Morning Call — 11 de Agosto

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Trump escalou o discurso sobre Ormuz — disse ter “controle total” da via e defendeu que o Irã pague reparações aos EUA, invertendo o pedido inicial iraniano. Teerã insiste que o estreito segue fechado até o fim do bloqueio naval americano. O Brent sobe 2,4% para US$ 89,85 e as defasagens de combustíveis pioram: diesel bate −70%, novo recorde. Hoje sai a ata do Copom, com detalhes do corte para 14%.
- Zelensky alerta que Putin prepara escalada — cita uso de equipamentos norte-coreanos, aumento da produção de mísseis balísticos russos e planos de mobilização; pediu reforço de sanções e defesa aérea aos parceiros de Kiev
- EUA aceitam consultas na OMC sobre as tarifas ao Brasil — governo americano respondeu ao pedido brasileiro e disponibilizou representantes para conversar em data conveniente às duas partes
- China quer se juntar ao Brasil na ação contra os EUA na OMC — sinaliza alinhamento estratégico entre os dois países diante da política tarifária americana
- Governo fica sem verba para pagar R$ 105,5 bilhões em despesas — Saúde e Educação são as pastas mais afetadas, evidenciando o aperto fiscal em meio à despesa financeira de R$ 149 bi no 1º semestre
- Focus reduz projeções para IPCA e PIB de 2026 — expectativa para inflação em 2027 e 2028 é mantida pela segunda semana consecutiva, sinal de ancoragem nas projeções de médio prazo
- Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula — movimento político relevante que pode facilitar a articulação do governo na Câmara em meio à “guerra fria” fiscal entre Durigan e Moretti
- BTG Pactual (BPAC11): resultado recorde no 2T26 — receita total de R$ 10,4 bilhões (+16% a/a), lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões (+23% a/a) e ROAE de 26,7%. Captação líquida de R$ 59 bilhões no trimestre, encerrando com R$ 2,7 trilhões em ativos sob gestão.
- Natura &Co (NTCO3): lucro líquido de apenas R$ 35 milhões no 2T26 — queda de 92% ante os R$ 446 milhões do ano anterior, afetado por custos com liquidação de derivativos e base de comparação desfavorável.
- JBS (JBSS3): registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2T26, revertendo o lucro de US$ 528 milhões do ano anterior — primeiro prejuízo da companhia em 11 trimestres, desde antes da listagem na NYSE.
Baseado no Research BTG Pactual
A retórica de Trump sobre Ormuz deu uma guinada notável: de negociar reabertura para exigir reparações do Irã. É uma inversão que dificilmente aproxima as partes de um acordo — e o mercado reagiu com o Brent subindo para US$ 89,85, o maior nível em quase duas semanas. O efeito colateral doméstico é imediato e severo: a defasagem do diesel bateu −70%, novo recorde absoluto, e a gasolina saltou para −40%, mesmo com o subsídio ativo. Silveira já sinaliza que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar esse subsídio caso o petróleo continue subindo. Segundo o research do BTG Pactual, o evento mais importante do dia para o investidor brasileiro é doméstico: a ata do Copom, que deve detalhar o raciocínio por trás do corte para 14% e sinalizar o ritmo dos próximos passos. O contexto é favorável para uma leitura moderadamente dovish — o Focus já reduziu as projeções de IPCA e PIB para 2026, com as expectativas de 2027 e 2028 mantidas estáveis pela segunda semana, sinal de ancoragem. Mas o Brent subindo e as defasagens batendo recorde são o contraponto que pode limitar o otimismo do mercado com o ritmo do ciclo de cortes. A pergunta central da semana: o Copom vai continuar sinalizando cortes com a mesma convicção diante de um cenário externo que piora a cada dia — ou o comunicado de hoje trará sinais de maior cautela?
- Diesel bate −70% — novo recorde absoluto de toda a crise: a escalada retórica de Trump sobre Ormuz, somada ao bloqueio naval que já dura mais de 5 meses, elevou o Brent e piorou drasticamente a defasagem. Mesmo com o subsídio, a Petrobras mantém desalinhamento relevante na venda de combustíveis
- Gasolina salta para −40% (de −29% na leitura anterior) — a maior piora em uma única leitura desde o início de agosto. Silveira já admite que o governo pode precisar de nova estratégia para sustentar o subsídio se o petróleo continuar subindo
- Brent em US$ 89,85 — maior nível em quase duas semanas: a virada retórica de Trump, que passou de buscar acordo para exigir reparações do Irã, afasta as partes de uma solução negociada e mantém o prêmio de risco elevado no petróleo
- Focus mantém IPCA 2027/2028 estável pela 2ª semana — sinal de ancoragem: mesmo com a piora do cenário de curto prazo (petróleo, defasagens), as expectativas de médio prazo permanecem estáveis — o mercado ainda não vê contaminação estrutural apesar do choque de oferta recorrente
As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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