Morning Call — 14 de Julho

Trump assume controle de Ormuz e propõe taxa de 20% sobre cargueiros · Brent +3,7% a US$ 86 · Petróleo sobe quase 10% ontem · Defasagem diesel em −55%
Panorama GlobalInternacional
- Tráfego em Ormuz cai 60% na semana — mais de 8 milhões de barris passaram no domingo com apoio militar americano, mas a via está operando em capacidade reduzida. A taxa de 20% sobre cargueiros é uma nova variável que o mercado ainda está precificando
- Irã ataca Emirados e Bahrein: navios-tanque Mombasa e Al Bahiyah dos Emirados foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos. Os ataques se espalharam para países do Golfo que não eram alvos diretos
- Exportações da China disparam +27% em junho (vs. +19,4% em maio) — dado muito forte que sugere antecipação de compras antes de novas tarifas. Iene próximo à mínima de 40 anos (162,38/dólar)
- Mercado amplia apostas em alta de juros do Fed com Waller aberto a subir e criticando Warsh. O conflito reacende a pressão inflacionária global no pior momento possível para o ciclo de cortes
BrasilMercado Doméstico
- Focus: IPCA 2026 cai para 5,16% — redução de 5,30% para 5,16%, segunda queda consecutiva. O mercado começa a mover para mais um corte de juros após agosto — dado positivo que contrasta com o choque do petróleo
- Tarifaço: Lula diz que não haverá novo tarifaço a dois dias do prazo americano — o governo trabalha com três cenários e prepara discursos de defesa. Alcolumbre irrita-se com o governo após ofensiva da PF
- Pauta-bomba de R$ 30 bi pode ser votada no Senado esta semana — pressão fiscal se acumula com o petróleo em alta
Empresas em DestaqueCorporativo
- Petrobras (PETR3/4): a gestora GQG Partners reduziu sua participação para 4,99% das ações ordinárias (via ADRs), de 5,031% — desinvestimento marginal, mas sinaliza ajuste de posição numa semana de alta volatilidade no petróleo.
- Bradsaúde / Rede D’Or (RDOR3): a Bradsaúde concluiu a inclusão de ativos imobiliários da Rede D’Or na Atlântica D’Or, joint venture das duas companhias, destinados à construção de um hospital em São Conrado (RJ) — expansão no setor de saúde privada.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
O conflito EUA-Irã entra numa nova fase mais grave e estruturalmente diferente das anteriores: Trump não está apenas atacando alvos militares — está assumindo o controle físico de Ormuz e criando uma taxa de 20% sobre cargueiros. Isso transforma o estreito de um campo de batalha em um instrumento de política comercial americana, o que tem implicações de longo prazo muito além do preço do petróleo de amanhã. Segundo o research do BTG Pactual, o Brent em US$ 86 com Ormuz operando a 40% da capacidade normal é o cenário que o mercado mais temia desde o início do conflito em março — e que parecia descartado depois da trégua de junho. O dado mais surpreendente e construtivo neste contexto adverso é o Focus: o IPCA 2026 caiu para 5,16% — segunda queda consecutiva após 14 altas seguidas. Isso sugere que o mercado ainda acredita que o choque é temporário e que a trajetória de desinflação de junho prevalecerá quando o conflito se resolver. Para o investidor, o que define o cenário das próximas semanas são dois eventos de hoje: o depoimento de Warsh no Congresso americano e a decisão do CNPE sobre o etanol a 32%. O primeiro vai sinalizar se o Fed está mais perto de subir ou manter juros diante do petróleo em US$ 86. O segundo é o único amortecedor doméstico ainda disponível para o governo — e que foi adiado quatro vezes.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−55%
Abicom · 14/07 — pior do conflito
−39%
Abicom · 14/07 — piora acelerada
US$ 86,41
+3,73% · ontem +9% — nível crítico
5,16%
↓ de 5,30% — 2ª queda seguida
- Brent em US$ 86 — o nível mais alto desde o pico do conflito em maio: o petróleo fechou ontem com alta de quase 10%, a maior diária desde 2020. Com o controle americano de Ormuz e a taxa de 20% sobre cargueiros entrando em vigor hoje às 17h, o mercado não tem referência clara para onde o preço vai — a incerteza é máxima
- Diesel em −55% e gasolina em −39% — os piores números de toda a crise: paradoxalmente, as defasagens estão maiores do que quando o Brent estava em US$ 123 em maio, porque o mercado havia se ajustado para baixo durante a trégua. O governo afirma não ver necessidade de retornar o subsídio ao diesel — postura que será duramente testada se o Brent permanecer acima de US$ 80
- CNPE decide hoje sobre etanol a 32% — quarto adiamento: a reunião foi confirmada para esta terça. A aprovação é urgente: com o Brent em US$ 86, qualquer redução na dependência de gasolina importada tem valor imediato. O etanol está barato e disponível — é o único amortecedor que o governo controla
- Focus: IPCA 2026 em 5,16% — segunda queda consecutiva: surpreendente dado o cenário. O mercado ancora na expectativa de que o choque é temporário — e que a desinflação de junho voltará quando o conflito se resolver. O mercado começa a precificar mais um corte da Selic após agosto
- El Niño com 81% de chance de se intensificar e pressionar soja, milho, café e laranja. A combinação de choque de energia (petróleo) com choque climático (El Niño) é o pior cenário inflacionário para o 2S26 — mas o Focus sugere que o mercado ainda não precifica o duplo choque de forma plena
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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