Morning Call — 23 de Julho

Morning Call — 23 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 23 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
Brent US$ 98,59 — a um passo de US$ 100 · Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana · Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho · Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima absoluta do conflito: o petróleo tipo Brent avança 4,80% para US$ 98,59, o nível mais alto desde o início do conflito em março. Trump ameaçou destruir pontos da infraestrutura iraniana — pontes e usinas elétricas — a cada vez que o Irã atacar um navio em Ormuz. Os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã. O Banco Mundial alerta que os impactos do conflito, perto de completar cinco meses, podem pesar sobre o PIB global.
S&P 500−0,34%Futuro
Nasdaq−0,36%Futuro
Kospi+4,40%Coreia do Sul
Nikkei+0,46%Japão
Brent+4,80%US$ 98,59 — limiar de US$ 100
WTI+3,88%US$ 90,20
Treasury 10a4,681%↑ — inflação precificada
DXY+0,02%101,15 — leve força

🚢 Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho — Bab el-Mandeb sob ameaça concreta: o grupo houthi do Iêmen confirmou ataque a dois petroleiros sauditas nesta manhã, com incêndio na proa de uma das embarcações. A Arábia Saudita confirmou o ataque e classificou como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sendo atacado, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente.
  • Banco Mundial alerta: o conflito perto de completar cinco meses pode reduzir o PIB global e reacender a inflação — primeiro alerta formal de uma instituição multilateral sobre o impacto macroeconômico sistêmico da guerra
  • Iene cai à mínima em 40 anos (163,30/dólar) — o petróleo caro frustrou as expectativas de crescimento do PIB japonês, tornando o iene a pior moeda do G10. Os juros de 2 anos no Japão atingiram o maior nível em 31 anos
  • Confiança empresarial na França sobe para o maior nível em 4 meses em julho — dado que contrasta com o ambiente de guerra e reflete a resiliência do setor de serviços europeu
  • MPF pede suspensão do etanol a 32% na gasolina — ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal num momento de Brent próximo de US$ 100

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BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−53%Abicom · 22/07
Defasagem diesel−67%Abicom · 22/07 — recorde
BrentUS$ 98,59Subsídio mantido indefinidamente
BRB / BCDecisão iminenteCaixa preocupa — próximos dias

Lula deve manter subsídio da gasolina — decisão do fim de julho postergada indefinidamente: com o Brent a US$ 98, qualquer retirada do subsídio geraria impacto imediato e politicamente inviável nos postos. O governo antecipa contratos de energia térmica diante do El Niño — mais um custo emergencial. O MPF pediu suspensão do etanol a 32%, o que, se deferido, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível. A Fazenda enfrenta o problema de financiar o subsídio indefinidamente.
🏦 BRB: caixa preocupa o BC — decisão pode vir nos próximos dias: o Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB em poucos dias, segundo bastidores do Estadão. O banco do DF enfrenta problema de caixa após as investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de ativos. A governadora do DF ainda busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
  • Governo reembala Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano — redireciona recursos já previstos para dar aparência de resposta estrutural ao protecionismo americano
  • Governo busca mercados alternativos após tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre nova taxa de 12,5% para fechar o plano de diversificação das exportações
  • Governo antecipa contratos de vencedores de leilões de energia para garantir geração térmica diante do El Niño — custo emergencial que vai à conta de luz

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • BRB / Governo do DF: caixa do banco preocupa o BC, que pode ter de tomar decisão nos próximos dias. O BRB encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A situação é monitorada de perto pelo Banco Central e pelo governo federal.
  • Petrobras (PETR3/4): com o Brent acima de US$ 98, a estatal opera num ambiente de receitas crescentes — mas o subsídio mantido pelo governo limita o repasse ao consumidor. O governo usa a Petrobras como amortecedor do choque de preços, o que pressiona a política de preços da estatal.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent a US$ 98,59 é um número que muda a natureza do problema. Não se trata mais de calibrar o momento de retirada do subsídio ou de esperar que o petróleo “volte ao normal” — a US$ 98, com Ormuz e o Mar Vermelho sob ameaça simultânea, o mercado começa a precificar a possibilidade de que US$ 100+ seja o novo patamar de equilíbrio enquanto o conflito durar. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais grave desta edição não é o preço do petróleo em si, mas a expansão do conflito para uma segunda rota marítima: os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, comprometendo a válvula de alívio que havia mantido parte do escoamento do Golfo funcionando quando Ormuz estava restrita. Agora, pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais estão comprometidas ao mesmo tempo — e não há alternativa de escala para o petróleo do Golfo Pérsico. Para o Brasil, o Banco Mundial alertou que cinco meses de conflito podem pesar sobre o PIB global — o que adiciona risco de desaceleração da demanda externa ao choque de oferta de combustíveis que o país já enfrenta internamente. O MPF pedindo suspensão do etanol a 32% é o dado doméstico mais preocupante: se deferido, elimina o único amortecedor de custo zero disponível num momento em que todos os outros instrumentos já foram utilizados. A semana fecha com o Brasil digerindo uma combinação de choques que não tinha paralelo desde março — mas, diferente de março, agora sem perspectiva de resolução diplomática à vista.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 98,59
+4,80% — limiar de US$ 100
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 22/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−53%
Abicom · 22/07
Etanol 32%
Risco judicial
MPF pede suspensão — amortecedor ameaçado

  • Brent a US$ 98,59 — a um passo de US$ 100: o petróleo se aproxima do nível psicológico de US$ 100 pela primeira vez neste conflito. Com Trump ameaçando destruir infraestrutura iraniana e as duas principais rotas marítimas do Golfo sob ameaça, o mercado não tem referência clara de teto. A um passo de US$ 100, as defasagens dos combustíveis brasileiros tornam-se insustentáveis sem subsídio permanente
  • Mar Vermelho e Ormuz comprometidos simultaneamente: pela primeira vez neste conflito, as duas rotas principais de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico estão sob ameaça ao mesmo tempo. Os houthis atacaram petroleiros sauditas no Mar Vermelho, eliminando a válvula de alívio que mantinha parte do escoamento funcionando enquanto Ormuz estava restrita
  • MPF pede suspensão do etanol a 32%: ação judicial que, se deferida, eliminaria o único amortecedor de custo zero disponível ao governo. O MPF alega irregularidades no processo de aprovação pelo CNPE. Com o Brent a US$ 98, a perda do etanol a 32% representaria agravamento imediato das defasagens — já em recordes históricos
  • Governo antecipa contratos de energia térmica por causa do El Niño: além do petróleo, o governo age preventivamente para garantir geração elétrica diante da seca no Centro-Oeste e das chuvas no Sul previstas pelo El Niño. A antecipação de contratos térmicos tem custo — e esse custo vai para a conta de luz
  • Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025 e El Niño amplia riscos para commodities agrícolas — soja, milho, café e laranja entre os mais vulneráveis. A pressão nos alimentos se intensifica justamente quando o petróleo já está no pior patamar de toda a crise
📌 Leitura do Radar: quatro alertas vermelhos — Brent a US$ 98, diesel em −67%, gasolina em −53% e o etanol a 32% ameaçado judicialmente. É o Radar mais crítico desta série. A novidade desta edição é a expansão do conflito para o Mar Vermelho: com as duas rotas principais comprometidas, o teto do Brent se torna uma incógnita real. Para o Brasil, a combinação de petróleo próximo de US$ 100, El Niño ativo e MPF questionando o único amortecedor de custo zero é o ambiente mais adverso para a inflação desde o início do conflito.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Trump / IrãConflito — Limiar de US$ 100
Brent a US$ 98 — Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana; Banco Mundial alerta sobre impacto no PIB global
O Brent avança 4,80% para US$ 98,59 — a um passo de US$ 100, máxima do conflito. Trump ameaçou destruir pontes e usinas elétricas iranianas a cada ataque em Ormuz. O Banco Mundial alertou que o conflito, perto de completar cinco meses, pode reduzir o PIB global e reacender a inflação. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques ao Irã.
Contexto: A US$ 98, o mercado começa a precificar que US$ 100 pode não ser um teto, mas um piso — se as duas rotas marítimas do Golfo ficarem bloqueadas. A ameaça de Trump de destruir infraestrutura civil iraniana eleva o risco de escalada para além do campo militar e pode interromper as negociações diplomáticas em curso. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent adiciona bilhões ao custo do subsídio.

02
Houthis / Mar Vermelho / Bab el-MandebSegunda Rota Comprometida
Houthis atacam dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — as duas rotas do Golfo comprometidas ao mesmo tempo
O grupo houthi do Iêmen atacou dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho nesta manhã, com incêndio confirmado na proa de uma embarcação. A Arábia Saudita classificou o ataque como violação do direito internacional. Com Ormuz sob controle militar americano e o Mar Vermelho agora sob ataque, as duas principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo estão comprometidas simultaneamente pela primeira vez neste conflito.
Contexto: Este é o dado mais grave desta edição do ponto de vista estrutural de mercado: a perda simultânea das duas rotas elimina a válvula de alívio que havia mantido o Brent abaixo de US$ 95 nas semanas anteriores. Sem alternativa de escala para o petróleo do Golfo, o teto do Brent é uma incógnita real. Para o Brasil, é a concretização do pior cenário energético possível neste conflito.

03
MPF / Etanol / CombustíveisAmortecedor Ameaçado
MPF aciona Justiça para suspender aumento do etanol na gasolina para 32% — único amortecedor de custo zero em risco
O Ministério Público Federal acionou a Justiça pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado pelo CNPE na semana passada. Se deferida, a medida eliminaria o único instrumento de mitigação de custo zero disponível ao governo num momento de Brent próximo de US$ 100. Lula deve manter o subsídio da gasolina, o que gera problema crescente para a Fazenda.
Contexto: O MPF questionar o etanol a 32% no pior momento do conflito é o dado doméstico mais preocupante desta edição. A economia de R$ 0,03/litro é modesta, mas a medida tem valor estrutural — reduz a dependência de gasolina importada num momento em que o petróleo está a um passo de US$ 100. Uma suspensão judicial seria um retrocesso significativo na agenda de mitigação do choque.

04
BRB / BC / Risco FinanceiroSistema Financeiro Brasil
Caixa do BRB preocupa o BC — decisão sobre banco pode vir nos próximos dias
O Banco Central pode ter de tomar uma decisão sobre o BRB nos próximos dias, segundo o Estadão. O banco do Distrito Federal enfrenta problema de caixa após investigações do caso Master e encerrou as negociações com a Quadra Capital para o fundo de R$ 15 bi com ativos do Master. A governadora do DF busca solução com o BC. O caso adiciona risco sistêmico financeiro ao ambiente já adverso.
Contexto: O BRB em dificuldade de caixa com decisão do BC iminente é um risco que o mercado ainda não precificou completamente — está ofuscado pelo petróleo e pelas tarifas. Para o sistema financeiro, a forma como o BC resolverá o caso (intervenção, fusão, socorro) terá precedente relevante para outras instituições médias com exposição ao Master. A decisão deve vir antes do fim de semana.

05
Governo / Tarifaço / DiversificaçãoComércio Internacional
Governo reembala Brasil Soberano para o tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre taxa adicional de 12,5%
O governo reembalou o Plano Brasil Soberano para socorrer setores afetados pelo tarifaço americano, redirecionando recursos já previstos. O governo aguarda ainda a definição dos EUA sobre a possibilidade de uma taxa adicional de 12,5% — o que influenciará o formato da resposta brasileira. A diversificação de exportações para a Europa já mostrou R$ 10 bi de crescimento em dois meses (Alckmin).
Contexto: O “reembalo” do Brasil Soberano sem recursos novos é a resposta politicamente viável ao tarifaço num momento em que o espaço fiscal está comprimido por subsídios de combustíveis, antecipação de contratos de energia e iminente decisão sobre o BRB. Para os setores afetados — máquinas, equipamentos, manufaturados — a espera pela definição da taxa de 12,5% posterga os investimentos de ajuste necessários.

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