Morning Call — 12 de Agosto

Dólarpressionado saída de capital
S&P Fut.+0,19%
Bitcoin+0,65% US$ 63.766
O Ibovespa despencou 2,5% ontem, ao menor fechamento desde 20 de janeiro, com saída de R$ 5,55 bilhões em capital estrangeiro na semana. O IPCA de julho veio a +0,07%, a menor taxa para o mês desde 2022 — reforçando a expectativa de novo corte do Copom em setembro. No Oriente Médio, houthis atacaram um cargueiro em Bab-el-Mandeb e forças americanas dispararam contra navio que tentou romper o bloqueio a Ormuz. Hoje sai o CPI americano — evento central da manhã.
- CPI dos EUA sai hoje pela manhã — dado mais aguardado do dia, deve balizar os próximos passos de juros do Fed. Dirigentes do Fed seguem divididos: Goolsbee chama inflação de “maior problema”, enquanto Venable (Atlanta) diz que a perspectiva depende do desfecho no Oriente Médio
- Itália: inflação desacelera para 2,9% em julho (de 3,0%) — menor patamar desde abril. Já a Alemanha acelera para 2,8% (de 2,3%), puxada por energia (+8,3%, de +3,4%) com o fim do desconto temporário de impostos sobre combustíveis em junho
- Kospi dispara 3,68% — recuperação forte após semana de volatilidade extrema nas ações de semicondutores sul-coreanas
- IGP-M acelera na 1ª prévia de agosto para 0,26% (de −0,39% em julho) — puxado pelo IPA (60% do índice), que passou de −0,66% para +0,28%. O IPC (30%) seguiu em deflação leve, de 0,01% para −0,09%
- Bônus de Itaipu deve aliviar a conta de luz em agosto, segundo IBGE — o benefício pode compensar parcialmente a pressão dos “jabutis” aprovados no Senado sobre a tarifa de energia
- Congresso instala hoje comissão para analisar MP das “blusinhas” — parte da agenda tributária que segue em tramitação em meio à corrida eleitoral no Legislativo
- Axia Energia: detentores de ações preferenciais Classe C (PNC) poderão optar pela conversão em ordinárias entre 12 e 14 de agosto — quem não se manifestar no prazo terá as ações resgatadas automaticamente.
- Oi (OIBR3): voltou a adiar a divulgação de resultados, citando “impactos relevantes” da recuperação judicial e dos processos competitivos em curso para alienação de ativos já anunciados.
Baseado no Research BTG Pactual
O Ibovespa caindo 2,5% para o menor nível desde janeiro, mesmo com o IPCA vindo bem abaixo do esperado, é o sinal mais claro de que o mercado brasileiro está precificando risco doméstico, não inflação. A saída de R$ 5,55 bilhões em capital estrangeiro numa única semana confirma que o problema é de confiança — o quadro fiscal a poucos meses da eleição pesa mais do que qualquer dado de curto prazo, por melhor que seja. E o IPCA de julho foi de fato muito bom: +0,07%, a menor taxa para o mês desde 2022, com nova deflação de alimentos. A ata do Copom reforçou que o corte para 14% teve amparo na desaceleração da atividade e na moderação da inflação — mas o BC foi claro ao listar os riscos que seguem impedindo um corte maior: choques de oferta (leia-se: petróleo e Ormuz), política fiscal expansionista e desancoragem de expectativas. Segundo o research do BTG Pactual, o IGP-M acelerando na primeira prévia de agosto é um alerta que merece atenção — o índice de preços ao produtor virou de negativo para positivo, sinal de que a pressão de custos pode estar retornando mesmo com o consumidor ainda protegido pela deflação de alimentos. Para o investidor, o CPI americano de hoje é o evento mais aguardado da manhã, mas o verdadeiro termômetro da semana é doméstico: o mercado vai continuar vendendo Brasil enquanto não houver clareza sobre o rumo fiscal do país pós-eleição — e isso não depende de nenhum dado de inflação, por melhor que seja.
- IPCA de julho em +0,07% — menor para o mês desde 2022: a nova deflação forte de alimentos foi o principal vetor de alívio. É o segundo mês seguido de leitura benigna, reforçando a expectativa de corte do Copom em setembro
- IGP-M acelera na 1ª prévia de agosto — alerta a monitorar: o IPA (60% do índice) virou de −0,66% para +0,28%, sinalizando possível retomada de pressão de custos ao produtor, mesmo com o IPC (consumidor) ainda em leve deflação
- Diesel segue no recorde de −70% (leitura de ontem) — o duplo choque de Ormuz e do veto russo continua sem sinais de convergência, mesmo com o Brent cedendo levemente hoje
- Brent recua para US$ 88,78 — alívio modesto após a escalada retórica de Trump: a AIE cortando a projeção de demanda para 2026 é o contraponto de médio prazo que pode ajudar a moderar os preços, ainda que o efeito nas defasagens brasileiras leve tempo para aparecer
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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