Morning Call — 17 de Julho

Morning Call — 17 de Julho

Morning CallSexta-feira, 17 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
6ª rodada de ataques EUA-Irã · Retaliação iraniana esta madrugada · Kospi −6,37% · Nikkei −4% · S&P futuro −1% · “Jabutis” podem adicionar R$ 60 bi/ano à conta de luz

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Panorama GlobalInternacional

💥 6ª rodada de ataques americanos ao Irã — retaliação iraniana ocorreu esta madrugada: os EUA concluíram a sexta rodada consecutiva de bombardeios contra alvos militares iranianos. Nesta madrugada, o Irã anunciou ter atacado instalações militares americanas no Golfo. A troca diária de ataques evidencia o colapso definitivo da trégua de junho — o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz está novamente interrompido, com cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo afetado.
S&P 500−1,08%Futuro
Nasdaq−2,14%Futuro — tech despenca
Nikkei−4,03%Japão
Kospi−6,37%Coreia do Sul
Brent+0,70%US$ 84,82 — conflito sustenta
WTI+1,14%US$ 79,85
Treasury 10a4,529%↓ — fuga para qualidade
Ouro+0,24%US$ 4.001 — porto seguro

🇺🇸 Trump desclassifica inteligência sobre interferência chinesa nas eleições: em pronunciamento, Trump determinou a retirada do sigilo de documentos que, segundo ele, evidenciam interferência da China nas eleições americanas de meio de mandato. O movimento reacende a tensão EUA-China numa semana já carregada — e adiciona ruído geopolítico ao ambiente de mercado.
  • Inflação na zona do euro recua para 2,8% em junho (de 3,2% em maio) — dado que alivia a pressão sobre o BCE e contrasta com o cenário americano ainda tenso. A deflação mensal de 0,1% sugere que o choque do petróleo ainda não se transmitiu completamente ao consumidor europeu
  • Fed dividido: Logan (Fed Dallas) defende “juros moderadamente mais altos” para equilibrar as perspectivas de risco; Schmid (Fed Kansas City) mantém foco na inflação como definidor da política monetária. O consenso dovish que o mercado esperava está longe
  • Semicondutores prolongam perdas na Europa e Ásia — a fraqueza que havia pressionado o pregão de quinta em Nova York se estende, com impacto sobre Samsung, SK Hynix e toda a cadeia de tecnologia asiática

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qui)−1,24%173.825 pts
Dólar (qui)+0,40%R$ 5,0983
Defasagem gas.−46%Abicom · 16/07
Defasagem diesel−59%Abicom · 16/07 — recorde

⚖️ Tarifaço de 25% dos EUA afeta 3 mil itens e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras — entra em vigor na quarta: segundo a Amcham Brasil, a medida coloca o Brasil entre os países com maior nível de restrição ao mercado americano. O governo divulgou sua defesa na Seção 301 e informou que os EUA “não responderam” à proposta brasileira sobre etanol e açúcar. O STF reagiu ao governo Trump e declarou que “só se submete à Constituição brasileira”.
💡 “Jabutis” das eólicas podem adicionar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz: estimativa das empresas de energia revela o impacto real da aprovação relâmpago de quinta-feira no Senado. Com o Super El Niño configurado e o subsídio dos combustíveis consumindo recursos fiscais, o consumidor brasileiro enfrenta a perspectiva de pressão simultânea em energia elétrica e combustíveis em 2027.
  • Varejo de maio abaixo do esperado — dado de atividade que, somado à inflação de alimentos pesando nas vendas, reforça a percepção de que a política monetária restritiva está desacelerando o consumo
  • EUA pediram acordo que limitava investimentos brasileiros em minerais críticos como condição para negociação — o governo recusou (“Obviamente não aceitamos”, disse representante). Revela que o tarifaço tem dimensão geopolítica além da comercial
  • Galípolo (BC): argumentos dos EUA contra o Pix são “desculpas para criar lógica para o tarifaço” — o BC entra no debate diplomático com tom mais firme do que o habitual

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Telefônica Brasil (VIVT3): o conselho aprovou JCP de R$ 412,5 milhões líquidos (R$ 0,12908 por ação), com distribuição até 30/04/2027, com base na posição acionária de 27 de julho. Proventos relevantes num momento de aversão a risco — remuneração ao acionista mantida.
  • Votorantim Cimentos (VOTO3): investimento de R$ 260 milhões na fábrica de Xambioá (TO), com nova linha de moagem que ampliará a capacidade em 500 mil toneladas/ano a partir de julho de 2028. Expansão em infraestrutura produtiva mesmo em ambiente adverso.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana termina com o conflito EUA-Irã entrando na fase mais longa e desgastante desde o início — seis rodadas consecutivas de ataques sem cessar-fogo à vista, com retaliação iraniana nesta madrugada. O que o mercado estava tentando precificar como choque temporário começa a ganhar contornos de conflito prolongado, e essa mudança de percepção é a variável mais importante desta semana. Segundo o research do BTG Pactual, o Brasil enfrenta hoje o quadro externo mais adverso desde março, mas com uma diferença relevante: o Ibovespa fecha a semana em 174 mil pontos — bem acima dos 158 mil que marcaram o pior momento do conflito — e o dólar segue próximo de R$ 5,10, sustentado pelo fluxo de US$ 17,78 bi no semestre. Os colchões funcionam, mas estão sendo consumidos. Para a próxima semana, os três pontos de atenção são: os desdobramentos do conflito no fim de semana (qualquer sinalização diplomática ou nova escalada movimentará os mercados na segunda); a entrada em vigor das tarifas americanas na quarta (22/07), com o real como termômetro do impacto; e a decisão do governo sobre o subsídio da gasolina no fim de julho — com defasagem em −46% e conta de luz prestes a subir, o espaço fiscal é cada vez menor. O investidor que atravessou essa semana com carteira preservada tem um bom fim de semana pela frente — mas a próxima semana será mais definidora ainda.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−59%
Abicom · 16/07 — recorde do conflito
Defasagem Gasolina
−46%
Abicom · 16/07 — piora acelerada
“Jabutis” conta de luz
R$ 60 bi/ano
Estimativa setor — aprovados ontem
Super El Niño
Ativo
1ª onda de tempestades já atingiu o Brasil

  • Ormuz interrompida pela 6ª noite consecutiva — conflito se torna prolongado: a troca diária de ataques entre EUA e Irã evidencia o colapso da trégua de junho. Com 20% do tráfego mundial de petróleo passando por Ormuz, cada noite de ataques adiciona prêmio de risco ao Brent — que segue acima de US$ 84 mesmo com o mercado tentando precificar normalização
  • Diesel russo continua fora do mercado — duplo choque de oferta persiste: os ataques ucranianos às refinarias russas mantêm o diesel russo ausente dos mercados internacionais. O Brasil, que utilizava diesel russo como alternativa parcial, enfrenta pressão por dois vetores simultâneos. A defasagem em −59% reflete essa dupla escassez
  • “Jabutis” das eólicas podem custar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz: a estimativa das empresas de energia é o número mais impactante desta sexta — aprovados em votação-relâmpago, os encargos adicionarão pressão permanente à inflação de energia elétrica a partir de 2027. Somados ao Super El Niño ativo, a conta de luz de 2027 promete ser um dos principais vetores do IPCA
  • Preços do diesel, gasolina e etanol recuaram nos postos na 1ª quinzena de julho (Ticket Log) — dado que parece contraditório com as defasagens, mas reflete o efeito da trégua de junho que ainda estava nos postos. Com a reescalada, essa tendência deve reverter nas próximas semanas
  • El Niño: primeira onda de tempestades já atingiu o Brasil — o fenômeno saiu da teoria e chegou ao campo. Sul do Brasil com chuvas intensas enquanto Centro-Oeste e Sudeste seguem com seca — padrão típico do El Niño que afeta culturas de verão e o nível dos reservatórios
📌 Leitura do Radar — fechamento de semana: o Radar fecha a semana com todos os quatro indicadores no vermelho pela primeira vez desde o pico do conflito em maio. Diesel em −59%, conta de luz com R$ 60 bi de encargos aprovados, Super El Niño ativo e Ormuz interrompida pela 6ª noite. O único alívio desta semana — etanol a 32% aprovado e CPI/PPI americanos abaixo do esperado — é real, mas insuficiente para compensar a magnitude dos choques acumulados. O fim de semana pode trazer novos desdobramentos diplomáticos ou militares que redefinirão o ambiente de segunda-feira.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / OrmuzConflito — 6ª Rodada
6ª rodada de ataques americanos ao Irã — retaliação iraniana esta madrugada; trégua de junho definitivamente encerrada
As Forças Armadas dos EUA concluíram a sexta rodada consecutiva de ataques ao Irã, com caças, drones e navios de guerra contra dezenas de alvos militares. Nesta madrugada, o Irã afirmou ter atacado instalações militares americanas no Golfo. A troca diária de ataques sinaliza o colapso definitivo da trégua firmada em junho, com o fluxo de energia por Ormuz interrompido novamente.
Contexto: Seis rodadas consecutivas sem cessar-fogo é o sinal mais claro de que o conflito deixou de ser episódico e se tornou sistemático. Para os mercados, isso muda a equação de precificação: o prêmio de risco do petróleo que o mercado estava tentando descontar como temporário precisa ser reavaliado como estrutural enquanto o conflito durar. O fim de semana será decisivo para o tom de segunda-feira.

02
Conta de Luz / Jabutis / EnergiaCusto de Vida Brasil
“Jabutis” das eólicas podem adicionar R$ 60 bilhões por ano à conta de luz — estimativa das empresas de energia
Empresas do setor de energia estimam que os dispositivos aprovados pelo Senado em votação-relâmpago na quinta-feira podem adicionar R$ 60 bilhões anuais à conta de luz dos brasileiros. A medida foi incluída sem debate público antes do recesso parlamentar. Com o Super El Niño ativo e o subsídio dos combustíveis sob pressão fiscal, o consumidor enfrenta uma convergência de choques em energia.
Contexto: R$ 60 bilhões por ano na conta de luz é o equivalente a um imposto permanente sobre toda a base de consumidores de energia elétrica do Brasil — aprovado em velocidade recorde, antes do recesso, sem audiência pública. Para a inflação, é um vetor de pressão permanente que se somará ao El Niño em 2027. O governo, que já enfrenta o custo dos subsídios dos combustíveis, terá menos espaço fiscal para absorver o impacto elétrico.

03
Tarifaço / EUA-Brasil / AmchamComércio Internacional
Tarifaço afeta 3 mil itens e US$ 11 bi em exportações — EUA recusaram proposta brasileira sobre etanol e açúcar
Segundo a Amcham Brasil, o tarifaço de 25% afeta cerca de 3 mil itens exportados e mais de US$ 11 bilhões em vendas. O governo divulgou sua defesa formal na Seção 301, revelando que propôs acordo envolvendo etanol e açúcar — mas os EUA “não responderam”. Trump também havia pedido acordo limitando investimentos brasileiros em minerais críticos, proposta que o governo recusou.
Contexto: A revelação de que os EUA não responderam à proposta sobre etanol e açúcar — e que chegaram a pedir controle sobre minerais críticos — muda o enquadramento da negociação: não é apenas um tarifaço comercial, é uma disputa por influência geopolítica sobre recursos estratégicos brasileiros. Galípolo classificar os argumentos contra o Pix como “desculpas” reforça que o governo vê o tarifaço como pretexto.

04
Fed / Logan / SchmidPolítica Monetária Global
Fed dividido: Logan defende juros “moderadamente mais altos” e Schmid mantém foco na inflação
Logan (Fed Dallas) afirmou que juros “moderadamente mais altos” equilibrariam melhor as perspectivas de risco, enquanto Schmid (Fed Kansas City) disse que seu foco continua sendo a inflação ao definir o curso da política monetária. A divisão interna do Fed — evidenciada também na ata da semana passada — persiste mesmo após o CPI e PPI abaixo do esperado.
Contexto: O Fed dividido com o conflito em plena escalada é o ambiente mais difícil para o BC brasileiro desde o início do ciclo de cortes. O duplo alívio de CPI + PPI desta semana deu margem para o mercado respirar — mas Logan sinalizando juros mais altos lembra que o caminho de cortes nos EUA está longe de ser linear. Para o Copom de agosto, cada dado americano desta semana importa.

05
Ibovespa / Semana / BalançoMercado Brasil — Resiliência
Ibovespa fecha semana em 174 mil pontos e dólar em R$ 5,10 — colchões resistem apesar dos choques
Mesmo diante de uma semana com seis rodadas de ataques, tarifas de 25% confirmadas, “jabutis” bilionários aprovados e Fazenda elevando o IPCA para 5,1%, o Ibovespa mantém-se em 174 mil pontos — acima dos 158 mil do pior momento do conflito — e o dólar segue próximo de R$ 5,10. Os colchões estruturais do Brasil (fluxo de US$ 17,78 bi, reservas internacionais, etanol 32% aprovado) estão funcionando.
Contexto: A resiliência do mercado brasileiro em meio a tantos choques simultâneos é o dado mais construtivo que esta semana produziu. Não é imunidade — é o resultado do fluxo de dólares recorde, do real mais ajustado do que estava em março, e da expectativa de que o conflito ainda se resolverá. Mas os colchões são finitos: cada semana de Brent acima de US$ 84 os consome um pouco mais.

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Material exclusivamente informativo. Não constitui recomendação de investimento.
Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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