Morning Call — 18 de Agosto

Morning Call — 18 de Agosto

Morning CallTerça-feira, 18 de agosto de 2026
Assessoria de Investimentos Private
Morning Call
Análise diária de mercado

Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Ibovespa−0,09% 166.784 pts
Dólar−0,36% R$ 5,2006
S&P Fut.−0,54%
Bitcoin−0,19% US$ 64.177

Trump ameaçou bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã — a janela de 60 dias para um acordo se encerrou ontem sem avanço. Um cargueiro foi atingido por projétil ao cruzar Ormuz hoje. Autoridade iraniana diz que o país adotará postura “totalmente ofensiva” se o acordo provisório não for implementado. Os Treasuries sobem forte, com o de 30 anos perto da máxima desde 2002. No Brasil, o Ibovespa completa a 10ª sessão seguida de perdas.

Internacional
Panorama Global

💣 Trump ameaça bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã: a ameaça ocorre no mesmo dia em que a janela de 60 dias prevista para um acordo entre EUA e Irã se encerrou sem avanço. Trump descartou estender o cessar-fogo no curto prazo, alegando que Teerã não aceitaria os termos necessários para encerrar a guerra. Omã, aliado de Washington, mantém negociações ativas com o Irã para reabrir Ormuz — rota crítica que virou um dos principais entraves nas conversas com representantes americanos.
Brent0,13%US$ 90,99 — acima de US$ 90
Nikkei2,54%Japão — forte aversão a risco
S&P 5000,54%Futuro
Treasury 30a5,322%Perto da máxima desde 2002

🚢 Cargueiro é atingido por projétil ao cruzar Ormuz — Irã ameaça postura “totalmente ofensiva”: segundo a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um navio cargueiro foi atingido hoje ao cruzar o estreito, em meio à paralisação das negociações. Uma autoridade sênior do Irã disse ontem que o país passará a adotar postura “totalmente ofensiva” caso um acordo de paz provisório não seja implementado — a sinalização mais dura do lado iraniano desde o início da crise.
  • Juros longos disparam globalmente — Treasury de 10 anos sobe a 4,738%, o de 2 anos a 4,192%; no Japão, o título de 10 anos tocou 2,945%, maior nível em mais de três décadas, refletindo expectativa de aperto do BoJ e venda generalizada de soberanos longos no mundo todo
  • Reino Unido: desemprego estável em 4,9%, mas salários crescem apenas 2,8% — expansão mais fraca desde outubro de 2020. Vagas de emprego caem a 707 mil, mínima desde 2021, com folha de pagamento recuando pelo 6º mês seguido
  • Produção industrial dos EUA sai hoje às 10h15 — indicador monitorado de perto por seus efeitos sobre a trajetória de juros do Fed, em meio à escalada geopolítica que já pressiona os Treasuries

Mercado Doméstico
Brasil

Ibovespa (seg)0,09%166.784 pts — 10ª queda seguida
Dólar (seg)0,36%R$ 5,2006 — correção
Defasagem gas.46%Abicom · 17/08 — piora
Defasagem diesel78%Abicom · 17/08 — novo recorde

📉 Ibovespa fecha a 10ª sessão seguida de perdas — economia perde ritmo, com IBC-Br recuando 0,64% em junho: o índice oscilou entre perdas e ganhos, chegou a tocar 168.007 pontos, mas não sustentou o campo positivo diante da queda mais intensa das ações de bancos, fechando a 166.784 pontos. O resultado destoou da leve recuperação do dólar e dos juros futuros, refletindo a cautela específica com a proximidade das eleições e a saída de investidores estrangeiros. O IBC-Br, prévia do PIB, recuou 0,64% em junho, puxado pela retração da indústria e dos serviços — sinal de perda de ritmo que deve pesar na próxima decisão do Copom.
💵 Dólar recua e corrige parte da alta da semana passada — moeda havia saltado de R$ 5,08 para R$ 5,21 em cinco sessões: o dólar fechou em queda de 0,36%, a R$ 5,2006, após oscilar entre R$ 5,1808 e R$ 5,2213 — um movimento técnico de correção após a forte valorização da semana anterior. O IGP-10 registrou a terceira deflação seguida, ajudada pelos preços no atacado, dado que dá algum suporte doméstico ao BC mesmo com o cenário externo mais adverso.
  • Focus mantém IPCA 2026 em 5,02% e reduz projeção de PIB para 2027 — sinal de que o mercado começa a incorporar o enfraquecimento da atividade sugerido pelo IBC-Br
  • Galípolo diz que o ciclo de política monetária está mais relacionado a questões endógenas — sinalização de que o BC olha mais para fatores domésticos do que para o cenário externo na condução da Selic, apesar da volatilidade geopolítica
  • Durigan: “Brasil não se dobra” e situação com EUA é “pontual” — tentativa de baixar a temperatura da crise diplomática, num momento em que grandes bancos já ampliam provisão contra calotes diante do cenário econômico mais turvo

Corporativo
Empresas em Destaque

  • Ecopetrol / Brava Energia (BRAV3): a Ecopetrol Investimentos concluiu a aquisição do controle da Brava Energia, liquidando a OPA e a operação privada anunciadas em abril — a subsidiária brasileira da colombiana passou a deter cerca de 51% do capital social da companhia.
  • Axia Energia: converterá 10,26 milhões de ações preferenciais Classe C em ordinárias nesta terça-feira, e resgatará e cancelará outras 37,17 milhões em 24 de agosto — investidores com ADRs recebem os recursos em até 7 dias úteis após a conclusão.

Research BTG Pactual
Análise do Dia

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A ameaça de Trump de bombardear Omã — um aliado histórico dos EUA na região, e justamente o país que está mediando a única via diplomática ainda ativa com o Irã — é um sinal de que a diplomacia americana no Oriente Médio está em um ponto de ruptura. Ameaçar o mediador é, na prática, ameaçar a última ponte de saída negociada do conflito. Não é coincidência que os juros longos americanos estejam disparando: o Treasury de 30 anos perto da máxima desde 2002 reflete um mercado que está precificando risco geopolítico estrutural, não mais transitório. Segundo o research do BTG Pactual, o Irã respondendo com a ameaça de postura “totalmente ofensiva” fecha o ciclo de escalada retórica mais perigoso desde o início da guerra — ambos os lados descartando, pela primeira vez de forma simultânea, qualquer sinalização de recuo. Para o Brasil, o efeito imediato já apareceu: diesel batendo novo recorde de −78% e gasolina piorando para −46%, revertendo a leve melhora do fim de semana. No front doméstico, o IBC-Br confirmando perda de ritmo da economia em junho complica ainda mais o quadro para o Copom, que precisará balancear uma atividade mais fraca (favorável a cortes) com um ambiente externo extremamente hostil (desfavorável). A décima sessão seguida de perdas do Ibovespa já não é mais notícia isolada — é o pano de fundo estrutural com o qual o mercado brasileiro terá que conviver enquanto o conflito no Oriente Médio não encontrar um novo equilíbrio, que hoje parece mais distante do que em qualquer momento das últimas semanas.

Monitoramento de Preços
Radar de Inflação

Defasagem Diesel78%Abicom · 17/08 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina46%Abicom · 17/08 — piora
BrentUS$ 90,99Acima de US$ 90 — Omã ameaçado
IGP-10Deflação3ª seguida — suporte doméstico

  • Diesel bate novo recorde de −78% — revertendo a leve melhora do fim de semana; a ameaça de Trump a Omã e o ataque ao cargueiro em Ormuz eliminaram qualquer perspectiva de alívio de curto prazo
  • Gasolina piora para −46% — segunda leitura seguida de deterioração após o breve respiro da última leitura, acompanhando a escalada do Brent para acima de US$ 90
  • Brent ultrapassa US$ 90 com a ameaça direta a Omã: ao mirar o único mediador ativo nas negociações, Trump elevou o prêmio de risco do petróleo para o nível mais alto desde o pico de julho, quando o Brent chegou a superar US$ 100
  • IGP-10 registra a 3ª deflação seguida — os preços no atacado seguem ajudando o quadro inflacionário doméstico, um dos poucos sinais positivos nesta edição em meio à escalada externa
📌 Leitura do Radar: a escalada retórica entre EUA e Irã reverteu integralmente a melhora marginal vista no fim de semana — diesel e gasolina voltam a bater recordes, com o Brent de volta acima de US$ 90. O único contraponto positivo é doméstico: o IGP-10 em sua terceira deflação seguida mostra que a pressão de custos ao produtor segue controlada, mesmo com o choque de petróleo. A pergunta que define a semana: até onde vai a escalada entre Washington e Teerã antes de uma nova pausa diplomática?

Seleção do Dia
Clipping de Notícias

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Trump / Omã / IrãGeopolítica — Ruptura Diplomática
Trump ameaça bombardear Omã caso o país “atrapalhe” as negociações com o Irã
A ameaça ocorre no mesmo dia em que a janela de 60 dias prevista para um acordo entre EUA e Irã se encerrou sem avanço. Trump descartou estender o cessar-fogo, alegando que Teerã não aceita os termos necessários para encerrar a guerra. Omã mantém negociações ativas com o Irã para reabrir Ormuz — rota que virou um dos principais entraves nas conversas com representantes americanos.
Contexto: ameaçar o único mediador ativo é um sinal de ruptura diplomática mais grave que qualquer retórica anterior no conflito — coloca em risco a última via de saída negociada, e explica por que os Treasuries longos dispararam para níveis não vistos desde 2002.

02
Ormuz / Irã / Postura OfensivaGeopolítica — Escalada Simultânea
Cargueiro é atingido por projétil em Ormuz; Irã ameaça postura “totalmente ofensiva”
Segundo a UKMTO, um navio cargueiro foi atingido hoje ao cruzar o estreito. Uma autoridade sênior do Irã disse ontem que o país passará a adotar postura “totalmente ofensiva” caso um acordo de paz provisório não seja implementado — a sinalização mais dura do lado iraniano desde o início da crise, ocorrendo no mesmo dia da ameaça de Trump a Omã.
Contexto: pela primeira vez desde o início do conflito, ambos os lados sinalizam escalada simultânea sem qualquer gesto de recuo — um padrão mais perigoso do que os episódios anteriores, em que normalmente um lado sinalizava abertura enquanto o outro escalava.

03
Combustíveis / DefasagemInflação — Recorde
Diesel bate novo recorde de −78%; gasolina piora para −46%, revertendo melhora do fim de semana
A Abicom registrou defasagem de −78% para o diesel — novo recorde absoluto — e −46% para a gasolina, ambas em piora após a breve melhora vista na leitura anterior. O movimento acompanha o Brent voltando a superar US$ 90 com a escalada entre EUA e Irã envolvendo Omã.
Contexto: a reversão da melhora de apenas alguns dias mostra como as defasagens brasileiras estão diretamente amarradas à volatilidade da retórica geopolítica — sem um desfecho estrutural do conflito, qualquer alívio tende a ser temporário e rapidamente revertido.

04
Ibovespa / IBC-Br / AtividadeMercado Doméstico
Ibovespa fecha 10ª sessão seguida de perdas; IBC-Br recua 0,64% e confirma perda de ritmo da economia
O índice fechou a 166.784 pontos, destoando da leve recuperação do dólar e dos juros futuros — reflexo da cautela específica com as eleições e a saída de estrangeiros. O IBC-Br, prévia do PIB, recuou 0,64% em junho, puxado pela retração da indústria e dos serviços, sinalizando perda de ritmo da atividade após um início de ano mais aquecido.
Contexto: o IBC-Br fraco complica a decisão do Copom — atividade mais fraca justificaria cortes mais rápidos, mas o ambiente externo extremamente hostil (Trump-Omã, Irã “ofensivo”) pede mais cautela. Essa tensão entre dado doméstico e cenário externo deve marcar o próximo comunicado do BC.

05
Treasuries / Juros GlobaisMercados Globais
Juros longos disparam globalmente — Treasury de 30 anos perto da máxima desde 2002; Japão no maior nível em 3 décadas
O Treasury de 30 anos avançou para cerca de 5,322%, patamar pouco abaixo da máxima desde 2002. No Japão, o título soberano de 10 anos tocou 2,945%, maior nível em mais de três décadas, e o de 2 anos subiu para 1,70%, o maior patamar desde 1995 — reflexo de expectativas de aperto do BoJ e venda generalizada de soberanos longos globalmente.
Contexto: a alta simultânea de juros longos nos EUA e no Japão, dois dos maiores mercados de dívida soberana do mundo, sinaliza que o mercado está precificando um cenário de maior risco estrutural — não apenas geopolítico, mas também fiscal — o que tende a pressionar o custo de capital globalmente, inclusive para emergentes como o Brasil.

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