Morning Call — 14 de Julho

Morning Call — 14 de Julho

Morning CallTerça-feira, 14 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado
⚡ Última hora
Trump assume controle de Ormuz e propõe taxa de 20% sobre cargueiros · Brent +3,7% a US$ 86 · Petróleo sobe quase 10% ontem · Defasagem diesel em −55%

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Panorama GlobalInternacional

🛢️ Trump assume controle de Ormuz e impõe taxa de 20% sobre cargueiros — Brent dispara para US$ 86: após três noites consecutivas de ataques americanos ao Irã, Trump anunciou que os EUA assumirão o controle do Estreito de Ormuz a partir das 17h de hoje (horário de Brasília) e proporão uma taxa de 20% sobre navios que cruzarem a via. O petróleo fechou ontem com alta de quase 10% — maior alta diária desde 2020. O tráfego de navios em Ormuz caiu 60% na comparação semanal (Kpler). O Irã atacou os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein em retaliação.
S&P 500−0,02%Futuro — cautela
Nasdaq+0,47%Futuro — tech resiste
Nikkei+0,74%Japão
Shanghai+1,36%China — exportações +27%
Brent+3,73%US$ 86,41 — nível crítico
WTI+2,64%US$ 80,20
Treasury 10a4,620%↑ — pressão inflacionária
DXY−0,20%101,09 — leve alívio

🏛️ Warsh depõe no Congresso hoje — CPI de junho nos EUA também sai: o primeiro testemunho semestral de Warsh perante a Câmara dos EUA ocorre num contexto de petróleo disparando e inflação pressionada. O CPI de junho será o dado-chave: se vier acima do esperado com o Brent em US$ 86, o cenário de alta de juros nos EUA ganha força — Waller já sinalizou abertura para subir e criticou as políticas de Warsh.
  • Tráfego em Ormuz cai 60% na semana — mais de 8 milhões de barris passaram no domingo com apoio militar americano, mas a via está operando em capacidade reduzida. A taxa de 20% sobre cargueiros é uma nova variável que o mercado ainda está precificando
  • Irã ataca Emirados e Bahrein: navios-tanque Mombasa e Al Bahiyah dos Emirados foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos. Os ataques se espalharam para países do Golfo que não eram alvos diretos
  • Exportações da China disparam +27% em junho (vs. +19,4% em maio) — dado muito forte que sugere antecipação de compras antes de novas tarifas. Iene próximo à mínima de 40 anos (162,38/dólar)
  • Mercado amplia apostas em alta de juros do Fed com Waller aberto a subir e criticando Warsh. O conflito reacende a pressão inflacionária global no pior momento possível para o ciclo de cortes

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (seg)−1,20%175.739 pts
Dólar (seg)+0,45%R$ 5,1315
Defasagem gas.−39%Abicom · 14/07 — piora
Defasagem diesel−55%Abicom · 14/07 — crítico

Defasagem do diesel em −55% e gasolina em −39% — o pior momento do conflito: com o Brent em US$ 86, as defasagens pioraram substancialmente. O diesel em −55% e a gasolina em −39% representam os maiores desalinhamentos de preço de toda a crise — superando até o pico de maio quando o Brent estava em US$ 123. Isso ocorre porque o mercado havia se ajustado para baixo durante a trégua de junho e julho, criando uma base menor.
🌽 CNPE decide hoje sobre etanol a 32% — e o governo não vê necessidade de retornar subsídio ao diesel: o Conselho Nacional de Política Energética se reúne nesta terça para decidir sobre o aumento da mistura de etanol. O governo surpreende ao afirmar que não vê necessidade de retornar o subsídio ao diesel — aposta que o controle americano de Ormuz e a taxa de 20% sobre cargueiros forçarão uma negociação mais rápida com o Irã.
  • Focus: IPCA 2026 cai para 5,16% — redução de 5,30% para 5,16%, segunda queda consecutiva. O mercado começa a mover para mais um corte de juros após agosto — dado positivo que contrasta com o choque do petróleo
  • Tarifaço: Lula diz que não haverá novo tarifaço a dois dias do prazo americano — o governo trabalha com três cenários e prepara discursos de defesa. Alcolumbre irrita-se com o governo após ofensiva da PF
  • Pauta-bomba de R$ 30 bi pode ser votada no Senado esta semana — pressão fiscal se acumula com o petróleo em alta

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Petrobras (PETR3/4): a gestora GQG Partners reduziu sua participação para 4,99% das ações ordinárias (via ADRs), de 5,031% — desinvestimento marginal, mas sinaliza ajuste de posição numa semana de alta volatilidade no petróleo.
  • Bradsaúde / Rede D’Or (RDOR3): a Bradsaúde concluiu a inclusão de ativos imobiliários da Rede D’Or na Atlântica D’Or, joint venture das duas companhias, destinados à construção de um hospital em São Conrado (RJ) — expansão no setor de saúde privada.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

O conflito EUA-Irã entra numa nova fase mais grave e estruturalmente diferente das anteriores: Trump não está apenas atacando alvos militares — está assumindo o controle físico de Ormuz e criando uma taxa de 20% sobre cargueiros. Isso transforma o estreito de um campo de batalha em um instrumento de política comercial americana, o que tem implicações de longo prazo muito além do preço do petróleo de amanhã. Segundo o research do BTG Pactual, o Brent em US$ 86 com Ormuz operando a 40% da capacidade normal é o cenário que o mercado mais temia desde o início do conflito em março — e que parecia descartado depois da trégua de junho. O dado mais surpreendente e construtivo neste contexto adverso é o Focus: o IPCA 2026 caiu para 5,16% — segunda queda consecutiva após 14 altas seguidas. Isso sugere que o mercado ainda acredita que o choque é temporário e que a trajetória de desinflação de junho prevalecerá quando o conflito se resolver. Para o investidor, o que define o cenário das próximas semanas são dois eventos de hoje: o depoimento de Warsh no Congresso americano e a decisão do CNPE sobre o etanol a 32%. O primeiro vai sinalizar se o Fed está mais perto de subir ou manter juros diante do petróleo em US$ 86. O segundo é o único amortecedor doméstico ainda disponível para o governo — e que foi adiado quatro vezes.

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Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−55%
Abicom · 14/07 — pior do conflito
Defasagem Gasolina
−39%
Abicom · 14/07 — piora acelerada
Brent
US$ 86,41
+3,73% · ontem +9% — nível crítico
IPCA 2026 (Focus)
5,16%
↓ de 5,30% — 2ª queda seguida

  • Brent em US$ 86 — o nível mais alto desde o pico do conflito em maio: o petróleo fechou ontem com alta de quase 10%, a maior diária desde 2020. Com o controle americano de Ormuz e a taxa de 20% sobre cargueiros entrando em vigor hoje às 17h, o mercado não tem referência clara para onde o preço vai — a incerteza é máxima
  • Diesel em −55% e gasolina em −39% — os piores números de toda a crise: paradoxalmente, as defasagens estão maiores do que quando o Brent estava em US$ 123 em maio, porque o mercado havia se ajustado para baixo durante a trégua. O governo afirma não ver necessidade de retornar o subsídio ao diesel — postura que será duramente testada se o Brent permanecer acima de US$ 80
  • CNPE decide hoje sobre etanol a 32% — quarto adiamento: a reunião foi confirmada para esta terça. A aprovação é urgente: com o Brent em US$ 86, qualquer redução na dependência de gasolina importada tem valor imediato. O etanol está barato e disponível — é o único amortecedor que o governo controla
  • Focus: IPCA 2026 em 5,16% — segunda queda consecutiva: surpreendente dado o cenário. O mercado ancora na expectativa de que o choque é temporário — e que a desinflação de junho voltará quando o conflito se resolver. O mercado começa a precificar mais um corte da Selic após agosto
  • El Niño com 81% de chance de se intensificar e pressionar soja, milho, café e laranja. A combinação de choque de energia (petróleo) com choque climático (El Niño) é o pior cenário inflacionário para o 2S26 — mas o Focus sugere que o mercado ainda não precifica o duplo choque de forma plena
📌 Leitura do Radar: diesel em −55%, Brent em US$ 86 e tráfego em Ormuz caindo 60% — o Radar está no vermelho em todas as frentes de combustíveis. O único verde é o Focus em 5,16%, que reflete a expectativa de que o choque é temporário. A decisão do CNPE sobre o etanol a 32% hoje é o dado doméstico mais relevante do dia — é literalmente a última carta disponível ao governo para amortecer o impacto sem custo fiscal.

📋

Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
EUA / Irã / OrmuzNova Fase do Conflito
Trump assume controle de Ormuz e impõe taxa de 20% sobre cargueiros — Brent atinge US$ 86 após alta de 9% ontem
Após três noites consecutivas de ataques, Trump anunciou que os EUA assumirão o controle do Estreito de Ormuz a partir de hoje às 17h e proporão taxa de 20% sobre cargueiros. O petróleo fechou ontem com alta de quase 10% — maior diária desde 2020. O tráfego em Ormuz caiu 60% na semana. O Irã atacou navios dos Emirados Árabes e do Bahrein em retaliação.
Contexto: Esta é a escalada mais grave desde o início do conflito — Trump não está apenas atacando, está criando uma nova estrutura de controle geopolítico sobre a principal rota de petróleo do mundo. A taxa de 20% sobre cargueiros é uma inovação sem precedente que transforma Ormuz num instrumento de receita americana. Para o Brasil, cada dólar que o Brent sobe acima de US$ 80 aprofunda a defasagem e pressiona o ciclo de cortes da Selic.

02
Fed / Warsh / CPIPolítica Monetária Global
Warsh depõe no Congresso hoje com Brent em US$ 86 — CPI de junho sai e Waller defende alta de juros
O primeiro testemunho semestral de Warsh perante a Câmara dos EUA ocorre hoje num contexto de petróleo disparando e inflação pressionada. Waller sinalizou abertura para subir juros e criticou políticas de Warsh. O CPI de junho será divulgado hoje — se vier acima do esperado com o petróleo em alta, o cenário de subida de juros nos EUA se consolida.
Contexto: O depoimento de Warsh hoje é o evento mais relevante para os juros globais desta semana. Se ele sinalizar manutenção diante do choque do petróleo, é dovish relativo — bom para emergentes. Se endossar a postura de Waller (alta de juros), o dólar global se fortalece e o real perde o colchão cambial construído no semestre. O CPI de junho chegará como pano de fundo imediato.

03
Focus / SelicInflação — Sinal Construtivo
Focus: IPCA 2026 cai para 5,16% — 2ª queda seguida; mercado começa a precificar mais corte após agosto
O Boletim Focus desta segunda reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,30% para 5,16% — segunda queda consecutiva após 14 semanas de alta. O mercado começa a se mover para precificar mais um corte de juros após agosto. Análises apontam que o mercado ainda acredita que o choque do petróleo é temporário e que a desinflação de junho voltará.
Contexto: O Focus caindo para 5,16% com o Brent em US$ 86 é o dado mais surpreendente e construtivo da semana. Revela que o mercado precifica o conflito como choque temporário — e que a trajetória de queda do IPCA que começou com o alívio de junho ainda está na memória dos analistas. É a aposta de que o Copom terá espaço para continuar cortando quando a poeira baixar.

04
Tarifaço / EUA / BrasilComércio Internacional
Lula diz que não haverá novo tarifaço a 2 dias do prazo — governo trabalha com três cenários
A dois dias do prazo americano, Lula afirmou que não haverá novo tarifaço sobre produtos brasileiros. O governo definiu três cenários e prepara discursos de defesa. Alcolumbre irrita-se com o governo após ofensiva da PF e PT inicia campanha #AprovaSenado para pressionar o Senado. Entidades privadas propõem acordo bilateral para evitar as tarifas.
Contexto: O prazo do tarifaço americano chega numa semana em que Washington está concentrado em Ormuz — o que pode criar uma janela diplomática para o Brasil, já que Trump tem outros assuntos prioritários. A confiança de Lula de que “não haverá tarifaço” pode ser fundamentada em sinais que não vieram a público ainda.

05
Fiscal / CongressoRisco Fiscal Brasil
Pauta-bomba de R$ 30 bi pode ser votada no Senado esta semana — imposto sobre dividendos arrecada só 5% do previsto
O Senado pode votar a PEC com impacto de R$ 30 bilhões ainda esta semana. Em paralelo, o imposto sobre dividendos — pilar da reforma tributária — arrecadou apenas 5% do previsto para o ano, podendo frustrar a projeção do governo. O governo tenta enxugar a PEC dos agentes de saúde para reduzir o impacto bilionário nas contas públicas.
Contexto: A combinação de R$ 30 bi em nova pauta-bomba com o imposto sobre dividendos frustrando a arrecadação cria um duplo problema fiscal: gastos maiores e receitas menores. Com o petróleo pressionando o subsídio e o Copom sob pressão para pausar, o espaço fiscal do governo está sendo comprimido por todas as frentes simultaneamente.

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