Morning Call — 10 de Julho

Morning Call — 10 de Julho

Morning CallSexta-feira, 10 de julho de 2026
Amare Private Invest | Necton BTG Pactual

Morning Call
Análise diária de mercado

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Panorama GlobalInternacional

⚖️ Mercados respiram com redução dos temores de escalada — mas petróleo segue elevado: a sinalização de Trump de que não pretende uma guerra em larga escala trouxe alívio relativo. O Brent recua para US$ 76,10 (de US$ 78+ de ontem), mas ainda opera muito acima do patamar pré-reescalada. A AIE alertou nesta sexta que a demanda global por petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020, com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio.
S&P 500−0,16%Futuro
Nasdaq−0,55%Futuro
Nikkei+1,20%Japão
Kospi+2,52%Coreia do Sul
Brent−0,26%US$ 76,10 — recua mas segue alto
WTI−0,36%US$ 71,82
Treasury 10a4,535%↓ de 4,558%
DXY−0,02%100,88 — leve alívio

  • AIE alerta: demanda global de petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020 com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio. A agência ressalva que uma recuperação está em curso, mas nova escalada pode complicar o cenário
  • Warsh nomeia Arminio Fraga para revisar comunicação do Fed — o ex-presidente do BC brasileiro integra força-tarefa de reformas do Fed. Warsh deve ganhar alívio na inflação com revisão do PCE, segundo analistas
  • Inflação na Europa desacelera: França cai para 1,8% em junho (de 2,4% em maio), puxada por energia −4,2%; Alemanha sobe 2,4% em linha com o esperado. Dados reforçam que o choque de energia está parcialmente se dissipando na Europa
  • Japão: PPI acelera no ritmo mais rápido em mais de 3 anos com empresas repassando custos do conflito ao consumidor — argumento adicional para o BoJ subir juros. Taxa de vacância de escritórios em Tóquio cai abaixo de 1% pela primeira vez em seis anos

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BrasilMercado Doméstico

Ibovespa (qui)+1,22%172.742 pts — recuperação
Dólar (qui)−0,50%R$ 5,1228
Defasagem gas.−34%Abicom · 09/07
Defasagem diesel−50%Abicom · 09/07 — crítico

📈 Ibovespa recupera +1,22% e dólar volta a R$ 5,12 — mercado corrige excessos: após dias de pressão intensa, ontem os investidores aproveitaram o pregão para corrigir os excessos, especialmente em metais e mineração. O dólar recuou 0,50% para R$ 5,1228. O pregão teve menor liquidez devido ao feriado estadual de 9 de Julho em São Paulo — volume de R$ 15,4 bi, abaixo da média.
Subsídio à gasolina prorrogado por causa da guerra — etanol a 32% vai à terça: o governo prolonga o subsídio à gasolina enquanto o cenário externo não se estabilizar, segundo Durigan. O fim da subvenção “depende do cenário externo”. Hugo Motta confirmou que o aumento do etanol na gasolina para 32% — adiado três vezes — será discutido na terça-feira. O governo manteve a alíquota de 12% do imposto de exportação de petróleo.
  • IGP-M: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia de julho (FGV) — sinal positivo para o componente de aluguéis no IPCA, que havia pressionado o índice nos meses anteriores
  • Arminio Fraga no Fed: o ex-presidente do BC brasileiro integra grupo de trabalho que revisará a estratégia de comunicação do Fed sob Warsh — presença relevante de um nome de peso brasileiro na reforma do banco central mais importante do mundo
  • Entidades do Brasil e EUA propõem acordo para evitar novo tarifaço de Trump — iniciativa privada tenta criar canal alternativo ao impasse político entre os governos

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Empresas em DestaqueCorporativo

  • Petrobras (PETR3/4): concluiu a aquisição e assumiu a operação do bloco 3 no offshore de São Tomé e Príncipe (África), com consórcio formado por Petrobras 75%, Oranto 15% e ANPST 10%. Expansão internacional em momento de volatilidade do petróleo.
  • Oi (OIBR3): informou agravamento significativo da situação financeira, com risco concreto de interrupção das operações a partir de 1º de agosto de 2026. O caixa caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões — considerado insuficiente pelo gestor judicial para sustentar a operação no curtíssimo prazo.

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Análise do DiaResearch BTG Pactual

Contexto de Mercado
Baseado no Research BTG Pactual

A semana encerra com uma conclusão paradoxal: o pior cenário foi evitado, mas o cenário atual já é suficientemente ruim para reverter boa parte do trabalho de junho. O Brent em US$ 76 — recuando dos US$ 78 de ontem, mas ainda muito acima dos US$ 71 de segunda-feira — mantém as defasagens de combustíveis nos piores níveis de todo o conflito (diesel −50%), o subsídio prorrogado e o etanol a 32% adiado pela terceira vez. Segundo o research do BTG Pactual, o dado mais revelador desta semana não é o petróleo, mas o dólar: mesmo com o Brent disparando 6% na quarta, o real fechou a semana perto de R$ 5,12 — sustentado pelo fluxo de entrada de US$ 17,78 bi no semestre, o maior em oito anos. Esse colchão cambial é o principal diferencial do Brasil em relação à primeira rodada do conflito em março, quando o real chegou a R$ 5,80. A nomeação de Arminio Fraga para revisar a comunicação do Fed é um dado curioso e positivo para a credibilidade do processo — Warsh sinalizou que quer mais clareza e menos “forward guidance”, e escolheu o arquiteto do regime de metas de inflação brasileiro para ajudá-lo. Para a semana que vem, os três eventos a monitorar são: a discussão do etanol a 32% na terça (o único amortecedor doméstico ainda não acionado), os desdobramentos do conflito em Ormuz, e a leitura do mercado sobre o ritmo do Fed após a revisão do PCE que Warsh prometeu.

🌡️

Radar de Inflação
Monitoramento de Preços

Defasagem Diesel
−50%
Abicom · 09/07 — pior do conflito
Defasagem Gasolina
−34%
Abicom · 09/07 — subsídio prorrogado
Brent
US$ 76,10
Recua, mas ainda alto vs. US$ 71 na seg.
El Niño
81% forte
Chance de intensificação até o fim do ano

  • Diesel em −50% — o dado mais crítico do Radar: a defasagem do diesel permanece no pior nível de todo o conflito. Com o Brent em US$ 76, a diferença entre o preço internacional e o praticado nas bombas exige manutenção do subsídio — e o governo prorrogou explicitamente o programa “por causa da guerra”
  • Subsídio da gasolina prorrogado indefinidamente: Durigan confirmou que o fim da subvenção “depende do cenário externo”. O etanol a 32% — o único amortecedor que o governo controla — foi adiado para a terça-feira. A aprovação esta semana seria o primeiro passo concreto de normalização desde a reescalada
  • AIE: demanda global de petróleo deve cair pela 1ª vez desde 2020 com o conflito — sinal de que o choque não é apenas de preço, mas de volume. Para o Brasil, menor demanda global pode eventualmente pressionar o Brent para baixo, mas no curto prazo a oferta restrita domina
  • IGP-M de julho: inflação do aluguel cai 0,39% na 1ª prévia — dado construtivo que pode aliviar a pressão nos contratos residenciais. O IGP-M de junho havia caído 0,50%, sugerindo uma tendência de alívio nos preços ao produtor que pode chegar ao IPCA com defasagem
  • El Niño com 81% de chance de se intensificar até o fim do ano: o fenômeno agrava os riscos sobre alimentos e energia elétrica justamente quando o petróleo já pressionava a inflação. A combinação de dois choques simultâneos — petróleo e clima — é o cenário mais adverso para o IPCA do 2S26
📌 Leitura do Radar: o Brent recuou de US$ 78 para US$ 76, mas isso não resolve o problema — a defasagem do diesel em −50% continua sendo o número mais preocupante desde o início do conflito. O subsídio prorrogado protege o consumidor mas pressiona o fiscal. O único movimento positivo desta semana no Radar é o IGP-M de aluguéis caindo. O etanol a 32%, se aprovado na terça, será o primeiro sinal concreto de normalização desde a reescalada.

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Clipping de NotíciasSeleção do Dia

As 5 notícias com maior impacto para o mercado financeiro desta edição.

01
Fed / Arminio FragaPolítica Monetária Global
Warsh nomeia Arminio Fraga para revisar comunicação do Fed — ex-presidente do BC brasileiro integra força-tarefa
Kevin Warsh anunciou força-tarefa para reformas no Fed e escolheu Arminio Fraga — ex-presidente do Banco Central do Brasil e arquiteto do regime de metas de inflação — para integrar o grupo que revisará a estratégia de comunicação. Warsh prometeu menos “forward guidance” e mais clareza. Analistas veem Warsh ganhando alívio com a revisão do PCE.
Contexto: A escolha de Fraga é um sinal de que Warsh quer incorporar as melhores práticas globais de comunicação de bancos centrais — e o brasileiro é reconhecido internacionalmente por ter construído a credibilidade do BC sob pressão de crise. Para o Brasil, é um vínculo simbólico relevante entre os dois países num momento de tensão comercial.

02
Combustíveis / EtanolInflação — Agenda da Próxima Semana
Subsídio à gasolina prorrogado por causa da guerra — etanol a 32% vai à discussão na terça-feira
O governo prolonga o subsídio à gasolina enquanto o cenário externo não se estabilizar, segundo Durigan. Hugo Motta confirmou que o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% — adiado três vezes — será discutido na terça-feira. A alíquota de 12% do imposto de exportação de petróleo foi mantida.
Contexto: O etanol a 32% na terça é o evento doméstico mais relevante da próxima semana para a inflação. Com o Brent em US$ 76 e o diesel em −50% de defasagem, qualquer amortecedor é bem-vindo. A aprovação reduziria a dependência de gasolina importada e funcionaria como colchão parcial da nova alta do petróleo — sem custo para o Tesouro.

03
AIE / Petróleo / Oriente MédioGeopolítica — Energia
AIE: demanda global de petróleo deve cair pela 1ª vez desde 2020 com o conflito EUA-Irã
A Agência Internacional de Energia divulgou relatório alertando que a demanda global por petróleo deve cair pela primeira vez desde 2020, com o conflito afetando produção e exportações no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz prejudicando os fluxos pelo Golfo Pérsico. A agência ressalva que uma recuperação está em curso, mas alerta que nova escalada pode complicar o cenário.
Contexto: A queda da demanda global é uma faca de dois gumes: no curto prazo, a oferta restrita domina e o petróleo segue alto. No médio prazo, se a demanda cair e Ormuz for reaberto, o ajuste pode ser mais rápido do que o esperado. Para o Brasil, o cenário favorável seria Brent caindo para US$ 65–70 sem nova escalada — o que permitiria encerrar o subsídio e retomar o ciclo de cortes da Selic.

04
Oi (OIBR3)Empresas — Risco Operacional
Oi alerta para risco de interrupção das operações a partir de 1º de agosto — caixa cai para R$ 19,6 mi
A Oi informou ao mercado que enfrenta agravamento significativo de sua situação financeira, com risco concreto de interrupção das operações a partir de 1º de agosto de 2026. O caixa da companhia em recuperação judicial caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões — nível considerado insuficiente pelo gestor judicial para sustentar a operação no curtíssimo prazo.
Contexto: A Oi em colapso iminente é um caso de risco sistêmico para as telecomunicações brasileiras — a empresa ainda opera redes relevantes mesmo em recuperação judicial. A interrupção das operações afetaria diretamente clientes residenciais e empresariais. Para o mercado financeiro, sinaliza que os credores precisarão decidir rapidamente entre injetar capital ou aceitar uma reestruturação mais drástica.

05
Tarifaço / EUA / NegociaçãoComércio Internacional
Entidades do Brasil e EUA propõem acordo privado para evitar novo tarifaço — comissão critica regulação digital brasileira
Entidades empresariais dos dois países apresentaram proposta de acordo para evitar a aplicação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em paralelo, uma comissão dos EUA criticou a regulação digital brasileira, acusando o Brasil de querer “censurar empresas” — nova frente de tensão bilateral além do Pix e das tarifas comerciais.
Contexto: A iniciativa privada tenta criar um canal de solução que os governos não estão conseguindo abrir. A crítica americana à regulação digital adiciona uma terceira frente às tensões bilaterais — após o Pix e as tarifas comerciais. Para o Brasil, a questão regulatória digital pode se tornar tão relevante quanto o debate tarifário nas negociações com Washington.

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