Morning Call — 29 de Julho

Morning Call — 29 de Julho

Morning CallQuarta-feira, 29 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

💥 Irã lança mísseis balísticos contra tropas americanas — hostilidades retomadas após breve pausa: forças iranianas atacaram tropas americanas no Oriente Médio na noite de ontem, com os mísseis sendo interceptados pelo CENTCOM. Em resposta, EUA e Arábia Saudita atacaram sites de logística e armas no leste do Iraque. O episódio marca a retomada das hostilidades após a pausa iniciada na sexta-feira — mas em escala menor que as 13 rodadas anteriores. O Brent volta a subir 3,66%, para US$ 87,17.
S&P 500+0,18%Futuro — aguarda Fed
Nasdaq−0,11%Futuro — chips pesam
Kospi−5,98%Coreia do Sul — 2º colapso seguido
Nikkei−1,49%Japão
Brent+3,66%US$ 87,17 — sobe com retomada
WTI+3,41%US$ 81,96
Treasury 10a4,613%↓ — aguarda Fed
DXY−0,08%101,34 — leve alívio

🏛️ Fed decide hoje à tarde — manutenção esperada com pelo menos dois dissidentes: o Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária hoje. O consenso aponta para manutenção dos juros, mas analistas preveem ao menos dois dissidentes — provavelmente favoráveis a uma alta. O IPCA-15 brasileiro abaixo do esperado e a sinalização de Galípolo de “Selic por mais tempo” criam um contraste interessante entre os dois bancos centrais. A coletiva de Warsh será monitorada para sinais sobre o próximo passo do Fed.
  • Kospi despenca −5,98% pelo 2º pregão consecutivo — liderado pela SK Hynix após dúvidas sobre investimentos maciços em IA. O colapso acumulado do índice sul-coreano nos dois dias supera 15% — refletindo a fragilidade da cadeia de semicondutores diante de qualquer sinalização de desaceleração nos gastos em IA
  • Ucrânia ataca a Wildberries — maior varejista online da Rússia, equivalente à Amazon. A empresa evacuou um depósito em Riazan após ataques a instalações industriais. O governo russo pode ter que socorrer a companhia — pressão adicional sobre a economia de guerra de Moscou
  • Durigan sinaliza que governo pode desacelerar crescimento do limite de gastos do arcabouço — em conversa com o mercado, o secretário do Tesouro antecipa possível ajuste nas regras fiscais que reduziria o espaço para expansão do gasto. Mercado reage bem a sinalizações de disciplina fiscal

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (ter)+0,74%176.000+ pts — IPCA-15 impulsiona
Dólar (ter)+0,20%R$ 5,1216
Defasagem gas.−53%Abicom · 28/07
Defasagem diesel−67%Abicom · 28/07

📊 IPCA-15 de +0,06% em julho crava aposta no corte do Copom na semana que vem: a prévia da inflação de julho surpreendeu positivamente, com +0,06% — a menor taxa para julho desde 2023. O alívio veio dos alimentos, que tiveram a maior queda para julho desde 2010. A alta da conta de luz impediu que o índice ficasse negativo. O resultado consolida a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual do Copom na reunião da semana que vem, com os juros futuros caindo em bloco ontem.
💵 Transações correntes: o menor déficit para junho desde 2023 — IDP cobre com folga: o déficit em transações correntes de junho foi de apenas US$ 2,33 bilhões — o menor para o mês desde 2023 — amplamente coberto pela entrada de US$ 9,075 bilhões de Investimento Direto no País. O superávit comercial de US$ 8,83 bilhões em junho foi o maior para o mês desde 2023. Dados que reforçam o colchão cambial e a resiliência externa do Brasil.
  • Lula defende que projetos científicos com “sustentação” possam ser excluídos do arcabouço — sinalização de que o governo busca criar flexibilidades no teto de gastos, na contramão da sinalização de Durigan ao mercado. A tensão entre o discurso presidencial e o técnico é um risco político relevante
  • BNDES aprova R$ 20 bilhões em crédito para caminhões e ônibus — resposta ao setor afetado pela defasagem do diesel (−67%) que não tem subsídio direto. A linha de crédito é indireta, mas mostra que o governo reconhece o impacto sobre o transporte
  • Durigan confirma prorrogação do Desenrola por mais 30 dias, com expectativa de 10 milhões de pessoas atendidas — expansão do programa de renegociação de dívidas em ano eleitoral

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Raízen (RAIZ4): o conselho aprovou adesão ao Refis do Estado de Goiás para liquidar débitos de ICMS. Operação relevante para a gestão tributária da maior empresa de bioenergia do Brasil, que opera no ambiente de etanol barato e demanda crescente pós-aprovação da mistura a 32%.
  • Petrobras (PETR3/4): com o Brent voltando a US$ 87, a estatal recupera parte do movimento de ontem. O novo diretor interino de transição energética (Nozaki) assume amanhã, num momento em que o preço do petróleo ainda é o principal driver das ações.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O IPCA-15 de +0,06% é o dado mais construtivo para a política monetária brasileira neste ciclo — e chega num momento muito bem-vindo: às vésperas do Copom de agosto. Com alimentos caindo na maior magnitude para julho desde 2010 e a energia elétrica como único vetor de pressão, o BC brasileiro tem a janela que precisava para executar mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Mas convém calibrar o entusiasmo: o Irã retomou os ataques ontem à noite, o Brent voltou a US$ 87, e o Kospi colapsa pelo segundo dia consecutivo com a crise de semicondutores ainda sem resolução. Segundo o research do BTG Pactual, o cenário para o Copom de agosto tem dois eixos: o IPCA-15 bom que abre espaço para o corte, e o petróleo voltando a subir que fecha esse espaço parcialmente. A decisão do Fed hoje à tarde é o tie-breaker: se mantiver os juros e Warsh sinalizar pausa prolongada, o BC brasileiro corta com conforto. Se o Fed for hawkish — mesmo mantendo os juros — a sinalização pode complicar o timing do Copom. Para o investidor, o dia de hoje combina dois eventos de altíssimo impacto em sequência: a decisão do Fed à tarde e a trajetória do petróleo com a retomada das hostilidades. A semana que parecia encaminhar para um desfecho mais construtivo ganhou nova turbulência — mas o IPCA-15 permanece como o âncora positiva mais sólida do ciclo.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

IPCA-15 julho
+0,06%
Menor para julho desde 2023 — Copom corta
Alimentos IPCA-15
Queda
Maior queda para julho desde 2010
Brent
US$ 87,17
+3,66% — hostilidades retomadas
Defasagem Diesel
−67%
Abicom · 28/07 — deve piorar amanhã

  • IPCA-15 de +0,06% — a melhor leitura inflacionária deste ciclo para julho: a prévia da inflação de julho confirma o alívio que o mercado esperava desde o início das negociações de trégua. A alta da conta de luz impediu que o índice ficasse negativo — o que teria sido a primeira deflação para julho em muitos anos. A trajetória é a mais favorável ao corte do Copom desde o início do conflito
  • Alimentos com maior queda para julho desde 2010: feijão, tomate, melancia e outros alimentos in natura puxaram a deflação no componente de alimentação. O El Niño, que havia sido apontado como risco para a safra, ainda não se materializou nos preços — e as colheitas do cerrado estão abastecendo o mercado interno
  • Conta de luz impediu que o IPCA-15 ficasse negativo: os encargos aprovados pelo Senado (R$ 1 tri em custo extra) e a antecipação de contratos térmicos (R$ 4,75 bi) já estão aparecendo no componente de energia elétrica. A conta de luz é o vetor que mais preocupa no IPCA dos próximos meses — e vai piorar com os “jabutis” que entram em vigor
  • Brent volta a US$ 87 com retomada das hostilidades: o Irã lançou mísseis balísticos contra tropas americanas na noite de ontem — hostilidades retomadas após pausa de quatro dias. O petróleo reage, revertendo parte da queda acumulada desde sexta. A defasagem do diesel, que havia melhorado de −69% para −58%, deve piorar nas próximas leituras da Abicom
  • Ureia sobe pela 4ª semana seguida nos portos do Brasil com tensões geopolíticas — o insumo mais importante para a produção agrícola encarece enquanto o El Niño aumenta a dependência de fertilizantes. O efeito ainda não apareceu nos preços ao consumidor — mas a pressão no custo de produção é real e pode aparecer nas safras de 2027
📌 Leitura do Radar: dois verdes e dois vermelhos — o Radar mais equilibrado em semanas. O IPCA-15 bom e os alimentos em queda apontam para o corte do Copom; o Brent voltando a US$ 87 e o diesel em −67% lembram que o conflito não acabou. O resultado líquido é favorável ao BC brasileiro por agora — mas a decisão do Fed hoje à tarde pode mudar essa equação. Se Warsh for hawkish, o espaço de Galípolo para cortar se estreita. Se for neutro, o corte de agosto está praticamente confirmado.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
IPCA-15 / Copom / InflaçãoInflação Brasil — Melhor Leitura do Ciclo
IPCA-15 sobe apenas 0,06% em julho — menor para o mês desde 2023; corte do Copom praticamente cravado
O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente com +0,06% — a menor taxa para o mês desde 2023. A queda dos alimentos foi a maior para julho desde 2010. A alta da conta de luz impediu que o índice fosse negativo. O resultado reforçou a aposta de que o Copom cortará a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem, com os juros futuros caindo em bloco ontem.
Contexto: O IPCA-15 de +0,06% é a melhor âncora inflacionária que o Copom poderia receber às vésperas de sua reunião. Com alimentos caindo e apenas a conta de luz pressionando, o BC tem a janela que precisava para mais um corte. A ressalva: o IPCA-15 foi coletado antes da retomada das hostilidades de ontem à noite — o próximo dado pode ser mais pressionado pelo petróleo voltando a US$ 87.

02
Irã / EUA / RetomadaConflito — Nova Rodada
Irã lança mísseis balísticos contra tropas americanas — hostilidades retomadas após pausa de 4 dias; Brent volta a US$ 87
Forças iranianas atacaram tropas americanas no Oriente Médio na noite de ontem, com os mísseis interceptados pelo CENTCOM. EUA e Arábia Saudita revidaram com ataques no leste do Iraque. O episódio marca a retomada das hostilidades após a pausa iniciada na sexta-feira, embora em escala menor que as 13 rodadas anteriores. O Brent sobe 3,66% para US$ 87,17.
Contexto: A retomada em escala menor (mísseis balísticos, não rodada completa de ataques) sugere que a escalada está num patamar diferente do pico de três semanas atrás. O mercado tende a processar como ruído tático, não como nova escalada estrutural — o que explica por que o S&P futuro ainda avança levemente. Para o Brasil, o Brent em US$ 87 reverte parte da melhora nas defasagens dos últimos dias.

03
Fed / Warsh / Juros EUAPolítica Monetária Global — Decisão do Dia
Fed decide hoje — manutenção esperada com pelo menos dois dissidentes; coletiva de Warsh será monitorada
O Federal Reserve divulga sua decisão de política monetária hoje à tarde. O consenso aponta para manutenção dos juros, mas analistas preveem pelo menos dois dissidentes. A coletiva de Warsh será o evento mais monitorado — em busca de sinais sobre o próximo passo. Trump voltou a pressionar o Fed a cortar juros e chamou os diretores de “políticos”, complicando a comunicação da instituição.
Contexto: A decisão do Fed hoje é o tie-breaker para o Copom de agosto. Se Warsh for neutro ou dovish, o BC brasileiro corta com conforto na semana que vem. Se for hawkish — mesmo mantendo os juros — a sinalização pode pesar sobre o diferencial de juros e complicar o timing de Galípolo. A pressão de Trump sobre o Fed adiciona ruído político que Warsh precisará navegar com cuidado.

04
Transações correntes / IDP / CâmbioBrasil — Resiliência Externa
Menor déficit em transações correntes desde 2023 em junho — IDP de US$ 9 bi e superávit comercial recorde cobrem com folga
O déficit em transações correntes de junho foi de apenas US$ 2,33 bilhões — o menor para o mês desde 2023 —, amplamente coberto pela entrada de US$ 9,075 bilhões de IDP e pelo superávit comercial de US$ 8,83 bilhões (o maior para junho desde 2023). Os dados reforçam o colchão cambial que manteve o dólar abaixo de R$ 5,15 mesmo com o conflito no auge.
Contexto: O colchão externo do Brasil — evidenciado pelos US$ 17,78 bi de entrada líquida no semestre e pelo IDP robusto — é o principal diferencial estrutural do país em relação a outros emergentes neste ciclo. Para o câmbio, os dados confirmam que o real tem sustentação fundamentalista mesmo em ambiente adverso. Para a Selic, o fluxo positivo reduz a necessidade de diferencial de juros elevado para atrair capital.

05
Arcabouço / Durigan / FiscalFiscal Brasil — Sinalização Relevante
Durigan sinaliza que governo pode desacelerar crescimento do limite de gastos do arcabouço fiscal
Em conversas com o mercado, o secretário Durigan sinalizou que o governo pode desacelerar o crescimento do teto de gastos do arcabouço fiscal — uma concessão à disciplina fiscal que o mercado financeiro recebeu positivamente. A sinalização contrasta com a fala de Lula de que projetos científicos “com sustentação” poderiam ser excluídos das regras. A tensão entre os dois discursos é um risco político a monitorar.
Contexto: Durigan falando em desacelerar o crescimento do limite de gastos é a sinalização fiscal mais construtiva da semana — e chega num momento em que o FGV registrou impulso fiscal dobrando em três meses. O mercado precisa de ancoragem fiscal para manter o prêmio de risco sob controle em ano eleitoral. A divergência entre Durigan (disciplina) e Lula (flexibilidade) será monitorada nas próximas semanas.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
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