Morning Call — 16 de Julho

Morning Call — 16 de Julho

Morning CallQuinta-feira, 16 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Petróleo fecha em leve alta — sumiço do diesel russo adiciona nova pressão à oferta: além do conflito EUA-Irã em Ormuz, o mercado digere um novo fator: o diesel russo desapareceu dos mercados internacionais após novos ataques ucranianos a refinarias russas. A combinação de Ormuz sob controle americano com refinarias russas fora do ar representa um duplo choque de oferta que o mercado ainda não precificou completamente. O Brent segue acima de US$ 85.
S&P 500−0,28%Futuro
Nasdaq−0,46%Futuro
Nikkei+0,42%Japão
Kospi+0,88%Coreia do Sul
Brent+0,18%US$ 85,46 — segue elevado
WTI+0,12%US$ 80,17
Treasury 10a4,521%↓ — PPI negativo alivia
DXY−0,15%100,51 — dólar cede

📉 PPI americano surpreende com queda inesperada em junho — segundo alívio inflacionário seguido: após o CPI abaixo do esperado ontem, o índice de preços ao produtor dos EUA registrou queda surpreendente em junho. O Livro Bege do Fed, porém, foi menos construtivo: todos os distritos relataram avanço dos preços. Warsh defendeu a independência do Fed em relação a Trump e disse estar “insatisfeito com as métricas de inflação” atuais — tom equilibrado.
  • Super El Niño já está configurado no Pacífico — o fenômeno deixou de ser previsão e tornou-se realidade. Com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano, o impacto sobre a agricultura brasileira e a energia elétrica se acelera
  • Milho sobe quase 2% em Chicago com tensão no Mar Negro e estoques menores — novo vetor de pressão nos alimentos que se soma ao trigo na menor safra americana em 55 anos
  • Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil começam a valer na próxima quarta (22/07), com exceções confirmadas para carnes e cafés — o governo estuda reciprocidade e responsabiliza a família Bolsonaro pela medida

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BrasilMercado Doméstico

Defasagem gas.−46%Abicom · 16/07 — piora forte
Defasagem diesel−59%Abicom · 16/07 — recorde do conflito
IPCA 2026 (Fazenda)5,1%Acima do teto da meta
Gasolina — decisãoFim de julhoGoverno aguarda cenário

🧨 Semana fecha com quatro choques simultâneos para o Brasil: (1) defasagem do diesel em −59% — novo recorde do conflito; (2) tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta; (3) Senado aprovou “jabutis” bilionários nas contas de luz em votação-relâmpago antes do recesso; (4) Fazenda eleva projeção de IPCA para 5,1% em 2026 — acima do teto da meta. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina somente no fim de julho, aguardando estabilização do cenário externo.
🌽 Etanol a 32% já começa a valer — mas sumiço do diesel russo pressiona mais: o aumento da mistura aprovado pelo CNPE ontem começa a entrar na composição da gasolina. A medida, porém, chega num momento ainda mais adverso: além do conflito em Ormuz, o diesel russo sumiu dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. O governo publica MP que autoriza a renegociação das dívidas rurais — acordo que evitou votação da pauta-bomba de R$ 30 bi.
  • Senado foi a recesso sem votar projetos prioritários do governo — e aprovou os “jabutis” das eólicas offshore em votação-relâmpago, adicionando custo bilionário à conta de luz dos brasileiros
  • Alcolumbre segurou a promulgação da pauta-bomba à espera de conversa com Lula — o acordo sobre dívidas rurais foi o instrumento de troca. Tensão entre governo e Congresso persiste no recesso
  • Aprovação de Lula melhora no Quaest: pela primeira vez desde 2024, a aprovação supera a desaprovação — dado que contrasta com o ambiente econômico adverso e reforça que a agenda social tem sustentação eleitoral

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Exportações brasileiras de carne e café: os EUA confirmaram isenção de tarifas para carnes e cafés do Brasil — as duas principais commodities agrícolas brasileiras ficam de fora do tarifaço de 25%. Dado positivo para o agronegócio exportador.
  • Governo / Correios: o orçamento de 2027 deve prever aporte bilionário nos Correios, segundo O Globo — nova pressão de gasto público para uma empresa que suspendeu parte do plano de reestruturação em meio à busca por R$ 7 bilhões adicionais.

📊

Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana encerra com o Brasil digerindo quatro choques simultâneos — e a pergunta que o mercado começa a fazer é se o país tem colchões suficientes para absorver todos eles ao mesmo tempo. A defasagem do diesel em −59% é o número mais grave da crise: não é apenas o reflexo do conflito em Ormuz, mas também do sumiço do diesel russo dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. Dois conflitos globais estão pressionando o mesmo produto simultaneamente. Segundo o research do BTG Pactual, o governo tem razão em esperar até o fim de julho antes de decidir sobre o subsídio da gasolina — qualquer movimento precipitado num cenário ainda em formação seria um erro. Mas o prazo se encurta: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta, os “jabutis” das eólicas vão pressionar a conta de luz, e a Fazenda já elevou o IPCA 2026 para 5,1%. Do lado externo, o duplo alívio inflacionário americano (CPI ontem, PPI hoje) é construtivo — mas o Livro Bege do Fed mostrando avanço de preços em todos os distritos lembra que o ambiente é de vigilância, não de relaxamento. A tese que sustenta a resiliência do Brasil — fluxo de dólares forte, IPCA convergindo no Focus, mercado precificando mais cortes da Selic — segue intacta, mas está sendo testada com mais intensidade a cada sessão desta semana.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
Defasagem Gasolina
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
IPCA 2026 (Fazenda)
5,1%
Acima do teto da meta — revisão para cima
Super El Niño
Configurado
Pacífico — já é realidade, não previsão

  • Diesel em −59% — novo recorde absoluto do conflito: a combinação de Ormuz sob controle americano com o sumiço do diesel russo (após ataques ucranianos às refinarias) cria um duplo choque de oferta inédito. O diesel brasileiro depende parcialmente do produto russo — e a escassez global vai além do conflito no Oriente Médio
  • Gasolina piora para −46% mesmo após etanol a 32%: a medida aprovada pelo CNPE ontem (economia de R$ 0,03/litro) é insuficiente diante do Brent acima de US$ 85 e do agravamento da oferta global. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio apenas no fim de julho — mas a pressão cresce a cada leitura da Abicom
  • Fazenda eleva IPCA 2026 para 5,1% — acima do teto da meta: a projeção oficial reconhece que a meta de inflação não será cumprida em 2026. A revisão para cima acontece na mesma semana em que o Focus havia recuado para 5,16% — sinais mistos sobre a trajetória. O mercado começa a ajustar suas expectativas diante dos choques acumulados
  • “Jabutis” das eólicas aprovados em votação-relâmpago: o Senado aprovou em caráter de urgência, antes do recesso, bilhões em encargos adicionais à conta de luz. Com o Super El Niño agora configurado no Pacífico, a pressão sobre a energia elétrica em 2027 é dupla — encargos legislativos mais risco climático
  • PPI americano em queda inesperada — segundo alívio inflacionário seguido: depois do CPI abaixo do esperado, o produtor americano também surpreendeu para baixo em junho. O Livro Bege, porém, contradiz: todos os distritos do Fed relataram avanço dos preços. O alívio nos indicadores antecedentes convive com pressão nos dados de atividade
📌 Leitura do Radar: diesel em −59% com dois conflitos globais pressionando o mesmo produto simultaneamente (Ormuz + refinarias russas) é o pior cenário que o Radar já registrou. A Fazenda eleva o IPCA para 5,1% e o Super El Niño está configurado. O único verde desta edição é o PPI americano — que alivia a pressão do Fed, mas não resolve os choques domésticos. O governo decidirá sobre o subsídio da gasolina no fim de julho: cada dia que passa com o Brent acima de US$ 85 torna essa decisão mais difícil.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Combustíveis / Diesel russo / OrmuzDuplo Choque de Oferta
Sumiço do diesel russo soma-se ao conflito em Ormuz — defasagem do diesel atinge −59%, novo recorde
Além do conflito EUA-Irã em Ormuz, o diesel russo desapareceu dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. A combinação dos dois choques elevou a defasagem do diesel para −59% na leitura de 16/07 — novo recorde absoluto do conflito. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio da gasolina apenas no fim de julho, aguardando estabilização.
Contexto: Dois conflitos globais — Oriente Médio e Ucrânia — pressionando o mesmo produto simultaneamente é um fenômeno inédito neste ciclo. O diesel russo havia sido uma alternativa parcial ao diesel do Oriente Médio durante o conflito; com as refinarias russas fora do ar, essa válvula de escape foi fechada. O mercado ainda não precificou completamente esse duplo choque.

02
Senado / Conta de Luz / FiscalRisco Fiscal e Energético
Senado aprova “jabutis” bilionários nas contas de luz em votação-relâmpago antes do recesso
O Senado aprovou em caráter de urgência, antes do recesso parlamentar, dispositivos que adicionam bilhões em encargos à conta de luz dos brasileiros. A medida foi apelidada de “jabutis” das eólicas offshore. Em paralelo, Alcolumbre segurou a promulgação de outras pautas-bomba após negociação com o governo sobre as dívidas rurais.
Contexto: Com o Super El Niño configurado e já afetando reservatórios, os consumidores chegarão a 2027 com encargos bilionários adicionais na conta de luz — num momento em que a energia elétrica já é o principal vetor de pressão nos preços administrados. A votação-relâmpago antes do recesso é um exemplo clássico de como o Congresso transfere custos ao consumidor sem debate público.

03
EUA / Tarifas / ExportaçõesComércio Internacional
Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor na quarta (22/07) — carnes e cafés brasileiros ficam isentos
O governo dos EUA confirmou a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com início na próxima quarta-feira. As exportações de carnes e cafés ficam isentas — as duas principais commodities agrícolas brasileiras. O governo Lula estuda reciprocidade e responsabiliza a família Bolsonaro. Rubio afirmou que o Brasil foi tarifado porque Lula “não negociou de boa-fé”.
Contexto: A isenção de carnes e cafés é o resultado mais relevante das negociações — protege os dois maiores itens da pauta exportadora agrícola brasileira. O impacto maior será em manufaturados, aço e alumínio. Para o câmbio, a entrada em vigor das tarifas pode pressionar o real na quarta — mas o fluxo de dólares ainda elevado oferece proteção.

04
PPI EUA / Fed / Livro BegePolítica Monetária Global
PPI americano cai de forma inesperada em junho — segundo alívio seguido, mas Livro Bege mostra avanço de preços em todos os distritos
O índice de preços ao produtor dos EUA registrou queda surpreendente em junho, complementando o CPI abaixo do esperado de ontem. O Livro Bege, porém, mostrou que todos os distritos do Fed relataram avanço dos preços no período — dados contraditórios que refletem a dinâmica complexa do atual ciclo inflacionário americano. Warsh defendeu a independência do Fed e disse estar “insatisfeito com as métricas” atuais.
Contexto: O duplo alívio nos índices de preços americanos (CPI + PPI) é a melhor notícia possível para o Fed nesta semana — e, por consequência, para o BC brasileiro, que precisa de um ambiente externo mais favorável para continuar cortando juros. A contradição com o Livro Bege lembra que os dados de inflação são ainda voláteis e o Fed manterá postura vigilante.

05
Fazenda / IPCA / MetaInflação Brasil — Revisão
Fazenda sobe previsão de IPCA para 5,1% em 2026 — inflação supera o teto da meta oficialmente
O Ministério da Fazenda elevou sua projeção de IPCA para 5,1% em 2026 — acima do teto da meta de inflação. A revisão reconhece o impacto dos choques de combustíveis e energia sobre a trajetória de preços. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio da gasolina apenas no fim de julho, aguardando estabilização do cenário externo.
Contexto: A Fazenda reconhecendo oficialmente que o IPCA vai furar o teto é um marco relevante — sinaliza que o governo não espera uma reversão rápida dos choques externos. Para o Copom, é mais um argumento para cautela em agosto. O Focus havia recuado para 5,16% esta semana — se os choques continuarem, a convergência entre as projeções de mercado e do governo pode ocorrer pela via errada: ambas subindo.

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