Morning Call — 31 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- BoJ manteve juros em 1,0% por 8 votos a 1 — com Hajime Takata propondo alta para 1,25%. Decisão esperada pelo mercado após a alta de junho. O Japão segue na trilha hawkish mais lenta que seus pares
- PMI industrial da China contrai para 49,2 em julho (de 50,3 em junho) — surpresa negativa. O PMI não manufatureiro também caiu para 49,0. A China desacelera no exato momento em que o conflito pressiona as cadeias de suprimento globais
- Inflação da zona do euro acelera para 2,9% em julho (de 2,8%) — energia dispara de +8,5% para +10,0% com a retomada das hostilidades. O BCE, que havia mantido juros em 2,25%, enfrenta pressão crescente para apertar mais
- PCE americano de junho cai 0,1% e sobe 3,7% em 12 meses — dado favorável que reduziu o tom hawkish do Fed e ajudou a recuperação dos mercados ontem, após a polêmica de Warsh sobre o PCE como métrica
BrasilMercado Doméstico
- Desemprego cai para 5,4% — dado positivo para a renda, mas que mantém o mercado de trabalho aquecido e “trava” a Selic: num mercado de trabalho tão apertado, qualquer corte muito rápido dos juros pode reacender a inflação de serviços
- Dívida pública acima de R$ 10 tri e custo no maior patamar em 10 anos — a combinação de dívida alta com juros longos subindo (reflexo da polêmica de Warsh) pressiona o custo de rolagem. Lula deve terminar o terceiro mandato com déficit nominal recorde
- Etanol tem maior vantagem sobre a gasolina desde 2017 — com o etanol barato (safra abundante) e a gasolina subsidiada mas ainda cara relativamente, a vantagem do biocombustível nas bombas é a maior em quase uma década. Dado positivo para o consumidor e para o setor sucroenergético
Empresas em DestaqueCorporativo
- Vale (VALE3): aprovou novo programa de recompra de até 100 milhões de ações (2,3% do total), com prazo de 18 meses a partir de ontem (30/07) — sinal de confiança da gestão no valor da ação, num momento de transição de governança após a saída de Gasparino.
- Raízen (RAIZ4): a recuperação extrajudicial foi aprovada pela Justiça de São Paulo, viabilizando a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas com adesão de 81,6% dos credores quirografários — desfecho positivo para a maior empresa de bioenergia do Brasil.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O mês de julho encerra com um paradoxo que resume todo o ciclo: o Kospi registra a maior alta diária da sua história no mesmo dia em que a defasagem do diesel brasileiro atinge −79%, o Irã ataca bases americanas no Kuwait e Bahrein, e a Rússia estende o veto à exportação de diesel. O mundo financeiro e o mundo real operam em dois registros simultâneos — e o Brasil está exposto a ambos. Segundo o research do BTG Pactual, o encerramento de julho tem três leituras para o investidor. Primeiro: a resiliência dos ativos brasileiros ao longo de um mês de conflito extremo é notável — o Ibovespa fecha julho acima de 177 mil pontos, o dólar em R$ 5,06, e o IPCA-15 veio em +0,06%. Segundo: o custo oculto dessa resiliência é o subsídio fiscal dos combustíveis — com o diesel em −79%, cada dia de Brent acima de US$ 85 aprofunda o passivo que o próximo governo herdará. Terceiro: agosto começa com três eventos definidores na semana que vem — o Copom, os dados de PIB do 2T brasileiro e os desdobramentos da reunião chinesa de mediação com o Irã. Se a China conseguir retomar as negociações, o Brent pode cair para US$ 70–75 em agosto, desencadeando a normalização das defasagens e permitindo ao governo encerrar o subsídio antes de outubro. Se não — o ciclo continua, e o próximo governo herda o maior desequilíbrio de preços de combustíveis da história recente do Brasil.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−79%
Abicom · 30/07 — novo recorde absoluto
−58%
Abicom · 30/07 — piora
−1,16%
Deflação — alívio ao produtor
3,7% a.a.
Abaixo do esperado — alivia Fed
- Diesel em −79% — o maior desalinhamento de toda a crise EUA-Irã: a Rússia estendeu o veto à exportação de diesel, agravando o duplo choque de oferta que já incluía Ormuz. Com dois dos principais fornecedores de diesel do mercado global comprometidos, a defasagem atingiu um patamar que não tem precedente neste ciclo — e que torna o subsídio ao diesel praticamente obrigatório, mesmo que o governo não queira restabelecê-lo formalmente
- Gasolina piora para −58% com Brent voltando a US$ 89: a leitura de ontem mostra a piora da gasolina para −58%, revertendo parte da convergência dos últimos dias. O subsídio prorrogado protege o consumidor — mas o custo fiscal diário é crescente com o Brent em US$ 89
- IGP-M cai 1,16% em julho — deflação ao produtor que antecipa alívio no IPCA: a deflação nos preços agropecuários e na construção civil derrubou o IGP-M pelo segundo mês consecutivo. No acumulado de 12 meses, o índice acumula apenas 2,76% — muito abaixo do IPCA de 2026, confirmando que a pressão inflacionária vem dos administrados (energia, combustíveis) e não da dinâmica de demanda
- PCE americano de junho abaixo do esperado — alivia pressão sobre o Fed: o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) caiu 0,1% em junho e acumula +3,7% em 12 meses — abaixo do esperado. O dado contradiz a postura hawkish dos dissidentes do Fed e reforça o argumento de Warsh pela manutenção dos juros. Para o Brasil, o PCE bom nos EUA reduz marginalmente a pressão sobre o diferencial de juros
- Etanol com maior vantagem sobre gasolina desde 2017: o biocombustível está no menor preço em anos enquanto a gasolina, mesmo subsidiada, mantém patamar mais alto. O etanol a 32% na gasolina amplifica essa vantagem — e o dado sugere que parte dos motoristas já migrou para o abastecimento com etanol hidratado, o que reduz marginalmente a demanda por gasolina importada
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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