Morning Call — 17 de Julho

6ª rodada de ataques EUA-Irã · Retaliação iraniana esta madrugada · Kospi −6,37% · Nikkei −4% · S&P futuro −1% · “Jabutis” podem adicionar R$ 60 bi/ano à conta de luz
Panorama GlobalInternacional
- Inflação na zona do euro recua para 2,8% em junho (de 3,2% em maio) — dado que alivia a pressão sobre o BCE e contrasta com o cenário americano ainda tenso. A deflação mensal de 0,1% sugere que o choque do petróleo ainda não se transmitiu completamente ao consumidor europeu
- Fed dividido: Logan (Fed Dallas) defende “juros moderadamente mais altos” para equilibrar as perspectivas de risco; Schmid (Fed Kansas City) mantém foco na inflação como definidor da política monetária. O consenso dovish que o mercado esperava está longe
- Semicondutores prolongam perdas na Europa e Ásia — a fraqueza que havia pressionado o pregão de quinta em Nova York se estende, com impacto sobre Samsung, SK Hynix e toda a cadeia de tecnologia asiática
BrasilMercado Doméstico
- Varejo de maio abaixo do esperado — dado de atividade que, somado à inflação de alimentos pesando nas vendas, reforça a percepção de que a política monetária restritiva está desacelerando o consumo
- EUA pediram acordo que limitava investimentos brasileiros em minerais críticos como condição para negociação — o governo recusou (“Obviamente não aceitamos”, disse representante). Revela que o tarifaço tem dimensão geopolítica além da comercial
- Galípolo (BC): argumentos dos EUA contra o Pix são “desculpas para criar lógica para o tarifaço” — o BC entra no debate diplomático com tom mais firme do que o habitual
Empresas em DestaqueCorporativo
- Telefônica Brasil (VIVT3): o conselho aprovou JCP de R$ 412,5 milhões líquidos (R$ 0,12908 por ação), com distribuição até 30/04/2027, com base na posição acionária de 27 de julho. Proventos relevantes num momento de aversão a risco — remuneração ao acionista mantida.
- Votorantim Cimentos (VOTO3): investimento de R$ 260 milhões na fábrica de Xambioá (TO), com nova linha de moagem que ampliará a capacidade em 500 mil toneladas/ano a partir de julho de 2028. Expansão em infraestrutura produtiva mesmo em ambiente adverso.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
A semana termina com o conflito EUA-Irã entrando na fase mais longa e desgastante desde o início — seis rodadas consecutivas de ataques sem cessar-fogo à vista, com retaliação iraniana nesta madrugada. O que o mercado estava tentando precificar como choque temporário começa a ganhar contornos de conflito prolongado, e essa mudança de percepção é a variável mais importante desta semana. Segundo o research do BTG Pactual, o Brasil enfrenta hoje o quadro externo mais adverso desde março, mas com uma diferença relevante: o Ibovespa fecha a semana em 174 mil pontos — bem acima dos 158 mil que marcaram o pior momento do conflito — e o dólar segue próximo de R$ 5,10, sustentado pelo fluxo de US$ 17,78 bi no semestre. Os colchões funcionam, mas estão sendo consumidos. Para a próxima semana, os três pontos de atenção são: os desdobramentos do conflito no fim de semana (qualquer sinalização diplomática ou nova escalada movimentará os mercados na segunda); a entrada em vigor das tarifas americanas na quarta (22/07), com o real como termômetro do impacto; e a decisão do governo sobre o subsídio da gasolina no fim de julho — com defasagem em −46% e conta de luz prestes a subir, o espaço fiscal é cada vez menor. O investidor que atravessou essa semana com carteira preservada tem um bom fim de semana pela frente — mas a próxima semana será mais definidora ainda.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
R$ 60 bi/ano
Estimativa setor — aprovados ontem
Ativo
1ª onda de tempestades já atingiu o Brasil
- Ormuz interrompida pela 6ª noite consecutiva — conflito se torna prolongado: a troca diária de ataques entre EUA e Irã evidencia o colapso da trégua de junho. Com 20% do tráfego mundial de petróleo passando por Ormuz, cada noite de ataques adiciona prêmio de risco ao Brent — que segue acima de US$ 84 mesmo com o mercado tentando precificar normalização
- Diesel russo continua fora do mercado — duplo choque de oferta persiste: os ataques ucranianos às refinarias russas mantêm o diesel russo ausente dos mercados internacionais. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa parcial, enfrenta pressão por dois vetores simultâneos. A defasagem em −59% reflete essa dupla escassez
- “Jabutis” das eólicas podem custar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz: a estimativa das empresas de energia é o número mais impactante desta sexta — aprovados em votação-relâmpago, os encargos adicionarão pressão permanente à inflação de energia elétrica a partir de 2027. Somados ao Super El Niño ativo, a conta de luz de 2027 promete ser um dos principais vetores do IPCA
- Preços do diesel, gasolina e etanol recuaram nos postos na 1ª quinzena de julho (Ticket Log) — dado que parece contraditório com as defasagens, mas reflete o efeito da trégua de junho que ainda estava nos postos. Com a reescalada, essa tendência deve reverter nas próximas semanas
- El Niño: primeira onda de tempestades já atingiu o Brasil — o fenômeno saiu da teoria e chegou ao campo. Sul do Brasil com chuvas intensas enquanto Centro-Oeste e Sudeste seguem com seca — padrão típico do El Niño que afeta culturas de verão e o nível dos reservatórios
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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