Morning Call — 23 de Julho

Brent US$ 98,59 — a um passo de US$ 100 · Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana · Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho · Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global
Panorama GlobalInternacional
- Banco Mundial alerta: o conflito perto de completar cinco meses pode reduzir o PIB global e reacender a inflação — primeiro alerta formal de uma instituição multilateral sobre o impacto macroeconômico sistêmico da guerra
- Iene cai à mínima em 40 anos (163,30/dólar) — o petróleo caro frustrou as expectativas de crescimento do PIB japonês, tornando o iene a pior moeda do G10. Os juros de 2 anos no Japão atingiram o maior nível em 31 anos
- Confiança empresarial na França sobe para o maior nível em 4 meses em julho — dado que contrasta com o ambiente de guerra e reflete a resiliência do setor de serviços europeu
- MPF pede suspensão do etanol a 32% na gasolina — ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal num momento de Brent próximo de US$ 100
BrasilMercado Doméstico
- Governo reembala Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano — redireciona recursos já previstos para dar aparência de resposta estrutural ao protecionismo americano
- Governo busca mercados alternativos após tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre nova taxa de 12,5% para fechar o plano de diversificação das exportações
- Governo antecipa contratos de vencedores de leilões de energia para garantir geração térmica diante do El Niño — custo emergencial que vai à conta de luz
Empresas em DestaqueCorporativo
- BRB / Governo do DF: caixa do banco preocupa o BC, que pode ter de tomar decisão nos próximos dias. O BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A situação é monitorada de perto pelo Banco Central e pelo governo federal.
- Petrobras (PETR3/4): com o Brent acima de US$ 98, a estatal opera num ambiente de receitas crescentes — mas o subsídio mantido pelo governo limita o repasse ao consumidor. O governo usa a Petrobras como amortecedor do choque de preços, o que pressiona a política de preços da estatal.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O Brent a US$ 98,59 é um número que muda a natureza do problema. Não se trata mais de calibrar o momento de retirada do subsídio ou de esperar que o petróleo “volte ao normal” — a US$ 98, com Ormuz e o Mar Vermelho sob ameaça simultânea, o mercado começa a precificar a possibilidade de que US$ 100+ seja o novo patamar de equilíbrio enquanto o conflito durar. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais grave desta edição não é o preço do petróleo em si, mas a expansão do conflito para uma segunda rota marítima: os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, comprometendo a válvula de alívio que havia mantido parte do escoamento do Golfo funcionando quando Ormuz estava restrita. Agora, pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais estão comprometidas ao mesmo tempo — e não há alternativa de escala para o petróleo do Golfo Pérsico. Para o Brasil, o Banco Mundial alertou que cinco meses de conflito podem pesar sobre o PIB global — o que adiciona risco de desaceleração da demanda externa ao choque de oferta de combustíveis que o país já enfrenta internamente. O MPF pedindo suspensão do etanol a 32% é o dado doméstico mais preocupante: se deferido, elimina o único amortecedor de custo zero disponível num momento em que todos os outros instrumentos já foram utilizados. A semana fecha com o Brasil digerindo uma combinação de choques que não tinha paralelo desde março — mas, diferente de março, agora sem perspectiva de resolução diplomática à vista.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
US$ 98,59
+4,80% — limiar de US$ 100
−67%
Abicom · 22/07 — recorde absoluto
−53%
Abicom · 22/07
Risco judicial
MPF pede suspensão — amortecedor ameaçado
- Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100: o petróleo se aproxima do nível psicológico de US$ 100 pela primeira vez neste conflito. Com Trump ameaçando destruir infraestrutura iraniana e as duas principais rotas marítimas do Golfo sob ameaça, o mercado não tem referência clara de teto. A um passo de US$ 100, as defasagens dos combustíveis brasileiros tornam-se insustentáveis sem subsídio permanente
- Mar Vermelho e Ormuz comprometidos simultaneamente: pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico estão sob ameaça ao mesmo tempo. Os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, eliminando a válvula de alívio que mantinha parte do escoamento funcionando enquanto Ormuz estava restrita
- MPF pede suspensão do etanol a 32%: ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível ao governo. O MPF alega irregularidades no processo de aprovação pelo CNPE. Com o Brent a US$ 98, a perda do etanol a 32% representaria agravamento imediato das defasagens — já em recordes históricos
- Governo antecipa contratos de energia térmica por causa do El Niño: além do petróleo, o governo age preventivamente para garantir geração elétrica diante da seca no Centro-Oeste e das chuvas no Sul previstas pelo El Niño. A antecipação de contratos térmicos tem custo — e esse custo vai para a conta de luz
- Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025 e El Niño amplia riscos para commodities agrícolas — soja, milho, café e laranja entre os mais vulneráveis. A pressão nos alimentos se intensifica justamente quando o petróleo já está no pior patamar de toda a crise
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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