Morning Call — 26 de Agosto

Morning Call — 26 de Agosto

Morning CallQuarta-feira, 26 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa+1,50% 174.000+ pts
Dólar−0,25% R$ 5,1399
S&P Fut.−0,05%
Bitcoin−0,16% US$ 78.790

O IPCA-15 de agosto saiu agora: −0,40%, a maior deflação mensal desde agosto de 2022 e bem abaixo do consenso (−0,30%). No Oriente Médio, Irã e Omã sinalizam estar próximos de um acordo para Ormuz, com corredor de navegação temporário e retirada de minas — o Brent despencou 3,12% para US$ 85,82. O Canadá retaliou com tarifas “dólar por dólar” contra os EUA. Hoje saem PCE, PIB americano e o balanço da Nvidia. No Brasil, o Ibovespa subiu 1,5% ontem, superando 174 mil pontos.

Internacional
Panorama Global

🕊️ Irã e Omã sinalizam acordo próximo para Ormuz — corredor de navegação temporário e retirada de minas: em comunicado conjunto, os chanceleres dos dois países discutiram uma “proposta de arcabouço” para estabelecer trânsito seguro pela via, considerada vital para o comércio global de petróleo. A perspectiva de menor risco geopolítico pressionou os preços do petróleo, com o Brent caindo abaixo de US$ 90 durante a madrugada. Apenas cinco navios cruzaram Ormuz ontem — queda de cerca de dois terços frente à média dos últimos dez dias, segundo a Kpler.
Brent3,12%US$ 85,82 — forte recuo
WTI3,17%US$ 79,75
Kospi0,97%Coreia do Sul
NvidiaBalanço hojeApós fechamento dos EUA

⚛️ Trump submete ao Congresso acordo nuclear civil com a Arábia Saudita — condicionado aos Acordos de Abraão: o pacto, fechado em julho com duração de 30 anos, permitiria exportação de tecnologia nuclear civil americana e construção de reatores no país — mas só avança se a Arábia Saudita aderir aos Acordos de Abraão. Trump já havia afirmado que “não haverá enriquecimento de material” por parte do país. O acordo foi criticado por não trazer proibição permanente ao enriquecimento de urânio.
  • Canadá retalia com tarifas “dólar por dólar” — 15% a 50% sobre mais de 700 produtos americanos, somando cerca de US$ 20 bilhões; aço e alumínio taxados em 50%, o dobro da taxa atual
  • PCE de julho sai hoje nos EUA — expectativa de alta mensal de 0,2%; o país também divulga a segunda estimativa do PIB do 2T e o balanço da Nvidia após o fechamento, com a ação subindo ontem após 7 pregões seguidos de queda
  • Warsh enfrenta “prova de fogo” em Jackson Hole — senadores pressionam para que o Fed mantenha suas reuniões regulares após rumores de mudanças; Collins (Fed) diz que juros precisarão subir em breve, salvo sinais contínuos de queda da inflação

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (ter)1,50%174.000+ pts · semana +2%
Dólar (ter)0,25%R$ 5,1399
IPCA-15 agosto0,40%Maior deflação desde ago/2022
Defasagem diesel−75%Abicom · 25/08 — melhora vs. −86%

📊 IPCA-15 de agosto vem em −0,40% — maior deflação mensal desde agosto de 2022, muito abaixo do consenso: o resultado, divulgado às 9h desta manhã, surpreendeu fortemente o mercado, que esperava deflação de apenas 0,30%. É o dado mais construtivo para a trajetória da inflação brasileira em anos, e deve reforçar as apostas de continuidade do ciclo de cortes da Selic. Combinado com a melhora nas defasagens de combustíveis (diesel de −86% para −75%), o quadro doméstico de curto prazo está mais favorável do que em qualquer momento das últimas semanas.
📈 Ibovespa sobe 1,5% e supera 174 mil pontos, mesmo com o petróleo derretendo — primeiros sinais de retomada do fluxo estrangeiro: o avanço foi sustentado pelo recuo dos juros futuros, pela alta das ações ligadas à economia doméstica e pelos primeiros sinais de retomada do fluxo de investidores estrangeiros para a B3. Na semana, o ganho chegou a 2%, reduzindo as perdas de agosto para 1,9% — uma reversão importante após semanas de pressão sobre os ativos brasileiros. O dólar fechou em queda de 0,25%, a R$ 5,1399.
  • Governo deve prorrogar subvenção à gasolina até 9 de setembro — decisão formal esperada nesta terça-feira, dando mais tempo ao mecanismo diante da melhora ainda parcial nas defasagens
  • Aneel reduz tarifas de energia do Norte e Nordeste a partir de hoje — Ceará terá redução média de 5,87% na conta de luz, alívio bem-vindo após os reajustes de alta em outras regiões nas últimas semanas
  • Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas sob recuperação judicial e extrajudicial, com a Braskem — marco histórico que reforça o quadro de estresse de crédito acumulado ao longo do ano

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Hapvida (HAPV3): anunciou operações de recompra de dívida e encerramento antecipado de contratos financeiros, aprovando o emprego de até R$ 250 milhões para recompra de debêntures próprias e liquidação antecipada de operações de hedge — movimento que reduz a dívida bruta da companhia.
  • Taesa (TAEE11): o ONS autorizou a entrada em operação do terceiro banco de autotransformadores da Subestação Rio Grande II, reforço na concessão da São Pedro Transmissora de Energia.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

Depois de semanas dominadas por retórica de escalada, esta quarta-feira entrega uma combinação rara de boas notícias simultâneas. O IPCA-15 em −0,40% não é apenas uma surpresa positiva — é a maior deflação mensal em quatro anos, um resultado que muda a conversa sobre o ritmo dos próximos cortes do Copom. Ao mesmo tempo, o sinal de acordo entre Irã e Omã sobre Ormuz, com proposta concreta de corredor de navegação e retirada de minas, é o desenvolvimento diplomático mais substantivo do conflito até agora — não é retórica, é uma “proposta de arcabouço” documentada em comunicado conjunto. O Brent caindo mais de 3% reflete que o mercado está levando a sério essa possibilidade. Segundo o research do BTG Pactual, a combinação de inflação doméstica surpreendendo para baixo com o petróleo cedendo por razões estruturais (não apenas retóricas) é o cenário mais construtivo para o Brasil desde o início da crise em fevereiro. O Ibovespa capturando isso com alta de 1,5% e sinais de retomada de fluxo estrangeiro confirma que o mercado está lendo o dia como um ponto de inflexão, não apenas mais uma oscilação. A cautela necessária: o acordo entre Irã e Omã ainda é uma “proposta de arcabouço”, não um pacto fechado, e o histórico recente do conflito mostra que otimismo prematuro já foi revertido mais de uma vez. Para o investidor, a pergunta chave passa a ser: essa combinação de bons dados domésticos e alívio geopolítico tem pernas para se sustentar além de um dia, ou é mais um respiro dentro de um padrão ainda volátil?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

IPCA-15 agosto0,40%Maior deflação desde ago/2022
Brent3,12%US$ 85,82 — Ormuz avança
Defasagem Diesel−75%Abicom · 25/08 — melhora vs. −86%
Defasagem Gasolina−48%Abicom · 25/08 — melhora vs. −53%

  • IPCA-15 de −0,40% é o dado mais construtivo do ciclo — deflação muito acima do esperado (consenso era −0,30%), a maior para o mês desde agosto de 2022, reforçando o espaço para continuidade dos cortes de juros
  • Diesel melhora de −86% para −75% — a maior melhora em uma única leitura desde o início da crise, refletindo o recuo do Brent nos últimos dias e a perspectiva de acordo em Ormuz
  • Gasolina melhora de −53% para −48% — segunda leitura seguida de recuperação, com o governo já sinalizando prorrogação do subsídio até 9 de setembro para sustentar a trajetória
  • Brent cai mais de 3% com sinal de acordo Irã-Omã sobre Ormuz — diferente de recuos anteriores movidos por retórica isolada, este movimento reflete uma proposta diplomática concreta documentada em comunicado conjunto
📌 Leitura do Radar — o dia mais construtivo do ciclo: quatro indicadores em verde pela primeira vez em semanas — IPCA-15 surpreendendo para baixo, Brent recuando com fundamento diplomático real, e as duas defasagens de combustíveis melhorando simultaneamente. A cautela: o acordo Irã-Omã ainda é uma proposta, não um pacto fechado — o padrão do conflito mostra que otimismo prematuro já foi revertido antes.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
IPCA-15 / Inflação / CopomInflação — Surpresa Histórica
IPCA-15 de agosto vem em −0,40% — maior deflação mensal desde agosto de 2022
O IBGE divulgou às 9h desta manhã que o IPCA-15 de agosto teve variação de −0,40%, muito abaixo do consenso de mercado de −0,30%. É a maior deflação mensal para o índice desde agosto de 2022, resultado que surpreendeu fortemente analistas e deve reforçar as apostas de continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Copom.
Contexto: uma deflação dessa magnitude é rara e tende a dar ao Banco Central mais conforto para manter o ritmo de cortes da Selic, especialmente combinada com a melhora simultânea nas defasagens de combustíveis nesta mesma edição.

02
Irã / Omã / OrmuzGeopolítica — Avanço Diplomático
Irã e Omã sinalizam acordo próximo para Ormuz — proposta de corredor de navegação e retirada de minas
Em comunicado conjunto, os chanceleres dos dois países discutiram uma “proposta de arcabouço” para estabelecer trânsito seguro pelo estreito, incluindo um corredor de navegação temporário e um projeto para retirada de minas da região. O Brent caiu abaixo de US$ 90 durante a madrugada, refletindo a perspectiva de menor risco geopolítico.
Contexto: é o desenvolvimento diplomático mais concreto do conflito até agora — uma proposta documentada, não apenas retórica. Ainda não é um acordo fechado, mas o mercado está precificando a possibilidade com convicção, dado o tamanho do movimento no petróleo.

03
Ibovespa / Fluxo / ReversãoMercado Doméstico — Recuperação
Ibovespa sobe 1,5% e supera 174 mil pontos — primeiros sinais de retomada do fluxo estrangeiro
O avanço foi sustentado pelo recuo dos juros futuros, pela alta das ações ligadas à economia doméstica e pelos primeiros sinais de retomada do fluxo de investidores estrangeiros para a B3. Na semana, o ganho chegou a 2%, reduzindo as perdas de agosto para 1,9% — reversão importante após semanas de pressão sobre os ativos brasileiros.
Contexto: após semanas de saída recorde de capital estrangeiro (incluindo a maior fuga mensal desde 2020), os primeiros sinais de retomada de fluxo são um indicativo importante de que a percepção de risco sobre o Brasil pode estar começando a se estabilizar.

04
Canadá / EUA / TarifasComércio Internacional
Canadá retalia com tarifas “dólar por dólar” contra os EUA — aço e alumínio a 50%
O Canadá anunciou tarifas retaliatórias de 15% a 50% sobre mais de 700 produtos americanos, somando cerca de US$ 20 bilhões, igualando “dólar por dólar” as tarifas impostas por Trump no fim de semana. Aço e alumínio foram taxados em 50%, o dobro da taxa atual.
Contexto: a escalada com o Canadá, historicamente o parceiro comercial mais próximo dos EUA, confirma que a guerra tarifária americana está se ampliando mesmo com aliados tradicionais — um padrão que já afeta múltiplas frentes comerciais simultaneamente, incluindo o Brasil.

05
Braskem / Crédito / RecordeCorporativo — Marco Histórico
Com a Braskem, Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas sob recuperação judicial e extrajudicial
O Estadão calculou que, somando o caso da Braskem aos demais pedidos recentes de recuperação (Casas Bahia, Ambipar, Aeris Energy, Grupo Estrela, entre outros), o Brasil atingiu um recorde histórico de R$ 180 bilhões em dívidas sob processos de recuperação judicial ou extrajudicial.
Contexto: o recorde consolida numericamente o padrão observado ao longo do mês — múltiplas empresas de setores diferentes buscando reestruturação simultaneamente, reflexo direto do ambiente prolongado de juros elevados e crédito restrito.

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