sem precedente neste ciclo. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa ao do Oriente Médio, perdeu os dois fornecedores alternativos ao mesmo tempo
  • Brent em US$ 88 — máxima do conflito: o petróleo tipo Brent atinge o nível mais alto desde o início do conflito em março, superando os picos anteriores. Com Ormuz declarado fechado e refinarias russas fora do ar, o mercado não tem referência clara de teto enquanto durar o duplo choque
  • Gasolina em −47% com etanol a 32% recém-implementado: mesmo com o aumento da mistura aprovado pelo CNPE na semana passada, a defasagem da gasolina atingiu novo recorde. O etanol a 32% economiza R$ 0,03/litro — mas cada dólar de alta no Brent adiciona cerca de R$ 0,05 à defasagem. O plano para 35% de etanol em setembro seria o próximo passo, mas ainda está em fase de testes
  • Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste recuam — ONS reduz previsão: com o El Niño ativo e as primeiras ondas de seca chegando ao Sudeste, a ONS reduziu a previsão para os reservatórios em julho. A combinação de menor afluência hídrica com encargos das eólicas “jabutis” cria pressão dupla na conta de luz para o 2S26
  • IGP-10 amplia queda em julho — alívio real, mas temporário: o índice que mede a inflação entre os dias 11 do mês anterior e 10 do corrente mostrou queda, puxado pela deflação nos preços ao produtor. O alerta, porém, já está no próprio relatório: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio nas próximas leituras
📌 Leitura do Radar — abertura de semana crítica: diesel em −63%, gasolina em −47%, Brent em US$ 88 e reservatórios recuando. É o Radar mais crítico desde o pico do conflito em março. A declaração iraniana de fechar Ormuz “enquanto durar o conflito” transforma o choque de oferta de episódico em estrutural — e é essa mudança de percepção que o mercado precisa precificar nas próximas sessões. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho: com esses números, qualquer cenário de retirada será extremamente difícil de justificar politicamente.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Irã / Ormuz / EUAConflito — Nova Declaração
Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito — 9ª noite de ataques americanos; EUA e Irã acusam-se de violar trégua de junho
O Irã declarou que nenhuma gota de petróleo ou gás transitará pelo Estreito de Ormuz enquanto durar o confronto com os EUA. O CENTCOM concluiu no domingo a 9ª noite consecutiva de ataques ao Irã. EUA e Irã se acusam mutuamente de violar o memorando de entendimento de junho. O Catar, Kuwait e Emirados condenaram os ataques iranianos à Jordânia, Bahrein e Kuwait.
Contexto: A declaração de fechar Ormuz “enquanto durar o conflito” é a escalada retórica mais grave desde o início da guerra — e muda o enquadramento do mercado: de choque temporário para bloqueio estrutural indefinido. Com 20% do petróleo mundial passando por Ormuz, qualquer sinalização de fechamento prolongado movimenta o Brent para cima. O isolamento do Irã no mundo árabe pode pressionar por negociação, mas o calendário é incerto.

02
Ucrânia / Rússia / EnergiaDuplo Choque de Oferta
Ucrânia atinge dois depósitos e um terminal de petróleo na Rússia — o ataque mais letal em mais de dois anos; Rússia responde com mísseis sobre Kiev
Drones ucranianos atingiram dois depósitos e um terminal de petróleo em território russo no fim de semana — o ataque mais letal dentro da Rússia em mais de dois anos. A Rússia respondeu com onda de mísseis balísticos sobre Kiev. A OTAN declarou estar preparada para “qualquer movimento russo”, incluindo investida sobre a Polônia e países bálticos.
Contexto: Com refinarias russas sob ataque sistemático e Ormuz declarado fechado pelo Irã, o Brasil perde simultaneamente os dois fornecedores alternativos de diesel que havia usado durante o conflito. Esse duplo choque de oferta é o fator que explica a defasagem do diesel em −63% — e não há perspectiva de resolução de nenhum dos dois conflitos no curto prazo.

03
Governo / Crédito / FiscalRisco Fiscal Brasil
Governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bi driblando o arcabouço fiscal em ano eleitoral
O governo Lula prepara pacote de crédito de R$ 145 bilhões para o ano eleitoral, usando mecanismos que contornam as regras do arcabouço fiscal. Paralelamente, o governo começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço americano para definir o tamanho do socorro. Os EUA teriam pedido ao Brasil abertura do setor químico e isenção para bens industriais como condição nas negociações.
Contexto: R$ 145 bi em crédito contornando o arcabouço é o sinal mais claro de que o governo está priorizando o ciclo eleitoral sobre a disciplina fiscal. Num ambiente de IPCA acima da meta, subsídios de combustíveis sem data de encerramento e conta de luz prestes a subir, adicionar estímulo de crédito é um vetor pró-inflacionário que o Copom precisará considerar em agosto.

04
Tarifaço / EUA-Brasil / MineraisComércio Internacional
EUA pediram abertura do setor químico e controle de minerais críticos no Brasil como condições do tarifaço — governo recusou
O governo revelou que os EUA pediram, durante as negociações, abertura do setor químico e isenção para bens industriais americanos — além de limitação dos investimentos chineses em minerais críticos no Brasil. O governo recusou todas as condições estruturais. As tarifas de 25% entram em vigor na quarta-feira (22/07).
Contexto: As condições reveladas pelo governo confirmam que o tarifaço tem dimensão geopolítica clara: os EUA querem limitar a presença chinesa nos minerais críticos brasileiros (lítio, nióbio, terras raras). A recusa brasileira mantém o conflito comercial aberto — e coloca o Brasil no centro de uma disputa entre as duas maiores potências mundiais por recursos estratégicos do século XXI.

05
TCU / Emendas Pix / FiscalGovernança Fiscal
TCU detecta falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas — e propõe elevar penduricalhos em até 40%
O TCU detectou falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas, alimentando investigações de Dino no STF. Ao mesmo tempo, o próprio TCU propõe ao Congresso elevar penduricalhos em até 40% após liberar supersalários fora do teto — postura contraditória que expõe as tensões internas entre controle e acomodação fiscal. A injeção de verba de emendas em municípios subiu 20% em ano eleitoral.
Contexto: O TCU num mesmo mês apontando falhas em 82% das emendas e propondo aumento de penduricalhos é o retrato da inconsistência fiscal brasileira em ano eleitoral. Para o investidor, o sinal é que a pressão sobre o gasto público continuará independentemente do conflito externo — e que o arcabouço fiscal tem cada vez menos força de contenção real.

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