Morning Call — 31 de Agosto

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Os EUA atacaram lançadores de foguetes do Irã na ilha de Larak, em Ormuz — primeiro ataque reconhecido publicamente desde o fim de julho. Trump ampliou as ameaças para a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país. O petróleo disparou mais de 3,5%. No front monetário, o discurso hawkish de Warsh em Jackson Hole reacendeu apostas de alta do Fed em setembro. Mesmo assim, o Ibovespa fechou a 8ª sessão seguida de alta na sexta — semana de +2,71%.
- Líder supremo do Irã pede ao governo que enfrente as dificuldades econômicas — Pezeshkian confirmou que o comércio exterior do país encolheu um terço devido a sanções e bloqueio, primeiro reconhecimento explícito do impacto econômico da guerra pelas lideranças iranianas
- França: custo de financiamento atinge patamares próximos à crise de 2008 — o rendimento do título de 10 anos bateu a maior marca desde 2008 na sexta-feira, refletindo instabilidade política e descontrole fiscal, com a batalha orçamentária de 2027 como teste-chave
- PMI industrial da China sobe para 49,8 (de 49,2) — recuperação melhor que o esperado, mas ainda em contração pelo 2º mês consecutivo
- IGP-M cai 0,22% em agosto — acumula alta de apenas 2,16% em 12 meses, reforçando o quadro de pressão de custos ainda controlada na cadeia de produção, mesmo com o choque de petróleo internacional
- Efeito contracionista dos juros se espalha — queda do PIB no 3º trimestre entra no radar — mercado começa a monitorar de perto o risco de desaceleração mais acentuada da atividade doméstica nos próximos meses
- Safra recorde do Brasil pressiona mercado de diesel e eleva custos no campo — a maior demanda por combustível na colheita se soma ao cenário já crítico de defasagem, ampliando o custo de produção agrícola
- HBR Realty / Helbor: o conselho convocou assembleia geral extraordinária para 18 de setembro, para deliberar sobre oferta pública de permuta unificada com o objetivo de adquirir o controle da Helbor e posteriormente fechar seu capital — ambas controladas pela família Borenstein.
- Axia Energia: teve aprovada pela maioria dos acionistas a incorporação de quatro sociedades controladas já integralmente detidas pela antiga Eletrobras (Juno Participações, Tijoá Participações, Retiro Baixo Energética e SPE Nova Era Janapu Transmissora), parte da estratégia de simplificação societária.
Baseado no Research BTG Pactual
O primeiro ataque americano reconhecido publicamente desde o fim de julho, combinado à expansão das ameaças de Trump para Kharg — o principal terminal de exportação de petróleo do Irã, não um alvo militar secundário —, marca uma escalada qualitativamente diferente das últimas semanas. Mirar a infraestrutura de exportação de petróleo, e não apenas posições militares, eleva o risco de uma disrupção mais duradoura na oferta global, e o mercado reagiu com o Brent disparando mais de 3,5%. Segundo o research do BTG Pactual, o reconhecimento explícito do impacto econômico da guerra pelo próprio líder supremo do Irã é outro sinal relevante — governos raramente admitem publicamente que estão sofrendo, o que sugere que a pressão de Washington está de fato surtindo efeito, mesmo que ainda não tenha produzido uma resolução diplomática. No plano doméstico, o Ibovespa conseguindo emendar a oitava sessão seguida de alta mesmo digerindo o tom hawkish de Warsh e a nova escalada geopolítica é um sinal de resiliência que contrasta com semanas anteriores de fragilidade extrema. Mas as defasagens de combustíveis voltando a piorar (diesel −79%, gasolina −55%) mostram que o custo real da escalada já está batendo à porta do orçamento público — e a sinalização de Moretti sobre desoneração como alternativa às subvenções indica que o governo já está se preparando para um cenário de convivência prolongada com o problema, não uma resolução rápida.
- Diesel piora para −79% e gasolina para −55% — a escalada em Ormuz reverteu qualquer perspectiva de convergência de curto prazo, com o Brent voltando a subir com força
- Brent dispara 3,5% após ataque a lançadores iranianos — a natureza mais ofensiva do episódio, com Trump ampliando ameaças a Kharg, sugere que a escalada pode não ter atingido seu pico ainda
- IGP-M em deflação pelo segundo mês, acumulando apenas 2,16% em 12 meses — a pressão de custos ao produtor segue controlada, oferecendo algum contrapeso doméstico ao choque externo de petróleo
- Governo sinaliza desoneração como alternativa às subvenções pós-crise — Moretti já trabalha em plano B para quando o mecanismo atual chegar ao limite, reconhecendo implicitamente que a normalização das defasagens não é iminente
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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