Morning Call — 24 de Agosto

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Bessent anunciou que os EUA vão divulgar hoje a “maior ofensiva financeira” já promovida contra o Irã — “ao amanhecer começa um D-Day econômico”. A janela de 60 dias para cessar-fogo passou sem renovação, encerrando o mecanismo formal de trégua. O Irã formalizou restrições de trânsito em Ormuz. No comércio, EUA confirmaram tarifa de 50% sobre o Canadá — Carney suspendeu negociações e promete retaliar. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana com +2,44%, puxado por apetite a risco global e por uma eleição mais acirrada do que o mercado precificava.
- EUA confirmam tarifa de 50% sobre US$ 20 bi em produtos canadenses — sem exceção para itens protegidos pelo USMCA, em vigor desde meia-noite de sábado. Carney suspendeu as negociações, prometeu retaliar “dólar por dólar” e anunciou tarifas próprias a partir de 8 de setembro
- Warsh fala esta semana em Jackson Hole — investidores ansiosos por mais uma chance de decifrar a “esfinge” do Fed, em meio a sinais de pressão crescente sobre a economia americana
- Kospi tomba 3,12% — reversão após a disparada da semana passada, refletindo o tom mais cauteloso global antes do anúncio contra o Irã
- Consumidor poderá escolher fornecedor de energia — mudança na conta de luz promete economia ao permitir migração entre fornecedores, parte da agenda de liberalização do mercado elétrico
- Preços do diesel e gasolina da Petrobras estão mais baixos que no exterior — sinal de que, apesar das defasagens recordes nas leituras da Abicom, a estatal ainda pratica preços competitivos frente ao mercado internacional
- Quase 70% das despesas do governo federal crescem acima do limite do arcabouço fiscal — dado que reforça a urgência do ajuste fiscal mencionada pelo ministro da Fazenda, com a dívida projetada em R$ 1,8 tri para 2027
- Avibras / Globe Investimentos: o family office dos irmãos Joesley e Wesley Batista adquiriu 100% da Avibras, maior indústria bélica do país, com valor não divulgado. A Globe afirmou que a compra visa sustentar a retomada das operações e preservar a capacidade tecnológica e industrial da companhia, sem relação com a J&F S.A.
- Eneva (ENEV3): concluiu operação de antecipação de recebíveis da usina termelétrica Porto de Sergipe I, que pode gerar até R$ 3 bilhões em recursos líquidos — envolveu cessão de parte dos direitos creditórios da receita fixa dos contratos regulados entre 2030 e 2035.
Baseado no Research BTG Pactual
A frase de Bessent — “ao amanhecer começa um D-Day econômico” — é a retórica mais dramática de todo o conflito até agora, e não é coincidência que venha no mesmo dia em que a janela formal de 60 dias para o cessar-fogo simplesmente expirou sem que ninguém a renovasse. O mecanismo diplomático que vinha servindo de referência para o conflito deixou de existir formalmente. Ao mesmo tempo, o Irã reagiu institucionalizando o controle sobre Ormuz — criando uma autoridade própria (PGSA) para fiscalizar o trânsito, o que sinaliza que Teerã pretende jogar o jogo de longo prazo, não recuar. Segundo o research do BTG Pactual, essa combinação de “ofensiva financeira sem precedentes” dos EUA com a formalização do controle iraniano sobre o estreito é o tipo de escalada institucional — não apenas retórica — que tende a manter o conflito ativo por mais tempo, independentemente de qualquer avanço pontual nas conversas com Omã. Para o Brasil, a boa notícia da sexta-feira — o Ibovespa fechando a semana com +2,44% — tem uma leitura interessante: parte do rali veio da percepção de que a eleição será mais disputada do que o mercado vinha precificando, o que paradoxalmente foi lido como positivo, sugerindo que o mercado talvez estivesse precificando demais um cenário de continuidade sem alternância. Para o investidor, a semana que começa exige atenção dupla: ao desdobramento do “D-Day econômico” americano contra o Irã, e ao IPCA-15 doméstico, que será o primeiro grande teste de como a inflação está reagindo ao ambiente externo mais adverso.
- Brent recua 1,65% antes do anúncio da “ofensiva financeira” — o mercado aguarda os detalhes concretos da medida americana antes de precificar um novo movimento; a reação de hoje ao anúncio será determinante para a semana
- Combustíveis da Petrobras seguem abaixo do preço internacional — apesar das defasagens recordes nas leituras da Abicom, a companhia consegue manter preços competitivos frente ao exterior, amortecendo parte do impacto ao consumidor final
- Dívida projetada em R$ 1,8 tri para 2027 reforça a urgência do ajuste fiscal — quase 70% das despesas do governo federal crescem acima do limite do arcabouço, segundo o Estadão, o que já levou o ministro da Fazenda a falar em “apertar” as regras
- IPCA-15 desta semana será o primeiro grande teste doméstico pós-escalada: o mercado vai monitorar de perto se a pressão externa do petróleo já começou a contaminar a inflação de curto prazo no Brasil
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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