Morning Call — 2 de Setembro

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Os EUA completaram nova rodada de ataques contra o Irã — a primeira desde o bombardeio de domingo, início do “D-Day econômico”. O Irã retaliou, e dois petroleiros atingiram minas navais ao cruzar Ormuz. Títulos soberanos foram vendidos ao redor do mundo — Fed, BoJ e BCE devem subir juros ainda este mês. O Japão rompeu a marca histórica de 3% no título de 10 anos. No Brasil, o Ibovespa foi na contramão do mundo: subiu 1,30% para 179.722 pontos — maior fechamento desde maio.
- China é a única do G20 a não aderir a comunicado sobre exportações “insustentáveis” — Bessent citou o superávit em conta corrente chinês como o maior e mais insustentável do mundo, e disse caber à China ajudar a resolver a crise do Irã
- ADP: emprego privado nos EUA cresce apenas 38 mil em agosto — abaixo do consenso de 47 mil, sinal adicional de desaceleração do mercado de trabalho americano
- Ouro recua 0,73%, a US$ 4.364,50 — movimento atípico em dia de forte aversão a risco, possivelmente refletindo realização de lucros após sucessivas máximas históricas nas últimas semanas
- UE suspende importação de carnes, ovos e mel do Brasil — restrição mais ampla do que inicialmente reportado, com expectativa de que possa durar pelo menos um ano, segundo analistas do setor
- “Posteiro” pode elevar conta de luz em pelo menos R$ 2,4 bilhões — novo componente de custo identificado no setor elétrico que deve pressionar as tarifas nos próximos meses
- Combustível de avião já subiu 53% no ano — pressão crescente sobre o preço das passagens aéreas, refletindo diretamente a escalada do petróleo desde o início da crise em fevereiro
- T4F Entretenimento: teve o cancelamento de registro de companhia aberta aprovado pela CVM, concluindo o fechamento de capital — a empresa deixou de ter ações negociadas na B3 e de integrar o Novo Mercado a partir de ontem.
- Ânima Educação (ANIM3): a Compostella Participações, ligada ao grupo controlador, ampliou sua fatia para 10,92% das ações ordinárias — a participação conjunta do bloco de controle passou a 50,48% do capital, sem alteração na estrutura de controle ou administrativa.
Baseado no Research BTG Pactual
O “D-Day econômico” anunciado por Bessent na semana passada deixou de ser retórica: os EUA completaram ontem sua primeira rodada de ataques desde o bombardeio de domingo, e o Irã respondeu com minas navais que atingiram dois petroleiros em Ormuz. É a confirmação de que a fase de escalada ativa, não apenas de pressão econômica, está de volta — e o mercado de juros globais reagiu com a mesma intensidade que o de petróleo: bunds alemães na máxima desde 2011, gilts britânicos no maior nível pós-2008, e o Japão rompendo 3% pela primeira vez em três décadas. Segundo o research do BTG Pactual, esse é o tipo de movimento que sinaliza reprecificação estrutural do custo de capital global, não apenas reação pontual a uma notícia — três dos principais bancos centrais do mundo (Fed, BoJ, BCE) caminhando simultaneamente para elevar juros neste mês é um alinhamento raro que tende a apertar a liquidez internacional de forma ampla. Para o Brasil, o dia trouxe um contraste notável: o Ibovespa subindo 1,30% justamente no dia em que o resto do mundo caía, graças à correlação direta da Petrobras com o petróleo em alta — mas essa mesma alta do petróleo é o que está destruindo as defasagens de combustíveis domésticas e ampliando o custo fiscal da crise. O PIB per capita surpreendendo positivamente reforça o caso para um corte de Selic em novembro, mas o cenário externo de juros globais subindo simultaneamente cria uma tensão que o Copom precisará navegar com cuidado nos próximos meses.
- Diesel e gasolina mantêm os recordes de −83% e −61% — a nova rodada de ataques e as minas navais em Ormuz eliminam qualquer perspectiva de melhora no curto prazo, com o Brent se aproximando de US$ 95
- Combustível de avião acumula alta de 53% no ano — pressão direta sobre o preço das passagens aéreas, mais um vetor inflacionário que já se espalha para o setor de serviços de transporte
- “Posteiro” pode adicionar R$ 2,4 bilhões à conta de luz — novo componente de custo no setor elétrico que se soma às pressões já existentes de El Niño e defasagens de combustíveis
- PIB per capita surpreende positivamente e reforça caso para corte de Selic em novembro — mas o alinhamento raro de Fed, BoJ e BCE subindo juros simultaneamente cria contrapeso externo relevante para a decisão do Copom
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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