Morning Call — 21 de Julho

Morning Call — 21 de Julho

Morning CallTerça-feira, 21 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🕊️ Proposta de cessar-fogo de 10 dias apresentada a EUA e Irã — mercados reagem com forte alta: mediadores regionais apresentaram nesta terça a Washington e Teerã uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia impulsiona os mercados globalmente: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, Shanghai +1,79%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq futuro +1,18%. O petróleo recua levemente apesar do Irã ter atacado um petroleiro em Ormuz ainda nesta madrugada.
S&P 500+0,46%Futuro
Nasdaq+1,18%Futuro — tech lidera
Nikkei+3,30%Japão
Kospi+3,60%Coreia do Sul
Brent−0,48%US$ 88,79 — recua com cessar-fogo
WTI−0,50%US$ 82,81
Ouro+1,23%US$ 4.065 — porto seguro ativo
DXY−0,01%100,94 — estável

🚢 Atenção: Houthis declaram embargo marítimo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb: além de Ormuz, o grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb — a rota alternativa que os sauditas vinham usando para desviar o petróleo via Mar Vermelho durante a guerra. Se o bloqueio se concretizar, a válvula de alívio do mercado global se fecha junto com Ormuz.
  • 10ª noite de ataques americanos ao Irã: o CENTCOM confirmou a décima rodada consecutiva, mesmo com a proposta de trégua em curso. O tráfego em Ormuz caiu 66% na semana até 20/7 (53 travessias vs. 157 na semana anterior), segundo Lloyd’s List Intelligence
  • EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses — veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. Trump utilizou a Seção 338 do Tariff Act de 1930, dispositivo raramente usado. Tarifas entram em vigor em 30 dias. A escalada comercial americana se amplia além do Brasil
  • Exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em 2 meses (Alckmin) — diversificação de destino como resposta ao tarifaço americano já está em curso. Boa notícia para o agronegócio exportador

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (seg)−0,20%173.371 pts
Dólar (seg)−0,43%R$ 5,0893 — alivia
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — novo recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — novo recorde

Defasagens batem novos recordes absolutos: diesel em −67% e gasolina em −52%: mesmo com a proposta de cessar-fogo, as leituras de hoje da Abicom mostram os maiores desalinhamentos de toda a crise. O querosene de aviação subiu 57,6% em um ano. A Petrobras e a Acelen amenizam o impacto da volatilidade — mas o espaço para absorção é limitado com o Brent acima de US$ 88.
🇧🇷 Lula aguarda eleições para reciprocidade ao tarifaço — exportações à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses: o governo decidiu segurar medidas de reciprocidade ao tarifaço dos EUA até as eleições para não dar palanque a Flávio. Enquanto isso, a diversificação já acontece: Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em dois meses. Tarifas americanas entram em vigor amanhã (22/07).
  • Crise na Rússia pressiona combustíveis no Brasil: além do conflito em Ormuz, os ataques ucranianos às refinarias russas continuam impactando a disponibilidade de diesel no mercado global — reforçando o duplo choque de oferta
  • Campanha de Lula reforça interlocução com o mercado — sinalização de que, no período eleitoral, o governo busca minimizar o risco-Brasil percebido pelos investidores institucionais
  • Moraes arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Abin paralela — decisão que reduz o número de frentes judiciais abertas e pode influenciar o ambiente político-eleitoral

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Time For Fun (TIMS3): o controlador Fernando Alterio adquiriu 58,13% das ações em circulação a R$ 6,02 por ação na OPA de fechamento de capital, elevando sua participação a 79,14%. Liquidação prevista para amanhã (22/07).
  • Gerdau (GGBR4): adquiriu os 23,03% da Dona Francisca Energética (Dfesa) que pertenciam à Celesc por R$ 150 milhões, passando a deter 100% da companhia — expansão em geração de energia própria.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A proposta de cessar-fogo de 10 dias entre EUA e Irã é a notícia que o mercado estava esperando há semanas — e a reação é proporcional ao acúmulo de tensão: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro quase +0,5%. Mas convém calibrar o otimismo: o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada — depois da proposta já ter sido apresentada — e os houthis no Iêmen declararam embargo marítimo à Arábia Saudita com ameaça de fechar Bab el-Mandeb, a rota alternativa que os sauditas vinham usando para exportar petróleo enquanto Ormuz estava restrita. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário ideal de resolução exige não apenas um cessar-fogo EUA-Irã, mas também o recuo dos houthis — o que adiciona uma variável independente que o mercado ainda não precificou completamente. Para o Brasil, o dado mais importante desta terça é o Focus: pela terceira semana consecutiva, o IPCA 2026 recuou — o mercado mantém a tese de que o choque é temporário e que a desinflação voltará quando o conflito se resolver. As defasagens em −52% e −67% são recordes absolutos — mas o mercado olha para o que vem depois da trégua, não para o patamar atual. A questão que fica: se o cessar-fogo de 10 dias for aceito, o petróleo cai com força suficiente para permitir ao governo retirar o subsídio da gasolina no fim de julho? Com o Brent em US$ 88 hoje, precisaria cair para perto de US$ 70 para as defasagens se tornarem manejáveis. Dez dias podem não ser suficientes.

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Boletim Focus
Expectativas de Mercado

IPCA 2026
5,10%
↓ de 5,16% — 3ª queda seguida
Selic 2026
14,00%
Manutenção
Câmbio 2026
R$ 5,20
Manutenção
PIB 2026
1,99%
Manutenção

  • IPCA 2026 cai para 5,10% — terceira queda consecutiva: o mercado reduz a projeção de inflação pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,10%. O movimento confirma a tese de que o choque do petróleo é percebido como temporário — o mercado ancora na expectativa de que o conflito se resolve e a desinflação retorna. Ainda assim, a projeção para 2028 subiu levemente, acendendo alerta sobre expectativas de médio prazo
  • Selic em 14,00% — manutenção: o mercado segue precificando pelo menos mais um corte no ciclo, mas sem antecipar movimentos. O Copom de agosto dependerá da evolução do conflito e do petróleo nas próximas duas semanas
  • Câmbio em R$ 5,20 — estável: projeção sustentada pelo fluxo de dólares ainda positivo e pela expectativa de que o conflito não afeta estruturalmente o real. O dólar fechou ontem em R$ 5,0893 — abaixo da projeção do Focus, o que reflete o colchão cambial em ação
  • Atenção: projeção de inflação para 2028 subiu — enquanto o mercado reduz o IPCA de 2026 e 2027, a estimativa para 2028 avançou, sinalizando que parte dos analistas começa a incorporar riscos de médio prazo (El Niño, encargos de energia, pressão fiscal eleitoral) nas projeções mais longas
📌 Leitura do Focus: três quedas consecutivas no IPCA 2026 com defasagens em recordes históricos revelam uma aparente contradição — mas a lógica é consistente: o mercado precifica o choque como temporário e aposta na resolução do conflito. O risco dessa tese é exatamente o que os houthis fizeram hoje: adicionar variáveis independentes que podem prolongar a crise além da trégua EUA-Irã. Se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, a tese do “choque temporário” precisará ser revisada.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impaco para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / Cessar-fogoGeopolítica — Alívio Relativo
Mediadores apresentam proposta de cessar-fogo de 10 dias a EUA e Irã — mercados globais disparam
Mediadores regionais apresentaram nesta terça uma proposta de trégua de 10 dias que poderia retomar o memorando de entendimento de junho. A notícia provocou forte alta nos mercados: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro +0,46%, Nasdaq +1,18%. O petróleo recuou levemente. O CENTCOM, porém, confirmou a 10ª rodada de ataques na noite de ontem — e o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada.
Contexto: A proposta de trégua é genuinamente positiva — é o primeiro sinal concreto de mediação desde o colapso da trégua de junho. Mas a cautela é necessária: o Irã atacou um petroleiro depois da proposta ser apresentada, sinalizando que o campo militar ainda não está sincronizado com o diplomático. Para o petróleo cair o suficiente para permitir a retirada dos subsídios brasileiros, a trégua precisa ser aceita e mantida — 10 dias podem não ser suficientes.

02
Houthis / Bab el-Mandeb / EnergiaNova Ameaça de Bloqueio
Houthis declaram embargo à Arábia Saudita e ameaçam fechar Bab el-Mandeb — a válvula de alívio do petróleo global
O grupo houthi do Iêmen declarou embargo marítimo contra a Arábia Saudita e ameaça fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Esta rota vinha funcionando como válvula de alívio durante a guerra: os sauditas desviaram parte do petróleo por duto até um terminal de exportação no Mar Vermelho para contornar Ormuz. Um bloqueio de Bab el-Mandeb encerraria essa alternativa.
Contexto: A ameaça dos houthis adiciona uma segunda variável de risco energético independente do conflito EUA-Irã. Se Ormuz e Bab el-Mandeb forem bloqueados simultaneamente, o mercado de petróleo enfrentaria uma restrição de oferta sem precedente histórico — sem rota alternativa de escala para o petróleo do Golfo. Para o Brasil, é o cenário de pior caso: diesel em −67% já hoje, e sem perspectiva de normalização enquanto as duas rotas estiverem comprometidas.

03
Focus / IPCA / SelicInflação Brasil — 3ª Queda
Focus: IPCA 2026 cai para 5,10% pela 3ª semana seguida — mercado mantém tese do choque temporário
O Boletim Focus desta terça reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,16% para 5,10% — terceira queda consecutiva após 14 semanas de alta. A Selic esperada para o fim do ano foi mantida em 14,00%. O movimento confirma que o mercado precifica o conflito como choque temporário e aposta na desinflação pós-trégua. A projeção para 2028, porém, subiu levemente.
Contexto: IPCA caindo no Focus enquanto as defasagens batem recordes históricos parece contraditório, mas é coerente com a tese do mercado: o choque é temporário, a resolução vem, e a desinflação de junho voltará. O risco é exatamente a ameaça dos houthis: se Bab el-Mandeb fechar junto com Ormuz, o “temporário” vira “estrutural” e o Focus precisará ser revisado para cima. A alta na projeção de 2028 já é um sinal de alerta incipiente.

04
EUA / Canadá / TarifaçoComércio Internacional
EUA impõem tarifas de 50% sobre veículos, bebidas e laticínios do Canadá — escalada comercial americana se amplia
Os EUA impuseram tarifas adicionais de 50% sobre veículos automotores, bebidas alcoólicas e laticínios canadenses, usando a Seção 338 do Tariff Act de 1930 — dispositivo raramente utilizado. As tarifas entram em vigor em 30 dias e se aplicam independentemente do acordo de livre-comércio vigente entre os países. As tarifas de 25% sobre o Brasil entram em vigor hoje (22/07).
Contexto: Os EUA ampliam a guerra comercial do Brasil para o Canadá — o maior parceiro comercial americano. O uso da Seção 338, raramente acionada, sinaliza que Trump está disposto a escalar sem limites jurídicos convencionais. Para o Brasil, o foco agora é na entrada em vigor das tarifas de 25% amanhã — e na resposta do real a esse evento depois de semanas de preparação do mercado.

05
Exportações / Europa / DiversificaçãoComércio Exterior Brasil
Exportações brasileiras à Europa crescem R$ 10 bi em 2 meses — diversificação já em curso como resposta ao tarifaço
O vice-presidente Alckmin revelou que as exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em apenas dois meses — sinalização de que a diversificação de destinos das exportações já está em curso como resposta ao tarifaço americano. O governo mantém a estratégia de segurar medidas de reciprocidade até as eleições para não amplificar o conflito político.
Contexto: R$ 10 bi de crescimento para a Europa em dois meses é o dado mais construtivo para o setor exportador brasileiro desta semana — mostra que o agronegócio e a indústria já estão redirecionando fluxos. Esse deslocamento para a Europa e Ásia pode mitigar parte do impacto das tarifas americanas no médio prazo, especialmente se o acordo com a União Europeia avançar.

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