Morning Call — 16 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- Super El Niño já está configurado no Pacífico — o fenômeno deixou de ser previsão e tornou-se realidade. Com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano, o impacto sobre a agricultura brasileira e a energia elétrica se acelera
- Milho sobe quase 2% em Chicago com tensão no Mar Negro e estoques menores — novo vetor de pressão nos alimentos que se soma ao trigo na menor safra americana em 55 anos
- Tarifas de 25% dos EUA sobre o Brasil começam a valer na próxima quarta (22/07), com exceções confirmadas para carnes e cafés — o governo estuda reciprocidade e responsabiliza a família Bolsonaro pela medida
BrasilMercado Doméstico
- Senado foi a recesso sem votar projetos prioritários do governo — e aprovou os “jabutis” das eólicas offshore em votação-relâmpago, adicionando custo bilionário à conta de luz dos brasileiros
- Alcolumbre segurou a promulgação da pauta-bomba à espera de conversa com Lula — o acordo sobre dívidas rurais foi o instrumento de troca. Tensão entre governo e Congresso persiste no recesso
- Aprovação de Lula melhora no Quaest: pela primeira vez desde 2024, a aprovação supera a desaprovação — dado que contrasta com o ambiente econômico adverso e reforça que a agenda social tem sustentação eleitoral
Empresas em DestaqueCorporativo
- Exportações brasileiras de carne e café: os EUA confirmaram isenção de tarifas para carnes e cafés do Brasil — as duas principais commodities agrícolas brasileiras ficam de fora do tarifaço de 25%. Dado positivo para o agronegócio exportador.
- Governo / Correios: o orçamento de 2027 deve prever aporte bilionário nos Correios, segundo O Globo — nova pressão de gasto público para uma empresa que suspendeu parte do plano de reestruturação em meio à busca por R$ 7 bilhões adicionais.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
A semana encerra com o Brasil digerindo quatro choques simultâneos — e a pergunta que o mercado começa a fazer é se o país tem colchões suficientes para absorver todos eles ao mesmo tempo. A defasagem do diesel em −59% é o número mais grave da crise: não é apenas o reflexo do conflito em Ormuz, mas também do sumiço do diesel russo dos mercados internacionais após ataques ucranianos a refinarias. Dois conflitos globais estão pressionando o mesmo produto simultaneamente. Segundo o research do BTG Pactual, o governo tem razão em esperar até o fim de julho antes de decidir sobre o subsídio da gasolina — qualquer movimento precipitado num cenário ainda em formação seria um erro. Mas o prazo se encurta: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta, os “jabutis” das eólicas vão pressionar a conta de luz, e a Fazenda já elevou o IPCA 2026 para 5,1%. Do lado externo, o duplo alívio inflacionário americano (CPI ontem, PPI hoje) é construtivo — mas o Livro Bege do Fed mostrando avanço de preços em todos os distritos lembra que o ambiente é de vigilância, não de relaxamento. A tese que sustenta a resiliência do Brasil — fluxo de dólares forte, IPCA convergindo no Focus, mercado precificando mais cortes da Selic — segue intacta, mas está sendo testada com mais intensidade a cada sessão desta semana.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
5,1%
Acima do teto da meta — revisão para cima
Configurado
Pacífico — já é realidade, não previsão
- Diesel em −59% — novo recorde absoluto do conflito: a combinação de Ormuz sob controle americano com o sumiço do diesel russo (após ataques ucranianos às refinarias) cria um duplo choque de oferta inédito. O diesel brasileiro depende parcialmente do produto russo — e a escassez global vai além do conflito no Oriente Médio
- Gasolina piora para −46% mesmo após etanol a 32%: a medida aprovada pelo CNPE ontem (economia de R$ 0,03/litro) é insuficiente diante do Brent acima de US$ 85 e do agravamento da oferta global. O governo decidirá sobre a reversão do subsídio apenas no fim de julho — mas a pressão cresce a cada leitura da Abicom
- Fazenda eleva IPCA 2026 para 5,1% — acima do teto da meta: a projeção oficial reconhece que a meta de inflação não será cumprida em 2026. A revisão para cima acontece na mesma semana em que o Focus havia recuado para 5,16% — sinais mistos sobre a trajetória. O mercado começa a ajustar suas expectativas diante dos choques acumulados
- “Jabutis” das eólicas aprovados em votação-relâmpago: o Senado aprovou em caráter de urgência, antes do recesso, bilhões em encargos adicionais à conta de luz. Com o Super El Niño agora configurado no Pacífico, a pressão sobre a energia elétrica em 2027 é dupla — encargos legislativos mais risco climático
- PPI americano em queda inesperada — segundo alívio inflacionário seguido: depois do CPI abaixo do esperado, o produtor americano também surpreendeu para baixo em junho. O Livro Bege, porém, contradiz: todos os distritos do Fed relataram avanço dos preços. O alívio nos indicadores antecedentes convive com pressão nos dados de atividade
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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