Morning Call — 6 de Agosto

Morning Call — 6 de Agosto

Morning CallQuinta-feira, 6 de agosto de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

O Copom cortou a Selic para 14% ontem — mas o comunicado foi deliberadamente ambíguo, sem sinalizar o próximo passo. Enquanto isso, o tráfego em Ormuz colapsou para 2 navios (ante 8 na véspera), a Ucrânia atacou duas refinarias russas e a China lançou seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro. O BC brasileiro optou por cautela: o ciclo continua, mas em velocidade a ser definida pelos dados.

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Panorama GlobalInternacional

🚢 Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito: apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, após o grupo houthi do Iêmen atacar um petroleiro saudita. O colapso do tráfego ocorre exatamente quando as negociações EUA-Irã pareciam avançar — e revela que o conflito tem múltiplos atores além dos dois protagonistas. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações em andamento com Washington.
S&P 500+0,14%Futuro
Nasdaq−0,48%Futuro — realização em tech
Kospi−4,58%Coreia do Sul
DAX+0,17%Alemanha
Brent+0,37%US$ 79,74 — escala de Ormuz pressiona
WTI+0,28%US$ 75,43
Treasury 10a4,625%↑ leve
Ouro+0,67%US$ 4.334 — máxima histórica

🇺🇦 Ucrânia ataca duas refinarias russas — Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos, a centenas de km da fronteira: drones de longo alcance ucranianos atingiram duas das maiores refinarias da Rússia — a Slavneft-Yanos, em Yaroslavl, é uma das maiores do país. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da “frota fantasma” e quatro empresas de metais estratégicos russos.
  • China lança seu mais amplo pacote de contramedidas comerciais desde outubro — proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportação de drones para os EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos. As medidas são a primeira retaliação chinesa à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo” mas “reversível” — às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês
  • Kashkari (Fed) diz que “chegou o momento de elevar os juros gradualmente” — e Cook (Fed) diz estar “preparada para subir juros, se necessário”. Dois membros do Fed sinalizando alta reforça a leitura de que o ciclo de afrouxamento americano está longe de começar
  • Memorando EUA-Irã de junho ainda em vigor: o vice-chanceler iraniano confirmou que o acordo de 60 dias (reabertura de Ormuz sem tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano) segue como referência — mas os houthis, que não são parte do acordo, estão sabotando o tráfego independentemente

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qua)−0,11%177.697 pts — volátil
Dólar (qua)−0,06%R$ 5,1281 — quase estável
Selic14,00%↓ de 14,25% — Copom cortou
Defasagem gas.−24%Abicom · 05/08 — melhor do conflito

🏦 Copom cortou Selic para 14% com comunicado neutro — próximos passos em aberto, dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação: o 4º corte consecutivo de 0,25 pp levou a Selic ao menor patamar desde março de 2025. O comunicado foi deliberadamente ambíguo: o BC citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem de expectativas), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal doméstico. A magnitude do próximo corte ficará a cargo dos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
🇺🇸🇧🇷 Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — e retoma diálogo com Alcolumbre mediado pelo Supremo: após a crise com a revogação do visto da embaixadora, Lula sinaliza que buscará Trump pessoalmente na próxima semana — movimento que pode desescalar a crise diplomática antes que ela se aprofunde. No plano doméstico, Lula retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF, e o governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil.
  • Lula sanciona piso do frete e veta anistia aos caminhoneiros de 2022 — medida que equilibra a relação com o setor de transporte que está diretamente afetado pela defasagem do diesel em −53%, sem conceder anistia política que beneficiaria o movimento bolsonarista de 2022
  • Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 (estudo) — dado que contextualiza a pressão sobre o consumo privado num ambiente de juros altos e inflação acima da meta. O governo prevê Imposto Seletivo sobre bets, mas deve adiar por temor de impacto eleitoral
  • MP junto ao TCU contesta o aumento de etanol na gasolina — nova ameaça ao etanol a 32%, que junto com o projeto de Kicis na Câmara mostra que o único amortecedor de custo zero dos combustíveis está sendo contestado em múltiplas frentes institucionais

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Eneva (ENEV3): a termelétrica Azulão I (295 MW) inicia operação comercial hoje — timing perfeito com o tráfego de Ormuz colapsando e a pressão sobre o sistema elétrico do El Niño. Receita fixa anual de R$ 278,3 milhões por 15 anos, reajustada pelo IPCA.
  • Auren Energia (AURE3): cadastrou projetos para o leilão de baterias de dezembro — sinaliza interesse em armazenamento de energia, segmento estratégico para compensar a intermitência das renováveis no contexto do El Niño.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado — Pós-Copom
Baseado no Research BTG Pactual

O Copom entregou o corte esperado — mas não entregou o comunicado que o mercado queria. Ao deixar os próximos passos “em aberto” e citar explicitamente petróleo, juros nos EUA e inflação como determinantes do ciclo, o BC jogou a decisão de setembro de volta para os dados. Segundo o research do BTG Pactual, a leitura correta do comunicado é de um BC que está confortável cortando, mas que não quer se comprometer com velocidade num ambiente de Ormuz instável — e com razão. O colapso do tráfego em Ormuz para apenas 2 navios ontem (de 8 na véspera), causado pelos houthis, mostra que o conflito tem camadas que vão além das negociações EUA-Irã. O memorando de 60 dias de junho pode estar em vigor formalmente, mas os atores regionais — houthis, milícias iraquianas, Rússia via diésel — continuam criando perturbações. Para o investidor, o pós-Copom tem três vetores simultâneos: a Selic em 14% abre espaço para ativos de risco domésticos; o Brent em US$ 79 com Ormuz instável mantém o risco de alta do petróleo vivo; e a China escalando contramedidas comerciais eleva o risco de uma nova rodada de tensão global antes da visita de Xi a Washington. O comunicado neutro do Copom foi a resposta correta a esse ambiente — e o mercado que esperava “porta aberta explícita” precisará se ajustar a uma condução mais dependente de dados.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Gasolina
−24%
Abicom · 05/08 — melhor do conflito
Defasagem Diesel
−53%
Abicom · 05/08 — ainda crítico
Brent
US$ 79,74
+0,37% — Ormuz: só 2 navios ontem
Selic
14,00%
Copom cortou 0,25 pp ontem

  • Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — o menor nível registrado desde o início do conflito: o ataque houthi a um petroleiro saudita paralisou o Estreito ontem — apenas 2 embarcações cruzaram contra 8 no dia anterior. O dado de tráfego de Ormuz é o termômetro mais real do conflito — e está piscando vermelho. Mesmo com as negociações EUA-Irã avançando, os houthis (que não fazem parte do acordo) têm poder de paralisar o tráfego independentemente
  • Ucrânia ataca refinarias russas — pressão adicional sobre o fornecimento de diesel: as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos estão entre as maiores da Rússia. Os ataques ucranianos reduzem a capacidade de refino russa — o que, combinado com o veto russo à exportação de diesel, amplifica o choque de oferta que mantém o diesel brasileiro em −53%
  • Gasolina mantida em −24% — a defasagem mais baixa desde março: a leitura de hoje (referência ao dia 05/08) confirma o movimento positivo. Com o Brent oscilando entre US$ 79 e US$ 82, a gasolina deve se manter em torno de −20% a −25% nas próximas leituras — a faixa em que o encerramento do subsídio começa a ser tecnicamente discutível
  • Selic em 14% — o menor patamar desde março de 2025: o corte do Copom ontem entrega o menor nível da Selic em mais de um ano. Para o investidor, a Selic em queda com gasolina em −24% e IPCA-15 em +0,06% é o ambiente mais favorável para ativos de risco domésticos desde o início do conflito — desde que o Brent se mantenha comportado
  • Ouro em nova máxima histórica — US$ 4.334 a onça: o ouro continua sua trajetória de alta estrutural, impulsionado pela incerteza geopolítica global, pelo sell-off nos Treasuries e pela demanda de bancos centrais de economias emergentes. Para o investidor brasileiro, o ouro em máxima histórica é o sinal mais claro de que o mercado não acredita que o conflito global acabou
📌 Leitura do Radar — Pós-Copom: o Radar de hoje tem uma leitura de equilíbrio instável — dois verdes (gasolina em −24%, Selic cortada) e dois amarelos (diesel em −53%, Brent com Ormuz instável). O colapso do tráfego em Ormuz para 2 navios é o dado mais preocupante — revela que os houthis podem sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o ciclo de cortes do Copom, o determinante mais importante nas próximas semanas será o Brent: se se mantiver abaixo de US$ 82, a convergência das defasagens continua e o caminho para setembro fica aberto.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Copom / Selic / ComunicadoPolítica Monetária Brasil
Copom corta Selic para 14% com postura neutra — próximos passos dependem de petróleo, juros nos EUA e inflação
O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% em reunião encerrada ontem — 4º corte consecutivo de 0,25 pp, menor patamar desde março de 2025. O comunicado citou riscos altistas de inflação (petróleo, clima, desancoragem), ambiente externo incerto e alertou sobre o fiscal. A magnitude do próximo corte ficará definida pelos dados. O BC reduziu a projeção do IPCA 2026 de 5,2% para 5,1% e elevou o de 2028 de 3,7% para 3,8%.
Contexto: O comunicado neutro foi a escolha correta num ambiente de Ormuz instável e Fed hawkish — mas frustrou quem esperava sinalização explícita de novos cortes. Para o mercado, a mensagem é: o ciclo continua, mas em velocidade definida pelos dados. Petróleo, inflação e Fed serão os três termômetros para a reunião de setembro.

02
Ormuz / Houthis / TráfegoConflito — Dado Crítico
Tráfego em Ormuz colapsa para 2 navios — houthis atacam petroleiro saudita e paralisam o Estreito
Apenas dois navios cruzaram o Estreito de Ormuz ontem, contra oito no dia anterior, segundo dados da consultoria Kpler. O ataque houthi a um petroleiro saudita no Mar Vermelho foi o gatilho. O Irã disse que os EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas negou negociações diretas. O memorando de 60 dias de junho segue como referência formal — mas os houthis não são parte do acordo.
Contexto: 2 navios em Ormuz é o número mais baixo registrado desde o início do conflito — um colapso logístico que mostra que os houthis têm poder de sabotar qualquer acordo EUA-Irã sem participar das negociações. Para o Brent, é um floor: mesmo com as negociações avançando, os houthis mantêm o risco de perturbação do tráfego marítimo independentemente.

03
China / EUA / ContramedidasComércio Global
China lança maior pacote de contramedidas comerciais desde outubro — sanciona 7 empresas americanas e restringe exportação de drones
A China proibiu negócios com sete empresas americanas, restringiu exportações de drones aos EUA e vetou cooperação com órgãos de certificação americanos — seu mais amplo pacote de contramedidas desde a trégua de outubro. As medidas são a primeira retaliação à Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado de Uigures. A Eurasia Group classifica como “significativo mas reversível” às vésperas da visita de Xi a Washington no próximo mês.
Contexto: As contramedidas chinesas são um sinal de que Pequim está elevando o custo de conformidade para empresas americanas — mas mantendo as sanções reversíveis para usar como moeda de negociação na visita de Xi. Para o Brasil, a tensão EUA-China é um cenário de dupla oportunidade: mais demanda chinesa por commodities brasileiras e mais pressão sobre Washington para diversificar fornecedores.

04
Lula / Trump / DiplomaciaDiplomacia Brasil-EUA
Lula sinaliza que vai procurar Trump na próxima semana — possível desescalada da crise do visto da embaixadora
Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na próxima semana, em possível movimento para desescalar a crise diplomática aberta pela revogação do visto da embaixadora brasileira. O governo vê ação coordenada entre EUA e Argentina nos ataques ao Brasil. Lula também retomou o diálogo com Alcolumbre sob mediação do STF — sinalizando que busca estabilização em múltiplas frentes simultaneamente.
Contexto: Uma conversa Lula-Trump antes das eleições seria o desfecho mais construtivo para a crise diplomática — e o timing antes do 15 de agosto (início do período eleitoral) é estratégico. Para o mercado, a desescalada reduziria o risco de sanções adicionais que poderiam pressionar o dólar e os ativos brasileiros no pré-eleitoral.

05
Ucrânia / Rússia / RefinariasEnergia Global
Ucrânia ataca duas das maiores refinarias da Rússia — Slavneft-Yanos e Bashneft-Novoil a centenas de km da fronteira
Drones ucranianos de longo alcance atingiram a Bashneft-Novoil (Bashkortostan) e a Slavneft-Yanos (Yaroslavl) — uma das maiores refinarias da Rússia. Zelensky disse que os ataques “voltaram a limitar as receitas de petróleo da Rússia”. O Reino Unido anunciou novas sanções contra seis bancos, seis petroleiros da frota fantasma russa e quatro empresas de metais estratégicos.
Contexto: Ataques a refinarias russas afetam diretamente a capacidade de produção de diesel — o produto mais crítico para o Brasil neste momento, com defasagem ainda em −53%. Se os ataques reduzirem a capacidade de refino russa, o veto à exportação de diesel russo pode se tornar estrutural em vez de temporário, complicando ainda mais a convergência da defasagem mesmo com o Brent caindo.

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