Morning Call — 20 de Julho

9ª noite consecutiva de ataques EUA-Irã · Irã declara Ormuz fechado enquanto durar o conflito · Brent US$ 88 · Diesel −63% · Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas
Panorama GlobalInternacional
- Catar condena ataques iranianos à Jordânia, Bahrein e Kuwait — alinhamento dos países do Golfo contra o Irã se consolida. O isolamento iraniano no mundo árabe é crescente, mas não interrompe o conflito militar
- PPI alemão +1,8% em junho anual (+5,1% em bens intermediários como metais e químicos) — reflexo da guerra chegando ao produtor europeu. A desinflação europeia pode ser temporária
- IGP-10 amplia queda em julho — sinal positivo de curto prazo para a inflação doméstica, mas o alerta já chega: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio
- Galípolo (BC) e decisão do BCE são os destaques da agenda desta semana — e as tarifas de 25% dos EUA entram em vigor na quarta (22/07)
BrasilMercado Doméstico
- Plano para gasolina com 35% de etanol avança — nova fase de testes prevista para setembro. Se aprovado, seria um passo além do etanol a 32% recém-implementado — amortecedor estrutural mais relevante no médio prazo
- ONS reduz previsão para reservatórios do SE/CO em julho — com El Niño ativo, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste começam a recuar, aumentando o risco de bandeira amarela ou vermelha na conta de luz
- TCU detecta falhas em 82% das emendas Pix fiscalizadas — combustível para novas investigações na alçada de Dino no STF. Tensão fiscal e política se intensifica no recesso
Empresas em DestaqueCorporativo
- GPA (PCAR3): o grupo afirmou que as impugnações ao plano de recuperação extrajudicial são minoritárias — o plano já conta com apoio de 57,49% dos créditos, com 88,4% optando pela injeção de novos recursos. Sinal de que o processo de reestruturação avança.
- Grupo Itajobi (sucroalcooleiro): pediu mediação empresarial no CEJUSC para renegociar dívida de R$ 3,76 bilhões antes de eventual recuperação judicial. O setor sucroenergético, que havia se beneficiado do etanol a 32%, enfrenta pressão de endividamento acumulada.
- Carros chineses: vendas disparam no Brasil e derrubam preços tanto no mercado de novos quanto no de usados — a eletrificação da frota brasileira avança mesmo em ambiente de guerra comercial com os EUA.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
A semana começa com o Brasil digerindo uma nova dimensão do conflito: o Irã declarou formalmente que Ormuz estará fechado enquanto durar o confronto — o que transforma o que era um risco operacional em uma declaração de política. Não é mais uma ameaça tática; é um posicionamento estratégico. Com o Brent em US$ 88, o diesel em −63% e a gasolina em −47%, o Brasil enfrenta as maiores defasagens de combustível de toda a crise — e ainda sem data definida para a reversão dos subsídios. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta abertura não é o petróleo, mas a combinação de dois conflitos globais simultâneos afetando o mesmo mercado de energia: Ormuz (petróleo do Oriente Médio) e refinarias russas (diesel do Leste Europeu) ao mesmo tempo. O Brasil está no epicentro desse duplo choque porque depende de ambas as rotas. Para a semana, três eventos definem o tom: as tarifas americanas de 25% entram em vigor na quarta (22/07) — o real será o termômetro imediato do impacto; Galípolo fala e o BCE decide — sinalizações sobre o ritmo de juros globais; e a evolução do conflito em Ormuz, que pode deteriorar ou abrir espaço para negociação. O paradoxo do momento: o governo anuncia pacote de crédito de R$ 145 bi para o ano eleitoral num ambiente de IPCA acima da meta, subsídios sem data de encerramento e conta de luz prestes a subir. Os colchões do Brasil resistem — mas a semana desta terça a sexta será uma das mais definidoras de 2026.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−63%
Abicom · 17/07 — novo recorde absoluto
−47%
Abicom · 17/07 — novo recorde
US$ 88,16
Máxima do conflito — Ormuz “fechado”
↓ ONS
ONS reduz previsão julho — El Niño ativo
- Diesel em −63% — defasagem mais grave de toda a crise, com dois conflitos globais na origem: o fechamento declarado de Ormuz pelo Irã somado aos ataques ucranianos às refinarias russas cria uma restrição de oferta sem precedente neste ciclo. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa ao do Oriente Médio, perdeu os dois fornecedores alternativos ao mesmo tempo
- Brent em US$ 88 — máxima do conflito: o petróleo tipo Brent atinge o nível mais alto desde o início do conflito em março, superando os picos anteriores. Com Ormuz declarado fechado e refinarias russas fora do ar, o mercado não tem referência clara de teto enquanto durar o duplo choque
- Gasolina em −47% com etanol a 32% recém-implementado: mesmo com o aumento da mistura aprovado pelo CNPE na semana passada, a defasagem da gasolina atingiu novo recorde. O etanol a 32% economiza R$ 0,03/litro — mas cada dólar de alta no Brent adiciona cerca de R$ 0,05 à defasagem. O plano para 35% de etanol em setembro seria o próximo passo, mas ainda está em fase de testes
- Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste recuam — ONS reduz previsão: com o El Niño ativo e as primeiras ondas de seca chegando ao Sudeste, a ONS reduziu a previsão para os reservatórios em julho. A combinação de menor afluência hídrica com encargos das eólicas “jabutis” cria pressão dupla na conta de luz para o 2S26
- IGP-10 amplia queda em julho — alívio real, mas temporário: o índice que mede a inflação entre os dias 11 do mês anterior e 10 do corrente mostrou queda, puxado pela deflação nos preços ao produtor. O alerta, porém, já está no próprio relatório: nova alta do petróleo e El Niño ameaçam reverter o alívio nas próximas leituras
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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