Morning Call — 22 de Julho

Morning Call — 22 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 22 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Brent dispara para US$ 94 — máxima absoluta do conflito — 11ª noite de ataques americanos ao Irã: o petróleo tipo Brent avança 3,66% para US$ 94,34, o nível mais alto desde o início do conflito em março. O WTI também sobe quase 4%, para US$ 87,65. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre Ormuz e alertou que Washington agirá para proteger seus interesses caso Teerã não leve as negociações a sério. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda não foi aceita por nenhuma das partes.
S&P 500−0,30%Futuro
Nasdaq−0,70%Futuro
FTSE+0,97%Londres
Kospi+0,74%Coreia do Sul
Brent+3,66%US$ 94,34 — máxima do conflito
WTI+3,92%US$ 87,65
Ouro+1,06%US$ 4.119 — porto seguro
Treasury 10a4,635%↑ — pressão inflacionária

💊 Trump anuncia cronograma de tarifas sobre genéricos importados — 100% a partir de 2028, 200% em 2029: a partir de 1º de agosto, genéricos importados ficam isentos por dois anos; depois, tarifa sobe para 100% e depois 200%. Objetivo é forçar fabricantes a produzir nos EUA. Medida que pressionará custos de saúde globalmente e pode afetar exportações farmacêuticas brasileiras no médio prazo.
  • Rubio: principal impasse é o Irã reivindicar o direito de controlar Ormuz — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA mantêm que o estreito é uma via de passagem internacional e que não cederão esse ponto nas negociações
  • Japão: déficit comercial supera 3 vezes o esperado em junho — pressionado pelo custo adicional do petróleo para substituir o do Oriente Médio. As exportações japonesas cresceram 19,3%, impulsionadas por eletrônicos, metais e automóveis
  • Reino Unido: inflação desacelera para 2,6% em junho — mínima em 15 meses, puxada pela queda nos preços da gasolina. Banco da Inglaterra deve manter juros na próxima semana, mas os próximos meses trarão pressão renovada do petróleo

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (ter)−0,03%173.326 pts — estável
Dólar (ter)−0,32%R$ 5,0731 — mínima desde 15/jun
Defasagem gas.−52%Abicom · 21/07 — recorde
Defasagem diesel−67%Abicom · 21/07 — recorde

🇺🇸 Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil entram em vigor hoje: a medida afeta milhares de itens, com exceção de carne e café. O governo avalia resposta entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas o Ministério da Fazenda sinalizou que não deve usar a lei por ora, e setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Uma nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
📉 IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — alívio nos preços ao produtor: o índice mostra deflação na segunda prévia, puxada pela queda nos preços ao produtor agropecuário (−9,5% no 1S26). Dado positivo para o IPCA de agosto, especialmente nos componentes de alimentos in natura e matérias-primas. A segunda prévia do IGP-M é um indicador antecedente relevante para a trajetória do IPCA nas próximas semanas.
  • Dólar cai para R$ 5,07 — menor nível desde 15 de junho: paradoxalmente, no dia em que as tarifas entram em vigor, o real se valoriza. O movimento reflete a alta do petróleo beneficiando exportadoras brasileiras e o fluxo de dólares ainda elevado como colchão. O mercado já havia precificado o tarifaço nas semanas anteriores
  • Etanol atinge menor preço médio desde 2024 — com o etanol a 32% recém-implementado e safra abundante, o custo do combustível alternativo está no menor patamar em dois anos. Fator desinflacionário relevante que compensa parte da alta do Brent
  • Vale registra melhor 2T de produção de minério desde 2018 — 84,2 mi de toneladas, alta de 0,8% na comparação anual. Resultado sólido que sustenta o papel mesmo em ambiente adverso para blue chips

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Vale (VALE3): melhor produção trimestral de minério de ferro para um 2T desde 2018, com 84,2 mi de toneladas (+0,8% a/a). O avanço veio do projeto S11D em Carajás e de volumes adicionais em Capanema e VGR1 (MG) — resultado operacional robusto que contrasta com o ambiente macroeconômico adverso.
  • Mercado Livre (MELI): captou R$ 1,5 bilhão em Letras Financeiras com demanda 2,2x o valor ofertado — operação em duas séries (2 e 3 anos) com remuneração de CDI+0,39% e CDI+0,47%. Demanda robusta sinaliza apetite do mercado de crédito mesmo em ambiente de juros elevados.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O Brent em US$ 94 e as tarifas americanas de 25% entrando em vigor no mesmo dia deveriam ser a tempestade perfeita para o real — mas o dólar fechou ontem em R$ 5,07, o menor nível desde 15 de junho. Esse aparente paradoxo revela algo importante sobre a resiliência estrutural do Brasil neste ciclo: o fluxo de dólares acumulado no semestre (US$ 17,78 bi), a alta do petróleo beneficiando a Petrobras e as exportadoras, e o mercado que já havia precificado o tarifaço semanas antes formam um colchão que o mercado cambial está usando. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais construtivo do dia é o IGP-M com deflação de 1,11% na segunda prévia — sinal de que os preços ao produtor estão cedendo mesmo com o petróleo em alta, o que antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos. O etanol no menor preço desde 2024 complementa esse quadro: há desinflação real acontecendo em alguns vetores enquanto o petróleo sobe em outros. O desafio para as próximas semanas é a trajetória do Brent: a US$ 94, as defasagens em −52% e −67% tornam qualquer retirada de subsídio politicamente inviável — e o custo fiscal cresce a cada dia. A proposta de trégua de 10 dias de ontem ainda aguarda resposta de ambos os lados: se aceita, o Brent poderia recuar para US$ 75–80 em poucas semanas, abrindo espaço para o governo agir. Se rejeitada, o mercado precisará reclassificar o conflito de crise geopolítica para realidade estrutural permanente — e reprecificar toda a curva de ativos brasileiros.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Brent
US$ 94,34
+3,66% — máxima absoluta do conflito
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
Defasagem Gasolina
−52%
Abicom · 21/07 — recorde absoluto
IGP-M (2ª prévia jul)
−1,11%
Deflação — alívio ao produtor

  • Brent em US$ 94 — máxima absoluta do conflito: o petróleo supera todos os picos anteriores desta crise. Com Rubio acusando o Irã de descumprir o acordo e a proposta de trégua ainda sem resposta, o mercado não tem teto claro enquanto a incerteza sobre Ormuz persistir. Cada dólar a mais no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal dos subsídios
  • Diesel em −67% e gasolina em −52% — recordes que se acumulam: com o Brent em US$ 94 e as defasagens nesses níveis, o custo diário dos subsídios para o Tesouro é o maior de toda a crise. A decisão do governo sobre o subsídio da gasolina, prometida para o fim de julho, deve ser postergada mais uma vez — é matematicamente impossível retirá-lo com o Brent acima de US$ 90
  • IGP-M com deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — contrasta com o petróleo: os preços ao produtor agropecuário caíram 9,5% no primeiro semestre e o IGP-M mostra deflação mesmo com o Brent em alta. Isso acontece porque os alimentos in natura e as matérias-primas agrícolas têm dinâmica própria — e o El Niño ainda não se materializou completamente nas colheitas. O dado antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de alimentos
  • Etanol no menor preço médio desde 2024: a safra abundante e o etanol a 32% na gasolina mantêm o combustível alternativo barato. É o principal fator que impede que a alta do Brent se transmita integralmente para a gasolina nos postos — mesmo com a defasagem em −52%, o etanol está funcionando como amortecedor real
  • Segunda prévia do IGP-M como antecedente do IPCA de agosto: a deflação de 1,11% no IGP-M sugere que, mesmo com o petróleo pressionando, os componentes de alimentos e matérias-primas podem contribuir positivamente para o IPCA de agosto. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem nas próximas semanas
📌 Leitura do Radar: Brent em US$ 94 com defasagens em recordes históricos de um lado; IGP-M em deflação e etanol barato do outro. O Radar desta edição ilustra a divisão do cenário inflacionário brasileiro: combustíveis no pior momento de toda a crise, alimentos e matérias-primas em alívio real. O resultado líquido para o IPCA de agosto dependerá de qual dos dois vetores dominará nas próximas semanas — e da trajetória do petróleo após a resposta (ou não) à proposta de trégua de 10 dias.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Brent / Ormuz / RubioEnergia — Máxima do Conflito
Brent atinge US$ 94 — máxima do conflito — Rubio acusa Irã de descumprir acordo sobre Ormuz
O Brent avança 3,66% para US$ 94,34 — o nível mais alto desde o início do conflito. Rubio acusou o Irã de descumprir o acordo sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o principal impasse é o Irã reivindicar controle sobre a via — algo sem amparo no direito internacional. Os EUA realizaram a 11ª noite consecutiva de ataques. A proposta de trégua de 10 dias ainda aguarda resposta de ambos os lados.
Contexto: O Brent em US$ 94 com a proposta de trégua sem resposta é o cenário mais tenso do conflito até aqui. Para o Brasil, cada dólar acima de US$ 90 no Brent aprofunda as defasagens e aumenta o custo fiscal diário dos subsídios — tornando matematicamente impossível a retirada do subsídio da gasolina que estava prometida para o fim de julho. A resposta à trégua nas próximas 24–48 horas será o evento mais relevante para o petróleo.

02
Tarifaço / EUA-Brasil / RespostaComércio Internacional
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor hoje sobre o Brasil — governo avalia resposta entre diplomacia e reciprocidade
As tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entram em vigor nesta quarta, afetando milhares de itens com exceção de carne e café. O governo avalia entre negociação diplomática e acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica — mas sinalizou que não deve usar a lei por ora. Setores afetados como máquinas e equipamentos já se posicionaram contra a retaliação. Nova rodada de reuniões com exportadores ocorre hoje.
Contexto: O real em R$ 5,07 no dia em que as tarifas entram em vigor mostra que o mercado já havia precificado o evento. O impacto real virá nos próximos meses, à medida que os contratos de exportação se renovarem com as novas condições. A decisão do governo de não acionar a reciprocidade por ora é pragmática — preserva espaço para negociação e evita escalar o conflito comercial num momento de crise energética simultânea.

03
IGP-M / Inflação / AlívioInflação — Dado Construtivo
IGP-M tem deflação de 1,11% na 2ª prévia de julho — preços ao produtor cedem mesmo com petróleo em alta
A segunda prévia do IGP-M registrou deflação de 1,11% em julho, com os preços ao produtor agropecuário acumulando queda de 9,5% no primeiro semestre. O dado contrasta com o Brent em alta e antecipa alívio no IPCA de agosto nos componentes de matérias-primas e alimentos in natura. Indicadores também mostram desaceleração mais forte da atividade econômica.
Contexto: A deflação no IGP-M é o dado mais construtivo para a inflação nesta semana tensa — indica que os preços ao produtor estão cedendo numa dinâmica própria do agronegócio, independente do petróleo. O risco é o repasse da alta do Brent para fretes e derivados chegar com defasagem. Por ora, o dado sustenta a tese do mercado de que parte do choque inflacionário é transitória.

04
Fed / Juros EUAPolítica Monetária Global
Fed deve manter juros inalterados este ano — mas economistas citam chance elevada de alta caso petróleo persista
O consenso dos economistas consultados aponta que o Fed deve manter os juros inalterados em 2026, mas uma parcela relevante cita chance elevada de alta caso o petróleo permaneça acima de US$ 90 por tempo prolongado. A segunda prévia do IGP-M com deflação de 1,11% e os dados de atividade mostrando desaceleração reforçam o cenário base de manutenção — mas o Brent em US$ 94 mantém o risco de alta no radar.
Contexto: A posição do Fed é a chave para o BC brasileiro: se os EUA mantiverem juros, o diferencial de taxa a favor do Brasil permanece e o real tem sustentação. Se o Fed subir, o dólar global se fortalece e o colchão cambial brasileiro se consome mais rapidamente. O Copom de agosto decidirá no ambiente criado pela resposta (ou não) à trégua nas próximas semanas.

05
Governo / Crédito / FiscalPolítica Econômica Brasil
Governo acena com negociação e crédito para contornar tarifaço — dívida com agências reguladoras atinge R$ 135 bi
O governo combina aceno com negociação diplomática e oferta de crédito para setores afetados pelo tarifaço americano. Em paralelo, a dívida com agências reguladoras atingiu R$ 135 bilhões — pressão adicional sobre o orçamento num momento de subsídios de combustíveis custosos e pauta-bomba aguardando promulgação. Indicadores mostram desaceleração mais forte da atividade econômica em junho.
Contexto: A combinação de R$ 135 bi em dívida com reguladoras, subsídios de combustíveis sem prazo definido, pacote de crédito de R$ 145 bi e desaceleração da atividade forma o quadro fiscal mais desafiador desde o início do conflito. O governo tem instrumentos políticos, mas o espaço fiscal real para utilizá-los sem comprometer o arcabouço está cada vez mais estreito.

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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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