Morning Call — 26 de Agosto

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O IPCA-15 de agosto saiu agora: −0,40%, a maior deflação mensal desde agosto de 2022 e bem abaixo do consenso (−0,30%). No Oriente Médio, Irã e Omã sinalizam estar próximos de um acordo para Ormuz, com corredor de navegação temporário e retirada de minas — o Brent despencou 3,12% para US$ 85,82. O Canadá retaliou com tarifas “dólar por dólar” contra os EUA. Hoje saem PCE, PIB americano e o balanço da Nvidia. No Brasil, o Ibovespa subiu 1,5% ontem, superando 174 mil pontos.
- Canadá retalia com tarifas “dólar por dólar” — 15% a 50% sobre mais de 700 produtos americanos, somando cerca de US$ 20 bilhões; aço e alumínio taxados em 50%, o dobro da taxa atual
- PCE de julho sai hoje nos EUA — expectativa de alta mensal de 0,2%; o país também divulga a segunda estimativa do PIB do 2T e o balanço da Nvidia após o fechamento, com a ação subindo ontem após 7 pregões seguidos de queda
- Warsh enfrenta “prova de fogo” em Jackson Hole — senadores pressionam para que o Fed mantenha suas reuniões regulares após rumores de mudanças; Collins (Fed) diz que juros precisarão subir em breve, salvo sinais contínuos de queda da inflação
- Governo deve prorrogar subvenção à gasolina até 9 de setembro — decisão formal esperada nesta terça-feira, dando mais tempo ao mecanismo diante da melhora ainda parcial nas defasagens
- Aneel reduz tarifas de energia do Norte e Nordeste a partir de hoje — Ceará terá redução média de 5,87% na conta de luz, alívio bem-vindo após os reajustes de alta em outras regiões nas últimas semanas
- Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas sob recuperação judicial e extrajudicial, com a Braskem — marco histórico que reforça o quadro de estresse de crédito acumulado ao longo do ano
- Hapvida (HAPV3): anunciou operações de recompra de dívida e encerramento antecipado de contratos financeiros, aprovando o emprego de até R$ 250 milhões para recompra de debêntures próprias e liquidação antecipada de operações de hedge — movimento que reduz a dívida bruta da companhia.
- Taesa (TAEE11): o ONS autorizou a entrada em operação do terceiro banco de autotransformadores da Subestação Rio Grande II, reforço na concessão da São Pedro Transmissora de Energia.
Baseado no Research BTG Pactual
Depois de semanas dominadas por retórica de escalada, esta quarta-feira entrega uma combinação rara de boas notícias simultâneas. O IPCA-15 em −0,40% não é apenas uma surpresa positiva — é a maior deflação mensal em quatro anos, um resultado que muda a conversa sobre o ritmo dos próximos cortes do Copom. Ao mesmo tempo, o sinal de acordo entre Irã e Omã sobre Ormuz, com proposta concreta de corredor de navegação e retirada de minas, é o desenvolvimento diplomático mais substantivo do conflito até agora — não é retórica, é uma “proposta de arcabouço” documentada em comunicado conjunto. O Brent caindo mais de 3% reflete que o mercado está levando a sério essa possibilidade. Segundo o research do BTG Pactual, a combinação de inflação doméstica surpreendendo para baixo com o petróleo cedendo por razões estruturais (não apenas retóricas) é o cenário mais construtivo para o Brasil desde o início da crise em fevereiro. O Ibovespa capturando isso com alta de 1,5% e sinais de retomada de fluxo estrangeiro confirma que o mercado está lendo o dia como um ponto de inflexão, não apenas mais uma oscilação. A cautela necessária: o acordo entre Irã e Omã ainda é uma “proposta de arcabouço”, não um pacto fechado, e o histórico recente do conflito mostra que otimismo prematuro já foi revertido mais de uma vez. Para o investidor, a pergunta chave passa a ser: essa combinação de bons dados domésticos e alívio geopolítico tem pernas para se sustentar além de um dia, ou é mais um respiro dentro de um padrão ainda volátil?
- IPCA-15 de −0,40% é o dado mais construtivo do ciclo — deflação muito acima do esperado (consenso era −0,30%), a maior para o mês desde agosto de 2022, reforçando o espaço para continuidade dos cortes de juros
- Diesel melhora de −86% para −75% — a maior melhora em uma única leitura desde o início da crise, refletindo o recuo do Brent nos últimos dias e a perspectiva de acordo em Ormuz
- Gasolina melhora de −53% para −48% — segunda leitura seguida de recuperação, com o governo já sinalizando prorrogação do subsídio até 9 de setembro para sustentar a trajetória
- Brent cai mais de 3% com sinal de acordo Irã-Omã sobre Ormuz — diferente de recuos anteriores movidos por retórica isolada, este movimento reflete uma proposta diplomática concreta documentada em comunicado conjunto
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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