Morning Call — 21 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- 10ª noite de ataques americanos ao Irã: o CENTCOM confirmou a décima rodada consecutiva, mesmo com a proposta de trégua em curso. O tráfego em Ormuz caiu 66% na semana até 20/7 (53 travessias vs. 157 na semana anterior), segundo Lloyd’s List Intelligence
- EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses — veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. Trump utilizou a Seção 338 do Tariff Act de 1930, dispositivo raramente usado. Tarifas entram em vigor em 30 dias. A escalada comercial americana se amplia além do Brasil
- Exportações brasileiras à Europa cresceram R$ 10 bilhões em 2 meses (Alckmin) — diversificação de destino como resposta ao tarifaço americano já está em curso. Boa notícia para o agronegócio exportador
BrasilMercado Doméstico
- Crise na Rússia pressiona combustíveis no Brasil: além do conflito em Ormuz, os ataques ucranianos às refinarias russas continuam impactando a disponibilidade de diesel no mercado global — reforçando o duplo choque de oferta
- Campanha de Lula reforça interlocução com o mercado — sinalização de que, no período eleitoral, o governo busca minimizar o risco-Brasil percebido pelos investidores institucionais
- Moraes arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Abin paralela — decisão que reduz o número de frentes judiciais abertas e pode influenciar o ambiente político-eleitoral
Empresas em DestaqueCorporativo
- Time For Fun (TIMS3): o controlador Fernando Alterio adquiriu 58,13% das ações em circulação a R$ 6,02 por ação na OPA de fechamento de capital, elevando sua participação a 79,14%. Liquidação prevista para amanhã (22/07).
- Gerdau (GGBR4): adquiriu os 23,03% da Dona Francisca Energética (Dfesa) que pertenciam à Celesc por R$ 150 milhões, passando a deter 100% da companhia — expansão em geração de energia própria.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
A proposta de cessar-fogo de 10 dias entre EUA e Irã é a notícia que o mercado estava esperando há semanas — e a reação é proporcional ao acúmulo de tensão: Nikkei +3,3%, Kospi +3,6%, S&P futuro quase +0,5%. Mas convém calibrar o otimismo: o Irã atacou um petroleiro em Ormuz nesta madrugada — depois da proposta já ter sido apresentada — e os houthis no Iêmen declararam embargo marítimo à Arábia Saudita com ameaça de fechar Bab el-Mandeb, a rota alternativa que os sauditas vinham usando para exportar petróleo enquanto Ormuz estava restrita. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário ideal de resolução exige não apenas um cessar-fogo EUA-Irã, mas também o recuo dos houthis — o que adiciona uma variável independente que o mercado ainda não precificou completamente. Para o Brasil, o dado mais importante desta terça é o Focus: pela terceira semana consecutiva, o IPCA 2026 recuou — o mercado mantém a tese de que o choque é temporário e que a desinflação voltará quando o conflito se resolver. As defasagens em −52% e −67% são recordes absolutos — mas o mercado olha para o que vem depois da trégua, não para o patamar atual. A questão que fica: se o cessar-fogo de 10 dias for aceito, o petróleo cai com força suficiente para permitir ao governo retirar o subsídio da gasolina no fim de julho? Com o Brent em US$ 88 hoje, precisaria cair para perto de US$ 70 para as defasagens se tornarem manejáveis. Dez dias podem não ser suficientes.
Boletim Focus
Expectativas de Mercado
5,10%
↓ de 5,16% — 3ª queda seguida
14,00%
Manutenção
R$ 5,20
Manutenção
1,99%
Manutenção
- IPCA 2026 cai para 5,10% — terceira queda consecutiva: o mercado reduz a projeção de inflação pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,10%. O movimento confirma a tese de que o choque do petróleo é percebido como temporário — o mercado ancora na expectativa de que o conflito se resolve e a desinflação retorna. Ainda assim, a projeção para 2028 subiu levemente, acendendo alerta sobre expectativas de médio prazo
- Selic em 14,00% — manutenção: o mercado segue precificando pelo menos mais um corte no ciclo, mas sem antecipar movimentos. O Copom de agosto dependerá da evolução do conflito e do petróleo nas próximas duas semanas
- Câmbio em R$ 5,20 — estável: projeção sustentada pelo fluxo de dólares ainda positivo e pela expectativa de que o conflito não afeta estruturalmente o real. O dólar fechou ontem em R$ 5,0893 — abaixo da projeção do Focus, o que reflete o colchão cambial em ação
- Atenção: projeção de inflação para 2028 subiu — enquanto o mercado reduz o IPCA de 2026 e 2027, a estimativa para 2028 avançou, sinalizando que parte dos analistas começa a incorporar riscos de médio prazo (El Niño, encargos de energia, pressão fiscal eleitoral) nas projeções mais longas
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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