Morning Call — 7 de Agosto

Morning Call — 7 de Agosto

Morning CallSexta-feira, 7 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−1,23% 175.546 pts
Dólar−0,41% R$ 5,1070
S&P Fut.+0,10%
Bitcoin+0,36% US$ 64.609

Sexta-feira decisiva com o payroll de julho dos EUA ainda pela manhã. O Irã acusou Trump de fazer “diplomacia de teatro” — Teerã nega negociações em andamento, dias depois de Trump dizer que os contornos de um acordo já estavam definidos. A Petrobras reportou lucro recorde de R$ 52,4 bilhões no 2T, alta de 96,8% na comparação anual. China surpreendeu com exportações +23,9% em julho, mesmo sob tensão comercial crescente com os EUA.

Internacional
Panorama Global

🎭 Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre as negociações: o presidente do Parlamento iraniano, Ghalibaf, negociador-chefe do país, acusou Trump de encenação, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos com Teerã. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã para Ormuz, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar a via.
S&P 5000,10%Futuro
Nasdaq0,32%Futuro
Brent0,15%US$ 82,37 — Ormuz em dúvida
Ouro1,56%US$ 4.366 — nova máxima

  • EUA impõem tarifa de 15% sobre polissilício chinês — matéria-prima para painéis solares e chips, com preço mínimo de importação em vigor a partir de 4 de dezembro. Empresas que investirem em produção doméstica recebem incentivos do governo
  • China exporta +23,9% em julho (vs. +27% em junho) — desaceleração, mas acima da projeção de +22% do mercado. Resultado impulsionado pela demanda global por produtos de inteligência artificial
  • Alemanha: produção industrial surpreende com alta de 0,2% em junho — maior economia da Europa segue se esquivando dos impactos mais severos do conflito no Oriente Médio, apesar do superávit comercial encolher com importações da China +9,1%

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (qui)1,23%175.546 pts
Dólar (qui)0,41%R$ 5,1070
Defasagem gas.−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem diesel−56%Abicom · 06/08 — leve piora

⚖️ “Guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre o ajuste fiscal — e EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil: o mercado observa caminhos distintos apontados por Durigan e Moretti para o ajuste fiscal, segundo o Estadão. Simultaneamente, diplomatas americanos teriam avisado empresários que os EUA podem escalar a crise contra o Brasil — desdobramento preocupante após a revogação do visto da embaixadora. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra plano de recuperação “crível”.
  • Copom em modo “data dependent” alimenta aposta em Selic mais baixa — mercado lê o comunicado neutro como sinal de que o BC está confortável para continuar cortando se os dados colaborarem
  • Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal em meio às críticas sobre a trajetória da dívida pública acima de R$ 10 tri
  • Governo negocia medidas em favor do etanol em projeto para reduzir tributo sobre combustíveis em 2026 — contrapõe as ameaças ao etanol a 32% vindas do TCU e da Câmara

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Petrobras (PETR3/4): lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26, alta de 96,8% na comparação anual — impulsionado pela alta do petróleo e da produção recorde. Receita de vendas de R$ 169,5 bilhões (+42,3%) e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões (+79,6%).
  • Neoenergia Brasília: anunciou plano de investimentos de R$ 3,1 bilhões entre 2026 e 2030 para expansão e modernização da rede no DF — inclui 5 novas subestações e 132 km de linhas de alta tensão.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana termina com um contraste que resume bem o momento: a Petrobras reportando o melhor trimestre em anos, com lucro de R$ 52,4 bilhões, enquanto o Irã acusa Trump de encenação diplomática e o acordo sobre Ormuz segue tão distante quanto parecia próximo há poucos dias. O payroll de hoje é o evento mais aguardado da manhã — um dado forte reforça a tese de Fed hawkish (Kashkari e outros já sinalizando alta em setembro), o que pressiona o diferencial de juros justamente quando o Copom brasileiro está em modo “data dependent” e o mercado aposta em Selic ainda mais baixa. Segundo o research do BTG Pactual, o Ibovespa caindo 1,23% ontem reflete essa tensão dupla: incerteza externa sobre os juros americanos somada à “guerra fria” doméstica entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal — e as notícias sobre uma possível escalada da crise diplomática com os EUA não ajudam. As defasagens de combustíveis se estabilizaram (gasolina em −24%, diesel em −56%), mas sem o alívio adicional que se esperava com Ormuz. Para o investidor, o fim de semana chega com mais perguntas abertas do que fechadas: o payroll vai confirmar ou desafiar a hipótese de alta do Fed em setembro? E será que a “diplomacia de teatro” do Irã é retórica de barganha ou sinal de que as negociações realmente fracassaram?

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Gasolina−24%Abicom · 06/08 — estável
Defasagem Diesel56%Abicom · 06/08 — leve piora
BrentUS$ 82,37Ormuz em dúvida
Ouro4.366Nova máxima histórica

  • Gasolina estável em −24% — a leitura da Abicom de ontem confirma o patamar da véspera. Sem novidade definitiva sobre Ormuz, a defasagem se estabilizou no melhor nível do conflito, mas sem avançar mais
  • Diesel piora levemente para −56% (de −53%) — o impasse nas negociações e o veto russo à exportação seguem pressionando o produto mais crítico para o Brasil neste momento
  • Brent estável perto de US$ 82 — o mercado aguarda clareza sobre o desfecho das negociações EUA-Irã antes de precificar um novo movimento. A “diplomacia de teatro” de Ghalibaf é um sinal de que essa clareza pode demorar
  • Ouro atinge nova máxima histórica — US$ 4.366,70 a onça, alta de 1,56%. O metal segue como o termômetro mais confiável de que o mercado não vê o conflito global como resolvido, mesmo com o petróleo relativamente estável
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: as defasagens de combustíveis pararam de melhorar — gasolina estabilizou em −24% e diesel piorou levemente para −56%. O Brent parado em torno de US$ 82 reflete a incerteza sobre Ormuz. O payroll de hoje e o desfecho (ou não) das negociações EUA-Irã são os dois eventos que vão definir se a semana que vem retoma a trajetória de convergência ou se estaciona no patamar atual.

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Petrobras / Resultado 2TCorporativo — Recorde
Petrobras reporta lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26 — alta de 96,8% na comparação anual
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, impulsionado pela alta do petróleo e da produção. A receita de vendas somou R$ 169,5 bilhões (+42,3%), enquanto o Ebitda ajustado cresceu 79,6%, para R$ 93,8 bilhões, na mesma base de comparação.
Contexto: o resultado captura o melhor momento do ciclo — petróleo elevado e produção recorde simultaneamente. Para o investidor, o desafio agora é a sustentabilidade: se as negociações EUA-Irã resultarem em acordo e o Brent cair, o próximo trimestre dificilmente repete esse patamar de lucro.

02
Irã / EUA / NegociaçãoGeopolítica — Impasse
Irã acusa Trump de “diplomacia de teatro” — versões seguem conflitantes sobre acordo em Ormuz
O negociador-chefe do Irã, Ghalibaf, acusou Trump de encenação diplomática, dias depois de o presidente americano cancelar ataques planejados e afirmar que os contornos de um acordo já haviam sido definidos. Autoridades iranianas negam a existência de conversas em andamento. Pelo plano preliminar do Irã, embarcações dos EUA e de Israel ficariam proibidas de cruzar Ormuz.
Contexto: a acusação pública de “teatro” é um sinal de deterioração na confiança entre as partes — mais grave que um simples desmentido. Para o petróleo, mantém o prêmio de risco de Ormuz aceso pelo menos até a próxima sinalização concreta de uma das partes.

03
Fiscal / Durigan / MorettiPolítica Econômica Brasil
Mercado vê “guerra fria” entre Durigan e Moretti sobre caminhos distintos para o ajuste fiscal
O Estadão relata que o mercado percebe divergência entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal. Durigan nega “inércia” do governo para salvar o BRB e cobra um plano de recuperação “crível”. Durigan também afirmou que o aumento da dívida pública decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal.
Contexto: divergências públicas entre membros da equipe econômica em ano eleitoral tendem a ser lidas pelo mercado como sinal de falta de coordenação — o que pode pressionar o prêmio de risco fiscal justamente no momento em que a dívida já está no maior custo em 10 anos.

04
EUA / Brasil / DiplomaciaCrise Diplomática
EUA ameaçam escalar crise contra o Brasil, segundo diplomatas americanos a empresários
Diplomatas americanos teriam avisado empresários que os Estados Unidos podem escalar a crise contra o Brasil, segundo o Estadão. A informação chega dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington — e antes da conversa que Lula sinalizou buscar com Trump na semana que vem.
Contexto: se confirmada, uma escalada adicional dificultaria a tentativa de Lula de desescalar a crise diplomaticamente. Para o mercado, o risco de novas sanções ou restrições comerciais antes das eleições é o principal fator de instabilidade cambial no curto prazo.

05
China / Exportações / ComércioEconomia Global
Exportações chinesas crescem 23,9% em julho, acima da projeção, impulsionadas pela demanda por IA
As exportações da China cresceram 23,9% em julho na comparação anual, desacelerando frente aos 27% de junho, mas superando a projeção de 22% dos economistas. O resultado foi puxado pela demanda global aquecida por produtos ligados à inteligência artificial, mesmo com as novas tensões comerciais com os EUA (incluindo a tarifa sobre polissilício anunciada ontem).
Contexto: a resiliência das exportações chinesas, mesmo sob pressão tarifária crescente, sugere que a demanda global por tecnologia de IA está criando um contrapeso à guerra comercial. Para o Brasil, uma China exportando forte tende a manter a demanda por commodities industriais aquecida.

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