Morning Call — 15 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- EUA impõem tarifas de 25% sobre o Brasil com exceção a bens que afetam a inflação americana — o prazo se confirma. O governo Lula avalia que a negociação só ocorrerá após as eleições brasileiras, caso as tarifas sejam confirmadas. Ministros levarão proposta de reciprocidade a Lula
- Warsh no Congresso: afirmou que, se o Fed conduzir a política corretamente, “o surto inflacionário dos últimos 5 anos será coisa do passado”. Tom menos hawkish do que o esperado — mercado aliviou com o CPI + depoimento
- Deflação técnica em junho nos EUA no dado mensal — mas Warsh ressaltou que a inflação acumulada ainda exige cautela. O petróleo elevado é o principal risco para os próximos meses
BrasilMercado Doméstico
- Tarifas de 25% dos EUA confirmadas sobre o Brasil com exceção a bens que afetam a inflação americana — impacto direto em produtos como aço, alumínio e manufaturados. O governo estuda reciprocidade
- Subsídio à gasolina mantido enquanto o cenário externo permanecer incerto. O governo não vê espaço para retirar o benefício com o Brent acima de US$ 85
- Senado aprova MP do frete mínimo — texto segue para sanção presidencial. A medida afeta o transporte rodoviário e pode ter efeito inflacionário no custo de distribuição de alimentos
Empresas em DestaqueCorporativo
- Flávio Dino / Emendas: o ministro do STF proibiu a “terceirização” de emendas parlamentares — decisão que restringe a prática de parlamentares indicarem recursos para entidades geridas por terceiros, impactando a articulação política e financeira do Congresso.
- BRB / Governo do DF: o governo do Distrito Federal discute com o Banco Central a evolução do acordo para socorrer o BRB, após as investigações ligadas ao caso Master. A reunião com Galípolo sinaliza que o BC está monitorando de perto a situação da instituição.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O dia traz um alívio relativo em dois eixos simultâneos — e convém calibrar bem o entusiasmo. Nos EUA, o CPI de junho veio abaixo do esperado (3,5%) e Warsh foi menos hawkish do que o mercado temia no Congresso; as treasuries recuaram e o dólar cedeu. No Brasil, o CNPE finalmente aprovou o etanol a 32%, acionando o único amortecedor doméstico disponível sem custo fiscal. Mas segundo o research do BTG Pactual, nenhum desses dois eventos resolve o problema central: o Brent segue acima de US$ 85, as defasagens de combustíveis estão nos piores níveis de todo o conflito (diesel −55%, gasolina −39%), e o controle americano de Ormuz continua — apenas a taxa de 20% sobre cargueiros foi recuada. O CPI bom de junho foi capturado antes do petróleo disparar com a nova escalada; o dado de julho, com o Brent em US$ 85+, deverá ser muito pior. Para o investidor brasileiro, o que importa agora é o custo total do conflito: tarifas de 25% dos EUA confirmadas, PEC dos agentes de saúde aprovada sem fonte de receita, pauta-bomba de R$ 30 bi na fila, e subsídio aos combustíveis sem data de encerramento. O etanol a 32% e o CPI americano bom são relevantes — mas são alívios pontuais num quadro estruturalmente desafiador.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−55%
Abicom · 14/07 — pior do conflito
−39%
Abicom · 14/07 — subsídio mantido
32%
CNPE aprovou — amortecedor acionado
3,5%
Abaixo do esperado — alívio temporário
- Etanol a 32% aprovado — amortecedor finalmente acionado: a economia de R$ 0,03 por litro é modesta, mas a medida tem valor estrutural maior: reduz a proporção de gasolina importada no blend e funciona como proteção parcial contra novas altas do Brent. Com o etanol barato na safra 2026/27, a medida é praticamente custo-zero e deveria ter sido aprovada em maio
- Defasagens ainda críticas — diesel em −55% e gasolina em −39%: o etanol a 32% não resolve o problema das defasagens, mas limita o agravamento. O subsídio à gasolina permanece indefinidamente enquanto o Brent não recuar abaixo de US$ 80. O diesel em −55% é o número mais preocupante — qualquer novo choque em Ormuz aprofunda ainda mais
- CPI americano em 3,5% — bom dado, mas capturado antes da nova escalada: o dado de junho foi medido antes do Brent disparar para US$ 86. O CPI de julho, a ser divulgado em agosto, deverá refletir o choque do petróleo — e será esse dado que o Fed usará na sua próxima decisão de juros
- Trigo na menor safra americana em 55 anos: a estimativa de menor produção americana em mais de meio século impulsiona os preços do trigo — componente relevante do custo de pão, massas e alimentos processados. Junta-se ao El Niño como vetor de pressão nos alimentos
- Prato feito 7,2% mais caro no acumulado de 2026 — a inflação de alimentação fora do lar já está visível no cotidiano do consumidor. A combinação de petróleo caro (frete e insumos) com El Niño (clima e safras) e trigo em alta cria pressão simultânea em múltiplos componentes do IPCA de alimentos
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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