Morning Call — 29 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- Kospi despenca −5,98% pelo 2º pregão consecutivo — liderado pela SK Hynix após dúvidas sobre investimentos maciços em IA. O colapso acumulado do índice sul-coreano nos dois dias supera 15% — refletindo a fragilidade da cadeia de semicondutores diante de qualquer sinalização de desaceleração nos gastos em IA
- Ucrânia ataca a Wildberries — maior varejista online da Rússia, equivalente à Amazon. A empresa evacuou um depósito em Riazan após ataques a instalações industriais. O governo russo pode ter que socorrer a companhia — pressão adicional sobre a economia de guerra de Moscou
- Durigan sinaliza que governo pode desacelerar crescimento do limite de gastos do arcabouço — em conversa com o mercado, o secretário do Tesouro antecipa possível ajuste nas regras fiscais que reduziria o espaço para expansão do gasto. Mercado reage bem a sinalizações de disciplina fiscal
BrasilMercado Doméstico
- Lula defende que projetos científicos com “sustentação” possam ser excluídos do arcabouço — sinalização de que o governo busca criar flexibilidades no teto de gastos, na contramão da sinalização de Durigan ao mercado. A tensão entre o discurso presidencial e o técnico é um risco político relevante
- BNDES aprova R$ 20 bilhões em crédito para caminhões e ônibus — resposta ao setor afetado pela defasagem do diesel (−67%) que não tem subsídio direto. A linha de crédito é indireta, mas mostra que o governo reconhece o impacto sobre o transporte
- Durigan confirma prorrogação do Desenrola por mais 30 dias, com expectativa de 10 milhões de pessoas atendidas — expansão do programa de renegociação de dívidas em ano eleitoral
Empresas em DestaqueCorporativo
- Raízen (RAIZ4): o conselho aprovou adesão ao Refis do Estado de Goiás para liquidar débitos de ICMS. Operação relevante para a gestão tributária da maior empresa de bioenergia do Brasil, que opera no ambiente de etanol barato e demanda crescente pós-aprovação da mistura a 32%.
- Petrobras (PETR3/4): com o Brent voltando a US$ 87, a estatal recupera parte do movimento de ontem. O novo diretor interino de transição energética (Nozaki) assume amanhã, num momento em que o preço do petróleo ainda é o principal driver das ações.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O IPCA-15 de +0,06% é o dado mais construtivo para a política monetária brasileira neste ciclo — e chega num momento muito bem-vindo: às vésperas do Copom de agosto. Com alimentos caindo na maior magnitude para julho desde 2010 e a energia elétrica como único vetor de pressão, o BC brasileiro tem a janela que precisava para executar mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Mas convém calibrar o entusiasmo: o Irã retomou os ataques ontem à noite, o Brent voltou a US$ 87, e o Kospi colapsa pelo segundo dia consecutivo com a crise de semicondutores ainda sem resolução. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário para o Copom de agosto tem dois eixos: o IPCA-15 bom que abre espaço para o corte, e o petróleo voltando a subir que fecha esse espaço parcialmente. A decisão do Fed hoje à tarde é o tie-breaker: se mantiver os juros e Warsh sinalizar pausa prolongada, o BC brasileiro corta com conforto. Se o Fed for hawkish — mesmo mantendo os juros — a sinalização pode complicar o timing do Copom. Para o investidor, o dia de hoje combina dois eventos de altíssimo impacto em sequência: a decisão do Fed à tarde e a trajetória do petróleo com a retomada das hostilidades. A semana que parecia encaminhar para um desfecho mais construtivo ganhou nova turbulência — mas o IPCA-15 permanece como o âncora positiva mais sólida do ciclo.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
+0,06%
Menor para julho desde 2023 — Copom corta
Queda
Maior queda para julho desde 2010
US$ 87,17
+3,66% — hostilidades retomadas
−67%
Abicom · 28/07 — deve piorar amanhã
- IPCA-15 de +0,06% — a melhor leitura inflacionária deste ciclo para julho: a prévia da inflação de julho confirma o alívio que o mercado esperava desde o início das negociações de trégua. A alta da conta de luz impediu que o índice ficasse negativo — o que teria sido a primeira deflação para julho em muitos anos. A trajetória é a mais favorável ao corte do Copom desde o início do conflito
- Alimentos com maior queda para julho desde 2010: feijão, tomate, melancia e outros alimentos in natura puxaram a deflação no componente de alimentação. O El Niño, que havia sido apontado como risco para a safra, ainda não se materializou nos preços — e as colheitas do cerrado estão abastecendo o mercado interno
- Conta de luz impediu que o IPCA-15 ficasse negativo: os encargos aprovados pelo Senado (R$ 1 tri em custo extra) e a antecipação de contratos térmicos (R$ 4,75 bi) já estão aparecendo no componente de energia elétrica. A conta de luz é o vetor que mais preocupa no IPCA dos próximos meses — e vai piorar com os “jabutis” que entram em vigor
- Brent volta a US$ 87 com retomada das hostilidades: o Irã lançou mísseis balísticos contra tropas americanas na noite de ontem — hostilidades retomadas após pausa de quatro dias. O petróleo reage, revertendo parte da queda acumulada desde sexta. A defasagem do diesel, que havia melhorado de −69% para −58%, deve piorar nas próximas leituras da Abicom
- Ureia sobe pela 4ª semana seguida nos portos do Brasil com tensões geopolíticas — o insumo mais importante para a produção agrícola encarece enquanto o El Niño aumenta a dependência de fertilizantes. O efeito ainda não apareceu nos preços ao consumidor — mas a pressão no custo de produção é real e pode aparecer nas safras de 2027
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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