Morning Call — 22 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- Rubio: principal impasse é o Irã reivindicar o direito de controlar Ormuz — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA mantêm que o estreito é uma via de passagem internacional e que não cederão esse ponto nas negociações
- Japão: déficit comercial supera 3 vezes o esperado em junho — pressionado pelo custo adicional do petróleo para substituir o do Oriente Médio. As exportações japonesas cresceram 19,3%, impulsionadas por eletrônicos, metais e automóveis
- Reino Unido: inflação desacelera para 2,6% em junho — mínima em 15 meses, puxada pela queda nos preços da gasolina. Banco da Inglaterra deve manter juros na próxima semana, mas os próximos meses trarão pressão renovada do petróleo
BrasilMercado Doméstico
- Dólar cai para R$ 5,07 — menor nível desde 15 de junho: paradoxalmente, no dia em que as tarifas entram em vigor, o real se valoriza. O movimento reflete a alta do petróleo beneficiando exportadoras brasileiras e o fluxo de dólares ainda elevado como colchão. O mercado já havia precificado o tarifaço nas semanas anteriores
- Etanol atinge menor preço médio desde 2024 — com o etanol a 32% recém-implementado e safra abundante, o custo do combustível alternativo está no menor patamar em dois anos. Fator desinflacionário relevante que compensa parte da alta do Brent
- Vale registra melhor 2T de produção de minério desde 2018 — 84,2 mi de toneladas, alta de 0,8% na comparação anual. Resultado sólido que sustenta o papel mesmo em ambiente adverso para blue chips
Empresas em DestaqueCorporativo
- Vale (VALE3): melhor produção trimestral de minério de ferro para um 2T desde 2018, com 84,2 mi de toneladas (+0,8% a/a). O avanço veio do projeto S11D em Carajás e de volumes adicionais em Capanema e VGR1 (MG) — resultado operacional robusto que contrasta com o ambiente macroeconômico adverso.
- Mercado Livre (MELI): captou R$ 1,5 bilhão em Letras Financeiras com demanda 2,2x o valor ofertado — operação em duas séries (2 e 3 anos) com remuneração de CDI+0,39% e CDI+0,47%. Demanda robusta sinaliza apetite do mercado de crédito mesmo em ambiente de juros elevados.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O Brent em US$ 94 e as tarifas americanas de 25% entrando em vigor no mesmo dia deveriam ser a tempestade perfeita para o real — mas o dólar fechou ontem em R$ 5,07, o menor nível desde 15 de junho. Esse aparente paradoxo revela algo importante sobre a resiliência estrutural do Brasil neste ciclo: o fluxo de dólares acumulado no semestre (US$ 17,78 bi), a alta do petróleo beneficiando a Petrobras e as exportadoras, e o mercado que já havia precificado o tarifaço semanas antes formam um colchão que o mercado cambial está usando. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais construtivo do dia é o IGP-M com deflação de 1,11% na segunda prévia — sinal de que os preços ao produtor estão cedendo mesmo com o petróleo em alta, o que antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos. O etanol no menor preço desde 2024 complementa esse quadro: há desinflação real acontecendo em alguns vetores enquanto o petróleo sobe em outros. O desafio para as próximas semanas é a trajetória do Brent: a US$ 94, as defasagens em −52% e −67% tornam qualquer retirada de subsídio politicamente inviável — e o custo fiscal cresce a cada dia. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda aguarda resposta de ambos os lados: se aceita, o Brent poderia recuar para US$ 75–80 em poucas semanas, abrindo espaço para o governo agir. Se rejeitada, o mercado precisará reclassificar o conflito de crise geopolítica para realidade estrutural permanente — e reprecificar toda a curva de ativos brasileiros.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
US$ 94,34
+3,66% — máxima absoluta do conflito
−67%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
−52%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
−1,11%
Deflação — alívio ao produtor
- Brent em US$ 94 — máxima absoluta do conflito: o petróleo supera todos os picos anteriores desta crise. Com Rubio acusando o Irã de descumprir o acordo e a proposta de trégua ainda sem resposta, o mercado não tem teto claro enquanto a incerteza sobre Ormuz persistir. Cada dólar a mais no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal dos subsídios
- Diesel em −67% e gasolina em −52% — recordes que se acumulam: com o Brent em US$ 94 e as defasagens nesses níveis, o custo diário dos subsídios para o Tesouro é o maior de toda a crise. A decisão do governo sobre o subsídio da gasolina, prometida para o fim de julho, deve ser postergada mais uma vez — é matematicamente impossível retirá-lo com o Brent acima de US$ 90
- IGP-M com deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — contrasta com o petróleo: os preços ao produtor agropecuário caíram 9,5% no primeiro semestre e o IGP-M mostra deflação mesmo com o Brent em alta. Isso acontece porque os alimentos in natura e as matérias-primas agrícolas têm dinâmica própria — e o El Niño ainda não se materializou completamente nas colheitas. O dado antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de alimentos
- Etanol no menor preço médio desde 2024: a safra abundante e o etanol a 32% na gasolina mantêm o combustível alternativo barato. É o principal fator que impede que a alta do Brent se transmita integralmente para a gasolina nos postos — mesmo com a defasagem em −52%, o etanol está funcionando como amortecedor real
- Segunda prévia do IGP-M como antecedente do IPCA de agosto: a deflação de 1,11% no IGP-M sugere que, mesmo com o petróleo pressionando, os componentes de alimentos e matérias-primas podem contribuir positivamente para o IPCA de agosto. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem nas próximas semanas
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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