Morning Call — 10 de Julho

Panorama GlobalInternacional
- AIE alerta: demanda global de petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020 com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio. A agência ressalva que uma recuperação está em curso, mas nova escalada pode complicar o cenário
- Warsh nomeia Arminio Fraga para revisar comunicação do Fed — o ex-presidente do BC brasileiro integra força-tarefa de reformas do Fed. Warsh deve ganhar alívio na inflação com revisão do PCE, segundo analistas
- Inflação na Europa desacelera: França cai para 1,8% em junho (de 2,4% em maio), puxada por energia −4,2%; Alemanha sobe 2,4% em linha com o esperado. Dados reforçam que o choque de energia está parcialmente se dissipando na Europa
- Japão: PPI acelera no ritmo mais rápido em mais de 3 anos com empresas repassando custos do conflito ao consumidor — argumento adicional para o BoJ subir juros. Taxa de vacância de escritórios em Tóquio cai abaixo de 1% pela primeira vez em seis anos
BrasilMercado Doméstico
- IGP-M: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia de julho (FGV) — sinal positivo para o componente de aluguéis no IPCA, que havia pressionado o índice nos meses anteriores
- Arminio Fraga no Fed: o ex-presidente do BC brasileiro integra grupo de trabalho que revisará a estratégia de comunicação do Fed sob Warsh — presença relevante de um nome de peso brasileiro na reforma do banco central mais importante do mundo
- Entidades do Brasil e EUA propõem acordo para evitar novo tarifaço de Trump — iniciativa privada tenta criar canal alternativo ao impasse político entre os governos
Empresas em DestaqueCorporativo
- Petrobras (PETR3/4): concluiu a aquisição e assumiu a operação do bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe (África), com consórcio formado por Petrobras 75%, Oranto 15% e ANPST 10%. Expansão internacional em momento de volatilidade do petróleo.
- Oi (OIBR3): informou agravamento significativo da situação financeira, com risco concreto de interrupção das operações a partir de 1º de agosto de 2026. O caixa caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões — considerado insuficiente pelo gestor judicial para sustentar a operação no curtíssimo prazo.
Análise do DiaResearch BTG Pactual
Baseado no Research BTG Pactual
A semana encerra com uma conclusão paradoxal: o pior cenário foi evitado, mas o cenário atual já é suficientemente ruim para reverter boa parte do trabalho de junho. O Brent em US$ 76 — recuando dos US$ 78 de ontem, mas ainda muito acima dos US$ 71 de segunda-feira — mantém as defasagens de combustíveis nos piores níveis de todo o conflito (diesel −50%), o subsídio prorrogado e o etanol a 32% adiado pela terceira vez. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta semana não é o petróleo, mas o dólar: mesmo com o Brent disparando 6% na quarta, o real fechou a semana perto de R$ 5,12 — sustentado pelo fluxo de entrada de US$ 17,78 bi no semestre, o maior em oito anos. Esse colchão cambial é o principal diferencial do Brasil em relação à primeira rodada do conflito em março, quando o real chegou a R$ 5,80. A nomeação de Arminio Fraga para revisar a comunicação do Fed é um dado curioso e positivo para a credibilidade do processo — Warsh sinalizou que quer mais clareza e menos “forward guidance”, e escolheu o arquiteto do regime de metas de inflação brasileiro para ajudá-lo. Para a semana que vem, os três eventos a monitorar são: a discussão do etanol a 32% na terça (o único amortecedor doméstico ainda não acionado), os desdobramentos do conflito em Ormuz, e a leitura do mercado sobre o ritmo do Fed após a revisão do PCE que Warsh prometeu.
Radar de Inflação
Monitoramento de Preços
−50%
Abicom · 09/07 — pior do conflito
−34%
Abicom · 09/07 — subsídio prorrogado
US$ 76,10
Recua, mas ainda alto vs. US$ 71 na seg.
81% forte
Chance de intensificação até o fim do ano
- Diesel em −50% — o dado mais crítico do Radar: a defasagem do diesel permanece no pior nível de todo o conflito. Com o Brent em US$ 76, a diferença entre o preço internacional e o praticado nas bombas exige manutenção do subsídio — e o governo prorrogou explicitamente o programa “por causa da guerra”
- Subsídio da gasolina prorrogado indefinidamente: Durigan confirmou que o fim da subvenção “depende do cenário externo”. O etanol a 32% — o único amortecedor que o governo controla — foi adiado para a terça-feira. A aprovação esta semana seria o primeiro passo concreto de normalização desde a reescalada
- AIE: demanda global de petróleo deve cair pela 1ª vez desde 2020 com o conflito — sinal de que o choque não é apenas de preço, mas de volume. Para o Brasil, menor demanda global pode eventualmente pressionar o Brent para baixo, mas no curto prazo a oferta restrita domina
- IGP-M de julho: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia — dado construtivo que pode aliviar a pressão nos contratos residenciais. O IGP-M de junho havia caído 0,50%, sugerindo uma tendência de alívio nos preços ao produtor que pode chegar ao IPCA com defasagem
- El Niño com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano: o fenômeno agrava os riscos sobre alimentos e energia elétrica justamente quando o petróleo já pressionava a inflação. A combinação de dois choques simultâneos — petróleo e clima — é o cenário mais adverso para o IPCA do 2S26
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Análises baseadas no Research BTG Pactual.
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