Morning Call — 13 de Agosto

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O CPI americano veio em linha com o esperado (+0,1% no mês, +3,4% no ano) — alívio parcial para o Fed, mas o PPI de hoje é o próximo teste, com ligação direta ao núcleo do PCE. A Ucrânia atacou terminais russos de exportação de grãos em Novorossiysk, e a Rússia alertou para risco à cadeia global de alimentos. No Brasil, as defasagens bateram novo recorde — diesel em −73% — e o Ibovespa segue em queda, pressionado pela saída de estrangeiros às vésperas das eleições.
- Reino Unido cresce 0,4% no 2T — ritmo mais acelerado do G7 no primeiro semestre (1T havia sido +0,6%), superando os EUA no período. A libra caiu, com as preocupações do Oriente Médio ofuscando o bom dado
- Espanha: inflação revisada para 3,6% em julho — maior patamar desde maio de 2024, puxada por diesel (+15,7%) e gasolina (+7,3%), além de eletricidade (+8,4%) em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio
- Onda de calor ameaça geração nuclear na Europa — Romênia desligou seu único reator por baixo nível do rio Danúbio; estimativa de custo de até 1% do PIB do bloco com as interrupções ligadas ao calor
- Governo Trump sinaliza mais ações sobre o Brasil — nova escalada potencial na crise diplomática, que já inclui tarifas e a revogação do visto da embaixadora
- Mudanças na desoneração de combustíveis podem custar até R$ 8 bi à saúde em 2027 — trade-off fiscal que ilustra o custo de oportunidade das medidas de alívio a combustíveis
- QPC: 94% do mercado esperava corte de 0,25pp em agosto e 57% achava que deveria cortar — sinal de que o mercado segue mais hawkish que a mediana das expectativas sobre o ritmo do Copom
- Ultrapar (UGPA3): aprovou pagamento de R$ 1,08 bilhão em dividendos (R$ 1,00 por ação ordinária), a partir de 3 de setembro, com base na posição acionária de 24 de agosto.
- GPA (PCAR3): aprovou os principais termos e condições para emissão de novas debêntures, operação que integra a solução de reestruturação financeira prevista no plano de recuperação extrajudicial da companhia.
Baseado no Research BTG Pactual
O CPI em linha com o esperado deveria ter sido uma boa notícia — e globalmente foi, com o Kospi disparando 3,56% e o Brent recuando. Mas o Ibovespa não conseguiu capturar esse alívio: caiu pelo segundo dia seguido, e o dólar subiu para R$ 5,18, com o real entre as moedas mais fracas do mundo na sessão. A narrativa se repete e se aprofunda: o problema brasileiro não é externo, é doméstico — a proximidade das eleições está acelerando a saída de capital estrangeiro, com relatos de compra intensa de dólares por estrangeiros no mercado de derivativos. Segundo o research do BTG Pactual, esse é um padrão que tende a se intensificar nas próximas semanas: mercado tipicamente amplia a cautela com Brasil no período pré-eleitoral, e neste ciclo há o agravante da crise diplomática com os EUA, que segue escalando — o governo Trump sinaliza mais ações contra o país. No front doméstico, o PLP dos Combustíveis aprovado traz uma mensagem mista: gatilhos fiscais são positivos para a credibilidade de médio prazo, mas os “jabutis” que podem elevar a conta de luz em 5% mostram como o processo legislativo brasileiro raramente entrega soluções limpas. Para o investidor, a pergunta mais relevante da semana deixou de ser sobre dados de inflação — o CPI bom não mudou a trajetória do Ibovespa — e passou a ser sobre até onde vai a deterioração do fluxo estrangeiro enquanto durar a incerteza eleitoral.
- Diesel bate novo recorde de −73% — o duplo choque de Ormuz e do veto russo à exportação continua sem sinais de convergência, mesmo com o Brent recuando 1,69% nesta sessão
- Gasolina piora para −41% (de −40%) — segunda leitura seguida de deterioração, ampliando a pressão fiscal sobre o subsídio que o governo já sinaliza ser insustentável no ritmo atual
- CPI americano em linha alivia parcialmente o Fed — mas o PPI de hoje será o próximo teste, com relação direta ao núcleo do PCE, a métrica preferida do Fed para calibrar a política monetária
- Ataque ucraniano a terminais de grãos na Rússia acende alerta para alimentos: a Rússia é a maior exportadora de trigo do mundo — qualquer interrupção prolongada no fluxo de grãos pelo Mar Negro pode se somar ao choque de energia e ampliar a pressão inflacionária global via alimentos
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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