Morning Call — 19 de Agosto

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Autoridades iranianas cogitaram atacar alvos militares dos EUA na Europa caso a guerra se intensifique. O cessar-fogo rompeu na prática — Trump diz não haver conversas com Teerã. Os Emirados suspenderam todo o comércio com o Irã após dois mísseis balísticos serem disparados em direção às suas águas. A Ásia opera com forte aversão a risco (Kospi −5,80%). No Brasil, R$ 12,6 bilhões saíram da bolsa em uma semana — maior saída desde 2008 — e as defasagens explodiram: diesel em −85%, gasolina em −50%.
- Trump suspende por 3 dias a tarifa de 50% sobre o Canadá — taxa que entraria em vigor hoje foi adiada enquanto os dois países buscam finalizar um acordo, segundo publicação do presidente em redes sociais
- Inflação da zona do euro confirmada em 2,9% em julho — núcleo acelerou de 2,4% para 2,5%, acima do esperado, renovando pressão sobre o BCE
- Ata do FOMC sai hoje — mercado busca mais detalhes sobre a divisão dos dirigentes do Fed quanto à necessidade de elevar juros, enquanto Trump segue pressionando por taxas mais baixas
- TCU bloqueia R$ 5 bi destinados a reduzir tarifas de energia no Norte e Nordeste — mais um capítulo do embate institucional sobre o uso de recursos do setor elétrico
- Juros efetivos da dívida atingem o maior valor em 10 anos — combinação de Selic elevada, alta do risco-país e programas subsidiados encarece o custo total da dívida pública
- Recuperações judiciais crescem 66% com juros altos e crédito restrito, puxadas pelo agronegócio — tendência que ganha força após os casos recentes de Casas Bahia e outras varejistas
- JBS (JBSS3) / Pilgrim’s Pride: submeteu oferta não vinculante para comprar as ações minoritárias da Pilgrim’s Pride, o que deve levar ao fechamento de capital da controlada americana na Nasdaq. Pela proposta, cada acionista trocaria uma ação da Pilgrim’s Pride por 2,086 ações classe A da JBS. A JBS já detém cerca de 82% do capital da controlada.
- Cosan (CSAN3): notificou formalmente a NYSE sobre sua intenção de deslistar voluntariamente os ADS negociados nos EUA, decisão aprovada pelo conselho na sexta-feira. A companhia manterá a listagem das ações ordinárias no Novo Mercado da B3, como parte da simplificação da estrutura de capital.
Baseado no Research BTG Pactual
A possibilidade de o Irã atacar alvos americanos na Europa é a escalada mais séria do conflito até agora — pela primeira vez, a guerra deixa de ser regional e passa a ameaçar território fora do Oriente Médio. Combinado com os Emirados suspendendo todo o comércio com Teerã após mísseis caírem perto de suas águas, o quadro geopolítico entrou em uma fase de imprevisibilidade que os mercados claramente não sabem precificar — daí o tombo generalizado na Ásia, liderado pelo Kospi caindo quase 6%. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais alarmante para o Brasil nesta edição não é internacional, é doméstico: R$ 12,6 bilhões retirados da bolsa brasileira em uma única semana é a maior saída de capital estrangeiro desde que a série histórica começou, em 2008 — superando inclusive os piores momentos da crise financeira global daquele ano. Isso não é mais um fluxo de cautela pré-eleitoral comum, é uma fuga de proporções históricas. A defasagem do diesel em −85% e da gasolina em −50% são o espelho fiscal dessa crise: cada dia que o conflito no Oriente Médio se prolonga, mais caro fica para o governo brasileiro sustentar os subsídios, num momento em que o próprio Tesouro já paga o maior custo de dívida em 10 anos. Para o investidor, a pergunta não é mais se o mercado vai continuar caindo — é até que ponto a combinação de crise geopolítica extrema com fuga de capital recorde consegue se sustentar antes de forçar uma resposta de política econômica, seja via Banco Central, seja via sinalização fiscal mais clara do governo antes das eleições.
- Diesel atinge −85% — o maior recorde de toda a crise: a combinação da ameaça iraniana à Europa com a suspensão total de comércio pelos Emirados eliminou qualquer expectativa de normalização de curto prazo no fornecimento de petróleo e derivados para o Brasil
- Gasolina dispara para −50% — pela primeira vez a defasagem atinge metade do valor de mercado livre, um patamar que testa os limites operacionais do mecanismo de subvenção vigente
- Brent sobe pelo terceiro pregão consecutivo — a escalada segue sem trégua, com o mercado de petróleo precificando cada novo desdobramento da crise diplomática entre EUA, Irã e agora os Emirados
- R$ 12,6 bi de saída em uma semana é a maior desde 2008 — mais que um dado de mercado, é um sinal de alerta que tende a pressionar ainda mais o câmbio e a curva de juros nas próximas semanas, se o padrão persistir
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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