Morning Call — 7 de Agosto

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Sexta-feira decisiva com o payroll de julho dos EUA ainda pela manhã. O Irã acusou Trump de fazer “diplomacia de teatro” — Teerã nega negociações em andamento, dias depois de Trump dizer que os contornos de um acordo já estavam definidos. A Petrobras reportou lucro recorde de R$ 52,4 bilhões no 2T, alta de 96,8% na comparação anual. China surpreendeu com exportações +23,9% em julho, mesmo sob tensão comercial crescente com os EUA.
- EUA impõem tarifa de 15% sobre polissilício chinês — matéria-prima para painéis solares e chips, com preço mínimo de importação em vigor a partir de 4 de dezembro. Empresas que investirem em produção doméstica recebem incentivos do governo
- China exporta +23,9% em julho (vs. +27% em junho) — desaceleração, mas acima da projeção de +22% do mercado. Resultado impulsionado pela demanda global por produtos de inteligência artificial
- Alemanha: produção industrial surpreende com alta de 0,2% em junho — maior economia da Europa segue se esquivando dos impactos mais severos do conflito no Oriente Médio, apesar do superávit comercial encolher com importações da China +9,1%
- Copom em modo “data dependent” alimenta aposta em Selic mais baixa — mercado lê o comunicado neutro como sinal de que o BC está confortável para continuar cortando se os dados colaborarem
- Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos — tentativa de reposicionar a narrativa fiscal em meio às críticas sobre a trajetória da dívida pública acima de R$ 10 tri
- Governo negocia medidas em favor do etanol em projeto para reduzir tributo sobre combustíveis em 2026 — contrapõe as ameaças ao etanol a 32% vindas do TCU e da Câmara
- Petrobras (PETR3/4): lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2T26, alta de 96,8% na comparação anual — impulsionado pela alta do petróleo e da produção recorde. Receita de vendas de R$ 169,5 bilhões (+42,3%) e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões (+79,6%).
- Neoenergia Brasília: anunciou plano de investimentos de R$ 3,1 bilhões entre 2026 e 2030 para expansão e modernização da rede no DF — inclui 5 novas subestações e 132 km de linhas de alta tensão.
Baseado no Research BTG Pactual
A semana termina com um contraste que resume bem o momento: a Petrobras reportando o melhor trimestre em anos, com lucro de R$ 52,4 bilhões, enquanto o Irã acusa Trump de encenação diplomática e o acordo sobre Ormuz segue tão distante quanto parecia próximo há poucos dias. O payroll de hoje é o evento mais aguardado da manhã — um dado forte reforça a tese de Fed hawkish (Kashkari e outros já sinalizando alta em setembro), o que pressiona o diferencial de juros justamente quando o Copom brasileiro está em modo “data dependent” e o mercado aposta em Selic ainda mais baixa. Segundo o research do BTG Pactual, o Ibovespa caindo 1,23% ontem reflete essa tensão dupla: incerteza externa sobre os juros americanos somada à “guerra fria” doméstica entre Durigan e Moretti sobre o caminho do ajuste fiscal — e as notícias sobre uma possível escalada da crise diplomática com os EUA não ajudam. As defasagens de combustíveis se estabilizaram (gasolina em −24%, diesel em −56%), mas sem o alívio adicional que se esperava com Ormuz. Para o investidor, o fim de semana chega com mais perguntas abertas do que fechadas: o payroll vai confirmar ou desafiar a hipótese de alta do Fed em setembro? E será que a “diplomacia de teatro” do Irã é retórica de barganha ou sinal de que as negociações realmente fracassaram?
- Gasolina estável em −24% — a leitura da Abicom de ontem confirma o patamar da véspera. Sem novidade definitiva sobre Ormuz, a defasagem se estabilizou no melhor nível do conflito, mas sem avançar mais
- Diesel piora levemente para −56% (de −53%) — o impasse nas negociações e o veto russo à exportação seguem pressionando o produto mais crítico para o Brasil neste momento
- Brent estável perto de US$ 82 — o mercado aguarda clareza sobre o desfecho das negociações EUA-Irã antes de precificar um novo movimento. A “diplomacia de teatro” de Ghalibaf é um sinal de que essa clareza pode demorar
- Ouro atinge nova máxima histórica — US$ 4.366,70 a onça, alta de 1,56%. O metal segue como o termômetro mais confiável de que o mercado não vê o conflito global como resolvido, mesmo com o petróleo relativamente estável
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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