Morning Call — 6 de Agosto

O Copom cortou a Selic para 14% ontem — mas o comunicado foi deliberadamente ambíguo, sem sinalizar o próximo passo. Enquanto isso, o tráfego em Ormuz colapsou para 2 navios (ante 8 na véspera), a Ucrânia atacou duas refinarias russas e a China lançou seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro. O BC brasileiro optou por cautela: o ciclo continua, mas em velocidade a ser definida pelos dados.
Panorama GlobalInternacional
- China lança seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro — proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportação de drones para os EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos. As medidas são a primeira retaliação chinesa à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo” mas “reversível” — às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês
- Kashkari (Fed) diz que “chegou o momento de elevar os juros gradualmente” — e Cook (Fed) diz estar “preparada para subir juros, se necessário”. Dois membros do Fed sinalizando alta reforça a leitura de que o ciclo de afrouxamento americano está longe de começar
- Memorando EUA-Irã de junho ainda em vigor: o vice-chanceler iraniano confirmou que o acordo de 60 dias (reabertura de Ormuz sem tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano) segue como referência — mas os houthis, que não são parte do acordo, estão sabotando o tráfego independentemente
BrasilMercado Doméstico
- Lula sanciona piso do frete e veta anistia aos caminhoneiros de 2022 — medida que equilibra a relação com o setor de transporte que está diretamente afetado pela defasagem do diesel em −53%, sem conceder anistia política que beneficiaria o movimento bolsonarista de 2022
- Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 (estudo) — dado que contextualiza a pressão sobre o consumo privado num ambiente de juros altos e inflação acima da meta. O governo prevê Imposto Seletivo sobre bets, mas deve adiar por temor de impacto eleitoral
- MP junto ao TCU contesta o aumento de etanol na gasolina — nova ameaça ao etanol a 32%, que junto com o projeto de Kicis na Câmara mostra que o único amortecedor de custo zero dos combustíveis está sendo contestado em múltiplas frentes institucionais
Empresas em DestaqueCorporativo
- Eneva (ENEV3): a termelétrica Azulão I (295 MW) inicia operação comercial hoje — timing perfeito com o tráfego de Ormuz colapsando e a pressão sobre o sistema elétrico do El Niño. Receita fixa anual de R$ 278,3 milhões por 15 anos, reajustada pelo IPCA.
- Auren Energia (AURE3): cadastrou projetos para o leilão de baterias de dezembro — sinaliza interesse em armazenamento de energia, segmento estratégico para compensar a intermitência das renováveis no contexto do El Niño.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O Copom entregou o corte esperado — mas não entregou o comunicado que o mercado queria. Ao deixar os próximos passos “em aberto” e citar explicitamente petróleo, juros nos EUA e inflação como determinantes do ciclo, o BC jogou a decisão de setembro de volta para os dados. Segundo o research do BTG Pactual, a leitura correta do comunicado é de um BC que está confortável cortando, mas que não quer se comprometer com velocidade num ambiente de Ormuz instável — e com razão. O colapso do tráfego em Ormuz para apenas 2 navios ontem (de 8 na véspera), causado pelos houthis, mostra que o conflito tem camadas que vão além das negociações EUA-Irã. O memorando de 60 dias de junho pode estar em vigor formalmente, mas os atores regionais — houthis, milícias iraquianas, Rússia via diésel — continuam criando perturbações. Para o investidor, o pós-Copom tem três vetores simultâneos: a Selic em 14% abre espaço para ativos de risco domésticos; o Brent em US$ 79 com Ormuz instável mantém o risco de alta do petróleo vivo; e a China escalando contramedidas comerciais eleva o risco de uma nova rodada de tensão global antes da visita de Xi a Washington. O comunicado neutro do Copom foi a resposta correta a esse ambiente — e o mercado que esperava “porta aberta explícita” precisará se ajustar a uma condução mais dependente de dados.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−24%
Abicom · 05/08 — melhor do conflito
−53%
Abicom · 05/08 — ainda crítico
US$ 79,74
+0,37% — Ormuz: só 2 navios ontem
14,00%
Copom cortou 0,25 pp ontem
- Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — o menor nível registrado desde o início do conflito: o ataque houthi a um petroleiro saudita paralisou o Estreito ontem — apenas 2 embarcações cruzaram contra 8 no dia anterior. O dado de tráfego de Ormuz é o termômetro mais real do conflito — e está piscando vermelho. Mesmo com as negociações EUA-Irã avançando, os houthis (que não fazem parte do acordo) têm poder de paralisar o tráfego independentemente
- Ucrânia ataca refinarias russas — pressão adicional sobre o fornecimento de diesel: as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos estão entre as maiores da Rússia. Os ataques ucranianos reduzem a capacidade de refino russa — o que, combinado com o veto russo à exportação de diesel, amplifica o choque de oferta que mantém o diesel brasileiro em −53%
- Gasolina mantida em −24% — a defasagem mais baixa desde março: a leitura de hoje (referência ao dia 05/08) confirma o movimento positivo. Com o Brent oscilando entre US$ 79 e US$ 82, a gasolina deve se manter em torno de −20% a −25% nas próximas leituras — a faixa em que o encerramento do subsídio começa a ser tecnicamente discutível
- Selic em 14% — o menor patamar desde março de 2025: o corte do Copom ontem entrega o menor nível da Selic em mais de um ano. Para o investidor, a Selic em queda com gasolina em −24% e IPCA-15 em +0,06% é o ambiente mais favorável para ativos de risco domésticos desde o início do conflito — desde que o Brent se mantenha comportado
- Ouro em nova máxima histórica — US$ 4.334 a onça: o ouro continua sua trajetória de alta estrutural, impulsionado pela incerteza geopolítica global, pelo sell-off nos Treasuries e pela demanda de bancos centrais de economias emergentes. Para o investidor brasileiro, o ouro em máxima histórica é o sinal mais claro de que o mercado não acredita que o conflito global acabou
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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